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Mulheres assumem protagonismo no agro com inovação, ciência e sustentabilidade

Prêmio Mulheres do Agro 2026 reconheceu nove produtoras rurais e uma pesquisadora durante cerimônia em São Paulo; edição registrou número recorde de inscrições

O protagonismo feminino no agronegócio brasileiro ganhou destaque durante a 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro, realizada na última quarta-feira (26), em São Paulo. A premiação reconheceu produtoras rurais e uma pesquisadora que vêm transformando a atividade no campo por meio da inovação, da adoção de práticas sustentáveis, da tecnologia e da busca constante por conhecimento.

Promovida pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a edição de 2026 registrou 394 inscrições, número 10% superior ao do ano passado e o maior desde a criação da iniciativa, em 2018. Ao longo das nove edições, o prêmio já reconheceu 85 mulheres, entre produtoras e cientistas que se destacam pela gestão das propriedades e pela contribuição à evolução do setor.

A crescente participação feminina acompanha uma mudança no perfil da gestão rural brasileira. Além de ampliarem sua presença nas decisões relacionadas à produção, as mulheres vêm investindo em qualificação, planejamento, sucessão familiar e novas tecnologias, conciliando resultados econômicos com práticas voltadas à conservação dos recursos naturais.

Na categoria Pequena Propriedade, o primeiro lugar ficou com Ana Karina Klinke, responsável pela Estância Futurama, em Holambra (SP). Aos 49 anos, ela conduziu a modernização da propriedade familiar, fundada em 1964, transformando o espaço em referência na seleção e no melhoramento genético de bovinos da raça Bonsmara.

O trabalho desenvolvido na fazenda também prioriza técnicas de agricultura regenerativa, compostagem, preservação de nascentes e utilização de alternativas biológicas no controle de pragas e doenças. A proposta busca integrar a qualidade do solo, a saúde dos animais e a produtividade, com menor dependência de insumos químicos.

Na categoria Média Propriedade, a vencedora foi Kátia Helena Fenner Rodrigues, de 48 anos, administradora da Fazenda Varginha, em São Joaquim (SC). Integrante da quarta geração de uma família ligada ao campo desde 1920, ela concilia a pecuária com a produção de maçãs de qualidade, incluindo cultivos com Indicação Geográfica.

Kátia também desenvolve iniciativas voltadas à valorização das trabalhadoras rurais. Entre elas está o projeto Mulheres Araucarianas, que contribuiu para a criação de uma proposta de certificação destinada à capacitação e ao fortalecimento das mulheres que atuam no meio rural catarinense.

Já na categoria Grande Propriedade, o reconhecimento foi para Aline Baldim Vick, de 35 anos, gestora da Fazenda Estância, em Pirassununga (SP). Formada em economia e com experiência no mercado financeiro, ela retornou ao campo em 2018 e passou a implementar um modelo de agricultura regenerativa em larga escala na produção de grãos.

Entre as estratégias adotadas estão o uso de culturas de cobertura, rotação de culturas e manejo específico de diferentes áreas da propriedade. Segundo os dados apresentados durante a premiação, as medidas contribuíram para elevar a produtividade da fazenda a patamares de até 25% acima da média regional, mantendo a emissão de carbono por tonelada produzida abaixo da média nacional.

A propriedade também mantém ações de aproximação com a sociedade. Mais de 1,2 mil pessoas já visitaram a fazenda para conhecer as práticas de produção e os resultados obtidos com o manejo regenerativo.

Na categoria Ciência e Pesquisa, a vencedora foi a bióloga Erika Valente de Medeiros, professora titular e diretora de Pós-Graduação da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), em Garanhuns. Especialista em microbiologia e bioquímica do solo, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento de bioinsumos para o semiárido, ela possui mais de 200 artigos publicados e sete patentes.

A pesquisadora também mantém uma produção de lavanda em Pernambuco, atividade que passou a desenvolver após sua experiência acadêmica na França. O trabalho desenvolvido por Erika tem contribuído para a formação de profissionais e para a expansão de tecnologias relacionadas aos bioinsumos, com pesquisadores formados por ela atuando em diferentes regiões do país.

Além das homenagens, a programação do prêmio promoveu discussões sobre os desafios e as oportunidades para o agronegócio diante das mudanças climáticas e da transição energética. Especialistas defenderam a necessidade de ampliar o uso de dados, tecnologia e ferramentas de inteligência artificial na tomada de decisões, sem deixar de lado a capacitação e o fator humano.

A produtora rural Dulce Ciocchetta, sócia-proprietária da Morena Agro, em Mato Grosso, destacou que as alterações no comportamento do clima já fazem parte das decisões tomadas diariamente nas propriedades. Para ela, o acesso a informações mais precisas permite que os produtores adaptem estratégias de plantio, manejo e produção às condições de cada região.

Outro ponto discutido durante o evento foi a necessidade de aproximar o agronegócio da população urbana. A avaliação das participantes é de que ainda existe uma distância significativa entre o que é produzido no campo e a percepção de quem vive nas cidades.

Nesse contexto, a comunicação passa a ser considerada uma ferramenta estratégica para apresentar à sociedade as tecnologias empregadas na produção, as ações de preservação ambiental e a importância do setor para a segurança alimentar e energética.

A certificação de processos e produtos também foi apontada como elemento importante para ampliar a presença do agro brasileiro no mercado internacional. A adequação às exigências de diferentes países, especialmente em relação à sustentabilidade e à rastreabilidade, pode contribuir para fortalecer a competitividade dos produtos nacionais.

A edição de 2026 reforçou ainda a importância do reconhecimento como instrumento de incentivo à participação feminina no setor. A premiação acumulou, desde sua criação, 85 mulheres reconhecidas, sendo 81 produtoras rurais e quatro cientistas.

Mais do que destacar histórias individuais, o prêmio evidencia uma transformação que ocorre dentro das propriedades e das instituições de pesquisa. Mulheres que assumem a gestão de negócios rurais, investem em tecnologia, desenvolvem soluções científicas e estimulam a sucessão familiar passam a ocupar espaços estratégicos em um dos principais setores da economia brasileira.

O resultado é um agronegócio marcado por uma participação feminina cada vez mais qualificada e por iniciativas que buscam combinar produtividade, inovação, responsabilidade ambiental e desenvolvimento social. (c/agronews)

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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