A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quarta-feira (25.11), a Operação Vertigem, para cumprimento de 17 ordens judiciais, entre mandados de prisão e busca e apreensão, com alvo em um grupo criminoso envolvido com o tráfico de drogas sintéticas em Cuiabá. Na operação, são cumpridos nove mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão domiciliar, deferidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – polo de Cuiabá. As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Cuiabá e no Rio de Janeiro (RJ). As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), iniciaram no ano de 2023, após cumprimento de ordens judiciais da Operação Doce Amargo. Na ocasião, durante as buscas na casa de um dos alvos, assessor do poder judiciário, foram apreendidos eletrônicos e documentos relacionados à atividade criminosa. Com o avanço das investigações, foi possível identificar uma rede de fornecedores de drogas relacionadas ao servidor. Entre os fornecedores, está o principal alvo da operação, traficante de Cuiabá, mas que atualmente se encontra no Paraguai e enviava as drogas do país vizinho para a capital mato-grossense. As investigações apontaram ainda que o servidor público atuava como principal membro de grupos de rateio para aquisição de entorpecentes entre grupos de pessoas de alto poder aquisitivo, inclusive obtendo lucro com sua atuação. Os alvos da operação atuavam na venda de drogas como ecstasy, MDMA, LSD, conhecidos popularmente como “bala”, “roda” e “doce”, além de outras substâncias como “loló”, lança-perfume ou clorofórmio. Com base nos elementos apurados, foi representado pelas ordens judiciais, que foram deferidas pela justiça e cumpridas na manhã desta quarta-feira (26). As ordens judiciais buscam desarticular a atuação do grupo criminoso, assim como a identificação de outros possíveis envolvidos. Renarc A Operação faz parte das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de inteligência de combate de forma duradoura à criminalidade.
Mercadinho social leva comida à mesa de famílias em extrema vulnerabilidade em Várzea Grande
Em meio a um cenário de insegurança alimentar que atinge milhares de famílias em Mato Grosso, uma iniciativa simples, mas de grande impacto, tem transformado a realidade de moradores do bairro São Mateus, em Várzea Grande. Trata-se do Mercado Social, projeto mantido pela ONG Família Social, presidida pelo empresário Dante da Mata, criado para garantir acesso a alimentos básicos para quem enfrenta a fome diariamente. O funcionamento é direto e objetivo: famílias previamente cadastradas e avaliadas pela organização podem realizar compras de até R$ 100 em itens essenciais como arroz, feijão, óleo, açúcar, macarrão e outros produtos de primeira necessidade. O abastecimento do projeto é viabilizado por meio de parcerias com comerciantes e empresários locais, que contribuem com doações e apoio logístico. Realidade alarmante em Mato Grosso A iniciativa ganha ainda mais força diante dos dados oficiais. Segundo o IBGE, mais de 885 mil pessoas em Mato Grosso convivem com algum grau de insegurança alimentar. Em regiões periféricas, como o São Mateus, o problema é agravado pela falta de renda, moradia precária e acesso limitado a serviços públicos. Para muitas famílias atendidas, o mercadinho representa não apenas comida na mesa, mas também alívio emocional e esperança em meio às dificuldades. Rede de apoio que vai além do poder público O projeto se consolidou como uma alternativa concreta onde o poder público muitas vezes não consegue chegar com agilidade. Ao garantir acesso regular a alimentos, o Mercado Social fortalece a rede de proteção comunitária, oferecendo dignidade e amparo a quem enfrenta a fome de forma silenciosa. Mais do que doações, a iniciativa promove respeito, continuidade e acolhimento, demonstrando que ações locais podem gerar impacto real em problemas estruturais. Exemplo que inspira Embora não resolva por completo o problema da fome, o projeto mostra que soluções começam dentro das próprias comunidades. Em um estado onde milhares ainda não sabem o que terão para comer no dia seguinte, o Mercadinho Social se torna um exemplo de solidariedade, responsabilidade social e compromisso com a vida.
Presidente da Câmara de Cuiabá minimiza polêmica sobre nome de ex-secretário citado na CPI da Previdência
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), minimizou a polêmica envolvendo a citação do nome do ex-secretário municipal de Fazenda, já falecido, durante a leitura do relatório final da CPI dos Débitos Previdenciários. Em entrevista concedida nesta terça-feira (25), a parlamentar afirmou que a menção ocorreu por um equívoco de leitura em plenário, durante a apresentação do relatório pela vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade), e ressaltou que o erro não compromete o conteúdo da investigação. Segundo Paula Calil, o nome não consta oficialmente na versão final do relatório. “A CPI ocorreu de forma legítima, os vereadores trabalharam com responsabilidade. Quando a vereadora Baixinha fez a leitura, acabou se equivocando. No relatório final não consta o indiciamento. Foi apenas uma fala equivocada”, explicou. Nome de ex-secretário gerou repercussão Durante a leitura inicial no plenário, o ex-secretário chegou a ser citado como suposto responsável por irregularidades relacionadas à previdência municipal, o que gerou forte repercussão política e questionamentos públicos. Após a reação, a versão oficial do documento distribuída à imprensa já não trazia o nome do ex-secretário entre os indiciados. Diante do constrangimento, Paula Calil pediu desculpas publicamente à família. “Em nome da Câmara Municipal de Cuiabá, peço desculpas à família pelo ocorrido. Mas um erro de leitura não pode descredibilizar todo o trabalho sério realizado pela CPI”, afirmou. O que apontou a CPI dos Débitos Previdenciários A CPI concluiu que a gestão municipal anterior deixou um rombo superior a R$ 561 milhões nas contas previdenciárias e fiscais de Cuiabá entre os anos de 2017 e 2024. O relatório aponta que o déficit foi causado por: Retenções indevidas nos salários de servidores Falta de repasses ao Cuiabá-Prev Débitos acumulados com FGTS, INSS, PIS/Cofins e IRRF De acordo com a comissão, as irregularidades não teriam ocorrido por falhas técnicas, mas sim por decisões administrativas que agravaram o desequilíbrio das contas públicas. Passivos identificados Durante as investigações, foram identificadas dívidas expressivas: Cuiabá-Prev: passivo de R$ 108,8 milhões Valores descontados de servidores e não repassados: R$ 21,6 milhões Empresa Cuiabana de Saúde Pública: dívida estimada em R$ 227 milhões Limpurb: débitos que podem chegar a R$ 40 milhões Indiciamentos mantidos Apesar do erro na leitura, o relatório final manteve o indiciamento de: Ex-prefeito Ex-secretária municipal de Educação Ex-secretário municipal de Saúde A CPI entendeu que os gestores tinham conhecimento da situação e não adotaram medidas eficazes para conter o déficit. O relatório foi encaminhado ao: ✅ Ministério Público✅ Tribunal de Contas✅ Procuradoria-Geral do Município✅ Outros órgãos de controle Mesmo com o episódio envolvendo a leitura equivocada, a presidência da Câmara reforçou que o trabalho da CPI segue válido e representa um passo importante para a responsabilização e transparência na gestão pública.
Como calcular o 13º salário em 2025: veja o passo a passo de forma simples
O 13º salário é um dos direitos mais aguardados pelos trabalhadores brasileiros. Todos os anos, ele ajuda no reforço do orçamento e movimenta a economia. Mas muita gente ainda tem dúvidas sobre como o valor é calculado. Veja abaixo o passo a passo de forma simples e direta. Quem tem direito ao 13º salário? Têm direito ao 13º: Trabalhadores registrados em carteira (CLT) Servidores públicos Aposentados e pensionistas do INSS Quem foi demitido sem justa causa também recebe o valor proporcional. Já quem foi demitido por justa causa não tem direito. Como é feito o cálculo do 13º salário? A fórmula é simples: Salário bruto ÷ 12 × número de meses trabalhados 🔹 Um mês conta como “cheio” se o trabalhador tiver atuado por pelo menos 15 dias naquele mês. Exemplo prático Se o salário bruto é R$ 2.400,00 e a pessoa trabalhou o ano todo: 2.400 ÷ 12 = 200200 × 12 meses = R$ 2.400,00 de 13º salário E se a pessoa não trabalhou o ano inteiro? Se trabalhou, por exemplo, 8 meses: 2.400 ÷ 12 = 200200 × 8 = R$ 1.600,00 de 13º salário Como funciona o pagamento? O pagamento normalmente é feito em duas parcelas: ✅ 1ª parcela: até 30 de novembro (ou último dia útil antes disso)→ Corresponde a 50% do valor do 13º→ Não tem descontos ✅ 2ª parcela: até 20 de dezembro→ Vem com descontos de INSS e, se aplicável, Imposto de Renda Quais descontos são aplicados? Os descontos são feitos somente na segunda parcela: INSS Imposto de Renda (se o salário estiver acima da faixa mínima) Como saber se o valor está correto? Confirme: ✅ Seu salário bruto✅ Quantos meses trabalhou no ano✅ Se trabalhou ao menos 15 dias em cada mês contado✅ Descontos aplicados corretamente na segunda parcela Dica importante Antes de gastar, o ideal é: Pagar dívidas Reservar parte para impostos do início do ano (IPVA, IPTU, material escolar) Evitar compras por impulso
Comércio do Centro Histórico e Grande CPA lança “Semana Black” com descontos de até 70% entre 24 e 30 de novembro
O comércio do Centro Histórico e da região do Grande CPA promoverá, entre os dias 24 e 30 de novembro, a campanha Semana Black, oferecendo ao público uma semana inteira de promoções especiais inspiradas na tradicional Black Friday. As lojas participantes anunciarão descontos que podem chegar a 70%, abrangendo diversos setores do varejo. A iniciativa, realizada pelo Sincotec e Sincalco em Mato Grosso, com apoio da Fecomércio-MT, tem como objetivo impulsionar as vendas no período que antecede o fim do ano, fortalecendo a economia local e incentivando os consumidores a aproveitarem oportunidades especiais para antecipar compras de Natal ou renovar itens pessoais, domésticos e profissionais. Segundo os organizadores, a Semana Black representa a última grande chance de comprar com preços reduzidos em 2025, reunindo comerciantes tradicionais e novos empreendimentos das duas regiões. A expectativa é de aumento significativo no fluxo de clientes, especialmente pela amplitude dos descontos e pela diversidade de segmentos participantes. A campanha reforça o compromisso das entidades realizadoras com o desenvolvimento do comércio regional, oferecendo ao consumidor segurança, variedade e condições vantajosas durante todo o período promocional. Serviço: Semana Black – Centro Histórico e Grande CPA Data: 24 a 30 de novembro Descontos: até 70% Realização: Sincotec e Sincalco em Mato Grosso Contato: 65. 9 9997 9560/ 9 9997 9580 Fonte: Fecomercio-MT
Abilio Brunini prometeu uma nova Cuiabá. E você, o que já percebeu que mudou?
Desde a campanha, o atual prefeito de Cuiabá construiu sua imagem política baseado em um discurso firme de fiscalização, combate à corrupção e crítica direta à antiga gestão. Ainda como vereador e depois deputado federal, foi conhecido por enfrentar publicamente contratos, obras e decisões da Prefeitura. Eleição vencida, o cenário mudou: saiu do papel de fiscal e assumiu a cadeira mais cobrada da cidade. Agora, a pergunta que cresce nas ruas é simples e direta: Cuiabá começou a mudar? Durante a campanha, o então candidato prometeu objetivo claro: modernizar a cidade, melhorar o asfalto, fortalecer a saúde pública, reorganizar a educação e garantir uma gestão mais eficiente. Em diversas falas, afirmou que o problema da capital não era falta de dinheiro, mas má gestão e corrupção. Passados os primeiros meses de administração, o MT Urgente foi às ruas ouvir quem realmente sente os impactos das decisões: a população. “A sensação é que a cidade parou”, diz morador Em entrevista à reportagem, o empresario Marcelo, avaliou com sinceridade o momento atual da cidade. “Cuiabá está feia. Buraco pra todo lado, mato alto, lixo acumulado… a gente não vê aquela mudança que foi prometida. A cidade não passa aparência de capital”, afirmou. Segundo ele, o discurso político ainda domina o tom da gestão. “Eu vejo muita explicação, muita internet, muito vídeo… mas pouca solução prática. Parece que o prefeito ainda está preso no Emanuel Pinheiro. Tudo que não faz é porque o ex-prefeito deixou assim”, disse. Marcelo reconhece que problemas foram herdados da gestão anterior, mas cobra mudança de postura. “Chega uma hora que o povo cansa de desculpa. Já está na hora de virar a página. Se houve erro, deixa pra Justiça. Agora tem que focar na cidade, resolver o que está errado e trabalhar.” O que foi prometido Entre as principais promessas de campanha estavam: Melhoria do asfalto e da infraestrutura urbana; Agilidade nos atendimentos de saúde; Redução das filas nas unidades básicas; Uso de tecnologia para gestão de filas e prontuários; Revitalização de espaços públicos; Transparência nos contratos públicos. O discurso sempre foi o mesmo: Cuiabá não era mal atendida por falta de recursos, mas por má administração. O que a população vê hoje Na rua, no entanto, o retrato ainda é de insatisfação para parte dos moradores. “Posto lotado, rua esburacada, poeira quando não é lama. A gente não vê força de gestão. Cuiabá parece estar vivendo de justificativa”, completou Marcelo. O comerciante também questiona o foco da administração. “Prefeitura não pode ser feita de internet. Tem que estar na rua, gerenciando equipe, cobrando resultado e resolvendo problema. O povo quer resultado, não guerra política.” Gestão em teste Especialistas ouvidos pelo MT Urgente avaliam que o início de gestão é o momento mais crítico politicamente. É quando o discurso precisa virar prática. E é justamente nessa fase que o desgaste começa, caso os resultados não apareçam. Apesar das críticas, o espaço segue aberto para que a Prefeitura de Cuiabá apresente balanços, metas, cronogramas de obras e esclarecimentos sobre os avanços da gestão. O sentimento que ecoa nas ruas O resumo do pensamento popular, segundo Marcelo, é direto: “A gente vota esperando mudança. Não quer briga política eterna. Cuiabá precisa de cuidado, gestão de verdade e menos desculpa. A cidade é maior que disputa política.” Alex Rabelo Jornalista e Analista Político
Golpes no Pix: nova regra vai rastrear o dinheiro mesmo após repasses e facilitar devolução às vítimas
O Banco Central colocou em vigor uma nova regra que promete mudar o combate aos golpes envolvendo o Pix em todo o país. A principal novidade é a ampliação do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora passa a permitir o rastreamento e bloqueio do dinheiro mesmo depois que ele já foi transferido para outras contas. A medida busca aumentar as chances de recuperação de valores em casos de fraude e diminuir o prejuízo de vítimas de golpes virtuais, que cresceram significativamente nos últimos anos. O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED) O MED é uma ferramenta criada pelo Banco Central que permite que bancos e instituições financeiras: Bloqueiem valores oriundos de golpes; Rastreiem o caminho do dinheiro; Tentem recuperar a quantia para devolver à vítima. Antes da mudança, o sistema tinha uma grande limitação: ele só conseguia agir na primeira conta que recebia o dinheiro. O que mudou na prática Como funcionava antes ✅ Apenas a primeira conta que recebeu o Pix poderia ser bloqueada.❌ Se o golpista transferisse rapidamente o valor para outras contas, o dinheiro praticamente desaparecia do radar. Como funciona agora ✅ O dinheiro pode ser rastreado mesmo após ser repassado para várias outras contas.✅ O banco pode bloquear os valores nas contas seguintes.✅ As chances de devolução à vítima aumentam consideravelmente. Na prática, o sistema passa a seguir o rastro do dinheiro, não apenas a conta inicial. Em quais casos o MED pode ser usado O mecanismo só é permitido nos seguintes casos: ✔ Golpes confirmados;✔ Fraudes comprovadas;✔ Erros operacionais das instituições financeiras. Ele não pode ser usado quando: ✖ O próprio usuário envia dinheiro errado por descuido;✖ Há briga comercial entre cliente e empresa;✖ Há conflito entre pessoas de boa-fé. Prazo para pedir a devolução Após a vítima registrar a contestação, o prazo para tentativa de recuperação continua sendo de: ⏱ Até 11 dias após a notificação do golpe Quanto mais rápido a vítima comunicar o banco ou registrar o boletim de ocorrência, maiores as chances de recuperar o dinheiro. Quando a nova regra passa a ser obrigatória Atualmente, a adesão ao sistema ainda é opcional para os bancos.Porém, o Banco Central já definiu a data em que o uso se tornará obrigatório para todas as instituições financeiras: 📅 02 de fevereiro de 2026 A partir dessa data, todos os bancos e instituições de pagamento terão que adotar o novo formato do MED. O que muda para o cidadão Na prática, a nova regra traz mais proteção para quem usa o Pix: ✅ Mais chance de recuperar valores roubados✅ Menor vantagem para golpistas✅ Maior controle sobre transações fraudulentas✅ Mais segurança no uso do Pix Atenção continua sendo essencial Mesmo com a nova regra, especialistas alertam que a prevenção ainda é a principal proteção contra golpes. As principais recomendações continuam sendo: Desconfiar de ofertas boas demais; Não clicar em links desconhecidos; Evitar compartilhar dados pessoais; Conferir sempre o nome do destinatário antes de enviar um Pix.
Rodeios e cavalgadas movimentam a economia e fortalecem a cultura no interior de Mato Grosso
Nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos, a cultura se tornou uma das principais engrenagens de desenvolvimento econômico e social. Em Mato Grosso, onde o campo molda a identidade de dezenas de municípios, festas sertanejas, cavalgadas e rodeios deixaram de ser apenas entretenimento e passaram a ser verdadeiros motores de renda, turismo e geração de oportunidades. Esses eventos movimentam toda uma cadeia produtiva: pequenos comerciantes, ambulantes, artesãos, músicos, prestadores de serviço, hotéis, restaurantes e trabalhadores temporários. Em muitos municípios do interior, o calendário de festas é o que garante o sustento de centenas de famílias. Segundo o empresário Diogo Oliveira, responsável pela empresa Arena Dreams, especializada na organização de rodeios e campeonatos em Mato Grosso, cada edição representa um impacto direto na vida da população local. “O rodeio não é só esporte. Ele movimenta hospedagem, alimentação, comércio, transporte e serviço. É um ciclo de oportunidades. Nosso compromisso é entregar eventos profissionais, seguros e que preservem a cultura do nosso povo, valorizando os atletas e fortalecendo a economia das cidades”, destaca. Mato Grosso vira referência no circuito de rodeios Somente em 2025, o estado recebeu etapas em mais de 21 municípios, entre eles Nova Xavantina, Sorriso, Sinop, Tangará da Serra, Cáceres, Mirassol D’Oeste, Lucas do Rio Verde, Guarantã do Norte, Aripuanã e Diamantino. O crescimento acompanha o cenário nacional: no Brasil, o rodeio movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, reunindo aproximadamente 9 milhões de pessoas, de acordo com dados da Confederação Nacional de Rodeios. Do campo para o mundo: a história de jovens peões A força dessa tradição também se reflete nas histórias de vida. O jovem peão Rafael Lana, de apenas 19 anos, já alcançou palcos internacionais. Ele começou acompanhando o pai desde criança, observando os treinamentos e bastidores dos rodeios. Hoje, já competiu em grandes eventos, como o Festival de Barretos e etapas nos Estados Unidos. “O rodeio é minha vida. Cresci acompanhando meu pai e hoje sou eu que entro na arena. Levar as raízes de Mato Grosso para o Brasil e o mundo é uma honra enorme”, afirma. Incentivo do poder público fortalece a tradição O fortalecimento do setor também conta com apoio institucional. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso incluiu os peões de rodeio no Projeto Olimpus, programa estadual de incentivo ao esporte que concede bolsas e apoio financeiro a atletas de várias modalidades. O deputado estadual Alberto Machado (Beto Dois a Um), idealizador da inclusão dos peões no programa, defende a valorização da cultura sertaneja como política pública. “Apoiar o peão é apoiar toda a comunidade. Em muitas cidades, essa cultura é o que movimenta a economia e mantém as famílias trabalhando com dignidade”, afirmou. Além disso, a Lei Estadual nº 11.652/2021 reconheceu oficialmente rodeios, cavalgadas e práticas equestres como patrimônio cultural imaterial de Mato Grosso, garantindo mais segurança jurídica aos eventos e incentivando políticas públicas de fortalecimento do setor. Economia local aquecida: impacto real nas cidades Em municípios de menor porte, o impacto é ainda mais visível. A empresária Fernanda Albuquerque, dona de restaurante em Mirassol D’Oeste, relata que o faturamento cresce consideravelmente durante os eventos. “Em períodos de rodeio, minha renda aumenta em até 30%. Preciso me preparar com antecedência, contratar mais gente e ampliar os estoques”, conta. Já a artesã Maria Aparecida da Silva, que produz chapéus e cintos de couro, afirma que os eventos são sua principal vitrine. “Sem essas parcerias, eu não teria acesso a tanta gente. É o que mantém viva a cultura e o nosso trabalho”, diz. O empresário Joelson Mendes, dono de oficina mecânica em Pontes e Lacerda, também percebe o efeito. “A cidade muda completamente. Hotéis lotam, restaurantes ficam cheios e a procura por serviços aumenta muito. É uma época esperada por todos”, admite. Cultura que gera oportunidades e transforma realidades Mais do que tradição, os rodeios se tornaram uma ferramenta de desenvolvimento real para o interior de Mato Grosso. Eles geram emprego, aquecem a economia, valorizam a identidade regional e fortalecem o sentimento de pertencimento das comunidades. O que antes era apenas lazer, hoje é oportunidade, renda e futuro para milhares de famílias mato-grossenses.
13º salário cai no mesmo dia da Black Friday e deve turbilhonar o comércio
A primeira parcela do 13º salário deve ser paga até 28 de novembro, data limite prevista na legislação trabalhista. Em 2025, o calendário traz uma coincidência que promete aquecer ainda mais o consumo: o pagamento ocorre exatamente no mesmo dia da Black Friday, principal data de promoções do varejo brasileiro. Como o dia 30 de novembro cairá em um domingo, o prazo final para o depósito do benefício foi antecipado para a sexta-feira, dia 28 — justamente quando o comércio deve registrar um dos maiores volumes de vendas do ano. Segundo projeção da empresa de pesquisas Neotrust, a Black Friday deste ano pode movimentar cerca de R$ 11 bilhões, impulsionada pela entrada extra de recursos nas contas dos trabalhadores. Renda extra + grandes ofertas: combinação que impulsiona o comércio Especialistas apontam que a junção do 13º com a maior data promocional do varejo cria um cenário altamente favorável para o consumo. De acordo com Vanessa Martins, executiva da Neotrust, quando o consumidor recebe um reforço na renda, ele tende a comprar com mais confiança, o que impacta diretamente no volume de vendas do comércio físico e online. A expectativa é de crescimento significativo nas vendas de eletrodomésticos, eletrônicos, vestuário e itens de alto valor agregado. Atenção: desconto não pode virar dívida Apesar do cenário positivo para o mercado, economistas alertam para os riscos de descontrole financeiro. O educador financeiro Gean Duarte lembra que logo após novembro chegam despesas pesadas, como: IPVA IPTU Material escolar Compras de fim de ano Segundo ele, o 13º deve ser visto como uma oportunidade de planejamento, e não como um incentivo ao consumo sem controle. “Promoções são bem-vindas quando há organização. Sem isso, o que era oportunidade vira problema financeiro em janeiro”, alerta. Golpes crescem junto com as promoções Outro ponto de atenção são os golpes virtuais, que aumentam consideravelmente nesse período. O Itaú Unibanco informou ter investido mais de R$ 11 bilhões em tecnologia para reforçar seus sistemas de proteção, incluindo: Hub de Segurança Monitoramento de transações em tempo real Alerta Pix Entre os golpes mais comuns estão: Sites falsos que imitam grandes lojas Links maliciosos enviados por redes sociais Boletos adulterados Falsas promoções A orientação aos consumidores é: ✅ Desconfiar de preços muito abaixo do mercado ✅ Conferir o endereço dos sites ✅ Utilizar cartões virtuais nas compras online ✅ Priorizar carteiras digitais em lojas físicas Coincidência histórica no calendário A combinação do pagamento do 13º salário com a Black Friday no mesmo dia promete transformar o dia 28 de novembro em uma das datas mais movimentadas do comércio brasileiro nos últimos anos — com grandes oportunidades, mas também com grandes riscos para quem não planejar.
Supremo forma maioria para manter prisão de Bolsonaro
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) julga nesta segunda-feira (24) se mantém ou não a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada neste sábado (22). O primeiro a votar foi o ministro Alexandre de Moraes, que se manifestou pela manutenção da medida. Segundo ele, o tumulto causado pela reunião de apoiadores poderia “criar um ambiente propício para sua fuga, frustrando a aplicação da lei penal”. Já Flávio Dino, que acompanhou Moraes, afirmou que o plano de fuga seria um “risco evidente à ordem pública”, expondo moradores e propriedades privadas a potenciais danos e situações de perigo iminente. “É pertinente lembrar que, entre os moradores em risco, estariam inclusive idosos e crianças, o que sublinha a insuportável ameaça em curso.” Dino também afirma que a “experiência recente” demonstra que grupos mobilizados em torno de Bolsonaro, “frequentemente atuando de forma descontrolada”, podem repetir condutas similares às ocorridas em 8 de janeiro. “Há risco concreto, portanto, de que tais indivíduos tentem adentrar o condomínio, violando patrimônio privado, ou se desloquem a prédios públicos situados nas proximidades.”A análise é feita em sessão extraordinária no plenário virtual, com votos dos ministros Dino, Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Entenda Jair Bolsonaro foi preso em agosto por descumprimento das medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes. No despacho deste sábado, o ministro informa que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal verificou a violação da tornozeleira eletrônica às 00h08 deste sábado, o que configuraria uma tentativa de fuga “facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”. O senador Flávio Bolsonaro convocou na noite dessa sexta-feira uma vigília na porta do condomínio de Jair Bolsonaro. “Vigília pela saúde e liberdade do Brasil”, mas que, segundo Alexandre de Moraes, seria para gerar movimentação de pessoas no local e criar um ambiente de fuga. Audiência de Custódia Durante a audiência de custódia, realizada nesse domingo (23), Bolsonaro não apontou “qualquer abuso ou irregularidade por parte das autoridades policiais” responsáveis pelo cumprimento do mandado de prisão.” Apesar de ter admitido que mexeu na tornozeleira, o ex-presidente pontuou que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta [da tornozeleira].” Segundo Bolsonaro, ele estava com uma “alucinação” de que tinha alguma escuta na tornozeleira, e por isso tentava abrir a tampa “com um ferro de soldar.” Ele também afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e “parou por volta de meia-noite.” A prisão O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso na manhã desse sábado (22) em Brasília. A decisão ainda não marca o início do cumprimento da pena de reclusão. Segundo uma fonte da PF, a prisão de Bolsonaro é preventiva e não tem relação direta com a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão que o STF impôs em setembro a ele de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado para se perpetuar no governo. Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde ficará em uma sala de Estado, espaço reservado para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Michel Temer também ficaram detidos em salas da PF. Tornozeleira Um vídeo divulgado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) mostra o estado da tornozeleira eletrônica de Jair Bolsonaro.Segundo relatório feito pela Polícia Federal, o dispositivo possuía sinais de avaria e marcas de queimadura: “havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case”. Em resposta, o ex-presidente informou que recorreu a ferro de solda para tentar abrir o equipamento. Julgamento ocorreu em setembro No julgamento concluído no dia 11 de setembro deste ano, quatro dos cinco ministros da Primeira Turma consideraram Bolsonaro culpado dos crimes de organização criminosa, golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O único a divergir da condenação de Bolsonaro foi o ministro Luiz Fux, que, no início de novembro, solicitou transferência para a Segunda Turma do STF. Desde então, as decisões do colegiado tem sido tomadas pelos ministros Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, devido ao pedido de aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Bolsonaro cumpria prisão preventiva em casa desde o dia 4 de agosto deste ano por descumprir medidas cautelares impostas por Moraes. O ex-presidente participou por meio de ligação das manifestações bolsonaristas realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a interação foi transmitida nas redes sociais, o que estava proibido. Caso Eduardo Antes disso, o ex-presidente passou 17 dias, entre 18 de julho e 4 de agosto, monitorado por tornozeleira eletrônica por determinação de Moraes. O ministrou avaliou que ele e o filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tentavam coagir a Justiça no curso da ação penal do golpe por meio de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Foram identificadas transferências financeiras de Bolsonaro para Eduardo nos Estados Unidos, onde o parlamentar vive desde o início do ano em busca de influenciar a gestão Donald Trump a pressionar o STF pelo arquivamento da ação contra seu pai. A atuação de pai e filho com ao governo americano se desdobrou em um inquérito conduzido pela PF para apurar obstrução de justiça e tentativa de interferência no processo em julgamento no STF. No último sábado (15) a Primeira turma decidiu, por unanimidade, tornar Eduardo réu pelo crime de coação. O tema da prisão acompanha Bolsonaro há anos. O ex-presidente já declarou em mais de uma oportunidade que não aceitaria ser preso. “Mais da metade do meu tempo, eu me viro contra processos. E até já falam que serei preso. Por Deus que tá no céu, eu nunca serei preso”, diz Bolsonaro num discurso para empresários em maio de 2022. Em agosto de 2021, o líder da direita foi ainda mais enfático ao dizer que teria somente três alternativas de futuro: ser preso, morrer ou vencer. “Pode ter certeza que a primeira alternativa