Projeto que altera o Regimento Interno avança na CCJR, mas placar revela que grupo governista está longe dos 18 votos necessários para aprovar mudança
A votação realizada nesta terça-feira (15) na Câmara Municipal de Cuiabá mostrou que o prefeito Abilio Brunini (PL) e a presidente da Casa, Paula Calil (PL) ainda não possuem apoio suficiente para alterar o Regimento Interno e permitir a reeleição da atual Mesa Diretora.
Embora o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) tenha sido aprovado, o placar de 13 votos favoráveis contra 12 contrários revelou que a base governista está distante do quórum exigido para aprovar a mudança.
Pelas regras atuais da Câmara, a alteração do Regimento Interno depende do voto favorável de dois terços dos vereadores, ou seja, 18 votos.
Na prática, o resultado deixou claro que, neste momento, o grupo liderado por Abilio e Paula Calil possui apenas 13 votos, faltando cinco parlamentares para alcançar o número necessário.
O que está em discussão?
O projeto, de autoria do vereador Marcus Brito Júnior (PV), altera o artigo 23 do Regimento Interno da Câmara para permitir que integrantes da Mesa Diretora possam disputar uma recondução consecutiva ao mesmo cargo.
Hoje, a interpretação das regras impede que a atual presidente concorra novamente na mesma legislatura.
Caso a mudança seja aprovada em plenário, Paula Calil poderá disputar um novo mandato na presidência da Câmara ainda este ano.
Derrota também no Judiciário
A votação aconteceu um dia após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso negar o pedido apresentado pela Prefeitura de Cuiabá.
Na ação, o prefeito Abilio Brunini buscava que a alteração do Regimento pudesse ser aprovada por maioria simples, reduzindo a necessidade dos atuais 18 votos.
Com a negativa da Justiça, permanece valendo a exigência do quórum qualificado.
Como votaram os vereadores
Votaram favoravelmente à mudança:
- Wilson Kero Kero
- Baixinha Giraldelli
- Marcus Brito Júnior
- Samantha Íris
- Marcrean Santos
- Coronel Dias
- Cezinha Nascimento
- Demilson Nogueira
- Mário Nadaf
- Adevair Cabral
- Dilemário Alencar
- Kássio Coelho
- Rafael Ranalli
Votaram contra:
- Maria Avalone
- Michelly Alencar
- Dídimo Vovô
- Maysa Leão
- Alex Rodrigues
- Daniel Monteiro
- Ilde Taques
- Katiuscia Mantelli
- Jeferson Siqueira
- Eduardo Magalhães
- Chico 2000
- Dra. Mara
A presidente Paula Calil não participou da votação, enquanto o vereador Sargento Joelson esteve ausente.
Próximos passos
A aprovação do parecer na CCJR não altera imediatamente o Regimento Interno.
O projeto ainda precisa ser analisado e votado pelo plenário da Câmara, onde será necessário atingir os 18 votos favoráveis para que a mudança seja aprovada.
Caso esse número não seja alcançado, a regra permanecerá como está e Paula Calil ficará impedida de disputar a reeleição para a presidência da Casa.
Análise | Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político
O placar desta terça-feira talvez tenha sido mais importante do que a própria votação.
Na prática, ele funcionou como um “termômetro político” da força do prefeito Abilio Brunini dentro da Câmara Municipal.
Mesmo com toda a articulação dos últimos dias, com reuniões, negociações e até uma tentativa de judicializar o tema, o grupo governista conseguiu reunir apenas 13 votos, cinco a menos do que o necessário para alterar o Regimento.
Outro ponto que chama atenção é que a derrota no Tribunal de Justiça acabou aumentando o peso da votação política. Como a Justiça manteve a exigência dos 18 votos, qualquer mudança dependerá exclusivamente da capacidade de articulação do prefeito junto aos vereadores.
Agora começam os bastidores mais intensos.
Até a votação definitiva, o cenário ainda pode mudar. Haverá novas conversas, tentativas de convencimento e negociações para conquistar os votos que faltam.
Ao mesmo tempo, a oposição e parte dos vereadores independentes saem fortalecidos, pois demonstraram que, neste momento, possuem votos suficientes para impedir a alteração das regras.
Mais do que a disputa pela presidência da Câmara, o episódio também serve como um teste da capacidade de articulação política da gestão Abilio Brunini. A forma como esse impasse será conduzido poderá influenciar diretamente a relação entre o Executivo e o Legislativo nos próximos meses.
Por: Alex Rabelo
Jornalista e Estrategista Político | MT Urgente News


