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Erro da base de Abilio vira o jogo e coloca CPI do Assédio Sexual novamente na pauta da Câmara

Pedido de desarquivamento foi protocolado antes da nova CPI da Educação e pode recolocar em andamento a investigação sobre denúncias contra o ex-chefe de gabinete William Leite.

Uma falha de articulação da base do prefeito Abilio Brunini (PL) acabou mudando o rumo dos trabalhos na Câmara Municipal de Cuiabá e pode resultar na instalação da CPI do Assédio Sexual, proposta pela vereadora Maria Avallone (PSDB).

O motivo foi uma corrida contra o tempo envolvendo a ordem de protocolo de dois pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Como o requerimento de desarquivamento da CPI do Assédio Sexual foi apresentado antes da nova CPI da Educação, a investigação sobre as denúncias envolvendo o ex-chefe de gabinete do prefeito, William Leite de Campos, passou a ter prioridade na tramitação.

Entenda o que aconteceu

Na quarta-feira (8), foi oficialmente encerrada a CPI que investigava a aplicação de recursos financeiros e a dívida de R$ 131 milhões da Secretaria Municipal de Educação, referente aos exercícios de 2023 e 2024.

Com o encerramento da comissão, abriu-se espaço para a instalação de uma nova CPI na Câmara.

Percebendo a oportunidade, às 16h58, a vereadora Maria Avallone protocolou o pedido de desarquivamento da CPI do Assédio Sexual.

Horas depois, às 20h, o vice-líder do prefeito, vereador Demilson Nogueira (PP), apresentou um novo requerimento para instalar outra CPI, desta vez destinada a investigar possíveis irregularidades na compra de livros, materiais didáticos e demais insumos pedagógicos pela Secretaria Municipal de Educação durante a atual gestão.

Segundo o processo legislativo, apenas após as 21 horas o pedido da CPI da Educação conseguiu reunir as nove assinaturas necessárias para tramitar.

Na prática, a diferença de poucas horas foi suficiente para alterar a ordem de prioridade das comissões.

O que acontece agora

Durante a sessão desta quinta-feira (9), a vereadora Maysa Leão comunicou em plenário a leitura do pedido de desarquivamento da CPI do Assédio Sexual.

A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), confirmou que a CPI da Educação foi encerrada sem pedido de prorrogação. No entanto, explicou que a situação ainda será analisada pelo Colégio de Líderes, em reunião marcada para a próxima segunda-feira (13).

Após essa discussão política, o processo será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara, responsável por emitir parecer sobre a legalidade do desarquivamento e os próximos passos.

Caso o entendimento seja favorável, a CPI poderá ser oficialmente instalada.

Precedente já foi adotado pela Câmara

A possibilidade de desarquivar uma CPI não é inédita no Legislativo cuiabano.

Situação semelhante ocorreu quando vereadores protocolaram pedidos para investigar contratos relacionados à compra de livros pela Secretaria Municipal de Educação.

Na ocasião, os requerimentos foram arquivados inicialmente, mas a Procuradoria Jurídica reconheceu a possibilidade de desarquivamento, entendimento que agora poderá servir de base para o novo caso.

As denúncias que motivaram a CPI

A investigação tem origem em uma denúncia registrada por uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Trabalho de Cuiabá contra o então secretário e chefe de gabinete do prefeito, William Leite de Campos.

O boletim de ocorrência foi registrado em fevereiro deste ano, embora os fatos narrados tenham ocorrido enquanto a denunciante ainda trabalhava na administração municipal.

Segundo o relato, ela foi convidada para integrar a equipe da Prefeitura e passou a atuar diretamente subordinada ao então secretário.

De acordo com a denúncia, logo nos primeiros dias de trabalho começaram episódios considerados inadequados, como insistência em conversas particulares, contatos físicos frequentes, convites para permanecer sozinha com o superior e orientações para evitar contato com outros servidores, criando uma situação de isolamento dentro do ambiente de trabalho.

Transferências bancárias e constrangimentos

A ex-servidora também relata um episódio envolvendo uma transferência bancária.

Segundo o boletim, após enfrentar problemas em sua conta, ela entregou dinheiro em espécie para que William realizasse uma transferência para outra conta. O valor transferido teria sido superior ao combinado e, ao questionar a diferença, recebeu a orientação para utilizar o montante excedente em despesas solicitadas pelo próprio secretário.

Ainda conforme a denúncia, a conta utilizada pertenceria a uma empresa do ramo de comunicação e publicidade.

Outro episódio narrado envolve o desaparecimento de um pen drive. A servidora afirma ter sido repreendida de forma agressiva pelo então chefe, que a responsabilizou pelo sumiço do equipamento. Posteriormente, o objeto teria sido encontrado na residência do próprio William Leite.

Ela também relata que era alvo de comentários de colegas afirmando que ela e outras servidoras só haviam sido nomeadas por serem bonitas, situação que, segundo o boletim, provocava constrangimento constante.

Tentativa de beijo e pedido de exoneração

A denunciante afirma ainda que procurou o secretário de Governo, Ananias Filho, para relatar os fatos.

Segundo ela, foi iniciada uma articulação para sua transferência de setor. Antes que a mudança fosse efetivada, porém, William Leite teria tentado beijá-la à força.

O episódio teria sido decisivo para que ela pedisse exoneração do cargo.

No boletim de ocorrência, a ex-servidora afirma que demorou para denunciar por medo, mas decidiu procurar a polícia após tomar conhecimento de outras mulheres que também relataram situações semelhantes envolvendo o então secretário.

Exoneração após repercussão

Com a repercussão pública das denúncias e o protocolo do pedido de instalação da CPI, William Leite pediu exoneração do cargo que ocupava na Prefeitura de Cuiabá.

Agora, a expectativa se volta para a reunião do Colégio de Líderes e para o parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara. Caso o desarquivamento seja validado, a CPI do Assédio Sexual poderá voltar oficialmente à pauta do Legislativo e iniciar a apuração das denúncias envolvendo o ex-chefe de gabinete da gestão Abilio Brunini.

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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