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CRISE NO PAIAGUÁS: PIVETTA FICA ENTRE FÁBIO GARCIA E O RISCO DE ROMPER COM MAURO MENDES

Reuniões, movimentações de bastidores e a aproximação pública de Pivetta com Gisela Simona aumentam as especulações sobre uma possível mudança na vice; decisão sobre Fábio Garcia pode redesenhar completamente o grupo governista

O clima mudou no Palácio Paiaguás.

O que até poucos dias atrás parecia ser uma chapa encaminhada para disputar a eleição de outubro transformou-se em um dos maiores dilemas políticos enfrentados pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

No centro da crise está o deputado federal Fábio Garcia (União), escolhido para ser candidato a vice-governador na chapa de Pivetta poucos dias antes da deflagração da Operação Heritage.

Agora, reuniões, conversas reservadas e articulações políticas se multiplicam na tentativa de encontrar uma saída capaz de preservar a candidatura de Pivetta sem implodir a aliança construída com o grupo do ex-governador Mauro Mendes.

A pergunta que circula nos bastidores é simples, mas a resposta pode mudar toda a eleição:

Fábio Garcia permanece na vice ou Pivetta vai mudar a chapa, mesmo que isso provoque um rompimento com Mauro Mendes?

O PAIAGUÁS VIROU CENTRO DAS ARTICULAÇÕES

Desde que a Operação Heritage atingiu integrantes do núcleo político ligado à antiga gestão, o Palácio Paiaguás passou a concentrar uma intensa movimentação.

Aliados e integrantes do grupo governista têm participado de conversas sobre os impactos políticos e eleitorais da operação.

A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas ao pagamento de R$ 308 milhões pelo Governo de Mato Grosso em acordo envolvendo créditos da Oi S.A.

Fábio Garcia aparece entre os investigados.

É fundamental destacar que a condição de investigado não representa condenação ou comprovação de responsabilidade. As responsabilidades ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.

Politicamente, entretanto, a operação aconteceu justamente no momento em que Pivetta começava a consolidar sua chapa.

E colocou uma variável completamente nova na campanha.

FÁBIO GARCIA VIROU O CENTRO DO DILEMA

Fábio Garcia não representa apenas um nome para ocupar a vice.

Sua presença na chapa simboliza a participação direta do grupo político de Mauro Mendes no projeto eleitoral de Pivetta.

Por isso, simplesmente retirar Garcia pode ser muito mais complicado do que substituir um candidato.

Significaria mexer em um acordo político que envolve Republicanos, União Brasil, candidaturas proporcionais, Senado, lideranças municipais e toda uma estrutura que vinha sendo construída para chegar unida às urnas.

É por isso que Pivetta está diante de uma decisão em que praticamente todos os caminhos apresentam riscos.

Manter Fábio Garcia significa preservar a aliança com Mauro Mendes, mas também significa enfrentar durante a campanha questionamentos relacionados à Operação Heritage.

Retirar Garcia permitiria a Pivetta tentar estabelecer uma distância política maior da crise, mas poderia provocar uma reação do União Brasil e até um rompimento com Mauro Mendes.

A VISITA A VÁRZEA GRANDE ACENDEU OUTRO SINAL

Em meio a toda essa turbulência, um movimento de Pivetta no último fim de semana chamou atenção.

No sábado (8), o governador esteve em Várzea Grande ao lado da deputada federal Gisela Simona.

A agenda teve caráter administrativo: Pivetta visitou a região da Avenida da FEB e confirmou a instalação de uma passarela após uma demanda apresentada por Gisela e moradores.

Politicamente, porém, a imagem dos dois juntos ganhou uma dimensão diferente diante da crise envolvendo a vice.

Isso porque Pivetta já havia manifestado anteriormente a preferência por ter uma mulher, especialmente com presença política na Baixada Cuiabana, compondo sua chapa.

Com o futuro de Fábio Garcia passando a ser discutido, o nome de Gisela voltou naturalmente ao radar das especulações.

Veículos da imprensa estadual passaram a citar Gisela Simona e outras lideranças femininas entre as possibilidades discutidas caso realmente aconteça uma mudança na composição.

Não existe, até o momento, confirmação pública de que Gisela será candidata a vice.

Mas, na política, gestos são observados.

E a fotografia de Pivetta percorrendo Várzea Grande ao lado dela justamente no momento em que o futuro de Fábio Garcia está sendo discutido inevitavelmente alimentou novas interpretações nos bastidores.

A CONFIANÇA ENTRE PIVETTA E MAURO ESTÁ SENDO TESTADA

Esse talvez seja o ponto mais importante dessa história.

Pivetta e Mauro Mendes construíram uma relação política de anos.

Pivetta foi vice-governador durante praticamente toda a administração de Mauro e assumiu definitivamente o comando do Estado em 31 de março.

A eleição de 2026 deveria representar a continuidade natural desse projeto.

Mauro seguiria para sua disputa eleitoral e Pivetta tentaria permanecer no Paiaguás sustentado por grande parte da estrutura política construída pelo grupo.

Mas a Operação Heritage alterou o ambiente.

A eventual retirada de Fábio Garcia pode ser interpretada pelo grupo de Mauro como um afastamento justamente no momento de maior pressão política.

Por outro lado, aliados de Pivetta precisam calcular até que ponto manter a composição atual poderá afetar uma campanha que vinha tentando construir identidade própria.

É aí que surge o verdadeiro conflito.

Até onde Pivetta está disposto a ir para preservar sua candidatura?

E até onde Mauro Mendes está disposto a aceitar mudanças na chapa?

O DILEMA DE FÁBIO GARCIA

Existe ainda um terceiro personagem fundamental nessa equação: o próprio Fábio Garcia.

A permanência dele deixou de ser uma decisão que afeta apenas seu projeto político individual.

Hoje, qualquer decisão poderá produzir consequências para todo o grupo.

Caso permaneça candidato a vice, Garcia e seus aliados terão de enfrentar politicamente os questionamentos relacionados à investigação durante a campanha, sempre respeitando a presunção de inocência e o fato de que investigação não equivale a condenação.

Caso deixe a chapa, abre-se espaço para uma reorganização completa da candidatura de Pivetta.

Por isso, cresce uma questão nos bastidores:

Fábio Garcia permanecerá na chapa ou poderá abrir mão da candidatura para tentar preservar a unidade do grupo?

Essa decisão, entretanto, pertence a Garcia e às lideranças partidárias envolvidas.

UMA TROCA PODE NÃO RESOLVER O PROBLEMA

Existe ainda uma dificuldade adicional.

Retirar Fábio Garcia da vice não significa automaticamente resolver a crise.

A mudança poderia abrir outra disputa: quem entraria?

Gisela Simona?

Michelly Alencar?

Outro nome construído em acordo com os partidos?

Ou Pivetta aproveitaria a mudança para reduzir a influência do União Brasil sobre sua chapa?

Cada alternativa altera o equilíbrio político.

Uma vice ligada ao próprio grupo de Pivetta poderia fortalecer sua autonomia eleitoral, mas reduziria o espaço destinado aos aliados de Mauro Mendes.

Uma indicação negociada com o União Brasil poderia preservar a aliança, mas exigiria uma nova rodada de negociações.

Por isso, a discussão deixou de ser apenas sobre pessoas.

É uma discussão sobre poder, espaço político e controle da chapa.

E SE HOUVER ROMPIMENTO?

Nos bastidores já existe outra possibilidade sendo discutida: Republicanos e União Brasil seguirem caminhos diferentes no primeiro turno.

Seria uma ruptura eleitoral, ainda que eventualmente temporária.

Pivetta poderia disputar pelo Republicanos com outra composição, enquanto o grupo ligado ao União Brasil buscaria uma alternativa.

Uma eventual reconstrução da aliança ficaria para o segundo turno, caso algum dos grupos avançasse.

Mas essa estratégia carregaria enorme risco.

A disputa não envolve somente o Governo.

Existem candidaturas ao Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, além de dezenas de prefeitos, vereadores e lideranças municipais que já organizaram seus palanques com base na atual composição.

Um rompimento no topo obrigaria todo mundo a recalcular sua posição.

PIVETTA PRECISA ESCOLHER QUAL RISCO ENFRENTAR

Esse é o tamanho do problema instalado no núcleo governista.

Pivetta pode manter Fábio Garcia, preservar Mauro Mendes e o União Brasil ao seu lado e administrar politicamente o desgaste provocado pela investigação.

Ou pode mudar.

Nesse segundo caminho, tentaria afastar sua campanha da crise e construir uma chapa com maior identidade própria.

Mas poderia pagar um preço alto: o rompimento com um dos grupos políticos que ajudaram a sustentar sua chegada ao Governo e sua candidatura à reeleição.

Não existe saída politicamente gratuita.

PIVETTA X MAURO: O ROMPIMENTO QUE PODE MUDAR 2026

Por isso, talvez estejamos olhando para algo muito maior do que uma discussão sobre Fábio Garcia.

O que está sendo colocado à prova é a própria relação entre Otaviano Pivetta e Mauro Mendes.

Durante anos, os dois dividiram o mesmo projeto de governo.

Agora podem ter interesses eleitorais diferentes diante de uma crise que surgiu justamente às vésperas do início efetivo da campanha.

E a movimentação das próximas horas poderá mostrar se essa relação ainda possui força suficiente para superar o episódio.

Ou se Mato Grosso está prestes a assistir ao rompimento do grupo que comandou o Estado nos últimos anos.

Fábio Garcia é hoje o ponto central dessa equação.

Se ficar, preserva-se a composição, mas Pivetta assume o custo político de defendê-la durante a campanha.

Se sair, começa imediatamente outra pergunta:

quem entra em seu lugar — e Mauro Mendes continuará no mesmo palanque?

No Palácio Paiaguás, essas respostas podem definir não apenas uma candidatura.

Podem redesenhar toda a eleição de Mato Grosso em 2026.

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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