Senador afirma que Rafael Piaia foi eleito com apoio e recursos do PL, mas decidiu deixar a sigla para apoiar a reeleição de Otaviano Pivetta; presidente estadual do partido ironizou decisão
O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), classificou como “incoerente” a decisão do prefeito de Campo Novo do Parecis, Rafael Piaia, de deixar o Partido Liberal e declarar apoio à candidatura de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Piaia comunicou sua desfiliação ao presidente estadual do PL, Ananias Filho, no último dia 8. Na carta, afirmou que decidiu deixar a legenda por não se sentir confortável em permanecer filiado a um partido que possui candidatura própria ao Governo do Estado, enquanto manifesta publicamente apoio a outro projeto político.
Segundo o prefeito, a permanência no PL poderia representar uma contradição com sua posição política. Apesar da saída, Piaia declarou que continuará apoiando o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República.
A decisão provocou reação de Wellington Fagundes. Durante o lançamento do empresário Reinaldo Morais (Novo) como candidato a vice-governador em sua chapa, na última quinta-feira (13), o senador questionou a postura do prefeito e afirmou que Piaia estaria tentando manter vínculos com a imagem do PL mesmo sem apoiar a candidatura própria da legenda ao Governo.
Fagundes também lembrou que o prefeito foi eleito pelo partido e contou, segundo ele, com recursos do fundo eleitoral e com a força política associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha. Para o senador, esse histórico torna a decisão de Piaia ainda mais contraditória.
“Ele quer usar o nome da estrela do partido e não quer apoiar. Eu acho que é incoerência”, afirmou Fagundes, ao mencionar ainda um encontro recente com o prefeito, no qual, segundo ele, Piaia teria feito elogios à sua atuação política.
O candidato ao Governo também disse acreditar que Piaia ainda possa reconsiderar a decisão. Ao comentar a trajetória política do prefeito, Fagundes destacou que a candidatura municipal contou com a estrutura partidária e a identificação com o grupo político ligado ao PL.
Apesar das críticas, o presidente estadual do partido, Ananias Filho, afirmou que aceitou imediatamente o pedido de desfiliação. Segundo ele, a carta apresentada por Piaia foi respeitosa e reconheceu o apoio recebido do PL durante sua trajetória política.
Ananias, porém, aproveitou o episódio para fazer uma provocação ao prefeito ao afirmar: “Se não quiser, fica com a turma da Oi”. A declaração faz referência às recentes mudanças na composição da chapa de Pivetta, marcadas pela saída do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) da disputa pela vice-governadoria.
Garcia deixou a posição após ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas relacionadas a um acordo judicial e administrativo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. A investigação apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões.
Com a saída de Garcia, a suplente de deputada federal Gisela Simona (União Brasil) foi escolhida para ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta. O empresário Reinaldo Morais, por sua vez, passou a integrar a chapa de Wellington Fagundes.
A saída de Piaia amplia as divergências dentro do cenário eleitoral de Mato Grosso e evidencia a disputa entre os grupos políticos que se articulam para a sucessão estadual. Embora tenha deixado o PL, o prefeito mantém apoio a candidatos da legenda para outros cargos, enquanto declara alinhamento ao projeto de reeleição de Pivetta ao Governo do Estado.


