A versão final da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, enviada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) à Câmara Municipal, trouxe uma surpresa que movimentou os bastidores da política cuiabana: o gabinete da vice-prefeita, coronel Vânia (Novo), simplesmente não existe mais na peça orçamentária.
Em 2025, o gabinete contava com R$ 3.847.364,00.
Na primeira versão da LOA para 2026, o valor caiu para R$ 3.339.741,00.
No substitutivo final, porém — desapareceu.
Não há um único centavo destinado ao funcionamento da vice-prefeitura.
A decisão acendeu um alerta político e levantou uma pergunta inevitável:
Por que Abilio continua enfraquecendo sua própria vice-prefeita?
A coronel Vânia: gestora, militar, liderança feminina e peça-chave na vitória eleitoral
A coronel Vânia não chegou à política por acaso.
Ela tem:
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anos de carreira na segurança pública;
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histórico de gestão e comando respeitado;
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forte presença feminina em um espaço dominado por homens;
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papel central na campanha que elegeu Abilio.
Foi apresentada à sociedade como parceira estratégica, futura gestora, figura de confiança.
Nos primeiros meses de governo, assumiu duas pastas:
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Secretaria de Assistência Social;
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Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob).
Em ambas, trabalhou, entregou, apresentou projetos.
Em ambas, foi exonerada pouco tempo depois — sem explicações convincentes.
E o ciclo de isolamento só aumentou:
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Abilio publicou uma portaria proibindo a vice de representar o município;
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retirou a autonomia que ela buscava ao tentar reabrir a estrutura da vice-prefeitura;
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agora, zera o orçamento, impedindo qualquer funcionamento administrativo.
Para quem ajudou a conquistar a vitória eleitoral e prometeu governar “de mãos dadas”, o contraste não poderia ser maior.
Vereadora reage: “ele esvaziou totalmente a vice-prefeitura”
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) criticou duramente a decisão no plenário:
“Como mulher, não posso deixar passar isso. Ele esvaziou totalmente a verba da vice-prefeitura.”
Ela questionou situações básicas:
“A vice-prefeita vai ter onde sentar? Vai poder pegar um café? Vai ter assessoria? Vai ter condições de trabalhar?”
E lembrou a importância simbólica e política de Vânia para a campanha:
“Ela foi eleita junto com ele, esteve em toda a propaganda, aparecia ao lado do prefeito. Hoje está silenciada por decreto e, agora, silenciada pela falta de orçamento.”
O que explica esse isolamento?
O governo municipal não apresentou justificativas formais — o que aumenta as especulações.
Entre os analistas, três movimentos se destacam:
1. Retirada de protagonismo
Sem orçamento, sem equipe e proibida de representar a prefeitura, a vice perde capacidade de atuação.
2. Controle total do governo nas mãos do prefeito
Ao impedir que a vice tenha estrutura própria, o prefeito centraliza decisões e reduz qualquer influência paralela.
3. Conflitos internos desde o início da gestão
As trocas nas secretarias, divergências de visão e desgaste público indicam que a relação política se deteriorou.
A pergunta que ecoa nos bastidores – e que precisa ser respondida – é:
Por que Abilio isola justamente a mulher, coronel, gestora e vice-prefeita que ajudou a elegê-lo?
Conhecendo a coronel Vânia — e por que as barreiras não vão pará-la
Apesar do isolamento político, a coronel Vânia construiu sua trajetória enfrentando desafios, liderando equipes e superando barreiras muito maiores que disputas administrativas.
É reconhecida por:
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firmeza técnica,
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disciplina,
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perfil conciliador,
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sensibilidade social,
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capacidade de gestão,
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e profundo respeito pela cidade.
E quem acompanha sua carreira sabe:
dificuldades não a paralisam — fortalecem.
Mesmo com orçamento zerado, restrições e tentativas explícitas de limitação, nada indica que a vice-prefeita irá se calar ou recuar.
Pelo contrário:
Ela continuará trabalhando, dialogando e buscando alternativas para contribuir com uma gestão que faça bem à querida Cuiabá.
Porque, para além da política, o compromisso da coronel Vânia é — e sempre foi — com as pessoas.















