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Eleições 2026 devem reservar surpresas em Mato Grosso e novos nomes entram no radar para a Assembleia

Deputados com mandato largam com vantagem, mas presença regional, proximidade com o eleitor e domínio das redes sociais podem mudar o jogo na disputa pelas 24 cadeiras da ALMT

As eleições de 2026 em Mato Grosso entram em uma fase em que experiência política, estrutura partidária e força de mandato começam a ser confrontadas por um novo comportamento do eleitor.

Na disputa pela Assembleia Legislativa, muitos dos atuais deputados aparecem naturalmente em posição de vantagem. São parlamentares que tiveram quatro anos para ampliar bases, destinar recursos, estabelecer relações com prefeitos e vereadores e manter estruturas políticas em diferentes regiões do Estado.

Mas esta eleição também apresenta espaço para novos nomes.

A facilidade proporcionada pelas redes sociais para estabelecer contato direto com a população, o fortalecimento de candidaturas regionais e uma cobrança maior por políticos presentes mesmo depois das eleições podem produzir resultados diferentes daqueles considerados previsíveis no início da campanha.

É nesse cenário que algumas candidaturas começam a chamar atenção.

Governo também mostra que eleição está longe de estar definida

A indefinição não está restrita à Assembleia.

Na disputa pelo Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) protagonizam uma das principais batalhas eleitorais do Estado.

A Quaest divulgada em 25 de agosto mostrou Wellington numericamente à frente, com 27%, contra 23% de Pivetta. Pela margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Natasha Slhessarenko (PSD) aparece com 8%.

O confronto também representa uma disputa política maior.

Pivetta defende a continuidade do grupo que atualmente ocupa o Palácio Paiaguás, enquanto Wellington tenta consolidar sua candidatura como alternativa ao atual ciclo político.

O resultado ainda está completamente aberto.

E a mesma lógica vale para a Assembleia Legislativa.

Quem tem mandato começa na frente

Disputar uma cadeira na ALMT contra deputados que já exercem mandato exige muito mais do que uma boa campanha.

Os atuais parlamentares possuem estrutura política, equipes, lideranças municipais, visibilidade e resultados para apresentar.

Durante quatro anos, tiveram condições de construir relacionamentos em dezenas de municípios e fortalecer suas bases eleitorais.

Essa vantagem existe e continuará tendo peso nas urnas.

Por outro lado, possuir mandato não significa reeleição automática.

O eleitor passou a cobrar algo que vai além de emendas e discursos: presença.

O desafio de não se transformar em político de gabinete

Durante uma campanha, praticamente todos os candidatos vão às ruas.

Visitam bairros, participam de reuniões, entram em casas, conversam com comerciantes, ouvem lideranças e procuram estar próximos da população.

Depois da eleição, essa relação nem sempre continua.

Alguns acabam se tornando aquilo que popularmente ficou conhecido como “político de gabinete”: distante da população e acessível apenas através de assessores.

Nas eleições de 2026, essa distância pode ter um custo maior.

Isso porque o eleitor acompanha a rotina política diariamente pelo celular.

Hoje, é possível saber onde um parlamentar esteve, quais projetos apresentou, que problemas está discutindo e, principalmente, se continua mantendo contato com a população depois de eleito.

Max Russi aposta justamente na presença

Max Russi - Deputado Estadual em Mato Grosso - O trabalho faz a diferença!

Dentro desse cenário, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), demonstra uma estratégia diferente.

Mesmo ocupando um dos cargos mais relevantes da política estadual, Max tem investido em presença territorial, percorrendo diferentes regiões de Mato Grosso e trabalhando pelo fortalecimento da chapa do Podemos.

O próprio presidente estadual da legenda vem defendendo publicamente a ampliação da bancada do partido na Assembleia.

É um exemplo de como mandato, estrutura e presença podem caminhar juntos.

Mas, enquanto candidatos experientes tentam manter suas posições, novos nomes buscam ocupar espaços que continuam abertos.

Priscila Dourado entra no radar no Vale do Araguaia

Primeira-dama de Alto Araguaia, Priscila Dourado, assume vaga de deputada na ALMT - Araguaia Notícia

Entre os nomes que merecem atenção na corrida pela Assembleia está Priscila Dourado (Podemos), de Alto Araguaia.

Sua ligação com o município não começou na política.

Alto Araguaia é onde estão suas raízes.

Sua família é da cidade. Foi ali que Priscila cresceu, estudou, trabalhou, construiu amizades, desenvolveu sua trajetória profissional e formou sua vida familiar.

É também onde continua morando.

Esse fator pode ter importância eleitoral porque cria uma relação de pertencimento difícil de construir apenas durante uma campanha.

Para Priscila, Alto Araguaia não representa apenas uma base de votos.

Representa sua própria história.

Da suplência à experiência na Assembleia

Priscila também chega à disputa de 2026 com uma experiência diferente daquela vivida na eleição anterior.

Depois de obter uma votação expressiva principalmente em sua região, ficou na suplência e posteriormente teve a oportunidade de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Essa passagem pelo Parlamento estadual acrescentou experiência política à sua trajetória e permitiu que conhecesse de perto o funcionamento da Casa onde são discutidos orçamento, investimentos, fiscalização e políticas públicas estaduais.

Agora, o desafio é maior.

Ela precisa transformar sua identificação com Alto Araguaia em uma candidatura com alcance regional.

O Vale do Araguaia é o principal caminho de expansão

Do ponto de vista eleitoral, o crescimento de Priscila passa necessariamente pelo Vale do Araguaia.

O desafio é fazer com que municípios da região enxerguem sua candidatura não apenas como representante de Alto Araguaia, mas como uma possibilidade de voz regional dentro da Assembleia Legislativa.

É uma construção que exige presença, organização política, alianças municipais e capacidade de apresentar pautas que façam sentido para diferentes cidades.

É justamente nesse aspecto que sua campanha vem procurando se posicionar.

Entre as bandeiras apresentadas estão assistência social, saúde, habitação, proteção às mulheres, combate à violência, turismo e desenvolvimento regional.

São temas que também dialogam com sua própria trajetória.

Vida cotidiana vira componente político

Outro elemento que chama atenção é a forma como Priscila procura construir sua comunicação.

Em vez de apresentar apenas reuniões políticas e discursos, sua estratégia também expõe elementos da vida cotidiana.

Ela continua vivendo em Alto Araguaia, convivendo com familiares, amigos, comerciantes e moradores que fizeram parte de sua história antes mesmo de qualquer candidatura.

Na era digital, isso ganhou importância.

O eleitor passou a conhecer não somente propostas, mas também a personalidade e o comportamento daquele que pede seu voto.

A distância entre vida pública e vida cotidiana ficou menor.

E candidatos que conseguem transmitir naturalidade nesse ambiente podem construir um grau maior de identificação.

Gustavo Melo também representa força política na caminhada

Outro componente que precisa ser considerado é a presença de Gustavo Melo, esposo de Priscila.

Ex-prefeito de Alto Araguaia por dois mandatos, Gustavo construiu uma trajetória política própria no município e possui experiência eleitoral, relacionamento com lideranças e conhecimento da administração pública.

Os oito anos à frente da Prefeitura produziram obras e ações em diferentes áreas do município, construindo também uma base de relacionamento político que permanece presente no cenário local.

Essa trajetória pode contribuir para a campanha de Priscila.

Não significa transferência automática de votos, mas representa organização, conhecimento político e uma rede de relações construída ao longo de vários anos.

Ao mesmo tempo, o desafio de Priscila será justamente consolidar uma identidade eleitoral própria.

Gustavo pode potencializar a caminhada, mas é Priscila quem precisará convencer o eleitor sobre aquilo que poderá realizar caso conquiste um mandato de quatro anos na Assembleia.

Ser conhecida em casa é vantagem; crescer no Estado é o desafio

Em eleições proporcionais, uma base regional forte pode ser fundamental.

Mas ela não é suficiente.

Para disputar uma das 24 cadeiras da Assembleia, Priscila precisará expandir sua votação, conquistar novos municípios e ainda contar com um bom desempenho da chapa do Podemos.

Por isso, sua candidatura precisa ser observada sem antecipações.

Ela enfrenta políticos experientes, deputados em pleno mandato e candidatos com estruturas eleitorais espalhadas pelo Estado.

Por outro lado, reúne características que podem favorecer crescimento: raízes regionais, experiência política, proximidade com a população, facilidade de comunicação e apoio de um grupo já organizado.

É essa combinação que faz seu nome entrar no radar entre as candidaturas que podem apresentar desempenho acima das expectativas.

ANÁLISE POLÍTICA

Por Alex Rabelo — jornalista e estrategista político

As eleições de 2026 prometem mostrar de maneira ainda mais clara uma mudança que já vinha acontecendo nos últimos pleitos.

Ter mandato continua sendo uma vantagem enorme. Mas somente ter mandato talvez já não seja suficiente.

Quem ocupa uma cadeira na Assembleia possui estrutura, equipe, emendas, relacionamento político e quatro anos de exposição.

Isso coloca os atuais deputados naturalmente na frente de muitos adversários.

O problema começa quando essa estrutura gera distanciamento.

O mesmo candidato que, quatro anos atrás, precisava bater à porta do eleitor para pedir confiança não pode acreditar que depois de eleito basta aparecer novamente quando uma nova campanha começar. O eleitor está mais atento. E as redes sociais ampliaram essa fiscalização. Hoje, o político precisa se comunicar todos os dias. Precisa mostrar trabalho. Precisa explicar aquilo que está fazendo. Precisa olhar para uma câmera e conversar de maneira simples. E muitos políticos experientes ainda encontram dificuldade justamente nesse ponto. Enquanto isso, alguns candidatos novos vivem naturalmente nesse ambiente. Gravam vídeos. Mostram sua rotina. Respondem perguntas. Apresentam propostas. Falam da família. Mostram dificuldades. E acabam permitindo que o eleitor conheça não apenas o candidato, mas a pessoa que existe por trás daquela candidatura. É aí que novos nomes podem reduzir a diferença em relação aos detentores de mandato. E é por esse motivo que considero a candidatura de Priscila Dourado uma das que merecem ser acompanhadas.

Priscila é de Alto Araguaia. Sua família está ali. Foi ali que cresceu, estudou e trabalhou. Ali construiu amizades, sua trajetória profissional, sua vida familiar e suas raízes. E continua morando na mesma cidade. Isso significa que sua relação com Alto Araguaia não foi criada por uma campanha eleitoral. É uma relação de vida. Além disso, já teve experiência na Assembleia, trabalha pautas próximas do cotidiano das pessoas e possui facilidade para mostrar sua rotina e conversar diretamente com o eleitor.

Ao seu lado existe ainda a experiência política de Gustavo Melo, que governou Alto Araguaia por dois mandatos e pode contribuir com conhecimento eleitoral, articulação e relacionamento regional. Mas nada disso garante eleição. O verdadeiro teste será conseguir ampliar essa força.

Alto Araguaia precisa ser o ponto de partida, não o limite da candidatura.

Se Priscila conseguir transformar essa identidade local em representação do Vale do Araguaia e depois alcançar outros municípios de Mato Grosso, poderá entrar efetivamente na disputa por uma cadeira.

E existe um aspecto particularmente interessante nesta eleição.

O eleitor parece cada vez menos disposto a escolher apenas quem aparece dizendo que possui estrutura ou poder.

Ele quer saber quem estará acessível depois.

Quem continuará andando pelas mesmas ruas.

Quem voltará aos municípios sem precisar estar em campanha.

Quem atenderá depois que o voto já estiver depositado na urna.

É essa mudança que pode produzir algumas das grandes surpresas de 2026.

Muitos deputados deverão ser reeleitos porque possuem bons mandatos e bases consolidadas.

Outros poderão descobrir que estrutura não substitui relacionamento.

E alguns candidatos que hoje ainda são tratados como nomes regionais podem chegar às urnas muito maiores do que começaram a campanha.

Na minha análise, Priscila Dourado reúne características para estar entre esses nomes que precisam ser observados.

Ainda há uma longa caminhada e uma disputa difícil pela frente.

Mas raízes, presença, comunicação, experiência e capacidade de manter contato direto com o eleitor são ingredientes cada vez mais importantes na política moderna.

Em 2026, talvez a grande surpresa não seja simplesmente descobrir quem conseguiu chegar à Assembleia.

Será descobrir quais candidatos conseguiram convencer o eleitor de que não vão desaparecer depois de chegar lá.

Alex Rabelo
Jornalista e estrategista político
MT Urgente News

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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