Apoios a Pivetta, aproximações inesperadas e movimentos de bastidores levantam dúvidas sobre a unidade da direita para 2026 Por Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político | MT Urgente News As eleições de 2026 ainda estão distantes no calendário oficial, mas nos bastidores da política mato-grossense a disputa pelo Palácio Paiaguás já começou. E os movimentos observados nos últimos dias têm levantado uma pergunta que começa a preocupar parte do eleitorado conservador: A direita chegará unida em 2026 ou poderá entrar dividida justamente na eleição mais importante dos últimos anos em Mato Grosso? O questionamento ganhou força após a declaração do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), em apoio à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Durante sua fala, Cláudio foi direto ao afirmar que prefere caminhar ao lado de quem tem compromisso com Rondonópolis e destacou que Pivetta é um político que “tem palavra” e não faz “politicagem”. A declaração rapidamente repercutiu porque Cláudio não é apenas prefeito de uma das principais cidades do estado. Ele é filiado ao PL, partido que nacionalmente trabalha a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso. Cláudio não está sozinho O movimento do prefeito de Rondonópolis não foi um caso isolado. Em diferentes momentos, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também já demonstrou boa relação política com Otaviano Pivetta. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), igualmente já fez declarações e gestos interpretados como sinais de proximidade com o grupo liderado pelo governador Mauro Mendes. Isoladamente, esses movimentos poderiam ser vistos apenas como relações institucionais. Mas quando analisados em conjunto, começam a despertar questionamentos dentro do próprio campo conservador. Afinal, se o PL possui um projeto estadual definido, por que algumas das suas principais lideranças municipais demonstram cada vez mais proximidade com um projeto político diferente? Wellington tem o apoio do PL nacional e da família Bolsonaro Outro fator que chama atenção é que Wellington Fagundes não é apenas um pré-candidato qualquer dentro do partido. O senador é considerado hoje o principal nome do PL para disputar o Governo de Mato Grosso e conta com apoio público da direção nacional da legenda. Mais do que isso. Nos últimos anos, Wellington consolidou uma relação próxima com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com seus filhos. O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, já declarou em diversas ocasiões seu apoio a Wellington Fagundes, destacando a amizade, a parceria política e a confiança construída ao longo dos anos. Dentro do PL nacional, Wellington é visto como um dos principais representantes do projeto conservador em Mato Grosso. Por isso, os recentes movimentos observados entre lideranças do próprio campo da direita acabam chamando ainda mais atenção. O peso da máquina estadual Nos bastidores, uma explicação frequentemente apresentada por analistas políticos está relacionada à força da estrutura administrativa do Governo do Estado. Mato Grosso vive hoje uma situação financeira considerada confortável, com capacidade de investimento superior à maioria dos estados brasileiros. Isso significa obras, convênios, repasses, parcerias, investimentos e recursos chegando aos municípios. Prefeitos dependem dessa relação para entregar resultados à população. Deputados dependem da execução de emendas parlamentares. Lideranças regionais dependem de investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Nesse contexto, muitos analistas avaliam que a influência da máquina pública estadual acaba exercendo forte peso nas decisões políticas. Não por acaso, diversos prefeitos têm buscado manter boa relação com o grupo liderado por Mauro Mendes e Otaviano Pivetta. A pergunta que começa a surgir é: Trata-se apenas de uma relação institucional ou de uma antecipação do apoio político para 2026? O caso Medeiros e Neri Geller Como se não bastasse, outro episódio recente ajudou a alimentar o debate dentro da direita mato-grossense. A aproximação entre o deputado federal José Medeiros (PL), pré-candidato ao Senado, e o ex-ministro da Agricultura Neri Geller (Republicanos), que trabalha uma candidatura à Câmara Federal, gerou forte repercussão. Neri foi ministro da Agricultura durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff e historicamente é associado por parte do eleitorado a um campo político diferente daquele representado pelo bolsonarismo. Após as críticas, Medeiros gravou vídeo afirmando que não se pode rejeitar votos apenas por sua origem ideológica e que uma candidatura precisa dialogar com toda a sociedade. A declaração abriu um novo debate. O questionamento de muitos eleitores conservadores não está na origem do voto. O debate gira em torno das alianças políticas que começam a ser construídas para 2026. Até onde é possível ampliar alianças sem comprometer a identidade política construída nos últimos anos? Entre a ideologia e a viabilidade eleitoral Essa não é uma discussão exclusiva de Mato Grosso. Em todo o Brasil, partidos de direita enfrentam um dilema cada vez mais presente: Manter a fidelidade ideológica ou ampliar alianças para aumentar a competitividade eleitoral? Na prática, a política exige diálogo, composição e construção de maiorias. Mas, ao mesmo tempo, parte do eleitorado conservador cobra coerência entre discurso e prática. É justamente nesse ponto que os movimentos recentes começam a gerar desconforto em alguns setores da direita. O fator Max Russi Outro elemento que pode mudar completamente o tabuleiro político é o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi. Considerado atualmente um dos políticos mais influentes de Mato Grosso, Max construiu uma ampla base municipalista e possui forte capacidade de articulação. Nos bastidores, cresce a percepção de uma aproximação cada vez maior entre Wellington Fagundes e Max Russi. Caso essa construção avance, o cenário eleitoral pode sofrer mudanças importantes. Muitos analistas acreditam que Max poderá ser um dos principais fiadores políticos de uma candidatura competitiva ao Governo do Estado. A direita corre risco de sair mais fraca? Essa talvez seja a principal pergunta que começa a surgir nos bastidores. Nas últimas eleições, a direita conseguiu crescer apoiada em um discurso de unidade, valores conservadores e alinhamento nacional. Agora, diante das movimentações observadas, surge a dúvida: A direita conseguirá repetir essa unidade em 2026? Ou parte das lideranças começará a priorizar projetos regionais, relações institucionais e estratégias locais? Por enquanto, não existe ruptura. Não existe divisão formal. Mas os sinais emitidos nas
Justiça volta a barrar repasses a financeiras investigadas e protege recursos de servidores em Mato Grosso
Decisão do TJMT atende recurso do Governo do Estado e determina que valores descontados em folha permaneçam sob custódia judicial até definição do STJ sobre a legalidade dos contratos de cartão consignado. O Governo de Mato Grosso conseguiu reverter na Justiça uma decisão que permitia o repasse direto de valores descontados da folha de pagamento de servidores para instituições financeiras investigadas por supostas irregularidades em contratos de cartão de crédito consignado. Em decisão proferida pela desembargadora Vandymara Zanolo, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), os recursos voltarão a ser retidos e depositados em contas judiciais, permanecendo sob fiscalização do Poder Judiciário. A medida atende recurso apresentado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que argumentou haver insegurança jurídica diante das investigações em andamento e da falta de colaboração das empresas envolvidas na entrega de documentos necessários para a análise dos contratos. Segundo o Governo, o cronograma de revisão dos acordos foi comprometido justamente pela ausência dessas informações, consideradas essenciais para a verificação individualizada de cada caso. Na decisão, a magistrada destacou que a liberação dos repasses às instituições financeiras ocorreu em um cenário de incerteza jurídica, o que poderia comprometer a efetividade de eventual ressarcimento aos servidores. Com isso, foi restabelecido o bloqueio dos valores descontados mensalmente, que passarão a ser depositados em juízo de forma individualizada por banco, modalidade de operação e contrato. Entre as empresas atingidas pela determinação estão a Capital Consig e a Cartos Sociedade de Crédito Direto, que permanecem impedidas de receber recursos provenientes da folha de pagamento dos servidores estaduais enquanto o processo estiver em tramitação. O montante acumulado ficará integralmente sob guarda da Justiça até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgue de forma definitiva a controvérsia envolvendo a validade dos contratos e a existência de possíveis abusos, como cobrança irregular de juros e práticas comerciais questionadas. A decisão é considerada estratégica pelo Governo do Estado por assegurar que, caso sejam confirmadas irregularidades nos contratos, os valores permaneçam preservados para garantir o ressarcimento integral dos servidores prejudicados.
Paula Calil consolida maioria e avança rumo à reeleição na Câmara de Cuiabá
Com apoio de 14 vereadores, presidente da Casa fortalece projeto de recondução, mas ainda enfrenta desafios regimentais e jurídicos A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), deu um passo decisivo para viabilizar sua permanência no comando do Legislativo municipal ao reunir o apoio de 14 vereadores em torno de seu projeto de reeleição. O alinhamento político foi consolidado durante um jantar realizado na noite de segunda-feira (22), na residência da parlamentar. O encontro contou ainda com a presença do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e do presidente estadual do Partido Liberal, Ananias Filho, demonstrando a articulação da base governista em torno da manutenção da atual mesa diretora. Entre os parlamentares que declararam apoio à recondução de Paula estão Dilemário Alencar, Tenente-Coronel Dias, Kassio Coelho, Adevair Cabral, Marcrean Santos, Wilson Kero Kero, Rafael Ranalli, Mário Nadaf, Marcus Brito Jr., Cesinha Nascimento, Baixinha Giraldelli, Demilson Nogueira e Samantha Íris. Um dos movimentos que mais chamou atenção nos bastidores foi a adesão de Dilemário Alencar. O vereador havia deixado a liderança do governo na Câmara após divergências relacionadas justamente à articulação para a reeleição da presidente, mas agora integra o grupo favorável à sua permanência no cargo. Apesar de alcançar o número de apoios considerado necessário para avançar no processo, Paula Calil ainda precisa superar um obstáculo fundamental: a alteração do regimento interno da Câmara, que atualmente não permite a reeleição do presidente dentro da mesma legislatura. Além da questão regimental, o grupo político também busca evitar eventuais contestações judiciais. O tema ganhou relevância após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a eleição antecipada da mesa diretora da Câmara de Várzea Grande, sob entendimento de que o pleito deve respeitar prazo mínimo previsto para esse tipo de escolha. Nesse cenário, o vereador Mário Nadaf apresentou proposta para que a eleição da próxima mesa diretora seja realizada em 5 de novembro. A medida encontra respaldo entre parlamentares da base do Executivo, mas enfrenta resistência de vereadores independentes e da oposição, que avaliam que um prazo mais longo favoreceria a articulação do grupo de Paula Calil para conquistar os apoios restantes necessários à mudança do regimento. Com maioria consolidada, mas ainda diante de entraves legais e políticos, a disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá promete continuar movimentando os bastidores do Legislativo nos próximos meses.