Por Jefferson Dias Chaves, Delegado de Polícia Os números apresentados pela reportagem “Feminicídio em alta transforma combate em cobrança eleitoral”, veiculado em capa de jornal de grande circulação em Mato Grosso são alarmantes: Mato Grosso possui a terceira maior taxa de feminicídio e a segunda maior taxa de tentativas do Brasil. Essa realidade exige que o enfrentamento à violência contra a mulher ultrapasse os debates acalorados das campanhas eleitorais e se transforme em compromisso permanente do Estado. Em períodos eleitorais, é comum que candidatos manifestem indignação, anunciem propostas e assumam publicamente a defesa das mulheres. Contudo, depois das eleições, muitas promessas perdem espaço na agenda governamental. O combate ao feminicídio não pode depender do calendário político, de campanhas ocasionais ou de manifestações nas redes sociais. Precisa ser uma política de Estado, com orçamento próprio, metas, continuidade e avaliação de resultados. A Lei Maria da Penha, que completou 20 anos, oferece bases para uma atuação integrada. Proteger as vítimas e responsabilizar criminalmente os agressores são deveres inegociáveis, mas não suficientes. É necessário ampliar delegacias especializadas, fortalecer as Patrulhas Maria da Penha, fiscalizar medidas protetivas, assegurar casas de acolhimento, atendimento psicológico e condições para que as mulheres conquistem autonomia econômica. A resposta também precisa alcançar os municípios menores, onde a rede de proteção é mais frágil e as mulheres frequentemente enfrentam longas distâncias, demora no atendimento e falta de serviços especializados. Saúde, segurança pública, educação, assistência social, Ministério Público, Defensoria e Judiciário devem atuar mediante protocolos comuns, evitando que a vítima tenha de repetir sua história e reviver a violência em cada instituição que procura. Entretanto, nenhuma política será completa se agir somente depois da agressão. A violência começa muito antes do feminicídio, por meio de ameaças, humilhações, controle financeiro, isolamento, ciúme possessivo e vigilância constante. Por isso, precisamos investir na educação de crianças e adolescentes, na formação continuada dos agentes públicos e em programas de reflexão e responsabilização dos autores de violência. Os grupos reflexivos para homens não substituem investigação, medidas protetivas ou punição. Eles complementam a resposta estatal, confrontando comportamentos abusivos e ajudando a impedir a repetição e o agravamento da violência. Prender pode ser necessário; proteger é urgente; prevenir é indispensável. Que o feminicídio seja, sim, um critério para a escolha dos nossos representantes. Mas que a cobrança não termine nas urnas. Cada governo deve apresentar metas verificáveis, orçamento executado, expansão da rede de atendimento e redução efetiva dos índices de violência. A defesa da vida das mulheres não pode ser apenas discurso eleitoral. Deve constituir compromisso diário, duradouro e eficaz de toda a sociedade e, sobretudo, daqueles que recebem o dever de governar. Jefferson Dias Chaves é Delegado da Polícia Civil há 25 anos, atua em Mato Grosso e é voluntário no projeto “Papo de Homem para Homem”.
Ex-prefeito de Vila Rica defende Wellington e diz que senador nunca pediu contrapartida por recursos
Abmael Borges afirma que, durante oito anos à frente da Prefeitura, recebeu apoio de Wellington Fagundes sem qualquer pedido de vantagem e vê motivação política nas acusações feitas contra o senador O ex-prefeito de Vila Rica Abmael Borges (PL) saiu em defesa do senador e candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) após acusações feitas pelo ex-prefeito de Porto Alegre do Norte Daniel do Lago (PSDB). Daniel afirmou, em entrevista a um podcast, que integrantes ligados à equipe de Wellington teriam cobrado propina após a liberação de recursos destinados a uma obra no município. A acusação foi negada pela assessoria do senador. Até o momento, segundo as informações divulgadas publicamente, não foram apresentados nomes dos supostos responsáveis pela cobrança nem decisão judicial que confirme a acusação. “Wellington nunca me pediu nada em troca” Abmael Borges, que administrou Vila Rica por dois mandatos, afirmou que sua experiência com Wellington foi completamente diferente. O ex-prefeito declarou que, durante os oito anos em que esteve à frente da Prefeitura, buscou recursos e manteve relação institucional com parlamentares, mas nunca recebeu qualquer pedido de dinheiro ou vantagem em troca. Abmael afirmou: “O senador Wellington nunca me pediu nada em troca, nunca paguei um centavo de propina.” Segundo ele, isso também nunca aconteceu com outros parlamentares com quem manteve relação durante sua gestão. Abmael classificou a acusação contra Wellington como parte de uma disputa política. Ex-prefeito diz que Wellington ajudou Vila Rica Na entrevista, Abmael também destacou ações de Wellington em benefício do município. Segundo ele, o senador participou de articulações para garantir recursos e destravar investimentos importantes para Vila Rica. Entre os exemplos citados está a atuação relacionada à travessia urbana do município. Abmael também lembrou do período da pandemia da Covid-19, quando as prefeituras enfrentavam queda de arrecadação e aumento das despesas. Segundo o ex-prefeito, Wellington teve participação em articulações que ajudaram os municípios a receber recursos naquele período. Para Abmael, a atuação do senador sempre teve um perfil municipalista. O que Daniel do Lago acusa Daniel do Lago afirmou que integrantes ligados à equipe de Wellington teriam solicitado propina depois da liberação de recursos para uma obra em Porto Alegre do Norte. Segundo a versão apresentada por Daniel, ele teria se recusado a aceitar a suposta cobrança e posteriormente enfrentado problemas políticos dentro do PL. A assessoria de Wellington rejeita essa versão. Segundo a defesa política apresentada pelo grupo do senador, Daniel não identificou publicamente quem teria feito a suposta cobrança. Abmael atribui acusação a disputa eleitoral Abmael também relacionou o episódio ao cenário político atual. Daniel do Lago hoje está filiado ao PSDB, é candidato a deputado estadual e apoia o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Já Abmael é candidato a deputado estadual pelo PL, mesmo partido de Wellington. Na avaliação do ex-prefeito de Vila Rica, a acusação estaria inserida em um ambiente de forte disputa eleitoral. Ele também afirmou que Daniel teve passagem curta pelo PL e enfrentou divergências internas relacionadas às eleições municipais de 2024. Caso ganha repercussão em eleição apertada O episódio ocorre justamente em um momento em que Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta disputam voto a voto o Governo de Mato Grosso. Pesquisas recentes mostram os dois candidatos em situação competitiva, com alternância na liderança numérica e cenários de empate técnico. Por isso, qualquer acusação envolvendo um dos principais candidatos tende a ganhar forte repercussão durante a campanha. Ao mesmo tempo, é importante diferenciar claramente o que é acusação, o que é defesa política e o que já foi efetivamente comprovado. No caso atual, existe uma denúncia feita por Daniel do Lago, uma negativa da assessoria de Wellington e agora o depoimento de Abmael Borges afirmando que, durante dois mandatos como prefeito, nunca viveu situação semelhante. Palavra de um ex-prefeito entra no debate A fala de Abmael chama atenção justamente porque parte de alguém que esteve durante oito anos à frente de uma prefeitura e que afirma ter mantido relação direta com Wellington na busca de recursos federais. O depoimento não encerra a discussão sobre a acusação feita por Daniel, mas acrescenta um contraponto importante. De um lado, um ex-prefeito apresenta uma denúncia. Do outro, outro ex-prefeito afirma que recebeu apoio do senador durante anos e nunca foi procurado para qualquer tipo de contrapartida. Agora, cabe ao eleitor acompanhar os desdobramentos e separar as versões políticas dos fatos que eventualmente venham a ser comprovados. Fonte: RDNews, com informações das declarações de Abmael Borges e da manifestação da assessoria de Wellington Fagundes.
Eleições 2026 devem reservar surpresas em Mato Grosso e novos nomes entram no radar para a Assembleia
Deputados com mandato largam com vantagem, mas presença regional, proximidade com o eleitor e domínio das redes sociais podem mudar o jogo na disputa pelas 24 cadeiras da ALMT As eleições de 2026 em Mato Grosso entram em uma fase em que experiência política, estrutura partidária e força de mandato começam a ser confrontadas por um novo comportamento do eleitor. Na disputa pela Assembleia Legislativa, muitos dos atuais deputados aparecem naturalmente em posição de vantagem. São parlamentares que tiveram quatro anos para ampliar bases, destinar recursos, estabelecer relações com prefeitos e vereadores e manter estruturas políticas em diferentes regiões do Estado. Mas esta eleição também apresenta espaço para novos nomes. A facilidade proporcionada pelas redes sociais para estabelecer contato direto com a população, o fortalecimento de candidaturas regionais e uma cobrança maior por políticos presentes mesmo depois das eleições podem produzir resultados diferentes daqueles considerados previsíveis no início da campanha. É nesse cenário que algumas candidaturas começam a chamar atenção. Governo também mostra que eleição está longe de estar definida A indefinição não está restrita à Assembleia. Na disputa pelo Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) protagonizam uma das principais batalhas eleitorais do Estado. A Quaest divulgada em 25 de agosto mostrou Wellington numericamente à frente, com 27%, contra 23% de Pivetta. Pela margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Natasha Slhessarenko (PSD) aparece com 8%. O confronto também representa uma disputa política maior. Pivetta defende a continuidade do grupo que atualmente ocupa o Palácio Paiaguás, enquanto Wellington tenta consolidar sua candidatura como alternativa ao atual ciclo político. O resultado ainda está completamente aberto. E a mesma lógica vale para a Assembleia Legislativa. Quem tem mandato começa na frente Disputar uma cadeira na ALMT contra deputados que já exercem mandato exige muito mais do que uma boa campanha. Os atuais parlamentares possuem estrutura política, equipes, lideranças municipais, visibilidade e resultados para apresentar. Durante quatro anos, tiveram condições de construir relacionamentos em dezenas de municípios e fortalecer suas bases eleitorais. Essa vantagem existe e continuará tendo peso nas urnas. Por outro lado, possuir mandato não significa reeleição automática. O eleitor passou a cobrar algo que vai além de emendas e discursos: presença. O desafio de não se transformar em político de gabinete Durante uma campanha, praticamente todos os candidatos vão às ruas. Visitam bairros, participam de reuniões, entram em casas, conversam com comerciantes, ouvem lideranças e procuram estar próximos da população. Depois da eleição, essa relação nem sempre continua. Alguns acabam se tornando aquilo que popularmente ficou conhecido como “político de gabinete”: distante da população e acessível apenas através de assessores. Nas eleições de 2026, essa distância pode ter um custo maior. Isso porque o eleitor acompanha a rotina política diariamente pelo celular. Hoje, é possível saber onde um parlamentar esteve, quais projetos apresentou, que problemas está discutindo e, principalmente, se continua mantendo contato com a população depois de eleito. Max Russi aposta justamente na presença Dentro desse cenário, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), demonstra uma estratégia diferente. Mesmo ocupando um dos cargos mais relevantes da política estadual, Max tem investido em presença territorial, percorrendo diferentes regiões de Mato Grosso e trabalhando pelo fortalecimento da chapa do Podemos. O próprio presidente estadual da legenda vem defendendo publicamente a ampliação da bancada do partido na Assembleia. É um exemplo de como mandato, estrutura e presença podem caminhar juntos. Mas, enquanto candidatos experientes tentam manter suas posições, novos nomes buscam ocupar espaços que continuam abertos. Priscila Dourado entra no radar no Vale do Araguaia Entre os nomes que merecem atenção na corrida pela Assembleia está Priscila Dourado (Podemos), de Alto Araguaia. Sua ligação com o município não começou na política. Alto Araguaia é onde estão suas raízes. Sua família é da cidade. Foi ali que Priscila cresceu, estudou, trabalhou, construiu amizades, desenvolveu sua trajetória profissional e formou sua vida familiar. É também onde continua morando. Esse fator pode ter importância eleitoral porque cria uma relação de pertencimento difícil de construir apenas durante uma campanha. Para Priscila, Alto Araguaia não representa apenas uma base de votos. Representa sua própria história. Da suplência à experiência na Assembleia Priscila também chega à disputa de 2026 com uma experiência diferente daquela vivida na eleição anterior. Depois de obter uma votação expressiva principalmente em sua região, ficou na suplência e posteriormente teve a oportunidade de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Essa passagem pelo Parlamento estadual acrescentou experiência política à sua trajetória e permitiu que conhecesse de perto o funcionamento da Casa onde são discutidos orçamento, investimentos, fiscalização e políticas públicas estaduais. Agora, o desafio é maior. Ela precisa transformar sua identificação com Alto Araguaia em uma candidatura com alcance regional. O Vale do Araguaia é o principal caminho de expansão Do ponto de vista eleitoral, o crescimento de Priscila passa necessariamente pelo Vale do Araguaia. O desafio é fazer com que municípios da região enxerguem sua candidatura não apenas como representante de Alto Araguaia, mas como uma possibilidade de voz regional dentro da Assembleia Legislativa. É uma construção que exige presença, organização política, alianças municipais e capacidade de apresentar pautas que façam sentido para diferentes cidades. É justamente nesse aspecto que sua campanha vem procurando se posicionar. Entre as bandeiras apresentadas estão assistência social, saúde, habitação, proteção às mulheres, combate à violência, turismo e desenvolvimento regional. São temas que também dialogam com sua própria trajetória. Vida cotidiana vira componente político Outro elemento que chama atenção é a forma como Priscila procura construir sua comunicação. Em vez de apresentar apenas reuniões políticas e discursos, sua estratégia também expõe elementos da vida cotidiana. Ela continua vivendo em Alto Araguaia, convivendo com familiares, amigos, comerciantes e moradores que fizeram parte de sua história antes mesmo de qualquer candidatura. Na era digital, isso ganhou importância. O eleitor passou a conhecer não somente propostas, mas também a personalidade e o comportamento daquele que pede seu voto. A distância entre vida pública e vida cotidiana ficou menor. E candidatos