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MDB aciona Justiça para limitar gestão de emendas de ex-deputados pela Presidência da ALMT

Partido quer esclarecer se a gestão dos recursos permite apenas acompanhar sua execução ou também mudar beneficiários e finalidades; ação inclui pedido de suspensão provisória da norma.

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News

O MDB de Mato Grosso entrou na Justiça para questionar o alcance de uma lei que atribui à Presidência da Assembleia Legislativa a gestão de emendas apresentadas por deputados que não exercem mais o mandato, morreram ou renunciaram.

A principal dúvida levantada pelo partido é até onde vai esse poder: o presidente pode apenas acompanhar os procedimentos para executar as emendas ou também pode mudar quem receberá os recursos e em que eles serão utilizados?

O diretório estadual, presidido pela deputada Janaina Riva, apresentou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). O processo foi distribuído em 14 de outubro ao desembargador Helio Nishiyama, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A Presidência da Assembleia Legislativa é atualmente ocupada pelo deputado Max Russi (Podemos). A discussão, entretanto, envolve a competência atribuída ao cargo pela legislação.

O que são as emendas discutidas na ação

Emendas parlamentares são instrumentos pelos quais os deputados participam da definição do orçamento público, indicando a aplicação de recursos em determinadas ações, respeitadas as regras legais.

Essas indicações podem estar relacionadas, por exemplo, a atendimento de saúde, aquisição de equipamentos ou outras iniciativas de interesse público. O dinheiro integra o orçamento público e sua execução depende dos procedimentos exigidos pela legislação.

No caso questionado pelo MDB, a discussão está concentrada nas emendas cujos autores deixaram de exercer o mandato, morreram ou renunciaram.

Como a legislação é descrita na ação

O questionamento envolve uma lei de 2017 que foi modificada por outra sancionada em 2021. Segundo o material que embasa a reportagem, a mudança atribuiu à Presidência da Assembleia poderes de gestão sobre essas emendas.

O MDB sustenta que a alteração também retirou uma cláusula que preservava a destinação originalmente definida pelo parlamentar responsável pela indicação.

Para o partido, a ausência dessa proteção deixa margem para interpretar a gestão administrativa como autorização para modificar decisões tomadas pelo autor da emenda.

Isso não significa que a Justiça já tenha reconhecido essa interpretação. Trata-se do argumento apresentado pelo MDB para pedir a análise da norma.

Qual é a diferença entre acompanhar e redirecionar uma emenda

O acompanhamento administrativo envolve providências para que uma programação orçamentária avance, como verificar documentos, acompanhar etapas e identificar pendências.

Redirecionar uma emenda significa alterar uma escolha sobre sua aplicação, como substituir o beneficiário ou modificar o objetivo previsto.

Um exemplo hipotético ajuda a compreender: um deputado indica recursos para determinado projeto de saúde e, posteriormente, deixa o mandato. Acompanhar os procedimentos para executar aquela indicação é diferente de decidir que o dinheiro deverá atender outro beneficiário ou outra finalidade.

É essa fronteira que o MDB quer ver delimitada judicialmente. O exemplo não representa um caso concreto de mudança de emenda identificado na ação.

O que o partido considera problemático

Na argumentação reproduzida no material enviado à reportagem, o MDB afirma que a redação pode abrir espaço para a Presidência:

  • Redirecionar recursos;
  • Substituir beneficiários;
  • Modificar a finalidade da programação;
  • Redefinir escolhas originalmente feitas por outro parlamentar.

O partido reconhece, porém, que a retirada da cláusula de preservação não demonstra, sozinha, que toda alteração tenha sido autorizada.

A preocupação apresentada é com uma interpretação ampliada da lei: sem limites explícitos, a atribuição de gerir poderia ser entendida como liberdade para fazer novas escolhas políticas sobre os recursos.

O MDB quer impedir qualquer atuação da Presidência?

Os argumentos reproduzidos não contestam, por si só, a centralização dos procedimentos administrativos na Presidência.

A distinção feita pelo partido é entre manter o acompanhamento das emendas e assumir o poder de redefinir sua destinação.

Assim, o centro da discussão é estabelecer quais atos podem ser praticados e quais limites devem ser respeitados, preservando a diferença entre executar uma indicação e substituí-la por outra.

O que a ação solicita

Conforme as informações disponíveis, a ação reúne dois pontos principais.

O primeiro é um pedido de liminar, para suspender provisoriamente a norma questionada antes do julgamento definitivo.

O segundo é a análise de sua constitucionalidade e da extensão da competência atribuída à Presidência. Na fundamentação apresentada, o MDB busca afastar uma interpretação que permita alterar livremente beneficiários e finalidades das emendas.

A íntegra dos pedidos não foi disponibilizada no material que embasa esta reportagem. Por isso, não é possível afirmar se o partido solicita a retirada de toda a norma ou uma decisão que preserve sua validade com limites de interpretação.

Como está a situação

No estágio descrito pelas informações recebidas, a ação havia sido distribuída ao relator e o pedido de liminar ainda aguardava decisão.

Protocolar uma ADI não suspende automaticamente uma lei. Também não significa que a norma já tenha sido considerada inconstitucional.

Se a liminar for concedida, seus efeitos dependerão do alcance determinado pela Justiça. Caso não seja concedida, isso não encerra necessariamente a discussão sobre o mérito da ação.

A situação processual precisa ser acompanhada para identificar eventual decisão posterior.

O processo aponta desvio de dinheiro?

Os trechos apresentados discutem os poderes previstos na legislação e o risco de mudanças na destinação das emendas.

Eles não demonstram, por si só, que houve desvio de recursos ou que determinada emenda tenha sido redirecionada de forma irregular.

A discussão é sobre quem pode decidir, o que pode alterar e quais limites devem orientar a gestão desses recursos públicos.

Por que o tema importa para a população

A destinação de uma emenda pode estar ligada a serviços, equipamentos e projetos esperados por municípios e instituições.

Definir as responsabilidades sobre seu acompanhamento ajuda a esclarecer como essas indicações terão continuidade quando o parlamentar autor já não estiver no cargo.

A decisão judicial poderá delimitar a atuação da Presidência da Assembleia e esclarecer quais escolhas devem ser preservadas durante a execução das emendas.

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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