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Michelly diz que marido deixou secretaria após pressão política por causa de voto na Câmara: “Não abri mão da minha independência”

Segundo a vereadora, Jeferson Neves foi pressionado porque ela não apoiou a reeleição de Paula Calil para a presidência da Câmara de Cuiabá

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (15). A vereadora Michelly Alencar (União Brasil) afirmou que a saída do marido, Jeferson Neves, da Secretaria Municipal de Esportes ocorreu após pressões políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora.

De acordo com a parlamentar, o problema começou porque ela decidiu não acompanhar o prefeito Abilio Brunini (PL) na tentativa de reeleger a presidente da Câmara, Paula Calil (PL).

Segundo Michelly, embora continue fazendo parte da base do prefeito, ela optou por exercer seu direito de votar em outro candidato por entender que a eleição da Mesa Diretora é uma decisão exclusiva do Poder Legislativo.

Ela afirma que essa posição acabou refletindo diretamente na permanência do marido dentro da Prefeitura.

“Meu marido começou a sofrer pressão porque eu não estava no grupo que apoiava a Paula. Como ele fazia parte da equipe da Prefeitura, os aliados do prefeito passaram a cobrar um posicionamento”, afirmou.

“Nunca deixei de ser base do prefeito”

Michelly fez questão de destacar que sua decisão não significava rompimento com a gestão de Abilio Brunini.

Segundo ela, a divergência existia apenas em relação à eleição da Mesa Diretora.

“Eu sempre fui base do prefeito. O que eu defendia era a independência da Câmara. A eleição da Mesa pertence aos vereadores e não ao Executivo”, declarou.

“O ambiente ficou insustentável”

A vereadora afirma que, com o avanço da disputa política, o clima dentro da Prefeitura mudou.

Ela relata que vereadores que não apoiaram Paula Calil deixaram de participar do grupo político do prefeito e que, posteriormente, recebeu uma mensagem de Abilio dizendo para que ela seguisse seu próprio caminho.

Na avaliação de Michelly, a pressão acabou tornando inviável a permanência de Jeferson Neves na Secretaria de Esportes.

“Chegou um momento em que não existia mais ambiente para ele permanecer no cargo”, disse.

Promessa teria sido diferente

Michelly também revelou que, antes de aceitar o convite para assumir a Secretaria de Esportes, Jeferson Neves questionou o prefeito sobre uma possível interferência política.

Segundo ela, o secretário queria ter certeza de que seu trabalho não dependeria das posições adotadas pela esposa na Câmara.

A resposta, segundo a vereadora, foi de que isso jamais aconteceria.

“Ele perguntou ao prefeito se o cargo poderia depender das minhas decisões como vereadora. O prefeito respondeu que isso nunca aconteceria. Mas, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu”, afirmou.

Independência será mantida

Mesmo após a saída do marido da administração municipal, Michelly garante que continuará votando de forma independente.

Ela afirma que seguirá apoiando projetos que considerar importantes para Cuiabá, mas que também continuará fiscalizando a Prefeitura.

“Não vou fazer oposição por fazer. Vou apoiar tudo aquilo que for bom para Cuiabá, mas também vou cobrar quando achar necessário. Meu compromisso é com a população”, declarou.

Crise vai além da eleição da Câmara

A declaração da vereadora ocorre em meio ao acirramento da disputa pela presidência da Câmara Municipal.

Nos últimos dias, vereadores relataram mudanças na relação com o Executivo após manifestarem apoio a candidatos diferentes do nome defendido pelo prefeito.

Além da saída de Jeferson Neves, outros cargos ligados a parlamentares também passaram por mudanças, aumentando a percepção de desgaste entre parte da base governista e o Palácio Alencastro.


Análise | Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político

O episódio mostra que a disputa pela presidência da Câmara deixou de ser apenas uma eleição interna do Legislativo e passou a influenciar diretamente a relação entre o Executivo e sua base de apoio.

O ponto central da declaração de Michelly Alencar não é apenas a saída do secretário de Esportes. O que ela afirma é que a permanência do marido teria passado a depender do posicionamento político dela na Câmara.

Se essa percepção se consolidar entre os vereadores, o desgaste para o Executivo pode aumentar. Afinal, um dos pilares da democracia é a independência entre os Poderes.

Ao mesmo tempo, a gestão municipal nega que decisões administrativas estejam sendo condicionadas a votos políticos.

Com a eleição da Mesa Diretora se aproximando, a tendência é que a disputa continue intensa. Mais do que escolher quem comandará a Câmara, o processo passou a medir a força política do prefeito dentro do Legislativo e a testar a fidelidade de sua base. Afinal, o que começou como uma eleição interna transformou-se em um dos principais embates políticos de Cuiabá em 2026.

Por: Alex Rabelo

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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