Projeto apoiado pela Secel-MT transforma tradição oral das artesãs em acervo digital e preserva patrimônio imaterial feminino
Um conhecimento transmitido por gerações, guardado na memória e nas mãos de mulheres artesãs, começa a ganhar forma permanente em Mato Grosso. O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab)”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando o registro detalhado do saber-fazer das redeiras da comunidade de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Conduzido pela Associação Tece Arte, o projeto pretende documentar, pela primeira vez, todo o processo de produção das tradicionais redes artesanais que deram notoriedade à região. A iniciativa resultará em um acervo digital que reunirá imagens, depoimentos e descrições técnicas, tornando acessível a pesquisadores, estudantes e interessados um conhecimento que, até então, existia apenas na tradição oral.
Mais do que catalogar um produto artesanal, o inventário busca valorizar a dimensão cultural e social dessa prática. Segundo a coordenação do projeto, trata-se de registrar uma tecnologia ancestral construída por mulheres, marcada pela resistência e pela autonomia ao longo das décadas. Cada etapa — da coleta da matéria-prima ao acabamento final — revela não apenas técnica, mas também histórias de vida e identidade coletiva.
Atualmente na fase de entrevistas, o trabalho mergulha no cotidiano das artesãs para mapear detalhes antes invisíveis: os nomes dos pontos, os significados das cores e os relatos que conectam o ofício à sobrevivência e à expressão cultural da comunidade. Durante anos, esse conhecimento foi repassado de mãe para filha, ao ritmo dos teares de madeira, sem registros formais.
Com lançamento previsto para junho, o inventário se propõe a preservar e, ao mesmo tempo, projetar esse patrimônio para o futuro. A expectativa é que a sistematização das informações fortaleça o reconhecimento das redeiras e contribua para a valorização da arte popular mato-grossense.
A iniciativa reforça a importância de políticas públicas voltadas à cultura, ao transformar saberes tradicionais em legado documentado. Em Limpo Grande, enquanto houver mãos tecendo, a memória coletiva segue viva — agora também registrada para as próximas gerações.


