Reeleito com 51,79% dos votos, Lula supera Flávio Bolsonaro em uma disputa acirrada. Em Mato Grosso, o candidato do PL conquista 66,06% e supera o percentual obtido por Jair Bolsonaro no estado em 2022. Nova composição do Congresso aponta desafios para o próximo governo.
Por: Alex Rabelo — CEO da ALX Comunicação | Jornalista e Estrategista Político | MT Urgente News
RESULTADO OFICIAL — PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA | 2º TURNO
Lula (PT) 51,79%
64.256.232 votos
Flávio Bolsonaro (PL) 48,21%
59.826.041 votos
100% das seções totalizadas. Diferença de 4.430.191 votos. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral, 25 de outubro de 2026.
O Brasil reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato presidencial em uma eleição marcada pela polarização e pela mobilização de milhões de eleitores. No segundo turno, realizado no domingo (25), o petista derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
A vitória assegura a continuidade de Lula no Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2027. Mas o resultado das eleições de 2026 também revela outra realidade: o Partido Liberal ampliou sua bancada na Câmara dos Deputados e no Senado, enquanto candidaturas de direita e centro-direita conquistaram governos estaduais importantes.
Esse contraste entre o resultado presidencial e a nova composição do poder político será um dos principais desafios do próximo mandato.
Mato Grosso dá 66,06% dos votos a Flávio Bolsonaro
RESULTADO EM MATO GROSSO | 2º TURNO
Flávio Bolsonaro 66,06%
1.351.099 votos
Lula 33,94%
694.167 votos
Diferença de 656.932 votos a favor de Flávio. Fonte: totalização do TSE reproduzida pela CNN Brasil.
Mato Grosso confirmou mais uma vez sua preferência pelo candidato presidencial do PL.
Flávio Bolsonaro conquistou 66,06% dos votos válidos no estado, enquanto Lula recebeu 33,94%.
O resultado superou o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente obteve 65,08% dos votos válidos em Mato Grosso.
A votação de Flávio representou um avanço de 0,98 ponto percentual em relação à marca alcançada pelo pai quatro anos antes, evidenciando a permanência de uma base conservadora expressiva no estado.
Em Cuiabá, o candidato do PL também terminou à frente, com 59,58% dos votos válidos, contra 40,42% de Lula.
Centro-Oeste confirma força eleitoral da direita, mas Nordeste e Minas Gerais ajudam a definir vitória de Lula
O mapa eleitoral de 2026 revelou um país dividido regionalmente.
Flávio Bolsonaro venceu nos três estados do Centro-Oeste — Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás — e também no Distrito Federal. O resultado confirma a forte presença eleitoral do campo conservador na região.
O candidato do PL também conquistou a maioria dos votos nos três estados do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de outras unidades da Federação.
Entretanto, o desempenho no Centro-Oeste, no Sul e em São Paulo não foi suficiente para assegurar a vitória nacional.
Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais, Amazonas, Amapá e Pará.
Onde cada candidato venceu no segundo turno
Lula
13 estados
Todos os nove estados do Nordeste, Minas Gerais, Amazonas, Amapá e Pará
Flávio Bolsonaro
13 estados + DF
Incluindo todos os estados do Centro-Oeste e do Sul, além de São Paulo e Rio de Janeiro
Fonte: resultados do TSE compilados pela Exame em 26/10/2026.
Minas Gerais teve uma das disputas mais apertadas do país
Minas Gerais voltou a desempenhar papel relevante na eleição presidencial.
No segundo turno, Lula conquistou 50,43% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 49,57%.
A diferença de apenas 0,86 ponto percentual demonstra o equilíbrio da disputa no estado.
Ao contrário do que ocorreu no Centro-Oeste, onde Flávio consolidou vantagem, Minas Gerais terminou com uma pequena maioria favorável ao presidente reeleito.
Nordeste mantém apoio expressivo ao PT
O Nordeste também teve participação importante no resultado nacional.
Lula venceu nos nove estados da região, confirmando a força eleitoral que mantém nessa parte do país.
No Piauí, o presidente registrou 75,88% dos votos válidos, seu maior percentual entre as unidades da Federação.
Esse desempenho regional contribuiu para compensar as vantagens obtidas por Flávio Bolsonaro em estados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
Direita amplia representação no Congresso Nacional
Embora não tenha conquistado a Presidência, o PL obteve resultados importantes nas eleições legislativas de 2026.
CRESCIMENTO DO PL NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
O PL passou de 97 deputados federais eleitos em 2022 para 121 eleitos em 2026, crescimento de 24 cadeiras.
O Novo também ampliou sua representação, passando de três para dez deputados.
Por outro lado, a federação PT-PCdoB-PV cresceu de 82 para 88 parlamentares. Portanto, o avanço do PL ocorreu simultaneamente ao crescimento da representação da esquerda em determinadas legendas.
Senado terá PL com 28 parlamentares
No Senado Federal, os resultados também ampliaram o peso institucional do PL.
O partido elegeu 19 senadores nas 54 vagas disputadas em 2026. Considerando os mandatos que permanecem até 2031, a legenda iniciará a nova legislatura com 28 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada individual da Casa.
O PT deverá contar com nove parlamentares, enquanto o MDB terá oito, segundo a composição inicialmente projetada após a eleição.
A nova distribuição das cadeiras mostra que o presidente Lula precisará negociar com diferentes partidos para aprovar projetos, indicações e propostas legislativas.
Governadores de direita e centro-direita ampliam presença nos estados
As eleições estaduais também demonstraram a força de partidos conservadores e de centro-direita.
O PL conquistou cinco governos estaduais já no primeiro turno, incluindo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima.
O Republicanos elegeu Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho Azevedo em Minas Gerais e Otaviano Pivetta em Mato Grosso.
O PT, por sua vez, garantiu governos na Bahia, no Ceará e no Piauí.
Esses resultados revelam uma distribuição de poder mais complexa do que a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro: partidos de direita, centro-direita, centro e esquerda terão participação relevante na administração dos estados e nas negociações nacionais.
Análise política | Alex Rabelo
CEO da ALX Comunicação | Jornalista e Estrategista Político
A eleição de 2026 deixa duas constatações importantes.
A primeira é que Lula venceu uma disputa presidencial extremamente competitiva e conquistou o direito de exercer seu quarto mandato.
O presidente conseguiu ampliar sua votação entre o primeiro e o segundo turno e reverteu a vantagem inicialmente obtida por Flávio Bolsonaro na disputa nacional.
A segunda constatação é que a direita, especialmente o PL e o movimento político associado ao bolsonarismo, demonstrou capacidade de ampliar sua representação institucional.
Os 121 deputados federais eleitos pelo PL, os 28 senadores que integrarão sua bancada e a eleição de governadores ligados ao campo conservador representam resultados objetivos desse processo.
O desempenho de Flávio Bolsonaro também merece atenção. Mesmo derrotado nacionalmente, recebeu quase 60 milhões de votos e ultrapassou, em Mato Grosso, o percentual alcançado por Jair Bolsonaro em 2022.
Outro elemento relevante é o papel da comunicação digital. Lideranças como Nikolas Ferreira contribuíram para divulgar manifestações, reunir apoiadores e transformar a mobilização pelas redes sociais em participação nas ruas.
Essa capacidade de articulação representa uma mudança importante na comunicação política, embora não permita atribuir o desempenho eleitoral a uma única liderança ou estratégia.
O resultado mostra que vencer a Presidência e conquistar espaço político no Congresso são acontecimentos distintos. Lula saiu vitorioso da disputa pelo Executivo, enquanto o PL ampliou seu peso legislativo.
O desafio de Lula será governar dialogando com um Congresso em que a oposição possui força considerável. Já o desafio da direita será transformar o crescimento eleitoral em atuação legislativa, propostas e resultados concretos.
Em Mato Grosso, os 66,06% conquistados por Flávio Bolsonaro demonstram a permanência de uma forte base conservadora. Mas o mapa nacional também deixa claro que nenhuma região, isoladamente, define a eleição presidencial.
Minas Gerais mostrou equilíbrio, o Nordeste manteve a maioria dos votos no PT e o eleitorado brasileiro distribuiu seu apoio entre diferentes forças políticas.
O futuro dessas lideranças dependerá não apenas dos resultados conquistados nas urnas, mas também de sua capacidade de responder às demandas da população.
A eleição terminou. O compromisso com o Brasil continua.
E o mais importante é que todos os que saíram vitoriosos das urnas, independentemente de partido ou posição política, governem e exerçam seus mandatos pensando no povo brasileiro, trabalhando por todos — e não apenas por aqueles que votaram neles.
Alex Rabelo CEO da ALX Comunicação Jornalista e Estrategista Político MT Urgente News
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Agência Brasil, TV Senado, CNN Brasil e Exame. Dados das eleições de 4 e 25 de outubro de 2026.


