Jornalista morre aos 83 anos. Referência do telejornalismo brasileiro, Renato Machado participou da cobertura de alguns dos principais acontecimentos mundiais e nacionais das últimas décadas, atuando como correspondente internacional e repórter especial.
Referência do telejornalismo brasileiro, Renato Machado construiu uma carreira de mais de cinco décadas marcada pela cobertura de acontecimentos que ajudaram a contar a história do Brasil e do mundo. Reconhecido pelo estilo sereno, pela credibilidade e pela experiência internacional, o jornalista acompanhou conflitos, crises, tragédias e transformações políticas que marcaram diferentes gerações de telespectadores.
A trajetória profissional começou em 1969, no Jornal do Brasil. Anos depois, em 1982, ingressou na TV Globo, onde participou da cobertura da Guerra das Malvinas, dando início a uma longa passagem pela emissora.
Em 1983, foi designado correspondente internacional em Londres. Durante esse período, esteve à frente da cobertura de fatos históricos, como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl, consolidando sua experiência no jornalismo internacional. Ao retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial.
Em 1990, Renato Machado deixou temporariamente a Globo para integrar a equipe da TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. No ano seguinte, voltou à emissora e participou da cobertura de episódios decisivos da história brasileira, entre eles o impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna.
Ao longo da carreira, o jornalista sempre destacou que o telejornalismo exige aprendizado contínuo. Em entrevista ao projeto Memória Globo, afirmou que a profissão vai muito além da apresentação das notícias, envolvendo conhecimento técnico, sensibilidade e constante aperfeiçoamento.
Quase duas décadas depois, em 2011, retornou a Londres para uma nova missão como correspondente internacional. Nessa fase, acompanhou acontecimentos de repercussão mundial, como o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo e a crise econômica na Grécia. Também produziu reportagens especiais que exploravam aspectos culturais da Europa, entre elas uma série sobre a região da Provença, na França, unindo informações sobre vinhos, gastronomia e tradições locais.
Em 2016, passou o posto de correspondente à jornalista Cecília Malan e voltou ao Brasil para integrar a equipe do Globo Repórter. Um dos trabalhos de maior repercussão foi a reportagem “A arte como passaporte”, que mostrou como projetos de música e dança transformam a realidade de famílias em situação de vulnerabilidade social. A produção recebeu indicação ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.
Renato Machado encerrou sua trajetória na TV Globo em novembro de 2021, deixando um legado construído com profissionalismo, rigor jornalístico e participação em algumas das coberturas mais importantes da história recente. Seu trabalho permanece como referência para gerações de jornalistas e para o público que acompanhou sua carreira ao longo de décadas. (c/G1)


