Em um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo, presidente atacou as bets e voltou a mirar Jair Bolsonaro; Flávio criticou reajuste do Bolsa Família e levou licenciamento ambiental ao centro do discurso
A disputa pela Presidência da República ganhou um capítulo simbólico neste sábado (19) em Santa Catarina.
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fizeram atos de campanha no Estado no mesmo dia, em cidades diferentes, e reforçaram estratégias distintas para conquistar o eleitorado nesta reta final.
Lula esteve em Florianópolis, enquanto Flávio participou de ato em Joinville.
A escolha de Santa Catarina chama atenção porque o Estado possui forte histórico recente de votação no campo bolsonarista. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve cerca de 69% dos votos válidos no segundo turno no Estado.
LULA PROMETE ACABAR COM AS BETS
Durante o evento em Florianópolis, Lula colocou as apostas esportivas no centro do discurso.
O presidente afirmou:
“A verdade é que eu quero acabar com as bets.”
A declaração reforça uma postura de confronto com o setor de apostas e pode transformar o tema em uma das pautas da campanha presidencial.
Lula também voltou a criticar o campo bolsonarista e, sem citar diretamente Flávio em todos os momentos, fez referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o relato publicado pelo g1, Lula afirmou que pretende manter Jair Bolsonaro preso, em mais uma declaração de forte conteúdo político nesta reta final.
FLÁVIO ATACA REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA
Em Joinville, Flávio Bolsonaro seguiu caminho diferente.
O senador criticou o reajuste de 15% no Bolsa Família e acusou Lula de tentar usar o benefício social eleitoralmente.
A afirmação de que o reajuste seria tentativa de “comprar votos” é uma acusação política feita por Flávio e não um fato comprovado.
O candidato também prometeu levar a discussão sobre licenciamento ambiental para o centro de uma eventual gestão presidencial.
O tema possui peso importante em Santa Catarina, especialmente entre setores produtivos, industriais e ligados ao agronegócio.
FAMÍLIA BOLSONARO PRESENTE
O ato de Flávio contou ainda com a presença de seus irmãos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro.
A presença familiar reforçou a identificação da candidatura com o legado político de Jair Bolsonaro, especialmente em um Estado onde esse grupo mantém eleitorado expressivo.
SANTA CATARINA É UM TERRENO DIFÍCIL PARA LULA
Uma pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto mostrou vantagem significativa de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina.
Naquele levantamento, ele aparecia com 45% das intenções de voto, contra 20% de Lula.
A pesquisa ouviu 804 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
É importante lembrar que esse levantamento retrata aquele período e não determina o resultado da eleição.
Ainda assim, ajuda a explicar por que Santa Catarina se tornou um território estratégico para os dois candidatos.
DUAS ESTRATÉGIAS, DOIS PÚBLICOS
Os atos deste sábado deixaram claras as diferenças de estratégia.
Lula busca ampliar espaço em um Estado onde historicamente enfrenta resistência, utilizando temas sociais e econômicos e tentando confrontar diretamente o bolsonarismo.
Flávio tenta consolidar uma vantagem já existente entre eleitores conservadores, reforçando pautas ligadas a economia, ambiente regulatório, críticas ao governo federal e identidade política com Jair Bolsonaro.
RETA FINAL GANHA MAIS PRESSÃO
A coincidência de agendas no mesmo Estado também mostra como a campanha presidencial entrou numa fase mais agressiva.
Com poucos dias até a eleição, os candidatos tendem a concentrar esforços em regiões consideradas estratégicas.
Santa Catarina é um exemplo claro disso.
Para Flávio, o objetivo é manter uma vantagem importante.
Para Lula, o desafio é reduzir a diferença e ampliar sua presença em um Estado onde encontra forte resistência eleitoral.
A disputa agora entra numa fase em que cada evento, declaração e pauta pode ter efeito sobre o eleitor indeciso.
E VOCÊ?
O que deve pesar mais nesta reta final da eleição presidencial: economia, programas sociais, segurança, ideologia ou propostas para o futuro do país?
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Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Fonte: g1