Frente fria traz chuva, ventos gelados e queda acentuada nos termômetros; regiões centro-oeste e sul do estado devem sentir os efeitos com maior intensidade Uma forte massa de ar polar avança pelo Brasil e deve provocar uma mudança brusca no tempo durante o feriadão da Independência. Em Mato Grosso, a previsão indica queda acentuada das temperaturas, principalmente nas regiões centro-oeste e sul do estado. O ar frio começou a ganhar força neste fim de semana e se espalha pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além da redução nas temperaturas, a combinação entre vento, nebulosidade e chuva pode aumentar a sensação de frio. De acordo com informações da Climatempo, o declínio térmico deve atingir Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Mudança será mais forte entre domingo e segunda-feira A mudança no tempo deve ser percebida com maior intensidade entre este domingo (6) e a segunda-feira (7). Em Mato Grosso, as regiões centro-oeste e sul aparecem entre as áreas com previsão de queda mais acentuada nas temperaturas. A chegada do ar polar também pode provocar aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva antes do avanço definitivo do tempo mais seco e frio. Mesmo nas cidades onde os termômetros não registrarem temperaturas extremamente baixas, os ventos podem reduzir a sensação térmica e tornar o amanhecer e o período noturno mais gelados. A recomendação é que a população acompanhe as atualizações meteorológicas, principalmente quem pretende viajar, participar de atividades ao ar livre ou pegar a estrada durante o feriado. Mato Grosso do Sul pode registrar temperaturas próximas de 10°C No estado vizinho, Mato Grosso do Sul, os efeitos da massa de ar polar serão ainda mais intensos. Algumas cidades podem registrar temperaturas próximas de 10°C. Neste domingo, a instabilidade deve se concentrar principalmente nas regiões norte e centro-norte do estado. Rio Verde de Mato Grosso pode acumular até 21 milímetros de chuva, enquanto Rio Negro pode registrar 20 milímetros. Também há previsão de chuva em São Gabriel do Oeste, Coxim, Sonora, Camapuã, Alcinópolis, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Pedro Gomes. Na região sul de Mato Grosso do Sul, municípios como Tacuru, Sete Quedas, Paranhos e Coronel Sapucaia começaram o domingo com temperaturas próximas de 12°C. Na segunda-feira, a massa de ar seco e frio deve reduzir as condições para chuva, mas o amanhecer continuará gelado. Em algumas cidades próximas às fronteiras com Paraguai e Paraná, as mínimas podem chegar a 10°C. Durante a tarde, as temperaturas voltam a subir gradualmente, provocando uma grande diferença entre o frio registrado nas primeiras horas do dia e o calor do período vespertino. Massa de ar polar atinge várias regiões do país A frente fria tem amplitude nacional. O ar gelado começou a derrubar as temperaturas no sábado (5) na Região Sul e avançou sobre o Centro-Oeste e o Sudeste. Há possibilidade de geada e temperaturas negativas nos estados do Sul do Brasil. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, a presença do ar polar, associada à nebulosidade, pode deixar as mínimas abaixo de 10°C. Na capital paulista, os termômetros devem variar entre 10°C e 13°C durante o feriado, temperaturas consideradas muito baixas para o mês de setembro. O declínio também deve atingir o centro-sul de Goiás, o centro-norte, o leste e o Triângulo Mineiro, além da Zona da Mata de Minas Gerais e do Espírito Santo. Atenção com a mudança brusca Com a queda repentina das temperaturas, é importante redobrar os cuidados, especialmente com crianças, idosos, pessoas em situação de rua e animais domésticos. Quem estiver em Mato Grosso deve ficar atento às mudanças ao longo do dia. O contraste entre manhãs frias e tardes mais quentes exige cuidado na escolha das roupas e atenção especial com a saúde respiratória. A previsão ainda pode sofrer alterações conforme o deslocamento da massa de ar polar. Por isso, a orientação é acompanhar os alertas e as atualizações dos órgãos oficiais de meteorologia. MT Urgente
Bancada federal de Mato Grosso aprova apenas quatro projetos próprios em quatro anos
Levantamento mostra que somente três dos oito deputados conseguiram transformar propostas de autoria própria em projetos aprovados; cinco parlamentares não tiveram nenhuma aprovação no período Os oito deputados federais que representam Mato Grosso apresentaram centenas de propostas ao longo da atual legislatura, mas poucas conseguiram avançar até a aprovação. De acordo com levantamento publicado pela Gazeta Digital, apenas quatro projetos de autoria dos parlamentares mato-grossenses foram aprovados nos últimos quatro anos. A análise considerou projetos de lei, projetos de lei complementar e propostas de emenda à Constituição. Projetos apenas subscritos pelos deputados — quando eles apoiam uma proposta, mas não são seus autores — foram contabilizados separadamente. Dos oito integrantes da bancada, somente Coronel Fernanda (PL), Coronel Assis (PL) e José Medeiros (PL) conseguiram aprovar projetos próprios. Os outros cinco não tiveram nenhuma proposta de autoria própria aprovada no período analisado. Coronel Fernanda lidera com dois projetos aprovados A deputada Coronel Fernanda aparece com o melhor resultado da bancada. Desde 2023, ela apresentou 31 projetos de lei e conseguiu aprovar dois. Uma das propostas institui o Dia Nacional da Mulher Rural. A outra estabelece um protocolo para a atuação das autoridades em casos de estupro, determinando procedimentos e prazos para a realização do exame de corpo de delito, aplicação de medicamentos preventivos, preservação de provas e audiência de custódia. Com dois projetos aprovados, Coronel Fernanda responde por metade das propostas de autoria da bancada que avançaram no período. Coronel Assis aprova projeto contra o “Domínio de Cidades” O deputado Coronel Assis apresentou 45 projetos de lei e um projeto de lei complementar. Entre suas propostas, uma foi aprovada em 2025. O texto altera o Código Penal e a Lei de Crimes Hediondos para tipificar o chamado “Domínio de Cidades”. A prática envolve ações criminosas nas quais grupos fortemente armados bloqueiam ruas, rodovias ou a atuação das forças de segurança para cometer assaltos e outros crimes. Além do projeto próprio aprovado, Assis também aparece como subscritor de outras três propostas que avançaram. José Medeiros tem o maior número de projetos apresentados José Medeiros é o parlamentar da bancada com o maior volume de propostas. Foram apresentados 231 projetos de lei e 19 projetos de lei complementar. Apesar da quantidade, apenas um projeto de sua autoria foi aprovado. A proposta inscreve o nome do ex-senador por Mato Grosso Roberto Campos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Medeiros, que disputa uma vaga no Senado nestas eleições, também teve um projeto rejeitado e outros dois aprovados como subscritor. Cinco deputados não aprovaram projetos próprios Os outros cinco integrantes da bancada não conseguiram aprovar projetos de autoria própria durante o período analisado. Emanuelzinho (PSD) apresentou 22 projetos de lei e dois projetos de lei complementar. Embora não tenha aprovado nenhuma proposta própria, participou como subscritor de diversos projetos, incluindo propostas de emenda à Constituição. Juarez Costa (Republicanos) apresentou 12 projetos de lei e um projeto de lei complementar. Nenhum projeto próprio foi aprovado, mas o parlamentar foi subscritor de duas matérias que avançaram. Nelson Barbudo (Podemos) apresentou 27 projetos de lei e dois projetos de lei complementar, sem aprovações de autoria própria. Ele assumiu o mandato em junho de 2023, após a morte da deputada Amália Barros, e também ficou afastado durante um período para tratamento contra o câncer. Fábio Garcia (União Brasil) apresentou quatro projetos. O deputado afastou-se do mandato em agosto de 2023 para assumir a Casa Civil do Governo de Mato Grosso e retornou à Câmara Federal em abril deste ano. Rodrigo da Zaeli (PL) assumiu o mandato em fevereiro de 2025, na vaga deixada por Abilio Brunini, eleito prefeito de Cuiabá. Desde então, apresentou 12 projetos de lei e um projeto de lei complementar, mas ainda não conseguiu aprovar nenhuma proposta própria. Apresentar projetos não significa conseguir aprová-los Os números mostram uma diferença significativa entre a quantidade de propostas apresentadas e aquelas que efetivamente avançaram. José Medeiros, por exemplo, apresentou 250 projetos entre propostas ordinárias e complementares, mas teve somente uma aprovação de autoria própria. Coronel Assis apresentou 46 e aprovou uma. Coronel Fernanda apresentou 31 e conseguiu aprovar duas. O levantamento também demonstra que apresentar um projeto é apenas o primeiro passo. Para que uma proposta seja aprovada, o parlamentar precisa construir apoio político, negociar com lideranças e bancadas, vencer as comissões, avançar no plenário e, dependendo do caso, conseguir a aprovação do Senado e a sanção presidencial. Atuação parlamentar vai além dos projetos A quantidade de projetos aprovados é um indicador relevante, mas não pode ser utilizada isoladamente para avaliar todo o trabalho de um deputado federal. A atuação parlamentar também envolve a destinação de emendas, a fiscalização do governo, a participação em comissões, a relatoria de propostas, os debates em plenário, a defesa de pautas regionais e a articulação de recursos para os municípios. Também é preciso considerar que alguns parlamentares assumiram o mandato depois do início da legislatura ou permaneceram afastados por motivos políticos, administrativos ou de saúde. Ainda assim, os dados levantam uma pergunta importante: o trabalho realizado pela bancada corresponde ao que Mato Grosso esperava de seus representantes? ANÁLISE — Em ano eleitoral, eleitor precisa avaliar além do discurso Não podemos esquecer que estamos em período eleitoral. Muitos dos atuais deputados voltarão às ruas para pedir votos, apresentar promessas e defender a continuidade de seus mandatos. É justamente neste momento que o eleitor precisa deixar de analisar apenas o discurso de campanha e verificar o que cada candidato fez quando teve a oportunidade de representar Mato Grosso. Quantos projetos apresentou? Quantos conseguiu aprovar? De quais comissões participou? Quais recursos destinou? Que resultados entregou aos municípios? Como votou nos assuntos importantes? Esteve presente e atuante ou apareceu somente às vésperas da eleição? A aprovação de projetos não é o único critério para medir um mandato, mas também não pode ser ignorada. Um deputado federal precisa apresentar propostas, construir acordos, fiscalizar o poder público e transformar sua atuação em resultados concretos para a população. Antes de escolher, pesquise, compare e analise a trajetória de
Pivetta sofre derrota no TRE-MT em ação contra site por matéria sobre servidores públicos
Governador tentou obter direito de resposta contra o PNB Online, mas a Justiça concluiu que a reportagem não inventou a declaração e permaneceu dentro dos limites da liberdade de imprensa O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta, sofreu uma derrota na Justiça Eleitoral ao tentar obrigar o site PNB Online a publicar um direito de resposta. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) julgou improcedente a ação movida pelo candidato e concluiu que, apesar de a manchete ter adotado um tom mais incisivo do que a declaração original, não houve divulgação de informação caluniosa, difamatória, injuriosa ou “sabidamente inverídica”. A decisão foi assinada na sexta-feira (4) pelo juiz auxiliar da propaganda Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado. O que aconteceu? A disputa começou após o PNB Online publicar, no dia 31 de agosto, uma matéria com a chamada “ATACOU SERVIDORES” e o título: “Otaviano Pivetta diz que servidores públicos são despreparados, ‘falta talento’ e tiram vantagem dos cargos.” A publicação teve como base uma entrevista na qual Pivetta falou sobre sua trajetória e sobre as razões que o levaram a atuar na vida pública. Durante a entrevista, o governador declarou: “O que eu via no setor público, e vejo ainda, uma falta muito grande de talentos, de pessoas que tenham o que doar. Muita gente despreparada, muita gente tirando vantagem do cargo.” Pivetta procurou a Justiça alegando que nunca utilizou a expressão “servidores públicos”. Segundo sua defesa, o candidato falou sobre o “setor público” de forma mais ampla, enquanto o site teria transformado a manifestação em um ataque direto aos servidores. A defesa também argumentou que o título generalizou a declaração, transmitindo a ideia de que Pivetta teria classificado toda a categoria como despreparada e interessada em tirar vantagens dos cargos. O que Pivetta pediu? Na ação, o governador solicitou autorização para apresentar uma resposta e exigiu que o conteúdo fosse publicado no mesmo site, editoria, espaço e posição da reportagem questionada. A defesa pediu ainda que a resposta recebesse chamada na página inicial, tivesse o mesmo destaque da matéria original e permanecesse disponível pelo dobro do tempo. Também foi solicitada a proibição de novas publicações com o mesmo título e a prestação de informações sobre um possível impulsionamento pago da reportagem. Por que Pivetta perdeu a ação? Ao analisar o caso, o TRE-MT reconheceu que existe diferença entre as expressões “setor público” e “servidores públicos”. A mudança, no entanto, não foi considerada suficiente para caracterizar uma mentira deliberada. Para o magistrado, quando Pivetta usou expressões como “pessoas”, “muita gente” e “cargo”, permitiu a interpretação de que sua crítica alcançava pessoas que trabalham dentro do poder público. A Justiça entendeu que a manchete foi mais dura e menos precisa que a declaração original, mas manteve ligação direta com aquilo que efetivamente foi dito pelo candidato. Outro ponto decisivo foi o fato de o site ter publicado, no corpo da reportagem, a fala original de Pivetta. Na avaliação do juiz, o leitor teve acesso ao conteúdo integral e pôde formar sua própria opinião. A decisão também ressaltou que o título não utilizou as palavras “todos” ou “a totalidade” dos servidores. Por isso, o TRE-MT afastou o argumento de que a matéria teria acusado expressamente toda a categoria. “Atacou servidores” foi considerado julgamento editorial O TRE-MT também analisou a chamada “ATACOU SERVIDORES”, utilizada pelo site para apresentar a reportagem. Segundo a decisão, a expressão representa uma avaliação editorial sobre o alcance da fala de Pivetta. Embora possa ser considerada severa, sensacionalista ou politicamente desfavorável, não constitui necessariamente uma afirmação falsa. Para o magistrado, o site não atribuiu ao candidato um crime, uma desonestidade pessoal ou uma ofensa sem relação com o debate político. O entendimento acompanhou o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral, que também defendeu a rejeição do pedido. Para o Ministério Público Eleitoral, a relação entre o setor público e as pessoas que trabalham nele permite diferentes interpretações da declaração. Justiça rejeitou tentativa de impor uma interpretação oficial Na decisão, o juiz destacou que o direito de resposta não pode funcionar como uma ferramenta para controlar a imagem de candidatos ou determinar qual seria a única interpretação permitida para uma declaração política. O magistrado afirmou que acolher o pedido significaria transformar a Justiça Eleitoral em uma espécie de “curadoria de imagem” do candidato. A legislação eleitoral garante direito de resposta quando há calúnia, difamação, injúria ou informação comprovadamente falsa. Para o TRE-MT, nenhuma dessas situações ficou demonstrada no processo. Com isso, todos os pedidos relacionados à forma, ao destaque, à duração e ao eventual impulsionamento da resposta também perderam efeito. ANÁLISE — Pivetta perde na Justiça e terá de enfrentar o desgaste no debate político A derrota de Pivetta no TRE-MT vai além da negativa de um direito de resposta. A decisão mantém em circulação uma interpretação politicamente desgastante de sua fala e impede que o candidato obrigue o veículo a publicar sua versão com o mesmo destaque da reportagem original. A manchete do PNB Online foi mais ampla e contundente do que as palavras utilizadas por Pivetta. O governador mencionou o “setor público”, e não declarou diretamente que todos os servidores seriam despreparados. Essa diferença existe e foi reconhecida pela própria Justiça. Entretanto, o conteúdo da fala criou espaço para a interpretação adotada pelo site. Ao mencionar “falta de talentos”, “muita gente despreparada” e pessoas “tirando vantagem do cargo”, Pivetta fez uma crítica que poderia ser associada aos agentes que atuam na administração pública. A tentativa de retirar essa discussão do campo político e levá-la para o Judiciário não prosperou. O TRE-MT entendeu que o desconforto eleitoral provocado pela repercussão de uma declaração não é suficiente para justificar a intervenção da Justiça. Na prática, a decisão transfere novamente o problema para a campanha. Pivetta continuará tendo o direito de explicar o que pretendia dizer, mas deverá fazer isso por meio da comunicação política e do debate público, sem poder obrigar o site a publicar uma resposta. O episódio também evidencia o peso das palavras durante uma eleição.