Partido afirma ter encontrado indícios de uma rede de contas fraudulentas usada para impulsionar conteúdo negativo nas redes sociais e solicita quebra de sigilo para identificar financiadores e responsáveis.
A cúpula do Partido Liberal (PL) protocolou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para que seja aberta uma investigação sobre um suposto esquema de uso de perfis falsos nas redes sociais destinado a impulsionar conteúdos negativos contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
A representação foi entregue ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, pelo coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), acompanhado da advogada Maria Claudia Bucchianeri e do advogado Marcelo Bessa, representante jurídico da legenda.
Segundo o PL, um levantamento preliminar identificou 57 perfis considerados fraudulentos que teriam patrocinado mais de 4,6 mil anúncios nas plataformas da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp. O partido estima que os investimentos nesses impulsionamentos tenham alcançado cerca de R$ 3 milhões, com um potencial de aproximadamente 250 milhões de visualizações.
Além desses casos, a sigla afirma possuir indícios da existência de uma estrutura ainda maior, que poderia envolver mais de 20 mil perfis falsos e movimentar recursos superiores a R$ 20 milhões. A suspeita é de que as contas sejam criadas para divulgar campanhas negativas contra adversários políticos e, posteriormente, excluídas para dificultar a identificação dos responsáveis.
Na ação apresentada ao TSE, o partido solicita autorização para quebra de sigilo de dados que permita identificar tanto os operadores das contas quanto os possíveis financiadores do esquema. Para o senador Rogério Marinho, a investigação é necessária para esclarecer a origem dos recursos utilizados e responsabilizar eventuais envolvidos.
De acordo com a representação, além de Flávio Bolsonaro, conteúdos patrocinados também teriam como alvo os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC). O documento foi protocolado com pedido de tramitação em sigilo.
O PL sustenta ainda que os perfis utilizariam identidades e números de telefone supostamente fraudados, muitos deles registrados com DDD de Curitiba, enquanto os pagamentos dos anúncios teriam sido realizados em diferentes moedas, incluindo reais, dólares e pesos colombianos.
Agora, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral analisar o pedido e decidir sobre a abertura da investigação e as medidas solicitadas pela legenda.


