Convenções definem chapas e revelam um cenário de forte polarização para o Governo do Estado, Senado e eleições proporcionais
As convenções partidárias encerraram uma das etapas mais importantes do processo eleitoral e definiram o desenho inicial das eleições de 2026 em Mato Grosso. O cenário mostra uma disputa marcada por três grandes grupos políticos, que disputarão o Governo do Estado, o Senado e terão influência direta na formação das futuras bancadas da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados.
Além da disputa majoritária, a eleição proporcional chama atenção pelos números. Dos atuais 24 deputados estaduais, 23 disputarão a reeleição, o equivalente a 95,8% da composição da Assembleia Legislativa. Na Câmara Federal, dos oito deputados que representam Mato Grosso, seis tentarão renovar seus mandatos, enquanto dois disputarão outros cargos.
Os três grandes grupos políticos
Grupo 1 – Direita
O primeiro bloco é liderado pelo senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso.
Com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, da direção nacional do Partido Liberal e de partidos aliados, Wellington inicia oficialmente a campanha como um dos principais protagonistas da disputa estadual.
Composição do grupo:
Governador
- Wellington Fagundes (PL)
Senado
- José Medeiros (PL)
O grupo aposta em uma forte bancada de deputados estaduais e federais, buscando ampliar a representação da direita em Mato Grosso.
Grupo 2 – Base governista
O segundo grupo representa a continuidade da atual gestão estadual.
A chapa é encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado, tendo como vice o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil).
Composição do grupo:
Governador
- Otaviano Pivetta (Republicanos)
Vice-Governador
- Fábio Garcia (União Brasil)
Senado
- Mauro Mendes (União Brasil)
Câmara Federal
- Virginia Mendes (União Brasil)
Nos últimos dias, esse grupo passou a enfrentar um ambiente político mais delicado após os desdobramentos envolvendo investigação da Polícia Federal relacionada ao ex-governador Mauro Mendes.
Nos bastidores da política, surgiram especulações sobre possíveis ajustes na estratégia eleitoral da chapa, inclusive em relação às candidaturas homologadas durante as convenções. Até o momento, porém, não existe anúncio oficial de alteração na composição do grupo, e todos os nomes permanecem como foram definidos nas convenções.
Grupo 3 – Base do Governo Federal
O terceiro bloco reúne partidos alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O grupo aposta na candidatura da médica Natasha Slhessarenko (PSD) ao Governo do Estado e na reeleição do senador Carlos Fávaro (PSD).
Composição do grupo:
Governadora
- Natasha Slhessarenko (PSD)
Vice-Governador
- Diogo Botelho (PDT)
Senado
- Carlos Fávaro (PSD)
- Pedro Taques (Solidariedade)
A expectativa desse grupo é ampliar sua participação na política estadual e conquistar maior espaço nas eleições proporcionais.
Assembleia Legislativa terá uma das eleições mais difíceis da história
A eleição para deputado estadual promete ser uma das mais disputadas já registradas em Mato Grosso.
Dos atuais parlamentares, apenas Janaina Riva (MDB) não disputará a reeleição. Ela foi homologada como candidata ao Senado.
Os demais deputados buscarão permanecer na Assembleia Legislativa.
Deputados que disputam a reeleição
- Beto Dois a Um (Podemos)
- Carlos Avallone (PSDB)
- Chico Guarnieri (PRD)
- Diego Guimarães (Republicanos)
- Dilmar Dal Bosco (União Brasil)
- Dr. Eugênio (Republicanos)
- Dr. João (MDB)
- Eduardo Botelho (MDB)
- Elizeu Nascimento (PL)
- Fabinho Tardin (Podemos)
- Faissal Calil (PL)
- Gilberto Cattani (PL)
- Juca do Guaraná (PSDB)
- Júlio Campos (União Brasil)
- Lúdio Cabral (PT)
- Max Russi (Podemos)
- Nininho (Republicanos)
- Paulo Araújo (Republicanos)
- Sebastião Rezende (União Brasil)
- Thiago Silva (MDB)
- Valdir Barranco (PT)
- Valmir Moretto (Republicanos)
- Wilson Santos (PSD)
Câmara Federal também terá disputa intensa
Dos oito deputados federais de Mato Grosso:
Buscam a reeleição
- Nelson Barbudo (PL)
- Rodrigo da Zaeli (PL)
- Coronel Fernanda (PL)
- Coronel Assis (União Brasil)
- Juarez Costa (Republicanos)
- Emanuelzinho (PSD)
Disputam outros cargos
- José Medeiros (PL) — Senado
- Fábio Garcia (União Brasil) — Vice-Governador
ANÁLISE | 2026 será uma eleição entre grupos políticos, não apenas entre candidatos
Por Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político
As convenções deixaram uma mensagem muito clara: Mato Grosso chega dividido em três grandes grupos políticos, que disputarão não apenas o Governo do Estado, mas também a formação das futuras bancadas da Assembleia Legislativa e da Câmara Federal.
Na minha avaliação, 2026 tem tudo para ser uma das eleições mais difíceis da história recente de Mato Grosso.
O primeiro fator é a força dos atuais mandatários. São 23 deputados estaduais buscando permanecer no cargo, além de seis deputados federais tentando renovar seus mandatos. Isso reduz significativamente o espaço para novos candidatos.
O segundo fator é a consolidação dos três grandes blocos políticos.
O grupo liderado por Wellington Fagundes inicia a campanha fortalecido. Além de liderar as pesquisas divulgadas até o momento, conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PL nacional. Se conseguir manter esse desempenho, tende a impulsionar também os candidatos proporcionais ligados ao seu grupo.
O grupo de Otaviano Pivetta terá como principal desafio manter a unidade da base governista em um momento de maior pressão política. Toda eleição é dinâmica, e qualquer mudança no cenário pode refletir diretamente na estratégia dos candidatos proporcionais.
Já o grupo liderado por Carlos Fávaro aposta em crescer durante a campanha e consolidar uma terceira via competitiva, buscando espaço entre dois blocos que começam a disputa com maior visibilidade.
Na eleição para deputado estadual, um nome merece atenção especial: Max Russi.
Além de disputar a reeleição, ele entra na campanha como presidente da Assembleia Legislativa e presidente estadual do Podemos. Sua missão vai muito além da própria votação. Max será um dos principais responsáveis por coordenar a estratégia do partido e buscar a ampliação da bancada do Podemos.
Na prática, o desempenho de Max Russi poderá influenciar diretamente a composição da próxima Assembleia Legislativa.
Outro ponto importante é que esta eleição não será decidida apenas pelos candidatos mais conhecidos. Ela será definida pela força das chapas, pela distribuição dos votos entre os partidos e pela capacidade de cada grupo político transformar sua candidatura majoritária em votos para deputados estaduais e federais.
É exatamente por isso que 2026 promete entrar para a história como uma das eleições mais disputadas e estratégicas que Mato Grosso já viveu.
Por: Alex Rabelo
Jornalista e Estrategista Político


