Estado registra a maior taxa proporcional de feminicídios do Brasil pelo segundo ano consecutivo; crimes deixam dezenas de crianças órfãs e reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção e proteção às mulheres.
O Mato Grosso voltou a ocupar a primeira posição no ranking nacional de feminicídios, registrando a maior taxa proporcional do país pelo segundo ano consecutivo. Os dados constam na 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e revelam que, ao longo de 2024, 47 mulheres foram assassinadas em razão da condição de gênero no estado, o equivalente a uma taxa de 2,5 vítimas para cada 100 mil habitantes.
O cenário estadual acompanha um momento preocupante em todo o país. Em 2024, o Brasil contabilizou 1.492 feminicídios, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira, em 2015. O total representa um aumento em relação ao ano anterior, demonstrando que a violência letal contra mulheres continua sendo um dos principais desafios da segurança pública.
Depois de Mato Grosso, os estados com as maiores taxas proporcionais são Mato Grosso do Sul, Piauí e Roraima. Já Amapá, Sergipe e Ceará aparecem entre os estados com os menores índices registrados.
Outro dado que chama atenção é o número de feminicídios seguidos pelo suicídio do agressor. Mato Grosso divide a liderança nacional nesse tipo de ocorrência com Santa Catarina e Piauí, tendo registrado oito casos durante o ano passado.
Apesar da gravidade dos números, o levantamento aponta uma redução na quantidade de vítimas que possuíam medida protetiva de urgência. Em 2023, oito mulheres assassinadas estavam amparadas por esse instrumento judicial, enquanto em 2024 foi registrado apenas um caso.
Informações do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, mostram que a residência da vítima continua sendo o principal cenário dos crimes, evidenciando que a violência ocorre, na maioria das vezes, dentro do ambiente familiar. As mulheres mais atingidas pertencem às faixas etárias entre 18 e 24 anos e entre 35 e 39 anos.
Os impactos da violência vão além da perda das vítimas. Somente em 2024, os feminicídios registrados no estado deixaram 49 crianças e adolescentes órfãos, ampliando as consequências sociais e emocionais provocadas por esse tipo de crime.
Os números também indicam que o problema permanece atual. Até julho de 2025, Mato Grosso já havia contabilizado 30 casos de feminicídio, reforçando a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores.
Em nota, o Governo de Mato Grosso informou que vem ampliando investimentos em ações de enfrentamento à violência contra a mulher, com foco na prevenção, proteção das vítimas e fortalecimento da rede de atendimento especializada.


