Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Quem olha apenas pesquisa corre o risco de entender errado o momento político que Mato Grosso está vivendo.
Porque o que está acontecendo agora não é uma eleição definida.
É uma eleição de posicionamento.
Uma fase onde os candidatos tentam crescer, medir força, consolidar alianças e descobrir quem realmente estará ao lado deles quando chegar o momento mais importante da política: as convenções partidárias.
E existe uma frase que vem sendo repetida nos bastidores:
“Em Mato Grosso, grupo político termina de nascer na véspera da convenção.”
Hoje o cenário tem três grandes movimentos acontecendo ao mesmo tempo.
1º MOVIMENTO — Wellington lidera, mas agora precisa transformar pesquisa em grupo político
Neste momento, o senador Wellington Fagundes aparece liderando os cenários divulgados para Governo.
Mas quem acompanha eleição sabe que liderar agora não significa chegar liderando lá na frente.
O ponto forte de Wellington hoje é outro.
Ele conseguiu algo que parecia difícil meses atrás: consolidar espaço dentro do campo conservador.
Depois das manifestações públicas do senador Flávio Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, boa parte do mercado político passou a interpretar que o PL nacional decidiu mostrar qual é seu projeto para Mato Grosso.
Mas existe um detalhe importante.
Eleição estadual costuma sofrer influência do cenário nacional.
Se a direita continuar forte nacionalmente, Wellington tende a capturar esse crescimento.
Se perder força, o impacto pode chegar naturalmente ao estado.
2º MOVIMENTO — Pivetta tem estrutura, mas o grupo quer acelerar crescimento
Do outro lado está Otaviano Pivetta.
O maior ativo político dele hoje é simples:
continuidade de gestão.
Pivetta entra no jogo carregando o legado administrativo do grupo liderado por Mauro Mendes.
Só que nos bastidores existe uma percepção reservada:
parte do grupo imaginava que o crescimento estaria acontecendo num ritmo mais acelerado.
Por isso aumentaram agendas, visitas ao interior e articulações regionais.
A estratégia parece clara:
crescer entre prefeitos, consolidar apoio local e medir resultado político município por município.
3º MOVIMENTO — Max Russi virou o nome que entrou na conversa sem entrar na disputa
Talvez o fenômeno político mais curioso até aqui seja Max Russi.
Mesmo sem colocar oficialmente o nome para disputa majoritária, ele passou a aparecer em praticamente todos os cenários de bastidor.
E isso acontece por três motivos que lideranças costumam citar:
• diálogo com grupos diferentes;
• baixa rejeição;
• capacidade de articulação.
Nos corredores políticos já existem interpretações de que uma eventual entrada de Max reorganizaria completamente a eleição.
O fator Jayme: o apoio que pode valer mais que candidatura
Outro nome que continua sendo observado é Jayme Campos.
Mesmo sem definição sobre qual posição ocupará, muitos analistas enxergam que ele pode ser o fiel da balança.
Porque em eleição grande, às vezes o mais importante não é quem disputa.
É quem decide para onde vai.
Senado pode mudar tudo
Enquanto o Governo tenta se organizar, o Senado começa a ganhar vida própria.
Pesquisa recente colocou Mauro Mendes liderando e Janaina Riva em posição competitiva.
E aí aparece outro ponto importante:
o Senado pode acabar redesenhando alianças que depois influenciam diretamente a eleição ao Governo.
O que está acontecendo de verdade?
Hoje ninguém tem chapa pronta.
Ninguém quer mostrar todas as cartas.
E quase todo mundo está conversando com mais de um grupo.
Por isso o principal erro agora é olhar para fotografia.
O momento político ainda é de filme.
E em Mato Grosso… muita gente acredita que o roteiro principal ainda nem começou a ser escrito.



