Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News
O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), subiu o tom das críticas contra o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, ao afirmar que a forma como as fiscalizações vêm sendo divulgadas estaria ultrapassando os limites legais impostos aos conselheiros da Corte de Contas.
Durante entrevista concedida após participar da missa de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti, em Jauru, Mauro afirmou que membros do TCE possuem regras semelhantes às aplicadas aos magistrados e, por isso, não poderiam utilizar meios de comunicação para comentar processos ou antecipar julgamentos.
Segundo o ex-governador, a legislação determina que conselheiros mantenham postura de imparcialidade durante análises e fiscalizações.
“A legislação é muito clara. O conselheiro é equiparado à magistratura e está sujeito às mesmas regras. Existem limites legais que precisam ser respeitados por todos”, afirmou.
Críticas após fiscalizações em obras do Estado
O embate entre Mauro Mendes e Sérgio Ricardo ganhou força após uma série de fiscalizações realizadas pelo presidente do TCE em obras de infraestrutura executadas pelo Governo de Mato Grosso.
Nos últimos meses, Sérgio Ricardo realizou visitas técnicas e divulgou vídeos nas redes sociais apontando problemas em trechos de rodovias estaduais, principalmente na MT-170.
Durante as inspeções, o conselheiro chamou atenção para o desgaste precoce do asfalto em locais que receberam investimentos milionários e cobrou providências das empresas responsáveis pelas obras.
As fiscalizações tiveram grande repercussão e colocaram em debate a qualidade dos serviços executados em algumas rodovias do estado.
Pivetta adota tom mais moderado
Ao comentar o assunto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) adotou uma postura mais cautelosa.
Embora tenha considerado que a forma de divulgação das fiscalizações seja “espetaculosa demais”, Pivetta afirmou que não vê problemas no trabalho realizado pelos órgãos de controle.
“O governo precisa ser fiscalizado. Existem vários mecanismos de controle e eu não tenho receio desse acompanhamento. Talvez a forma como está sendo feita seja um pouco espetaculosa, mas não tenho problema nenhum com isso”, declarou.
Mauro defende legado das obras
Ao rebater as críticas, Mauro Mendes destacou os investimentos realizados em infraestrutura durante sua gestão.
Segundo ele, aproximadamente 7 mil quilômetros de asfalto foram executados em Mato Grosso nos últimos anos, transformando a malha viária estadual.
O ex-governador afirmou ainda que os contratos assinados pelo Estado obrigam as empreiteiras responsáveis pelas obras a garantir a qualidade dos serviços por um período de cinco anos.
De acordo com Mauro, as empresas já foram notificadas sobre os problemas encontrados e deverão realizar os reparos necessários nos trechos que apresentaram defeitos após o período de chuvas.
Debate deve continuar
O episódio evidencia um desgaste crescente entre integrantes do governo estadual e a presidência do Tribunal de Contas.
Enquanto Sérgio Ricardo defende uma fiscalização mais próxima e transparente das obras públicas, integrantes do grupo governista questionam a forma como essas ações vêm sendo conduzidas e divulgadas.
Com a aproximação das eleições de 2026 e o aumento das discussões sobre gestão pública e aplicação dos recursos do Estado, a tendência é que o debate sobre as obras, a fiscalização e a atuação dos órgãos de controle continue ocupando espaço no cenário político mato-grossense.


