Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), saiu em defesa do irmão, o deputado estadual Faissal Calil (PL), após ele ser alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na última segunda-feira (8).
A investigação é um desdobramento das apurações que investigam um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante a sessão da Câmara nesta terça-feira (9), Paula afirmou acreditar na inocência do parlamentar e classificou a situação como uma possível perseguição política em meio ao período pré-eleitoral.
“Tenho confiança nas instituições e certeza de que tudo será esclarecido. Estamos em um período de pré-campanha, onde muitos deputados buscam a reeleição, e situações como essa podem acontecer. Eu acredito na inocência do deputado Faissal”, declarou.
A vereadora destacou que falava não como presidente da Câmara, mas como irmã do parlamentar.
“Recebi tudo com muita tranquilidade porque tenho convicção da inocência dele. Confio que os fatos serão esclarecidos”, afirmou.
O QUE ESTÁ SENDO INVESTIGADO
A Operação Gemini faz parte das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais dentro do Judiciário mato-grossense.
Entre os investigados está o desembargador afastado Dirceu dos Santos, que também foi alvo de buscas durante a operação.
Faissal trabalhou como assessor de gabinete do magistrado anos atrás, fato que chamou a atenção dos investigadores durante o avanço das apurações.
Além disso, a Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre o deputado e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 e apontado como peça central nas investigações que apuram um possível esquema de venda de sentenças.
Segundo documentos do processo, as conversas tratavam de uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural localizada no município de Cláudia, no norte de Mato Grosso.
De acordo com decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mensagens encontradas no celular de Zampieri indicariam que uma decisão favorável em determinado processo teria sido previamente combinada.
FAISSAL NEGA IRREGULARIDADES
Após a operação, Faissal afirmou estar tranquilo e garantiu não ter praticado qualquer irregularidade.
O deputado declarou que não possui envolvimento com venda de sentenças e afirmou que pretende colaborar com as investigações para esclarecer os fatos.
Segundo ele, durante a ação da Polícia Federal foi apreendido apenas seu aparelho celular.
INVESTIGAÇÃO CHEGOU A MAGISTRADOS E ASSESSORES
As mensagens encontradas no celular de Roberto Zampieri deram origem a uma ampla investigação que atingiu magistrados, desembargadores e assessores em diversos estados brasileiros.
As apurações buscam identificar possíveis relações entre decisões judiciais e pagamentos indevidos.
O desembargador Dirceu dos Santos está afastado do cargo desde março deste ano por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
As investigações também analisam a evolução patrimonial do magistrado, cujo patrimônio declarado ultrapassaria R$ 16 milhões.
Entre os bens analisados está um apartamento localizado em uma área nobre de Cuiabá, cuja documentação aponta uma negociação realizada em conjunto com o deputado Faissal Calil, fato que também passou a ser observado pelos órgãos de investigação.
Até o momento, a Polícia Federal segue reunindo informações e não há decisão judicial que atribua culpa aos investigados.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News


