Um princípio de motim foi registrado na tarde deste domingo (26) no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Lucas do Rio Verde, a 354 km ao norte de Cuiabá, e mobilizou equipes de segurança da unidade. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), a situação foi rapidamente controlada, evitando maiores consequências dentro do sistema prisional. Detentos ficaram feridos Durante a ocorrência, quatro detentos sofreram escoriações leves e foram encaminhados para realização de exame de corpo de delito. Nenhum policial penal ficou ferido na ação. O CDP possui capacidade para 174 detentos, e a rápida intervenção das equipes evitou a escalada do conflito. Envolvidos serão punidos Segundo a Sejus, os detentos envolvidos já foram identificados e irão responder a Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), conforme as normas do sistema penitenciário. Sistema sob vigilância A Secretaria reforçou que mantém monitoramento constante nas unidades prisionais e adota medidas contínuas para garantir a ordem, a disciplina e a segurança no sistema carcerário de Mato Grosso. Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O dia em que o Brasil quase voltou a votar — e o mato-grossense que acendeu essa chama
Em um relato pessoal, o deputado Max Russi resgata o impacto histórico da Emenda Dante de Oliveira e o papel decisivo de Mato Grosso na redemocratização do país Eu tinha apenas oito anos, mas já percebia algo diferente no ar. Em minha cidade, as pessoas comentavam, torciam, se mobilizavam — ainda sem compreender totalmente a dimensão daquele momento histórico. Era 25 de abril de 1984, um dia que ficaria marcado para sempre na memória do Brasil. Meus pais acompanhavam tudo pela televisão. Nas ruas, motoristas buzinavam, grupos se formavam em frente às casas e comércios. Em Brasília, multidões se concentravam diante do Congresso Nacional. As galerias da Câmara dos Deputados estavam tomadas por brasileiros comuns, homens e mulheres que queriam testemunhar uma decisão capaz de mudar o rumo do país. No centro daquele momento estava Dante Martins de Oliveira, engenheiro civil nascido em Cuiabá, que apresentou uma proposta simples e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora: devolver ao povo o direito de escolher o presidente da República. Nascido em 6 de fevereiro de 1952, Dante formou-se em Engenharia Civil pela UFRJ, onde teve contato com o movimento estudantil e com grupos que resistiam ao regime militar. De volta a Mato Grosso, construiu uma trajetória política marcada pela coragem. Foi eleito deputado estadual em 1978 e, posteriormente, deputado federal em 1982. Logo ao assumir o mandato em Brasília, sabia qual seria seu papel na história. Em 2 de março de 1983, protocolou a Proposta de Emenda Constitucional nº 5, que ficaria eternizada como Emenda Dante de Oliveira. O objetivo era restabelecer as eleições diretas para presidente. A proposta rapidamente ganhou força e deu origem ao movimento “Diretas Já”, que uniu diferentes partidos, classes sociais e gerações. O Brasil passou a ecoar um só grito: o desejo de votar. Depois de quase duas décadas de regime militar, a sociedade encontrava novamente sua voz. As manifestações cresceram de forma impressionante. Em janeiro de 1984, cerca de 300 mil pessoas ocuparam a Praça da Sé, em São Paulo. Em abril, mais de um milhão se reuniram na Candelária, no Rio de Janeiro, e outro milhão tomou o Vale do Anhangabaú, na maior mobilização popular da história brasileira até então. Apesar da pressão popular, o governo militar reagiu. Houve tentativa de controle da informação, restrições à cobertura da votação e medidas de emergência em Brasília. Ainda assim, 298 deputados votaram a favor da emenda. Faltaram apenas 22 votos para atingir o quórum necessário. A proposta foi rejeitada. Naquela noite, o Brasil foi dormir frustrado. Mas a história já havia mudado de direção. No ano seguinte, em 1985, o país voltou a ser governado por civis. Em 1988, a nova Constituição consolidou direitos fundamentais. E, em 1989, o povo finalmente voltou às urnas para eleger diretamente o presidente da República. A semente plantada por Dante germinou. Ele seguiu sua trajetória pública, sendo prefeito de Cuiabá por dois mandatos, ministro e governador de Mato Grosso também por duas vezes. Faleceu precocemente em 6 de julho de 2006, aos 54 anos, deixando um legado permanente na história da democracia brasileira. Hoje, como deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, sinto que relembrar essa história é também reafirmar um compromisso. Aquela criança de oito anos não imaginava que, décadas depois, ocuparia um cargo na mesma instituição que Dante ajudou a fortalecer com sua luta. Recordar não é um exercício de nostalgia. É um ato de responsabilidade. O voto popular é um direito fundamental — e Mato Grosso teve papel decisivo para que ele fosse reconquistado. *Max Russi é deputado estadual e atual presidente a Assembleia Legislativa de Mato Grosso
POR QUE A GENTE SEMPRE DESCOBRE O PROBLEMA QUANDO JÁ É TARDE DEMAIS?
Ninguém acorda pensando: “hoje vou ter um problema jurídico”. Mas muita gente vai dormir com um. Quase sempre, o problema aparece do mesmo jeito: de surpresa. Você tenta pagar uma conta e o aplicativo não deixa. Vai fazer uma compra e descobre que seu nome está sujo. Chega na propriedade e percebe que não pode mais trabalhar. Ninguém avisou antes. Ninguém explicou. Quando você descobre, o estrago já está feito. O momento do choque O que mais marca não é só o prejuízo. É o choque. Aquela sensação de “como assim?”. De “isso não faz sentido”. De “por que ninguém me avisou antes?”. A pessoa não está tentando fugir de responsabilidade. Ela só queria ter sido avisada. Ter tido chance de corrigir, explicar, ajustar. Mas não houve conversa. Só consequência. A vida real não funciona como sistema Sistemas são frios. Pessoas não. Quem está do outro lado não pensa em protocolo, processo ou formulário. Pensa em coisas simples: “Como vou pagar minhas contas?”; “E agora, o que eu faço?” e “Quem vai me ouvir?” Só que, muitas vezes, a resposta que vem é automática. Um texto pronto. Uma negativa padrão. Um silêncio que machuca mais do que o erro. O problema não é errar. É avisar tarde. Errar acontece. O que não pode virar regra é avisar depois que o prejuízo já aconteceu. Avisar depois não é aviso. Explicar depois não é cuidado. Corrigir depois nem sempre resolve. Aos poucos, estamos sendo acostumados a viver em estado de alerta, sempre com medo da próxima surpresa. Isso não é normal. E não deveria ser aceito como parte da vida. Quando o susto vira rotina Talvez o mais preocupante seja isso: o susto está virando rotina. E quando a surpresa vira regra, algo está profundamente errado. O cidadão não pode ser sempre o último a saber e o primeiro a pagar. Conclusão Justiça não é só decidir certo. É avisar antes, ouvir antes, agir com humanidade. Porque quando a explicação vem só depois do prejuízo, não é solução. É mais um problema. A Justiça precisa chegar antes do choque, não depois dele. Diogo Fernandes Colunista em Justiça & Sociedade do site MT Urgente News Proprietário do escritório Diogo Fernandes Advocacia
Resgate aéreo salva idoso após queda na zona rural de Cuiabá
Um idoso foi resgatado por equipes do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na tarde deste domingo (26), após sofrer uma queda em sua residência localizada nas proximidades do km 80 da Estrada do Manso, em Cuiabá. A ocorrência mobilizou também o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em uma ação conjunta que reforça a eficiência do atendimento emergencial no Estado. De acordo com as equipes envolvidas, o chamado partiu do Samu, que solicitou apoio da aeronave Águia 03 diante da gravidade do quadro clínico da vítima. O idoso apresentava sinais de confusão mental e perda de memória, sintomas compatíveis com possível trauma na região da cabeça. No local, os profissionais realizaram os primeiros atendimentos e estabilizaram o paciente para o transporte aeromédico. Em seguida, ele foi encaminhado com agilidade ao Hospital Municipal de Cuiabá, onde recebeu cuidados médicos especializados. A operação evidencia a importância da integração entre as forças de atendimento de urgência, especialmente em áreas de difícil acesso. O suporte aéreo tem sido fundamental para reduzir o tempo de resposta e ampliar as chances de recuperação dos pacientes. Após a conclusão do resgate, a equipe do Ciopaer retornou à base sem intercorrências e permaneceu em prontidão para novas ocorrências.
Max emociona ao homenagear ex-aluno de 96 anos na celebração de aniversário do IFMT São Vicente
Deputado destaca papel da instituição na formação de profissionais que ajudaram a transformar Mato Grosso. Aos 96 anos, o senhor Amauri de Figueiredo, ex-aluno da turma de 1946, foi um dos grandes protagonistas da comemoração pelos 83 anos do IFMT – Campus São Vicente, realizada neste sábado (25), na Serra de São Vicente. Em meio a lembranças e histórias de vida, ele recebeu uma moção de aplausos das mãos do deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). “Ele representa toda uma geração que ajudou a construir Mato Grosso. É o reconhecimento de uma vida e da importância dessa escola na formação das pessoas”, destacou Russi. Durante a cerimônia, o deputado entregou títulos e moções de aplauso a egressos, aposentados e pensionistas do IFMT, valorizando a contribuição de quem fez parte da história do campus. Max no IFMT São Vicente. Crédito: Rodrigo Prates Educação que transforma o estado Ao falar sobre a importância do IFMT São Vicente, Max ressaltou o papel da instituição na transformação de Mato Grosso em potência agrícola. E também destacou o impacto da formação na vida das pessoas. “Por onde eu passo, encontro ex-alunos que construíram suas vidas com trabalho, honestidade e dedicação. Isso mostra a qualidade da formação daqui.” Parceria com a Assembleia fortalece o instituto O reitor do campus, Julio Cesar dos Santos, reforçou a importância do apoio institucional recebido. “Max [Russi] é um grande parceiro. Ele representa o instituto na Assembleia, apoia nossos projetos e mantém as portas abertas. A ALMT se tornou uma grande aliada do IFMT”, afirmou. Max ao centro, no aniversário do IFMT São Vicente. Crédito: Rodrigo Prates
Lei Seca prende 93 motoristas por embriaguez em Mato Grosso durante operação nacional
A Operação Lei Seca realizada em Mato Grosso no último fim de semana terminou com 93 condutores presos por embriaguez ao volante. A ação integrou uma mobilização nacional promovida de forma simultânea em 20 estados brasileiros, entre os dias 24 e 26 de abril, com foco na redução de acidentes e na preservação de vidas. De acordo com o balanço do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), as equipes fiscalizaram 930 veículos e aplicaram 1.027 testes de alcoolemia em abordagens realizadas em oito municípios mato-grossenses. O resultado aponta para um cenário de alta incidência de irregularidades: 441 veículos foram autuados e 339 acabaram removidos. Ao todo, foram emitidos 817 Autos de Infração de Trânsito (AIT). Entre as principais infrações, destacam-se 152 registros por condução sob efeito de álcool e 51 casos de recusa ao teste do bafômetro. Também chamam atenção as 140 autuações por direção sem habilitação e outras 229 por veículos sem registro ou com licenciamento irregular. As fiscalizações ocorreram nos municípios de Cuiabá, Sinop, Barra do Garças, Cáceres, Tangará da Serra, Nova Mutum, Alta Floresta e Rondonópolis. A operação contou com atuação integrada de diversas forças de segurança e órgãos de fiscalização, incluindo polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, sistema socioeducativo, Departamento Estadual de Trânsito e guardas municipais. A iniciativa reforça a estratégia de enfrentamento à combinação de álcool e direção, considerada uma das principais causas de acidentes graves nas vias urbanas e rodovias.
Conta de luz vai subir: Aneel aciona bandeira amarela em maio
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira tarifária para o mês de maio será amarela, o que significa cobrança adicional na conta de luz para os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). A mudança ocorre após um período de quatro meses com bandeira verde, quando não havia acréscimos nas tarifas. De acordo com a agência reguladora, a decisão está relacionada à diminuição das chuvas em boa parte do país, cenário típico da transição entre o período chuvoso e o seco. Com menos água nos reservatórios, a geração de energia hidrelétrica é reduzida, exigindo o acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo de produção mais elevado. O sistema de bandeiras tarifárias, criado em 2015, funciona como um indicador dos custos reais de geração de energia no Brasil. As cores — verde, amarela e vermelha — sinalizam ao consumidor quando há aumento nesses custos. Na bandeira verde, não há cobrança extra. Já nas bandeiras amarela e vermelha, há acréscimos proporcionais ao consumo de energia, calculados a cada 100 quilowatts-hora (kWh). Com a mudança para a bandeira amarela, os consumidores devem se preparar para um leve aumento na conta de luz já no próximo mês, reforçando a importância do uso consciente de energia elétrica.
Patrulha Maria da Penha acompanha mais de 1,2 mil mulheres e acende alerta para descumprimento de medidas em MT
O Núcleo das Promotorias de Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), realizou uma visita técnica à Patrulha Maria da Penha, em Cuiabá, com o objetivo de avaliar o funcionamento da unidade e discutir estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher. A agenda reuniu representantes do Ministério Público e da Polícia Militar, evidenciando o crescimento da demanda e a necessidade de aprimorar fluxos de atendimento. Durante o encontro, a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra destacou a preocupação com o aumento no descumprimento de medidas protetivas, cenário que tem exigido respostas mais rigorosas das autoridades. Entre as medidas adotadas, estão a ampliação do uso de monitoramento eletrônico de agressores e o aumento no número de prisões. A Patrulha Maria da Penha, vinculada ao 1º Comando Regional da Polícia Militar, atua com visitas periódicas a mulheres que possuem medidas protetivas determinadas pela Justiça. Segundo a equipe, atualmente 1.282 vítimas são acompanhadas em Cuiabá e também nos municípios de Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger e Barão de Melgaço. Responsável pela apresentação dos dados, a sargento Márcia Gonçalina de Morais Almeida ressaltou que o aumento no número de atendimentos está diretamente ligado à maior conscientização da população e ao crescimento das denúncias. Ela também explicou que o acompanhamento das vítimas é feito a partir de uma análise individual de risco, que define a frequência das visitas realizadas pelos policiais. As regiões com maior incidência de casos incluem bairros populosos da capital, como Osmar Cabral, Pedra 90 e Dom Aquino, além de áreas da Baixada Cuiabana. Nesses locais, a atuação da Patrulha tem sido essencial tanto na prevenção quanto na repressão de novos episódios de violência. Outro ponto debatido foi a dificuldade operacional em casos de descumprimento de medidas protetivas, especialmente na definição de qual órgão deve ser acionado. De acordo com a promotora, nem todas as situações configuram flagrante imediato, o que pode gerar dúvidas no encaminhamento adequado. Nesses casos, a orientação tem sido direcionar as ocorrências à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher. A visita reforça a importância da integração entre os órgãos de segurança e justiça no combate à violência doméstica, além de evidenciar a necessidade de constante adaptação das estratégias diante do aumento da demanda e da complexidade dos casos atendidos.
Caçador é preso com pistola irregular durante operação da PM no interior de MT
Um homem foi preso por porte ilegal de arma de fogo neste domingo (26), durante uma ação da Polícia Militar na zona rural de Guiratinga, município localizado a cerca de 332 quilômetros de Cuiabá. A ocorrência foi registrada por equipes do 5º Batalhão, no âmbito da Operação Tolerância Zero. De acordo com a PM, a abordagem aconteceu após denúncias de que uma caminhonete de cor escura estaria circulando pela região praticando caça ilegal. Diante das informações, os policiais montaram um bloqueio na localidade conhecida como Chapadão do Diamantino. Durante a ação, uma caminhonete modelo RAM 3500 foi interceptada com quatro ocupantes. O condutor afirmou que o grupo estava na região para caça de javali, mas que nenhum animal havia sido abatido. Ele apresentou documentação regular de duas armas longas transportadas no veículo, além da licença para a atividade. As armas estavam descarregadas e armazenadas conforme as exigências legais. No entanto, durante a revista pessoal, os policiais encontraram uma pistola calibre 9 milímetros na cintura de um dos ocupantes. O suspeito alegou que a arma era registrada em seu nome, mas não apresentou a documentação obrigatória no momento da abordagem. Diante da irregularidade, o homem foi detido e encaminhado à delegacia, onde foram adotadas as medidas cabíveis. A arma e 24 munições foram apreendidas.
Ofensiva do governo contra bets reacende debate e destaca PL de Gisela contra endividamento
O endurecimento do governo federal contra o mercado de apostas online reacendeu o debate sobre os impactos sociais das chamadas ‘bets’ no Brasil. Um cenário que volta a colocar em evidência propostas legislativas voltadas à proteção do consumidor. Entre elas, o Projeto de Lei 1561 de 31 de março de 2026, de autoria de Gisela Simona, que nestes 33 meses de mandato consolidou sua presença na esfera federal, ao intensificar sua defesa ao consumidor com diversas proposições legislativas focadas em proteger o cidadão de práticas abusivas e garantir maior transparência nas relações de consumo. E, igualmente, na busca de impor limites mais rígidos às práticas das plataformas digitais de apostas que têm levado milhares de brasileiros ao endividamento. Nesta sexta-feira (24), o governo anunciou que o mercado de apostas de predição é ilegal no país e oficializou o bloqueio de 28 plataformas. A medida integra a ofensiva do governo brasileiro contra a expansão descontrolada do setor, que já movimenta bilhões e atinge, sobretudo, a população de baixa renda. Dados do Banco Central e do Ministério da Fazenda apontam que cerca de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas online, movimentando mais de R$ 20 bilhões. O recorte social revela um cenário ainda mais sensível apontado no levantamento do DataSenado indicando que 52% dos apostadores pertencem a famílias com renda de até dois salários mínimos. Entre beneficiários do Bolsa Família, cerca de 5 milhões destinaram R$ 3 bilhões às plataformas em apenas um mês. Apesar da regulamentação recente, o próprio governo admite dificuldades para controlar o setor. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda contabilizou mais de 15 mil páginas retiradas do ar desde 2024 e atualizado em 2025. Ainda assim, seguem autorizadas 182 bets e 17,7 milhões de brasileiros ativos nestas plataformas. É nesse contexto que ganha relevância o projeto apresentado por Gisela Simona, na Câmara Federal, igualmente, presidente do diretório do União Brasil, em Cuiabá. O PL 1561/2026 foi concebido com foco na proteção do consumidor diante de práticas consideradas abusivas no ambiente digital de apostas. A proposta estabelece restrições diretas à forma como as plataformas operam. Entre os pontos centrais estão a proibição de mecanismos que dificultem o acesso do usuário a ferramentas de autoexclusão, limites de depósito e encerramento de contas, além da vedação ao uso de instrumentos financeiros que estimulem o endividamento, como cartão de crédito e modalidades de crédito integradas. O projeto também enfrenta o que especialistas classificam como ‘engenharia comportamental’ das plataformas. Estratégias que incentivam o consumo compulsivo por meio de recompensas progressivas, estímulos visuais e sensação artificial de controle sobre os resultados. À imprensa e nas suas redes sociais, no último final de semana, Gisela reforçou o impacto social do problema e a necessidade de atuação mais firme do Estado. “As apostas online estão comprometendo a renda de milhões de brasileiros, especialmente os mais vulneráveis. Não se trata apenas de entretenimento, mas de um modelo que induz ao endividamento e afeta diretamente o orçamento das famílias”, afirmou. Ainda segundo Gisela, a proposta não busca proibir a atividade, mas estabelecer limites claros. “A exploração econômica não pode ocorrer às custas do superendividamento do consumidor. É preciso garantir instrumentos reais de proteção e responsabilização das empresas”, completou. Do ponto de vista jurídico, o projeto propõe preencher uma lacuna na legislação ao incluir, no Código de Defesa do Consumidor, a tipificação de práticas que induzam o apostador a comprometer sua renda de forma incompatível com sua capacidade econômica. Embora o setor tenha sido regulamentado pela Lei nº 14.790/2023, especialistas apontam que ainda há fragilidades na proteção ao consumidor, especialmente diante da rápida expansão das plataformas digitais e da sofisticação de seus mecanismos de retenção. Com o avanço das medidas federais e o aumento da pressão social sobre o setor, propostas como a de Gisela Simona tendem a ganhar novo fôlego no debate público, especialmente em um cenário onde o crescimento das apostas já evidencia impactos econômicos e sociais relevantes.