Primeiro debate eleitoral reúne candidatos em embates sobre alianças políticas, trajetória pública, patrimônio, corrupção e atuação no poder público
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (1º) pela TV Vila Real, afiliada da RecordTV, foi marcado por fortes confrontos, críticas pessoais e cobranças relacionadas à trajetória política dos concorrentes. Ao longo do encontro, os candidatos trocaram acusações sobre alianças, patrimônio, corrupção, atuação em cargos públicos e posicionamentos políticos.
Entre os momentos de maior tensão estiveram os embates envolvendo Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Rafaell Milas (Missão), além do confronto entre Milas e Natasha Slhessarenko (PSD).
Milas direcionou críticas a Natasha ao questionar a presença de nomes como o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e o ex-deputado estadual Gilmar Fabris em seu grupo político. A candidata reagiu atacando referências políticas ligadas ao Missão e citou episódios envolvendo lideranças do MBL, entre elas Renan Santos e Arthur do Val.
Outro confronto ocorreu entre Milas e Wellington Fagundes. O candidato do Missão questionou o senador sobre episódios e investigações que já mencionaram seu nome, citando as operações Sanguessuga e Ararath e o caso conhecido como Máfia das Ambulâncias. Wellington respondeu afirmando que nunca foi condenado e classificou Milas como um “candidato de aluguel”.
Na sequência, Milas utilizou o termo “melancia” para se referir ao senador, em uma provocação relacionada ao posicionamento político de Wellington. O candidato do PL rebateu e afirmou que já teria ajudado profissionalmente familiares do adversário, citando oportunidades dadas ao irmão e à esposa de Milas.
Os maiores embates, porém, envolveram Wellington e Pivetta. O senador questionou declarações atribuídas ao governador sobre servidores públicos e criticou a política salarial do Estado, especialmente em relação ao pagamento da Revisão Geral Anual (RGA). Pivetta defendeu sua relação com o funcionalismo e respondeu levando a discussão para a trajetória política de Wellington em Brasília.
Durante o confronto, Pivetta citou a passagem de Wellington pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e mencionou sua relação com governos de diferentes correntes políticas. O governador também criticou a longa permanência do senador no Legislativo e afirmou que ele estaria “sugando” o povo há 35 anos.
Wellington, por sua vez, cobrou explicações de Pivetta sobre acusações feitas durante a pré-campanha e defendeu que o governador apresentasse seu sigilo bancário. Em outro momento, o senador resgatou o caso CooperLucas, envolvendo fraudes e desvios de grãos ocorridos no início dos anos 2000, e citou a absolvição de parte dos réus pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, entre eles Pivetta.
A questão patrimonial também entrou no debate. Natasha questionou Wellington sobre sua evolução de patrimônio e mencionou a presença do nome do senador em um capítulo do livro “Os bens que os políticos fazem”, do jornalista Chico de Gois. Wellington respondeu destacando sua longa trajetória política e afirmou que nunca foi condenado ao longo de seus anos de mandato.
O debate também teve um momento de forte emoção protagonizado pelo candidato Sargento Laudicério (Agir). Ao responder a questionamentos sobre corrupção e problemas na área da Saúde, ele relatou a situação da própria mãe, que, segundo seu relato, perdeu a visão dos dois olhos após dificuldades no atendimento médico.
Emocionado, Laudicério relacionou o caso à responsabilidade de agentes públicos que permanecem há décadas no poder e afirmou que políticos com longa trajetória deveriam responder pelas falhas acumuladas na administração pública. Aos prantos, questionou se a mãe não gostaria de enxergá-lo e acompanhá-lo. Na reta final de sua fala, elevou o tom contra os adversários e declarou: “Covardes os senhores. Os senhores são todos covardes”.
Com os principais candidatos concentrando boa parte do tempo em ataques e respostas a acusações, o primeiro debate expôs as estratégias de confronto que devem marcar a disputa pelo Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026.