Desentendimento entre Wanderley Cerqueira e Bruno Rios ocorreu antes da sessão desta terça-feira (20), horas após cumprimento de mandados da Operação Cathedra Venalis
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), protagonizou um bate-boca com o vereador Bruno Rios (PL) momentos antes da sessão ordinária desta terça-feira (20). Durante a discussão, captada por um microfone que permaneceu ligado, Wanderley afirmou que o colega iria “pagar” e acrescentou que ele saberia “na hora certa”.
O episódio ocorreu poucas horas depois de Wanderley e outros parlamentares serem alvos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suspeitas de crimes relacionados à disputa pela presidência do Legislativo municipal.
As imagens e o áudio registram o momento em que Wanderley se aproxima de Bruno e toca em seu ombro. Diante das declarações do presidente, o vereador reage e pede que não seja ameaçado, afirmando não ter envolvimento com atos atribuídos a outros integrantes da Casa.
“Não vem me ameaçar, você faz o que quiser. Não tenho nada a ver com isso. Não tenho nada a ver com as ações de vocês. Eu respondo pelos meus atos”, declarou Bruno.
A conversa aconteceu enquanto os parlamentares se preparavam para o início dos trabalhos. O vereador Sardinha (MDB) aguardava para fazer a leitura bíblica que antecederia a sessão. Como o áudio não permite identificar integralmente todas as falas, não foi possível esclarecer o motivo exato do desentendimento nem a que situação Wanderley se referia ao dizer que Bruno iria “pagar”.
A operação realizada nesta terça-feira cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre as suspeitas investigadas estão corrupção, extorsão, chantagem, ameaças e cárcere privado, no contexto da eleição para a presidência da Câmara de Várzea Grande.
As apurações se concentram nas circunstâncias da votação que garantiu a recondução de Wanderley ao comando do Legislativo, em maio deste ano. Na ocasião, ele venceu por apenas um voto de diferença. Posteriormente, a eleição perdeu a validade após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), deixando a escolha da próxima Mesa Diretora pendente de nova votação.
O episódio também ocorre em meio às divergências políticas entre os grupos que disputam o comando da Câmara. Bruno Rios já exerceu a liderança da prefeita Flávia Moretti (PL) no Legislativo, enquanto Wanderley integra um grupo político adversário da chefe do Executivo. A prefeita, por sua vez, apoia a candidatura de Lucas Chapéu do Sol (PL) à presidência da Casa.
Até o momento, não há confirmação de que a discussão entre os vereadores tenha relação direta com a operação do Gaeco. Também não foi esclarecido o significado da declaração feita por Wanderley durante o confronto.


