Levantamento revela vantagem do presidente na simulação nacional, enquanto candidato do PL lidera entre eleitores de direita, evangélicos, moradores do Sul e pessoas com ensino superior
A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana reforça que a disputa pela Presidência da República continua altamente polarizada. Em um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 39%. A diferença é de cinco pontos percentuais, dentro de um cenário que ainda promete muita disputa até outubro.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Apesar da liderança de Lula no cenário nacional, os números mostram que a corrida presidencial permanece dividida entre diferentes perfis do eleitorado.
Onde Lula é mais forte
A pesquisa aponta que o presidente mantém vantagem principalmente entre:
- Mulheres;
- Eleitores com mais de 60 anos;
- Católicos;
- Moradores da Região Nordeste, onde registra sua maior vantagem.
No Nordeste, Lula alcança 64% das intenções de voto, contra 25% de Flávio Bolsonaro, confirmando a região como seu principal reduto eleitoral.
Entre os eleitores acima de 60 anos, Lula também lidera com folga, registrando 48%, contra 34% do adversário.
Onde Flávio Bolsonaro lidera
Já o senador Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho em segmentos específicos do eleitorado.
Segundo a Quaest, o candidato do PL aparece numericamente à frente entre:
- Eleitores que se identificam com a direita;
- Evangélicos;
- Moradores da Região Sul;
- Eleitores com ensino superior.
Na Região Sul, Flávio Bolsonaro registra 56%, enquanto Lula aparece com 29%, consolidando sua principal vantagem regional.
Entre os evangélicos, o candidato do PL soma 48% das intenções de voto, superando Lula nesse segmento.
Empates técnicos permanecem
Em algumas regiões e perfis do eleitorado, a disputa continua completamente aberta.
No Sudeste e nas regiões Centro-Oeste/Norte, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
O mesmo acontece entre os eleitores independentes e em parte das faixas etárias mais jovens, indicando que esses grupos poderão ser decisivos na reta final da campanha.
ANÁLISE | A eleição continua polarizada e os votos do centro devem decidir o resultado
Por Alex Rabelo – Jornalista e Estrategista Político
A pesquisa Quaest confirma aquilo que o cenário político já vinha demonstrando nos últimos meses: a eleição presidencial de 2026 continua extremamente polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Embora Lula apareça na liderança da simulação de segundo turno, a vantagem ainda está longe de representar uma eleição definida.
O levantamento revela que cada candidato possui redutos eleitorais muito bem consolidados.
Lula mantém ampla vantagem no Nordeste, entre mulheres, católicos e eleitores mais idosos.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, lidera entre os eleitores identificados com a direita, entre evangélicos, moradores da Região Sul e parte do eleitorado com maior escolaridade.
Na prática, isso significa que ambos chegam à reta final com bases eleitorais consolidadas.
O fator decisivo tende a ser outro.
Os eleitores que ainda não possuem posição ideológica definida, os chamados independentes, e aqueles que permanecem indecisos poderão definir o resultado da eleição.
Outro aspecto importante é que a disputa permanece equilibrada em regiões estratégicas, como Sudeste, Centro-Oeste e Norte, onde pequenas oscilações podem alterar significativamente o resultado nacional.
Faltando poucas semanas para o início oficial da campanha, a tendência é que debates, programas eleitorais, redes sociais e os principais fatos políticos passem a influenciar diretamente esse eleitor que ainda não decidiu seu voto.
Se os números atuais forem mantidos, o Brasil caminha para uma eleição decidida voto a voto, em uma das disputas presidenciais mais equilibradas dos últimos anos.
Por: Alex Rabelo
Jornalista e Estrategista Político


