Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Para quem olha de fora, pode parecer apenas uma discussão interna da Câmara Municipal.
Mas nos bastidores da política, o que está acontecendo em Cuiabá hoje está longe de ser apenas uma eleição para presidente da Casa.
Na prática, o que começou como um debate sobre regimento interno virou uma disputa por influência política, construção de grupo e ocupação de espaços para os próximos anos.
E no centro desse movimento está a atual presidente da Câmara, Paula Calil.
Mas qual é o motivo da disputa?
Hoje existe uma regra dentro da Câmara que impede que o presidente seja reeleito dentro do mesmo mandato legislativo.
O que alguns vereadores começaram a discutir é justamente mudar essa regra.
Na prática, se houver mudança no regimento e aprovação suficiente dos vereadores, Paula poderia disputar novamente o comando da Casa.
E foi exatamente aí que a política entrou em campo.
O grupo que defende a mudança diz o quê?
Os defensores da continuidade argumentam que trocar o comando agora poderia interromper projetos internos, planejamento administrativo e a organização já construída pela atual gestão.
A própria presidente declarou que não vê esse debate como um projeto pessoal, mas como uma construção feita dentro da Câmara por parlamentares e servidores que defendem continuidade administrativa.
E quem é contra?
Os críticos dizem que mudar regra durante o próprio período político gera desgaste institucional.
Para esse grupo, o debate não é sobre quem ocupa o cargo — mas sobre preservar estabilidade das regras e evitar que decisões pareçam direcionadas para beneficiar um cenário específico.
Por que o assunto ganhou ainda mais força?
Porque a disputa deixou de ser só entre vereadores.
Quando o prefeito Abilio Brunini demonstrou apoio público à permanência de Paula, o debate mudou de tamanho.
Para parte do meio político, isso passou a ser interpretado como um sinal de alinhamento político entre Executivo e Câmara.
Para outros, foi visto como uma interferência desnecessária em uma decisão que deveria ser exclusivamente do Legislativo.
O que realmente está em jogo?
Mais do que uma cadeira.
Quem controla a presidência da Câmara ganha influência sobre:
- ritmo das votações;
- organização interna da Casa;
- construção de maioria política;
- condução das pautas;
- fortalecimento de grupos para os próximos ciclos eleitorais.
É por isso que o clima esquentou.
Nos bastidores, vereadores já tratam essa disputa como uma das mais estratégicas dos últimos anos dentro do Legislativo municipal.
Porque quem vencer essa disputa não leva apenas a presidência.
Leva capacidade de articulação, visibilidade política e espaço para construir o próximo capítulo da política cuiabana.
E pelo que se vê até agora…
a eleição ainda nem começou oficialmente.
Mas o jogo já começou.


