Presidente estadual do partido, Ananias Filho afirma que prefeitos que apoiarem Otaviano Pivetta contra Wellington Fagundes poderão perder o comando das siglas municipais e ficar fora da disputa pelo PL em 2028.
O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, elevou o tom contra prefeitos da legenda que declararam apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado, contrariando a orientação partidária de apoio ao senador Wellington Fagundes. O dirigente classificou a postura dos gestores como infidelidade partidária e afirmou que o partido já iniciou os procedimentos para avaliar medidas disciplinares contra os dissidentes.
Segundo Ananias, prefeitos de municípios como Várzea Grande, Rondonópolis e Primavera do Leste poderão perder o comando dos diretórios municipais do PL. A consequência, segundo ele, também poderá atingir as eleições de 2028, já que os gestores não teriam espaço para disputar novamente pelo partido.
Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, nesta sexta-feira (4), o dirigente afirmou que os prefeitos devem priorizar os interesses de suas cidades, mas não podem, na avaliação dele, vincular decisões políticas ao recebimento de recursos e convênios. Para Ananias, os gestores estariam sendo influenciados por articulações relacionadas a investimentos e acordos com o governo estadual.
O presidente estadual do PL também informou que o departamento jurídico da sigla foi acionado para instaurar os procedimentos formais contra os prefeitos que mantiverem o apoio a Pivetta. Ele ressaltou que os processos deverão respeitar o direito de defesa e os trâmites previstos pelas regras partidárias.
Ao comentar o caso de Edilson Piaia, prefeito de Campo Novo do Parecis, que deixou o PL antes de assumir uma posição política divergente da legenda, Ananias elogiou a atitude e defendeu que outros gestores adotassem o mesmo caminho. Na avaliação dele, quem não pretende seguir a orientação partidária deveria se afastar voluntariamente.
O dirigente foi ainda mais direto ao falar sobre o futuro dos prefeitos dissidentes dentro da sigla. Ele afirmou que nenhum deles deverá permanecer à frente dos diretórios municipais e descartou a possibilidade de entregar aos gestores a condução do partido em suas respectivas cidades para o próximo ciclo eleitoral.
Apesar do conflito interno, Ananias Filho minimizou os possíveis efeitos da divisão sobre a candidatura de Wellington Fagundes. Para o dirigente, o eleitorado está cada vez mais independente das orientações de lideranças políticas locais e tende a tomar suas próprias decisões nas urnas.