Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News
A eleição de 2026 em Mato Grosso caminha para se tornar uma das mais importantes, disputadas e estratégicas da história política do estado.
Mais do que uma simples disputa por cargos eletivos, o que está em jogo é o comando de um dos estados mais ricos e influentes do Brasil, responsável por liderar a produção agropecuária nacional, possuir uma das economias mais fortes do país e um orçamento bilionário que cresce ano após ano.
O cenário que se desenha é diferente de tudo o que Mato Grosso viveu nas últimas décadas.
Pela primeira vez em muitos anos, diversos grupos políticos chegam à disputa com estrutura, liderança, recursos, capilaridade eleitoral e capacidade real de influenciar os rumos da sucessão estadual.
A disputa não será apenas entre candidatos. Será uma guerra política entre grupos consolidados, lideranças históricas, novas forças emergentes e projetos de poder que pretendem governar Mato Grosso pelos próximos anos.
O grupo de Mauro Mendes: a máquina, a gestão e a sucessão

O primeiro grande bloco político é liderado pelo governador licenciado Mauro Mendes (União Brasil).
Após quase oito anos à frente do Palácio Paiaguás, Mauro construiu uma das mais sólidas bases políticas já vistas no estado, reunindo prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, empresários e lideranças regionais.
Sua decisão de disputar uma vaga ao Senado Federal abre espaço para que seu principal aliado e sucessor político, **Otaviano Pivetta (Republicanos), assuma a missão de defender o legado do atual governo.
Além da estrutura administrativa construída ao longo dos últimos anos, o grupo conta com nomes de forte expressão eleitoral.
A primeira-dama Virginia Mendes (União Brasil) surge como um dos nomes mais competitivos para a Câmara Federal.
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) busca a reeleição e permanece como uma das principais lideranças políticas do grupo.
Também entram na disputa nomes que ocuparam cargos estratégicos na administração estadual, como o ex-secretário de Segurança Pública César Roveri, o ex-secretário de Educação Alan Porto e o ex-secretário de Saúde Gilberto Figueiredo.
Trata-se de um grupo que possui estrutura, capilaridade e influência administrativa construída ao longo de anos de governo.
Wellington Fagundes e a força da direita bolsonarista
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Do outro lado surge um adversário que não pode ser subestimado.
O senador Wellington Fagundes (PL) lidera o principal projeto político da direita para a disputa ao Governo do Estado.
Mesmo enfrentando uma das estruturas políticas mais organizadas de Mato Grosso, Wellington tem demonstrado capacidade de manter seu projeto competitivo e consolidar apoios importantes.
Seu maior ativo político é o alinhamento com o eleitorado conservador, segmento que possui enorme força em Mato Grosso e que foi determinante nas últimas eleições.
O senador conta com o apoio do Partido Liberal, do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e da família Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro já manifestou publicamente apoio ao projeto liderado por Wellington, reforçando sua posição como principal representante do bolsonarismo na disputa estadual.
Ao seu lado estão lideranças como o deputado estadual Gilberto Cattani (PL), um dos nomes mais identificados com a direita conservadora no estado, e o deputado federal José Medeiros (PL), apontado como potencial candidato ao Senado.
Para muitos analistas, Wellington representa hoje o principal desafio ao projeto de continuidade do grupo governista.
Janaina Riva e a construção de uma força independente

A deputada estadual Janaina Riva (MDB) também desponta como uma das protagonistas da eleição.
Com forte presença política no interior do estado e consolidada como uma das parlamentares mais votadas de Mato Grosso, Janaina trabalha para construir uma chapa competitiva ao Senado.
Seu grupo ganhou musculatura com a chegada de lideranças importantes, entre elas o ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho (União Brasil).
Janaina tem se apresentado como uma liderança independente, capaz de dialogar com diferentes setores da política mato-grossense.
A esquerda aposta em Carlos Fávaro e Natasha Slhessarenko
Embora Mato Grosso tenha histórico de predominância conservadora, o campo da esquerda e da centro-esquerda busca ampliar sua participação no debate eleitoral.
O ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) trabalha pela reeleição ao Senado e segue como principal articulador do grupo ligado ao Governo Federal.
Ao mesmo tempo, o PSD aposta no crescimento da médica Natasha Slhessarenko, que busca consolidar uma alternativa ao eleitorado que procura uma nova opção para o Governo do Estado.
Natasha tem ampliado sua presença política e aposta especialmente na aproximação com servidores públicos, mulheres e setores que defendem maior participação social na gestão pública.
Além disso, o grupo conta com lideranças históricas da esquerda mato-grossense, como Valdir Barranco, Lúdio Cabral e Rosa Neide.
Jayme Campos: o cacique que continua influenciando os rumos da política
Poucos nomes possuem a influência política construída ao longo das décadas por Jayme Campos (União Brasil).
Ex-governador, ex-prefeito e senador, Jayme mantém uma ampla rede de aliados espalhada por todas as regiões do estado.
Sua força vai muito além dos votos.
Ela está na capacidade de construir alianças, influenciar decisões e dialogar com diferentes grupos políticos.
Ao lado do irmão, Júlio Campos, o senador continua sendo uma das peças mais importantes do tabuleiro político mato-grossense.
O fator Max Russi

Entre todos os nomes que circulam nos bastidores, poucos despertam tanta atenção quanto o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos).
Embora afirme publicamente que seu projeto é disputar a reeleição para deputado estadual, seu nome continua sendo lembrado por lideranças políticas, prefeitos e parlamentares como uma das figuras mais influentes do estado.
Sua capacidade de diálogo, articulação e construção de consensos tem sido apontada como uma das principais virtudes.
Recentemente, demonstrações de força política reuniram centenas de lideranças em eventos ligados ao seu grupo.
Em um cenário que ainda está em construção, Max segue sendo um dos nomes observados com atenção pelos principais atores políticos de Mato Grosso.
A eleição mais cara da história?
O crescimento das estruturas partidárias, a profissionalização das campanhas, a força das redes sociais, a necessidade de presença em um estado de dimensões continentais e a quantidade de grupos competitivos apontam para uma eleição extremamente custosa.
As campanhas de 2026 exigirão equipes profissionais, comunicação estratégica, deslocamentos constantes e capacidade de mobilização em todas as regiões.
A realidade política mudou.
Hoje, trabalho prestado e boa vontade continuam sendo importantes, mas dificilmente são suficientes sem uma estrutura sólida por trás.
Por isso, a eleição de 2026 não será apenas uma disputa entre candidatos.
Será uma disputa entre projetos políticos, grupos organizados, estruturas eleitorais e lideranças que buscam ocupar espaço em um dos estados mais importantes do Brasil.
E, ao que tudo indica, Mato Grosso está prestes a viver uma das eleições mais intensas, imprevisíveis e decisivas de sua história recente.


