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Custo do transporte em Cuiabá chega a R$ 12 por passageiro, diz Abilio

Prefeito afirma que aumento dos custos, redução de passageiros e contrato de 30 anos pressionam as contas do município

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o custo do transporte coletivo para o município chegou a aproximadamente R$ 12 por passageiro transportado, enquanto a tarifa atualmente paga pelos usuários é de R$ 4,95. Segundo ele, a diferença é coberta pelo poder público e o sistema vem enfrentando aumento dos custos operacionais ao mesmo tempo em que registra redução no número de passageiros.

De acordo com Abilio, o custo do sistema cresceu cerca de 20% em relação a 2024. O prefeito atribuiu a elevação principalmente à renovação da frota e à queda na quantidade de usuários. Segundo ele, cerca de 70 ônibus novos já estão circulando na Capital em cumprimento a uma cláusula contratual de renovação dos veículos.

“Infelizmente, o custo só aumenta”, afirmou o prefeito, ao explicar que a redução do número de passageiros eleva o custo médio por embarque, já que parte das despesas de operação permanece mesmo com a diminuição da demanda.

Abilio afirmou que, atualmente, o município desembolsa aproximadamente R$ 12 a cada passagem pela catraca, independentemente de o usuário pagar a tarifa ou ter direito à gratuidade. Com isso, segundo a conta apresentada por ele, uma pessoa que utiliza o transporte coletivo para ir e voltar representa um custo de cerca de R$ 24 para o sistema.

Ao comentar o impacto financeiro, o prefeito chegou a comparar o valor com viagens realizadas por aplicativos de transporte. Segundo ele, em determinadas situações, uma corrida de Uber poderia custar menos ao município do que o transporte coletivo. A comparação, conforme explicou, foi utilizada para dimensionar o custo atual da operação e não representa uma proposta de substituição dos ônibus por veículos de aplicativo.

O prefeito também relacionou a redução da demanda à mudança nos hábitos de deslocamento da população. Segundo Abilio, parte dos antigos usuários passou a utilizar motocicletas e outros meios de transporte. Ele avalia que a expansão dos veículos elétricos individuais, especialmente motocicletas, pode ampliar essa tendência e provocar novos impactos sobre o custo médio do sistema.

“A mudança vai acabar aumentando o custo do transporte, porque você tem um sistema caro com menor número de usuários”, declarou.

Além da questão financeira, Abilio criticou as limitações impostas pelo contrato de concessão do transporte coletivo. Segundo ele, o acordo firmado com as empresas responsáveis pela operação teria sido celebrado em 2021 ou 2022, com prazo de 30 anos.

“O município tem um contrato que foi feito em 2021 ou 22, se eu não me engano, para 30 anos com essas empresas. Só pra você ter ideia, eu sou refém desse contrato”, afirmou.

O prefeito disse que a Prefeitura pretende buscar inicialmente o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. A partir desse processo, segundo ele, poderão ser discutidos eventuais aditivos para alterar pontos do contrato e tentar reduzir a pressão sobre os cofres públicos.

“Poderá ser feito um aditivo contratual posteriormente? Sim, assim que a gente conseguir fazer um reequilíbrio econômico desse contrato”, explicou.

Abilio não detalhou quais cláusulas pretende modificar nem apresentou, durante a entrevista, os valores referentes ao eventual reequilíbrio econômico. Os números relativos ao custo por passageiro, ao aumento das despesas e à quantidade de novos ônibus foram apresentados pelo próprio prefeito.

Ônibus elétrico

Durante a entrevista, Abilio também esclareceu a presença de um ônibus 100% elétrico apresentado recentemente em Cuiabá. Segundo ele, o veículo não faz parte, neste momento, de um projeto da Prefeitura para substituir a frota municipal.

O modelo está sendo avaliado pelo Governo de Mato Grosso dentro dos estudos relacionados à implantação do BRT. Conforme explicou o prefeito, o veículo serve como demonstração para análise de desempenho e adaptação às condições locais e poderá integrar futuramente a operação do sistema.

“Não é a Prefeitura. É o Governo do Estado que poderá estar comprando aqueles veículos”, afirmou.

A eventual adoção de ônibus elétricos no transporte coletivo municipal dependeria, segundo Abilio, das condições previstas no contrato de concessão e de possíveis alterações no acordo atualmente em vigor.

Com a redução do número de usuários, o aumento dos custos operacionais e a necessidade de investimentos na frota, o transporte coletivo permanece como um dos principais desafios financeiros para a administração municipal. Abilio afirma que a Prefeitura busca alternativas para reequilibrar a concessão e modificar aspectos do contrato de longo prazo que, segundo ele, limita a capacidade do município de promover mudanças mais profundas no sistema.

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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