Em diferentes regiões, parentes de prefeitos, senadores e deputados entram na disputa; movimento levanta uma pergunta: isso fortalece os grupos ou torna a competição interna ainda mais desigual? Você já reparou como, nesta eleição em Mato Grosso, várias candidaturas aparecem ligadas diretamente a nomes que já ocupam ou ocuparam cargos importantes? Em alguns casos, o eleitor se depara com uma espécie de dobradinha política: um nome já conhecido pede apoio e, ao mesmo tempo, outro integrante da família também entra na disputa. Esposa de prefeito. Filha de senador. Irmã de deputada. Filho de prefeito. Ex-esposa de prefeito. Não há, por si só, qualquer irregularidade nisso. O parentesco não impede automaticamente uma candidatura, desde que as regras eleitorais sejam respeitadas. Mas politicamente, o fenômeno chama atenção. A sensação para parte do eleitorado pode ser simples: quem já tem força política tenta ampliar essa presença colocando mais alguém da própria família na disputa. E isso gera uma questão interessante para esta eleição: até que ponto essa estrutura ajuda o familiar candidato e até que ponto complica a vida dos demais nomes da mesma chapa? SAMANTHA DO ABILIO EM CUIABÁ Um dos exemplos mais visíveis está na Capital. Samantha Íris, esposa do prefeito Abilio Brunini, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Ela já exerce mandato de vereadora e, portanto, possui trajetória política própria. Mas o próprio nome de urna, “Samantha do Abilio”, mostra como a ligação com o prefeito faz parte da identidade eleitoral construída para esta disputa. Do ponto de vista político, essa relação pode representar uma vantagem: Abilio possui eleitorado próprio, exposição diária e uma estrutura política consolidada em Cuiabá. A dúvida é saber quanto desse capital político é transferido automaticamente. JÉSSICA RIVA E UM SOBRENOME CONHECIDO Outro caso é Jéssica Riva, irmã de Janaina Riva. O sobrenome Riva já faz parte da política de Mato Grosso há décadas. Janaina disputa o Senado, enquanto Jéssica busca espaço na Assembleia Legislativa. Para o eleitor, isso cria duas leituras possíveis. Uma é de continuidade de um grupo político que já possui presença e experiência. Outra é a de concentração de espaço dentro da mesma família. Qual dessas leituras prevalecerá nas urnas só o eleitor poderá responder. FILHA DE SENADOR, RAFAELA FÁVARO TAMBÉM ESTÁ NA DISPUTA No PSD, Rafaela Fávaro, filha do senador Carlos Fávaro, também concorre à Assembleia. Ela já teve exposição eleitoral própria ao participar da disputa municipal em Cuiabá. Ainda assim, o sobrenome traz uma vantagem óbvia: reconhecimento. Quem possui um pai senador, ex-ministro e liderança estadual entra na campanha sem precisar começar do zero em termos de visibilidade. Mas isso não significa eleição garantida. Em uma disputa proporcional, o candidato precisa transformar reconhecimento em voto. RONDONÓPOLIS TEM ALESSANDRA FERREIRA Em Rondonópolis, Alessandra Ferreira, esposa do prefeito Cláudio Ferreira, também disputa vaga de deputada estadual. O prefeito possui força política local e capacidade de mobilização. Isso naturalmente ajuda a candidatura? Provavelmente ajuda na construção de base, agenda e visibilidade. Mas também abre outro debate: como ficam os demais candidatos do mesmo partido que disputam o mesmo eleitorado e não possuem uma prefeitura ou liderança desse tamanho por trás? É uma pergunta, não uma conclusão. EM ALTA FLORESTA, GEOVANE GAMBA É FILHO DO PREFEITO No Norte, Geovane Gamba, filho do prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba, é outro nome da disputa. Mais uma vez aparece a mesma lógica. Uma liderança municipal forte tenta transformar influência local em representação estadual. Para o grupo político, isso pode ser estratégico. Para os concorrentes da própria chapa, significa enfrentar alguém que já chega com um município importante como base eleitoral. SCHEILA PEDROSO MOSTRA QUE NEM TODA RELAÇÃO FAMILIAR É ALIANÇA POLÍTICA O caso de Scheila Pedroso, ex-esposa do prefeito de Sinop Roberto Dorner, é diferente. Ela também está na disputa pela Assembleia, mas o ex-prefeito já declarou publicamente que não faria campanha para ela. Esse exemplo é importante porque mostra que parentesco ou relação familiar não significa automaticamente apoio, estrutura compartilhada ou atuação conjunta. Cada candidatura possui contexto próprio. AFINAL, O SOBRENOME AJUDA QUANTO? Essa talvez seja a pergunta central. Um nome ligado a uma liderança conhecida normalmente começa a corrida com algumas vantagens: maior reconhecimento; mais facilidade para acessar lideranças; estrutura de campanha já organizada; rede de apoiadores; e presença em municípios onde o familiar já possui influência. Mas existe também um risco. O eleitor pode interpretar aquela candidatura como alguém tentando construir carreira própria. Ou pode enxergar simplesmente uma tentativa de ampliação de poder familiar. Essa percepção varia de caso para caso. E OS OUTROS CANDIDATOS DA CHAPA? Esse é outro ponto interessante. Em eleições proporcionais, todos os candidatos de um partido ajudam a legenda a conquistar vagas. Ao mesmo tempo, disputam votos entre si. Por isso, quando um nome entra na disputa carregando prefeitura, mandato, senador, deputado ou estrutura familiar forte, surge naturalmente uma questão interna: a competição continua equilibrada? Formalmente, sim. Todos disputam a mesma eleição. Mas politicamente, é claro que estruturas não são iguais. Um candidato sem mandato e sem sobrenome conhecido precisa construir visibilidade quase do zero. Outro pode começar a eleição já conhecido por milhares de eleitores. Isso não significa que o partido esteja necessariamente privilegiando alguém. Significa apenas que candidatos entram na disputa em condições políticas diferentes. PARTIDOS GOSTAM DESSAS DOBRADINHAS? Do ponto de vista eleitoral, há motivos para gostar. Nomes conhecidos podem ajudar a puxar votos, fortalecer a chapa e ampliar presença regional. Para um partido, ter uma candidatura ligada a um prefeito forte pode significar entrar em uma cidade com estrutura pronta. Ter alguém ligado a um senador ou deputado conhecido pode ampliar a lembrança da legenda. Mas também há um desafio. Quando muitos votos e recursos políticos ficam concentrados em poucos grupos, outros candidatos podem sentir que precisam competir não apenas contra adversários de outros partidos, mas também contra estruturas internas maiores. É justamente aí que a política interna das chapas se torna mais delicada. É RENOVAÇÃO OU CONTINUIDADE? Talvez a eleição de 2026 em Mato Grosso coloque essa discussão de forma ainda mais
Deputado participa da Expopet e destaca avanços na proteção animal em Mato Grosso
Max já destinou quase R$ 2 milhões para ações do setor, viabilizou mais de 700 castrações e articula implantação do primeiro Hospital Veterinário Público Estadual O deputado estadual Max Russi (Podemos), candidato à reeleição, participou da 4ª Expopet, na noite deste domingo (13), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá. Entre pets, tutores, protetores e profissionais do setor, Max reforçou uma bandeira que acompanha sua atuação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT): a defesa e o bem-estar dos animais. Mais do que apoiar a causa, Max confidenciou que também se considera um protetor, ao acolher animais domésticos e silvestres em recuperação, em uma propriedade da família. E destaca que a relação com os animais vem de um sentimento pessoal. “Quem convive com um animal sabe o carinho que eles oferecem e também a responsabilidade que temos de cuidar e proteger. Por isso, tenho buscado transformar esse sentimento em ações concretas e políticas públicas que realmente façam a diferença”, destacou Max. AÇÕES DIRETAS Ao longo de sua atuação, Max já destinou quase R$ 2 milhões para iniciativas ligadas à proteção e ao bem-estar animal. Os recursos ajudaram a viabilizar mais de 700 castrações gratuitas, além de ações de distribuição de ração para animais de famílias em situação de vulnerabilidade. Além disso, o deputado articula a implantação do primeiro Hospital Veterinário Público Estadual de Mato Grosso. A proposta busca ampliar o acesso aos serviços veterinários, principalmente para famílias que não conseguem arcar com atendimento particular. Max também apoiou a criação do Ser Família Pet e do Fundo Estadual de Proteção Animal. Da mesma forma, fortaleceu o Grupo de Trabalho em Defesa da Causa Animal da ALMT, que ampliou a articulação entre protetores, entidades e poder público. A atuação também chegou à legislação. Max é autor da Lei nº 12.646/2024, conhecida como Abril Laranja, que estabelece uma política permanente de conscientização, prevenção e combate aos maus-tratos contra animais em Mato Grosso. Outra iniciativa de sua autoria é a Lei nº 12.851, que instituiu o Programa EcoBike. A medida busca reduzir gradualmente o uso de veículos de tração animal nas áreas urbanas e incentivar alternativas que preservem o bem-estar dos animais.
SINAL AMARELO NO PT: Flávio passa Lula numericamente e eleição entra em fase que pode redefinir o ciclo político do país
Quaest coloca Flávio Bolsonaro com 42% contra 40% de Lula no segundo turno; presidente ainda lidera no primeiro, mas desgaste do governo, avanço entre independentes e ausência de sucessor claro pressionam o projeto petista A eleição presidencial de 2026 entrou em uma fase que pode marcar mais do que uma simples troca ou manutenção de governo. Pode estar em jogo o encerramento de um ciclo político. Pela primeira vez nesta campanha, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno, segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14). Flávio marca 42%, contra 40% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado ainda representa empate técnico. Mesmo assim, o dado tem peso político porque, na rodada anterior, os dois estavam empatados em 41%. No primeiro turno, Lula continua liderando, com 36%, enquanto Flávio aparece com 31%. Augusto Cury registra 7%; Renan Santos e Ronaldo Caiado, 4% cada; Romeu Zema aparece com 1%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 7%, enquanto 10% permanecem indecisos. O ponto central, portanto, não é dizer que Lula está derrotado. Não está. Mas a fotografia desta reta final mostra algo que durante boa parte do ciclo político recente parecia improvável: Lula já não consegue impor vantagem clara sobre seu principal adversário. DE FAVORITO A CANDIDATO SOB PRESSÃO O problema para o PT começa quando a Quaest deixa de ser analisada isoladamente. Outros levantamentos recentes também apresentam uma disputa extremamente apertada. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 47% e Flávio com 46% em uma eventual segunda rodada. A Meio/Ideia registrou empate em 46% a 46%, enquanto a Palver mostrou Flávio numericamente à frente, por 46% a 44%. Institutos diferentes, metodologias diferentes, resultados ligeiramente diferentes. Mas uma conclusão começa a se repetir: a eleição está aberta. E talvez esse seja o dado mais desconfortável para um presidente que tenta conquistar mais um mandato. APROVAÇÃO TAMBÉM PREOCUPA O PLANALTO A dificuldade de Lula não aparece apenas na intenção de voto. A Quaest aponta 43% de aprovação do governo, mesmo patamar da semana anterior, mas abaixo dos 48% registrados em agosto. Já o Datafolha mostrou 42% dos entrevistados avaliando o governo como ruim ou péssimo, contra 32% que o classificam como ótimo ou bom. Na avaliação pessoal do presidente, 50% desaprovam e 47% aprovam sua atuação. Para quem ocupa o Palácio do Planalto, esse é um sinal importante. Presidente candidato à reeleição não disputa apenas contra o adversário. Disputa também contra a avaliação dos próprios quatro anos de governo. Preço dos alimentos, segurança, economia, crises políticas e percepção de futuro entram diretamente na urna. FLÁVIO ENTRA NUM TERRITÓRIO QUE LULA PRECISA RECUPERAR Um dos números mais relevantes da Quaest está entre os eleitores independentes. Nesse grupo, formado por quem não se identifica diretamente nem com lulismo nem com bolsonarismo, Flávio aparece com 36% contra 26% de Lula. São dez pontos de diferença. Esse eleitor é especialmente importante porque a base mais fiel dos dois candidatos já está relativamente consolidada. A eleição poderá ser decidida justamente por quem não deseja escolher apenas com base na polarização. E pesquisas mostram que, entre os não polarizados, temas como saúde e segurança pública aparecem entre as principais preocupações. SUDESTE ACENDE OUTRO ALERTA O cenário também é delicado para Lula na maior região eleitoral do país. Na Quaest, Flávio aparece com 47% no Sudeste, contra 31% de Lula. São 16 pontos de vantagem. A distância havia sido de nove pontos na rodada anterior. Como os recortes possuem margens de erro maiores, não se deve tratar essa oscilação como uma tendência consolidada. Mas o sinal político é evidente: Lula precisa evitar uma derrota muito ampla na região mais populosa do Brasil. O Datafolha também mostrou dificuldades importantes para Lula em estados estratégicos. Em São Paulo, por exemplo, apenas 25% avaliaram positivamente seu governo, enquanto 48% fizeram avaliação negativa. O PROBLEMA DO PT PODE SER MAIOR QUE LULA X FLÁVIO Existe ainda um problema que nenhuma pesquisa de intenção de voto consegue resolver. Quem será o PT depois de Lula? Durante décadas, o partido construiu sua estratégia nacional em torno de uma liderança política muito acima das demais. Lula continua sendo o maior ativo eleitoral petista. Mas também se tornou sua maior dependência. O PT possui governadores, ministros, parlamentares e lideranças nacionais. O que não possui até agora é um sucessor capaz de reproduzir o mesmo grau de identificação popular e capacidade eleitoral de Lula. Por isso, uma eventual derrota em 2026 teria significado muito maior do que simplesmente entregar o Palácio do Planalto. Obrigaria o partido a enfrentar uma pergunta que vem sendo adiada: como sobreviver eleitoralmente sem Lula no centro do projeto? ANÁLISE | ALEX RABELO O PT ainda não acabou. Mas o lulismo já mostra sinais de que não controla mais sozinho o jogo Por Alex Rabelo — jornalista e estrategista político A política costuma avisar quando um ciclo começa a perder força. Nem sempre isso acontece numa derrota. Às vezes acontece antes. Acontece quando o candidato que parecia quase imbatível passa a disputar ponto a ponto. Acontece quando a vantagem desaparece. Acontece quando o adversário começa a crescer exatamente no eleitor que decide eleição. É isso que merece atenção agora. Não vejo base responsável para afirmar que estamos assistindo ao fim do PT. Mas vejo sinais claros de que a era em que Lula determinava sozinho o ritmo da eleição pode estar chegando ao limite. Lula deixou de ser inevitável Durante muitos anos, Lula entrou em campanhas carregando algo muito poderoso: a sensação de inevitabilidade. Mesmo quando enfrentava rejeição, havia entre seus apoiadores e adversários a percepção de que ele possuía um piso eleitoral extremamente sólido e capacidade de crescimento muito superior à dos demais. Em 2026, isso mudou. Lula continua forte. Mas não está sobrando. Quando um presidente disputando a reeleição aparece em empate técnico sucessivo contra o principal adversário, a pergunta deixa de ser “quem consegue alcançar
Candidatos ao Governo de MT já gastam R$ 15,7 milhões, com Wellington e Pivetta concentrando 77% das despesas
Gastos de campanha incluem produção audiovisual, publicidade, comunicação e serviços jurídicos; Wellington Fagundes lidera despesas, seguido por Otaviano Pivetta e Natasha Slhessarenko As campanhas dos candidatos ao Governo de Mato Grosso já declararam R$ 15,76 milhões em despesas na prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral. Do total registrado, aproximadamente 77% estão concentrados nas candidaturas de Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos), que aparecem no topo da lista de gastos. Wellington Fagundes declarou R$ 6,23 milhões em despesas, o maior volume entre os candidatos. Entre os principais pagamentos está um repasse de R$ 700 mil ao escritório D’Moura & Ianhes Sociedade de Advogados. A campanha também registrou R$ 650 mil para a T2 Comunicação, Vídeo e Produções, R$ 628 mil ao Facebook, R$ 600 mil à Pantanal Filmes Áudio e Imagem e R$ 593 mil à Flexo Mídia Personalizados. Na sequência aparece Otaviano Pivetta, com R$ 5,97 milhões em despesas declaradas. A maior despesa individual da campanha foi de R$ 700 mil destinada à Plano B Produtora de Filmes. Também foram registrados pagamentos de R$ 450 mil à Cyrineu Advogados, R$ 409,3 mil à Gráfica Print e R$ 404 mil ao Facebook. As empresas Renca Comunicação e Soul Propaganda receberam R$ 350 mil cada. Terceira colocada em volume de gastos, Natasha Slhessarenko (PSD) declarou R$ 3,52 milhões em despesas. O maior pagamento individual entre as campanhas analisadas foi feito pela candidata, no valor de R$ 950 mil, para a QAQ Produções de Filmes e Vídeos. A prestação de contas também aponta R$ 510 mil destinados à Aster Pesquisa e Consultoria, R$ 465 mil à Pirajá Comunicação e Marketing Digital e R$ 300 mil ao Facebook. Os demais candidatos apresentaram despesas significativamente menores. Rafaell Milas (Missão) declarou R$ 31,3 mil, enquanto Maurício Coelho (Mobiliza) informou gastos de R$ 657,83. Sargento Laudicério (Agir) foi o único dos seis candidatos ao Governo que, até o levantamento considerado, não havia declarado despesas de campanha. O limite de gastos estabelecido para cada candidatura ao Governo de Mato Grosso no primeiro turno é de R$ 7,11 milhões. Com os valores já informados, Wellington Fagundes alcançou aproximadamente 88% do teto permitido, enquanto Pivetta chegou a cerca de 84%. Os valores fazem parte da prestação parcial de contas apresentada pelas próprias campanhas e ainda passarão pela análise da Justiça Eleitoral, que poderá verificar a regularidade das receitas e despesas declaradas ao longo do processo de prestação de contas.
Defensoria realiza mapeamento de 130 famílias ameaçadas por desocupação em Cuiabá
Neste sábado e domingo (12 e 13), a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) realizou o programa Território de Direitos com o objetivo de aplicar o Sistema de Atendimento Fundiário (SAF) para levantar dados sociais, jurídicos e habitacionais das 130 famílias que residem em uma área localizada entre o Residencial Padová e o Condomínio Vila da Serra V, no bairro Serra Dourada, em Cuiabá. Desde 2016 o local é objeto de litígio judicial em uma ação proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso que pede a desocupação da área de cerca de 4,2 hectares. Como explica a defensora pública coordenadora do Núcleo Estadual Especializado em Conflitos Fundiários, Silvia Maria Ferreira, o processo teve início em 2016, a partir da alegação do Ministério Público de que os moradores estariam ocupando uma Área de Preservação Permanente (APP) no entorno de uma nascente. Ao longo do processo, a Justiça determinou a desocupação da área, a demolição das construções existentes, a retirada dos entulhos e a recuperação ambiental da área. Embora exista a determinação judicial, a DPEMT vem atuando para garantir que a situação das famílias seja considerada e que eventual cumprimento da decisão ocorra de maneira humanizada, organizada e com a observância dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade. A Defensoria também chamou a atenção para a existência de uma lei municipal que passou a admitir, em determinadas situações, a possibilidade de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) em áreas ambientalmente sensíveis, defendendo a necessidade de estudos técnicos para verificar a possibilidade de adoção de medidas alternativas à remoção imediata das famílias. Desta forma, o juízo reconheceu a existência das 130 famílias residindo na área litigiosa e determinou a realização de providências para que sejam analisadas a situação. “Toda essa situação não pode oferecer riscos para as pessoas nem danos ao meio ambiente, mas neste caso temos uma área onde há muito tempo residem 130 famílias. Estamos tentando garantir que nenhuma desocupação seja feita sem uma análise aprofundada da situação. Por isso estamos aqui aplicando o SAF, fazendo todo esse estudo social, econômico e geográfico para visualizar quais medidas podem ser adotadas, seja no intuito de tentar manter essas famílias, recuperar a área de nascente ou, se for possível, seja feita a realocação dessas famílias de forma cuidadosa. Para além do interesse ambiental, estamos aqui realizando um trabalho social. Não estamos pedindo que terrenos em beira de nascentes, em torno de córregos, sejam utilizadas para construção. O que nós estamos pretendendo é que pessoas que já estão ali há muito tempo consigam permanecer ou consigam ter uma guarida e um direcionamento para um local onde possam construir suas moradias de forma segura”, afirma a defensora. O Sistema de Atendimento Fundiário (SAF) é um instrumento criado pela Defensoria de Mato Grosso que reúne informações detalhadas sobre as famílias que residem no local. Colhendo informações como número de residentes na habitação, renda familiar, documentação acessível e tudo mais que possa estabelecer um quadro social de cada família, o SAF ajuda a garantir que o Poder Público atue com mais eficácia para proteger e garantir o direito à moradia, especialmente daquelas que já formaram vínculos e raízes nos territórios onde vivem. A DPEMT aplica o SAF por meio do programa Território de Direitos, criado com o propósito de realizar uma busca ativa e estratégica das famílias que vivem em situação de extrema vulnerabilidade em áreas de conflito fundiário. O sistema auxilia os defensores públicos a estabelecer estratégias judicias em cada ação. No caso das 130 famílias que residem no bairro Serra Dourada, todos os dados colhidos serão utilizados no processo com o objetivo de averiguar qual é a melhor saída para garantir que os moradores tenham seus direitos preservados. “A Defensoria luta para que sejam consideradas as condições concretas das famílias que estão inseridas nesse processo judicial. Estamos juntando todas essas informações para que o Poder Judiciário analise o quadro de vulnerabilidade social, o tempo de ocupação, a situação habitacional e a possibilidade de adoção de soluções que evitem uma remoção desassistidas dessas pessoas. Nós não estamos falando apenas de retirar as casas, estamos falando de histórias, de lutas e de muito trabalho que essas famílias realizaram para construir sua única moradia”, diz Silvia Maria. Raízes consolidadas – Moradora do local há 22 anos, Ana Maria Rocha Silva conta que chegou no bairro junto de seu marido e um casal de filhos pequenos. Com muita luta, eles conseguiram construir uma pequena casa que hoje corre o risco de ser demolida. “Eu fico muito preocupada porque foram anos de luta e suor. Eu tenho 51 anos de idade, sou artesã e faxineira, já meu marido é pedreiro, nós não temos dinheiro pra construir tudo de uma vez, por isso estamos há mais de 20 anos levantando a nossa casa. Um dia nós acordamos e fomos notificados que tínhamos que sair da casa porque ela ia ser demolida e ainda teríamos que retirar os entulhos, como se fosse lixo. Eu não tenho outro lugar para ir, eu só tenho essa casa e não troco ela por nada, eu amo o meu lugar. Essa ação da Defensoria traz um alívio e uma tranquilidade pra gente”, diz a moradora. Quem também partilha do mesmo sentimento de medo de Ana Maria é a senhora Pamela Magalhães Cristina, de 43 anos. Ela, o marido e a filha residem no local desde 2014, mas começaram a construir a casa no ano de 2012. “Estamos até hoje construindo, devagar, ainda falta fazer o muro e a parte da frente. Quando ficamos sabendo do processo nós levamos um susto, porque temos medo de perder nossa única casa. Esse trabalho que a Defensoria está fazendo é muito bom porque mostra que tem alguém olhando por nós, que se preocupa com os moradores”, afirma Pamela.
Lei de autoria de Max Russi cria nova política para fortalecer mineração em Mato Grosso
Nova legislação prevê mais segurança jurídica, pesquisa, tecnologia, industrialização e atração de investimentos para o setor mineral Mato Grosso passa a contar com uma política própria para organizar e fortalecer o setor mineral. De autoria do deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a Lei nº 13.559/2026 foi sancionada pelo governador Otaviano Pivetta e estabelece novas diretrizes para a geologia, mineração e transformação mineral no estado. A legislação busca ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral de Mato Grosso, incentivar pesquisas e novas tecnologias, atrair investimentos e estimular a industrialização dos recursos minerais dentro do próprio estado. Também estão entre os objetivos a qualificação profissional, o apoio aos municípios mineradores e a regularização e modernização da mineração de pequena escala. Para Max Russi, a nova política cria condições para que Mato Grosso aproveite melhor suas riquezas minerais e transforme esse potencial em desenvolvimento econômico e oportunidades para a população. “Temos um potencial mineral enorme e precisamos fazer com que essa riqueza gere desenvolvimento aqui dentro de Mato Grosso. Essa política cria uma estrutura para avançarmos com segurança jurídica, sustentabilidade, tecnologia e agregação de valor, gerando novos investimentos, empregos e renda”, destacou Max. A vice-presidente do Grupo de Trabalho (GT) da Mineração, Taís Costa, ressaltou o caráter pioneiro da iniciativa e a importância de estruturar o setor com participação do poder público, universidades e especialistas. “Pela primeira vez estamos construindo todo um alicerce para a mineração em Mato Grosso. É um avanço que busca trazer a atividade para a legalidade, com sustentabilidade, rastreabilidade e alinhamento às boas práticas de governança”, afirmou. A repercussão também alcançou profissionais do setor. A advogada especialista em mineração Pamela Alegria destacou que a nova legislação permite ao estado avançar no conhecimento sobre suas riquezas minerais. “Mato Grosso, que é tão forte no solo, vai começar a estruturar a política para mostrar efetivamente o que temos no nosso subsolo. Esse é o grande avanço”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Cuiabá registra manhã fria e Defesa Civil prevê retorno gradual do calor ao longo da semana
Cuiabá começou a semana com temperaturas mais baixas e mudança significativa nas condições do tempo. Nesta segunda-feira (14), a capital mato-grossense registrou mínima de 17°C, com previsão de máxima próxima de 28°C. A queda nas temperaturas foi percebida entre o fim de semana, quando o clima ficou mais ameno, acompanhado de períodos de neblina e garoa fina. Segundo a Defesa Civil Municipal, o cenário deve mudar gradualmente nos próximos dias, com elevação das temperaturas. Para terça-feira (15), a previsão aponta mínima de 19°C e máxima de 31°C. Na quarta-feira (16), os termômetros podem variar entre 21°C e 36°C, indicando o retorno do calor mais intenso à capital. A tendência é de aumento progressivo tanto das temperaturas mínimas quanto das máximas ao longo da semana. Apesar de não haver previsão de chuva para os próximos dias, a ocorrência de neblina não está descartada, principalmente durante as primeiras horas da manhã. Diante da variação nas condições climáticas, a Defesa Civil orienta a população a redobrar a atenção com as mudanças bruscas de temperatura e manter os cuidados durante os períodos de calor. A recomendação inclui reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior temperatura e adotar medidas de proteção nos momentos de baixa umidade e calor elevado.
Quaest aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro no 1º turno, mas empate técnico no 2º
Pesquisa mostra presidente com 36% das intenções de voto contra 31% do senador; em eventual segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, dentro da margem de erro Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança das intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais de outubro. No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 36%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 31%. Em relação ao levantamento anterior, divulgado em 7 de setembro, Lula manteve o mesmo percentual, enquanto Flávio avançou dois pontos, passando de 29% para 31%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 4%. Romeu Zema (Novo) tem 1%. Brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar somam 8%, enquanto 10% permanecem indecisos. Os demais candidatos listados na pesquisa registraram menos de 1% das intenções de voto. No levantamento espontâneo, em que os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Lula também lidera, com 28%. Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 23%, ante 20% na pesquisa anterior. Augusto Cury tem 3%, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos registram 1% cada. Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, foi citado por 1% dos entrevistados. O índice de indecisos chega a 41%. Segundo turno Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 40% do presidente. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado configura empate técnico. No levantamento anterior, realizado em setembro, os dois estavam empatados numericamente em 41%. Nos demais cenários testados, Lula aparece numericamente à frente. Contra Augusto Cury, o presidente registra 38%, ante 36%. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 41%, contra 39% do adversário. Diante de Renan Santos, o petista aparece com 41%, enquanto o candidato do Missão soma 38%. Já contra Romeu Zema, Lula amplia a vantagem, com 45% das intenções de voto, contra 33% do governador de Minas Gerais. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.
Polícia Civil prende seis suspeitos de integrar grupo que furtava equipamentos de irrigação em fazendas
Operação Cronos cumpre 14 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento; prejuízo causado às vítimas é estimado em R$ 800 mil A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta segunda-feira (16.9), a Operação Cronos para desarticular um grupo investigado por uma série de furtos qualificados cometidos em propriedades rurais, principalmente de equipamentos elétricos utilizados em sistemas de irrigação. Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo seis mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão. As medidas foram autorizadas pela Justiça a partir das investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia de Vila Bela da Santíssima Trindade. Os mandados são cumpridos em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento, com apoio de equipes do Centro Integrado de Segurança e Cidadania (CISC) de Pontes e Lacerda, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol). A Justiça também autorizou o acesso a dados telefônicos e telemáticos relacionados aos aparelhos eletrônicos apreendidos, medida que deve auxiliar no aprofundamento das diligências e na identificação de novas conexões entre os investigados. Segundo a investigação, o grupo teria como alvo propriedades rurais de Vila Bela da Santíssima Trindade e atuava na subtração de equipamentos de alto valor, entre eles motores elétricos, aparelhos de soft start, inversores utilizados em sistemas de irrigação e grandes quantidades de cabos de cobre. O prejuízo provocado pelos furtos é estimado em aproximadamente R$ 800 mil. A forma de execução dos crimes chamou a atenção dos investigadores pelo conhecimento técnico demonstrado pelos suspeitos. Os equipamentos, alguns de grande porte, eram retirados das propriedades e os cabos de cobre eram cortados diretamente dos sistemas de funcionamento, exigindo domínio sobre as instalações elétricas. As apurações indicam ainda que os integrantes possuíam funções definidas dentro da estrutura criminosa, desde a escolha das propriedades que seriam alvo dos furtos até o transporte e a posterior comercialização dos materiais. Alguns investigados teriam admitido participação em outros crimes semelhantes ocorridos em diferentes municípios de Mato Grosso. Durante os interrogatórios, foram mencionados possíveis furtos em Campo Verde, Sorriso, Diamantino e Lucas do Rio Verde, além de uma ocorrência envolvendo uma usina de placas solares localizada em Nobres. As informações agora são analisadas pela Polícia Civil para verificar a eventual participação do grupo nesses casos. Um dos principais elementos utilizados pelos investigadores para avançar na identificação dos suspeitos foi a análise de imagens de sistemas oficiais de videomonitoramento. A partir dos registros, foi possível reconstruir trajetos realizados antes e depois dos crimes, identificar veículos utilizados nas ações e acompanhar o deslocamento dos investigados. As imagens também apontaram que, em determinadas ocasiões, os suspeitos teriam utilizado caminhos alternativos para evitar pontos de fiscalização durante o retorno à região de Cuiabá. Em uma das ações investigadas, três veículos foram identificados trafegando em comboio após deixarem o local de um dos furtos, transportando os materiais retirados das propriedades. No decorrer das diligências, parte dos objetos furtados também foi recuperada. Em uma abordagem realizada durante a investigação, os policiais localizaram inversores de energia, cerca de 200 quilos de cabos de cobre e um reboque que havia sido furtado e estaria sendo utilizado para transportar os materiais. Com o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil pretende ampliar o conjunto de provas, localizar outros equipamentos subtraídos, identificar possíveis integrantes ainda não identificados e esclarecer a eventual ligação dos investigados com outros furtos registrados em Mato Grosso. A Operação Cronos recebeu esse nome em referência a Cronos, figura da mitologia grega tradicionalmente relacionada à agricultura e à colheita, em alusão ao cenário rural onde ocorreram os crimes investigados.
Ex-primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro, é internada após sofrer AVC
Márcia Pinheiro foi encaminhada ao Hospital Jardim Cuiabá na noite de domingo (13) e permanece estável, sob observação médica e sem previsão de alta. A ex-primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro, foi internada na noite deste domingo (13) após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela foi encaminhada ao Hospital Jardim Cuiabá, onde permanece sob cuidados médicos e em observação. Segundo informações apuradas pela reportagem, Márcia teria apresentado um mal-estar e foi levada rapidamente à unidade de saúde. Após a avaliação médica, ela teria sido submetida a um procedimento cirúrgico de emergência. O estado de saúde é considerado estável. Até o momento, porém, não há previsão para a alta hospitalar.
