Ação da Polícia Federal apura esquema de negociação de decisões judiciais e lavagem de dinheiro; armas foram apreendidas durante o cumprimento dos mandados.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), a Operação Gemini para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do sistema de Justiça de Mato Grosso. Entre os alvos da ação estão o deputado estadual Faissal Calil (PL), o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o advogado Bruno Castro.
A operação representa mais uma etapa das apurações conduzidas pela PF sobre suspeitas de comercialização de sentenças judiciais e ocultação de recursos de origem ilícita. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, além de medidas autorizadas pela Justiça para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, armas de fogo foram encontradas em imóveis dos investigados. A Polícia Federal, no entanto, não informou a quem pertencem os armamentos nem se possuem registro regular.
De acordo com os investigadores, o objetivo é esclarecer a atuação de pessoas supostamente envolvidas na negociação de decisões judiciais e na movimentação financeira de valores que teriam origem ilícita. Conforme o avanço das investigações, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, de acordo com a participação individual de cada um.
A Operação Gemini é um desdobramento de investigações que vêm sendo realizadas pela Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O desembargador Dirceu dos Santos está afastado do cargo desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele é investigado por suspeitas de obtenção de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais. As apurações apontam que o magistrado teria apresentado evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos obtidos ao longo da carreira.
Dados levantados durante a investigação indicam que, nos últimos cinco anos, houve movimentação patrimonial superior a R$ 14,6 milhões. O patrimônio atribuído ao desembargador ultrapassaria R$ 16 milhões, incluindo um apartamento avaliado em cerca de R$ 1 milhão, localizado em uma área nobre de Cuiabá.
Segundo documentos analisados pelos investigadores, o imóvel teria sido adquirido por meio de permuta em conjunto com o deputado estadual Faissal Calil. O parlamentar também trabalhou no gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018, antes de ser eleito para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Na semana passada, o CNJ reforçou as medidas contra o magistrado ao determinar novas diligências, incluindo buscas no gabinete de Dirceu dos Santos na sede do Tribunal de Justiça. As investigações seguem em andamento e buscam identificar a extensão do suposto esquema e a participação de cada um dos envolvidos.


