Debate discutiu impactos da Lei Antifacção, ampliação de poderes investigativos e desafios no enfrentamento às facções criminosas Com o tema “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades”, representantes do Ministério Público de Mato Grosso participaram, na última sexta-feira (12), de uma audiência pública promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O encontro reuniu integrantes do Judiciário, Ministério Público, advocacia, forças de segurança e especialistas para discutir os reflexos da legislação voltada ao enfrentamento das organizações criminosas no país. A subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso, Anne Karine Louzich Hugueney, atuou como mediadora do primeiro painel e destacou a importância do debate diante do avanço da criminalidade organizada. Segundo ela, o momento é oportuno para ampliar, de forma democrática, as discussões sobre os mecanismos legais de combate às facções criminosas. O primeiro painel abordou a expansão do conceito de domínio social estruturado e contou com exposição do desembargador Wesley Sanchez Lacerda. Participaram ainda como debatedores o delegado da Polícia Civil Rafael Scatolon e o vice-presidente da OAB-MT, Giovane Santin. Na sequência, o promotor de Justiça Renee do Ó Souza conduziu a exposição sobre “Lei Antifacção e Governança Corporativa: limites e deveres das pessoas jurídicas”. Durante sua apresentação, ressaltou que a legislação representa um importante instrumento para enfrentar o poder econômico das organizações criminosas, especialmente diante da crescente influência das facções fora do ambiente prisional. Segundo o promotor, investigações recentes demonstram que essas organizações ampliaram sua atuação para diversos setores da sociedade, exigindo respostas mais eficazes do Estado no combate às estruturas financeiras que sustentam a criminalidade. O terceiro painel discutiu a ampliação dos poderes investigativos e a flexibilização de garantias processuais. A mediação ficou a cargo do promotor de Justiça Elton Oliveira Amaral, enquanto a exposição principal foi conduzida pela juíza Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni. Também participaram do debate o delegado Gustavo Godoy e o advogado Stalyn Paniago. Durante a discussão, Elton Amaral destacou a necessidade de equilíbrio entre o fortalecimento dos mecanismos de investigação e a preservação das garantias constitucionais. Para ele, a efetividade das novas ferramentas jurídicas depende de uma análise criteriosa e da busca por resultados que produzam impacto social positivo sem comprometer direitos fundamentais. A audiência pública foi realizada por meio de uma parceria entre a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, o Ministério Público Estadual, a Polícia Judiciária Civil e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso. O objetivo foi promover um amplo diálogo institucional sobre os desafios e as oportunidades trazidos pela legislação de combate ao crime organizado no sistema de justiça criminal brasileiro.
A Guerra Pelo Paiaguás: os grupos que vão decidir o futuro de Mato Grosso em 2026
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News A eleição de 2026 em Mato Grosso caminha para se tornar uma das mais importantes, disputadas e estratégicas da história política do estado. Mais do que uma simples disputa por cargos eletivos, o que está em jogo é o comando de um dos estados mais ricos e influentes do Brasil, responsável por liderar a produção agropecuária nacional, possuir uma das economias mais fortes do país e um orçamento bilionário que cresce ano após ano. O cenário que se desenha é diferente de tudo o que Mato Grosso viveu nas últimas décadas. Pela primeira vez em muitos anos, diversos grupos políticos chegam à disputa com estrutura, liderança, recursos, capilaridade eleitoral e capacidade real de influenciar os rumos da sucessão estadual. A disputa não será apenas entre candidatos. Será uma guerra política entre grupos consolidados, lideranças históricas, novas forças emergentes e projetos de poder que pretendem governar Mato Grosso pelos próximos anos. O grupo de Mauro Mendes: a máquina, a gestão e a sucessão O primeiro grande bloco político é liderado pelo governador licenciado Mauro Mendes (União Brasil). Após quase oito anos à frente do Palácio Paiaguás, Mauro construiu uma das mais sólidas bases políticas já vistas no estado, reunindo prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, empresários e lideranças regionais. Sua decisão de disputar uma vaga ao Senado Federal abre espaço para que seu principal aliado e sucessor político, **Otaviano Pivetta (Republicanos), assuma a missão de defender o legado do atual governo. Além da estrutura administrativa construída ao longo dos últimos anos, o grupo conta com nomes de forte expressão eleitoral. A primeira-dama Virginia Mendes (União Brasil) surge como um dos nomes mais competitivos para a Câmara Federal. O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) busca a reeleição e permanece como uma das principais lideranças políticas do grupo. Também entram na disputa nomes que ocuparam cargos estratégicos na administração estadual, como o ex-secretário de Segurança Pública César Roveri, o ex-secretário de Educação Alan Porto e o ex-secretário de Saúde Gilberto Figueiredo. Trata-se de um grupo que possui estrutura, capilaridade e influência administrativa construída ao longo de anos de governo. Wellington Fagundes e a força da direita bolsonarista Do outro lado surge um adversário que não pode ser subestimado. O senador Wellington Fagundes (PL) lidera o principal projeto político da direita para a disputa ao Governo do Estado. Mesmo enfrentando uma das estruturas políticas mais organizadas de Mato Grosso, Wellington tem demonstrado capacidade de manter seu projeto competitivo e consolidar apoios importantes. Seu maior ativo político é o alinhamento com o eleitorado conservador, segmento que possui enorme força em Mato Grosso e que foi determinante nas últimas eleições. O senador conta com o apoio do Partido Liberal, do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e da família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro já manifestou publicamente apoio ao projeto liderado por Wellington, reforçando sua posição como principal representante do bolsonarismo na disputa estadual. Ao seu lado estão lideranças como o deputado estadual Gilberto Cattani (PL), um dos nomes mais identificados com a direita conservadora no estado, e o deputado federal José Medeiros (PL), apontado como potencial candidato ao Senado. Para muitos analistas, Wellington representa hoje o principal desafio ao projeto de continuidade do grupo governista. Janaina Riva e a construção de uma força independente A deputada estadual Janaina Riva (MDB) também desponta como uma das protagonistas da eleição. Com forte presença política no interior do estado e consolidada como uma das parlamentares mais votadas de Mato Grosso, Janaina trabalha para construir uma chapa competitiva ao Senado. Seu grupo ganhou musculatura com a chegada de lideranças importantes, entre elas o ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho (União Brasil). Janaina tem se apresentado como uma liderança independente, capaz de dialogar com diferentes setores da política mato-grossense. A esquerda aposta em Carlos Fávaro e Natasha Slhessarenko Embora Mato Grosso tenha histórico de predominância conservadora, o campo da esquerda e da centro-esquerda busca ampliar sua participação no debate eleitoral. O ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) trabalha pela reeleição ao Senado e segue como principal articulador do grupo ligado ao Governo Federal. Ao mesmo tempo, o PSD aposta no crescimento da médica Natasha Slhessarenko, que busca consolidar uma alternativa ao eleitorado que procura uma nova opção para o Governo do Estado. Natasha tem ampliado sua presença política e aposta especialmente na aproximação com servidores públicos, mulheres e setores que defendem maior participação social na gestão pública. Além disso, o grupo conta com lideranças históricas da esquerda mato-grossense, como Valdir Barranco, Lúdio Cabral e Rosa Neide. Jayme Campos: o cacique que continua influenciando os rumos da política Poucos nomes possuem a influência política construída ao longo das décadas por Jayme Campos (União Brasil). Ex-governador, ex-prefeito e senador, Jayme mantém uma ampla rede de aliados espalhada por todas as regiões do estado. Sua força vai muito além dos votos. Ela está na capacidade de construir alianças, influenciar decisões e dialogar com diferentes grupos políticos. Ao lado do irmão, Júlio Campos, o senador continua sendo uma das peças mais importantes do tabuleiro político mato-grossense. O fator Max Russi Entre todos os nomes que circulam nos bastidores, poucos despertam tanta atenção quanto o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos). Embora afirme publicamente que seu projeto é disputar a reeleição para deputado estadual, seu nome continua sendo lembrado por lideranças políticas, prefeitos e parlamentares como uma das figuras mais influentes do estado. Sua capacidade de diálogo, articulação e construção de consensos tem sido apontada como uma das principais virtudes. Recentemente, demonstrações de força política reuniram centenas de lideranças em eventos ligados ao seu grupo. Em um cenário que ainda está em construção, Max segue sendo um dos nomes observados com atenção pelos principais atores políticos de Mato Grosso. A eleição mais cara da história? O crescimento das estruturas partidárias, a profissionalização das campanhas, a força das redes sociais, a necessidade de presença em um estado de dimensões continentais e a quantidade de grupos competitivos apontam para uma eleição
Mato-grossense morre em combate na Ucrânia após ataque com drone russo
Morador de Sinop, Fernando Pereira Lisboa, de 40 anos, integrava as forças ucranianas e atuava na linha de frente da guerra quando foi atingido durante ofensiva na região de Zaporizhzhya. O morador de Sinop Fernando Pereira Lisboa, de 40 anos, morreu durante um ataque com drone na região de Zaporizhzhya, no sudeste da Ucrânia. O mato-grossense fazia parte das forças ucranianas e estava na linha de frente do conflito contra a Rússia quando foi atingido na noite de sexta-feira (12). Segundo informações repassadas pela família, Fernando estava acompanhado de outros dois combatentes no momento do ataque. Um deles ficou ferido, enquanto não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde da terceira vítima. A confirmação da morte ocorreu apenas no sábado (13), após o recolhimento e a identificação do corpo pelas autoridades militares ucranianas. Natural de Sinop, Fernando deixou a cidade em março deste ano para se juntar às tropas da Ucrânia. Conforme familiares, a viagem e sua permanência no país europeu foram custeadas pelo próprio Exército ucraniano. Desde jovem, ele demonstrava interesse por assuntos militares e alimentava o desejo de participar de operações de combate. Dias antes da morte, Fernando apareceu em um vídeo compartilhado nas redes sociais comemorando a derrubada de um drone russo. Nas imagens, ele exibia os destroços do equipamento e relatava a ação realizada durante uma missão. A notícia da morte provocou forte comoção entre familiares e amigos. Nas redes sociais, as irmãs Zenaide e Lidia Lisboa prestaram homenagens emocionadas ao combatente, destacando sua coragem e a convicção com que seguiu a missão que acreditava defender. Devido às dificuldades logísticas provocadas pela guerra, os procedimentos fúnebres devem ocorrer na própria Ucrânia. A expectativa da família é que Fernando seja cremado no país e que as cinzas sejam enviadas aos parentes após o término do conflito. Em Sinop, Fernando trabalhou como ajudante de obras e também em indústrias da cidade. Amigos o descrevem como uma pessoa generosa, dedicada e de bom coração. Nas homenagens publicadas nas redes sociais, muitos ressaltaram seu espírito solidário e o desejo de ajudar pessoas afetadas pela guerra. A morte do mato-grossense evidencia os impactos globais do conflito no Leste Europeu, que segue mobilizando combatentes de diferentes nacionalidades e acumulando milhares de vítimas desde o início da guerra.
Lei Seca tira 17 motoristas embriagados das ruas e reforça combate à imprudência em MT
Fiscalizações realizadas em Cuiabá e Rondonópolis resultaram em prisões, centenas de abordagens e dezenas de veículos removidos durante o fim de semana. As ações da Operação Lei Seca realizadas neste fim de semana em Cuiabá e Rondonópolis evidenciaram mais uma vez os riscos da combinação entre álcool e direção. Ao todo, 17 motoristas foram presos por dirigirem sob efeito de bebida alcoólica, durante fiscalizações promovidas pelas forças de segurança pública do Estado. As equipes abordaram 190 veículos e submeteram 211 condutores ao teste de alcoolemia. O resultado foi a emissão de 145 autos de infração por diversas irregularidades de trânsito, demonstrando o alto índice de descumprimento das normas de segurança viária. Entre as ocorrências registradas, destacam-se as autuações por condução sob influência de álcool e pela recusa em realizar o teste do bafômetro. Também foram identificadas situações envolvendo motoristas sem habilitação e veículos com documentação em desacordo com a legislação. Além das infrações constatadas, a operação resultou na autuação de 92 veículos e na remoção de 75 deles aos pátios credenciados, medida adotada para garantir a segurança dos usuários das vias e coibir novas irregularidades. Coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, a Operação Lei Seca reúne esforços de diferentes órgãos, entre eles as polícias Militar e Civil, o Corpo de Bombeiros Militar, o Departamento Estadual de Trânsito, a Perícia Oficial e Identificação Técnica, a Polícia Penal e o Sistema Socioeducativo. As fiscalizações têm como foco principal reduzir acidentes, preservar vidas e conscientizar a população sobre os perigos da condução de veículos após o consumo de álcool, uma das principais causas de sinistros graves no trânsito brasileiro.
Sisu+ abre mais de 9 mil vagas remanescentes em universidades públicas; inscrições seguem até sexta-feira
Estudantes que participaram do Enem entre 2023 e 2025 e do processo regular do Sisu 2026 podem disputar oportunidades em cursos de graduação de 13 estados brasileiros. As inscrições para o Sisu+ já estão abertas e representam uma nova oportunidade para estudantes que desejam ingressar no ensino superior público ainda neste ano. A etapa complementar do Sistema de Seleção Unificada disponibiliza mais de 9 mil vagas remanescentes em instituições públicas de ensino superior espalhadas por 13 estados brasileiros. O programa foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de ocupar vagas que permaneceram disponíveis após o encerramento das chamadas regulares e das listas de espera do Sisu 2026. As oportunidades surgiram em razão de desistências, ausência de matrícula ou encerramento dos prazos estabelecidos pelas instituições de ensino. Podem participar candidatos que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas edições de 2023, 2024 ou 2025 e que tenham participado do processo seletivo regular do Sisu deste ano. A seleção considera automaticamente a melhor média obtida pelo estudante entre as três edições do exame, respeitando os critérios definidos por cada curso e instituição. Durante o período de inscrição, os candidatos têm a possibilidade de atualizar dados socioeconômicos, alterar a modalidade de concorrência e escolher até duas opções de curso. Além disso, poderão acompanhar diariamente as notas de corte e modificar suas escolhas enquanto o sistema permanecer aberto. As vagas estão concentradas principalmente em cursos de licenciatura, como Matemática, Física e Química, além de diversas graduações na área de Engenharia. Conforme as regras do programa, cada instituição participante deve ofertar pelo menos duas vagas por curso e turno, observando as políticas de ações afirmativas e a legislação vigente. As inscrições seguem até a próxima sexta-feira, dia 19. O resultado da chamada única está previsto para ser divulgado em 24 de junho. Os prazos para matrícula e o início das aulas serão definidos individualmente pelas instituições participantes. A consulta das vagas disponíveis e a realização das inscrições podem ser feitas por meio do portal oficial do Sisu.
Três suspeitos de facção são presos por assassinato brutal de jovem em Barra do Garças
Vítima foi encontrada morta no Rio Garças, com sinais de tortura; investigação aponta que crime teria sido motivado por dívida com organização criminosa. A Polícia Militar prendeu, neste domingo (14), três homens suspeitos de participação no homicídio de um jovem de 28 anos, cujo corpo foi encontrado no Rio Garças, em Barra do Garças, na última sexta-feira (12). Segundo as investigações, os detidos, com idades entre 20 e 49 anos, teriam ligação com uma facção criminosa e envolvimento direto na execução do crime. A descoberta do corpo mobilizou as forças de segurança após a vítima ser localizada nas proximidades do Anel Viário da cidade, apresentando sinais de extrema violência. As apurações indicam que o assassinato ocorreu um dia antes da localização do cadáver. Com base em informações levantadas durante a investigação, equipes do 5º Comando Regional, de Barra do Garças, e do 4º Comando Regional, de Rondonópolis, desencadearam uma operação integrada para identificar e localizar os envolvidos. Imagens e dados compartilhados entre as unidades auxiliaram na identificação dos suspeitos, que teriam sido vistos com a vítima pouco antes do crime. Durante as diligências em Alto Araguaia, policiais do 15º Batalhão abordaram dois homens que demonstraram comportamento suspeito ao perceberem a presença das viaturas. Questionados, eles confessaram participação no homicídio e afirmaram que a vítima estaria sendo cobrada por uma suposta dívida com uma facção criminosa. Os suspeitos também relataram que o jovem foi sequestrado e submetido a tortura antes de ser morto. As informações obtidas pela polícia apontam ainda que, após o crime, os envolvidos fugiram para Alto Araguaia, onde receberam abrigo de um terceiro homem. Os militares seguiram até o endereço indicado e localizaram o suspeito de dar suporte aos criminosos. Ele também foi detido. Os três homens foram encaminhados à delegacia e colocados à disposição da Polícia Civil, que dará continuidade às investigações para esclarecer todos os detalhes do caso.
Estudantes de Mato Grosso têm último dia para concorrer a prêmio nacional contra o trabalho infantil
Concurso promovido pela Seduc e Ministério Público do Trabalho mobiliza alunos dos 8º e 9º anos em produções artísticas que incentivam a defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Os estudantes dos 8º e 9º anos da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso têm até esta segunda-feira (15) para garantir participação no Prêmio MPT na Escola 2026 – A Escola no Combate ao Trabalho Infantil. A iniciativa é realizada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e tem como foco ampliar a conscientização sobre os prejuízos causados pelo trabalho infantil. A proposta estimula os alunos a refletirem sobre a proteção integral de crianças e adolescentes por meio da produção de trabalhos artísticos e culturais. Os participantes podem concorrer nas categorias conto, poesia, música e desenho, desenvolvendo produções que abordem a importância da erradicação do trabalho infantil e a valorização da aprendizagem profissional como caminho seguro para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. As inscrições são realizadas nas próprias unidades escolares. Após uma seleção interna, os trabalhos escolhidos seguem para as etapas regional e estadual, com a inscrição sendo formalizada pelo coordenador pedagógico ou professor responsável pelo projeto. Cada estudante poderá participar com apenas um trabalho por categoria. O concurso será dividido em três fases: escolar, regional e estadual. As escolas ficarão responsáveis pela mobilização da comunidade escolar e pela seleção inicial dos trabalhos. Em seguida, as produções serão avaliadas pelas Diretorias Regionais de Educação (DREs) e, posteriormente, pela comissão estadual. Além de incentivar a criatividade e o protagonismo juvenil, a iniciativa reforça o papel da escola na formação cidadã, promovendo discussões sobre os direitos da criança e do adolescente previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os vencedores de cada etapa receberão premiações como bicicletas, equipamentos tecnológicos e certificados de reconhecimento. Os melhores trabalhos da fase estadual representarão Mato Grosso na etapa nacional do prêmio, organizada pelo Ministério Público do Trabalho. O cronograma prevê a conclusão das atividades e avaliações nas próximas semanas, com divulgação dos resultados estaduais até julho.
Respeite o idoso, olhe com carinho, porque amanhã será você
Existe uma verdade simples e muitas vezes ignorada: o modo como tratamos os nossos idosos revela muito sobre nós mesmos. Revela nossa capacidade de reconhecer histórias, honrar trajetórias e devolver, ainda que em parte, o que um dia nos foi dado de forma incondicional. Neste 15 de junho, não falo apenas como deputado e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Falo como filho e como ser humano que compreende, na própria experiência, o peso da ausência e o valor da presença. A violência contra a pessoa idosa não habita apenas os noticiários policiais. Ela mora dentro das próprias casas. É silenciosa, disfarçada de pressa, impaciência ou descaso. Um grito que intimida, uma conta esvaziada sem consentimento, um remédio esquecido, um abraço negado. Todas são formas de violência. Todas ferem a dignidade humana e exigem resposta firme da sociedade e do poder público. Os dados doem. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada seis pessoas idosas já sofreu algum tipo de abuso. No Brasil, mais de 60% dos casos ocorrem dentro do núcleo familiar. São números que exigem mais do que indignação. Exigem ação. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, temos trabalhado com esse propósito. Recentemente, a Casa aprovou o meu Projeto de Lei nº 1816/2024, que institui o programa “Creche da Terceira Idade” no Estado, e o texto foi encaminhado ao governador Mauro Mendes para sanção. A proposta cria uma rede de atendimento especializado para pessoas com 60 anos ou mais, com atividades culturais, físicas, alimentação e convivência intergeracional, com vagas prioritárias para famílias de baixa renda. Assim como pensamos nas creches para as crianças, precisamos criar espaços de cuidado e dignidade para quem tanto contribuiu para a construção da nossa sociedade. Os idosos de hoje estão nas redes sociais, voltam a estudar, praticam esportes e realizam sonhos adiados. A velhice se reinventou. Mas ela só pode ser plenamente vivida quando há segurança, saúde e respeito, sem medo de ser agredido, roubado ou abandonado. Cuidar da pessoa idosa não é apenas uma obrigação moral. É uma preparação consciente para o próprio futuro. Porque todos nós, se tivermos a graça de uma vida longa, um dia precisaremos desse mesmo cuidado. A forma como tratamos nossos pais e avós hoje é o espelho do tratamento que receberemos amanhã. Que este 15 de junho nos convide a olhar para os idosos das nossas vidas não como um fardo, mas como um privilégio. Que Mato Grosso continue construindo um caminho onde envelhecer seja sinônimo de dignidade, respeito e proteção, e nunca de esquecimento. *Max Russi, é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso