Indicação de Reinaldo Moraes aproxima candidatura do agro e reforça ligação com o bolsonarismo; para o jornalista e estrategista político Alex Rabelo, composição entrega a Wellington uma peça importante para ampliar sua competitividade
A movimentação em torno da escolha do empresário Reinaldo Moraes, o “Rei do Porco”, para ocupar a vice de Wellington Fagundes (PL) acrescenta um novo componente à disputa pelo Governo de Mato Grosso justamente às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
Indicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Reinaldo reúne características consideradas estratégicas para a composição: é empresário, possui forte ligação com o setor produtivo e mantém relação política histórica com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A possível composição acontece em um momento eleitoral favorável a Wellington.
Pesquisa Real Time Big Data realizada entre 7 e 11 de agosto coloca o senador na liderança, com 34% das intenções de voto, contra 26% do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A diferença é de oito pontos percentuais.
Além da vantagem nas intenções de voto, outro dado chama atenção: a rejeição. Pivetta aparece com 38%, enquanto Wellington registra 30%.
Os números não definem a eleição, mas mostram o tamanho dos desafios e oportunidades de cada candidatura no momento em que a campanha começa efetivamente a chegar às ruas.
Reinaldo pode entregar a Wellington uma ponte com o agro
A escolha do “Rei do Porco” não deve ser analisada apenas pelo aspecto partidário.
Em Mato Grosso, onde o agronegócio ocupa posição central na economia, a presença de um empresário identificado com o setor produtivo pode ampliar a capacidade de interlocução da chapa com produtores, empresários e lideranças do interior.
Reinaldo já possui experiência eleitoral. Em 2020, disputou a eleição suplementar para o Senado e, posteriormente, participou das articulações políticas ligadas à campanha de Jair Bolsonaro em Mato Grosso.
Sua indicação por Michelle Bolsonaro acrescenta ainda um componente nacional à construção da chapa.
Para Wellington, portanto, a escolha pode cumprir duas funções simultaneamente: fortalecer sua relação com o bolsonarismo e ampliar sua conexão com o setor produtivo.
ANÁLISE | Por Alex Rabelo
Jornalista e estrategista político
Na minha análise, a chegada de Reinaldo Moraes pode ser um dos movimentos mais importantes realizados por Wellington Fagundes até agora.
Wellington já possui experiência, estrutura partidária, capilaridade no interior e lidera a pesquisa mais recente. O que essa composição pode acrescentar é uma presença ainda mais forte em um grupo fundamental para qualquer candidatura ao Governo de Mato Grosso: o agro.
Reinaldo não chega apenas para preencher uma vaga.
Ele carrega a imagem do empresário, do produtor e de alguém que possui relação consolidada com o bolsonarismo.
Isso pode fortalecer a candidatura em duas frentes ao mesmo tempo.
A primeira é o setor produtivo.
A segunda é justamente a base mais identificada com Jair Bolsonaro, que vinha observando com atenção as últimas movimentações de Wellington.
A indicação feita por Michelle Bolsonaro também possui uma simbologia política muito forte. Wellington tem procurado demonstrar sua lealdade e seu alinhamento ao projeto político liderado pela família Bolsonaro, e aceitar um nome diretamente ligado a esse grupo ajuda a reforçar essa mensagem.
O grande problema de Pivetta está nos números
Do outro lado existe um dado que, na minha avaliação, merece atenção especial.
Pivetta tem 26% de intenção de voto e 38% de rejeição.
Quando cruzamos esses números, encontramos um dos principais desafios de sua candidatura.
Existe uma parcela expressiva do eleitorado que já conhece Pivetta e afirma que não votaria nele.
Ao mesmo tempo, a administração estadual possui avaliação positiva entre parcela significativa da população.
É aí que aparece um paradoxo político importante.
O eleitor pode aprovar o governo e, ainda assim, não enxergar automaticamente em Pivetta o candidato que deseja escolher para comandar Mato Grosso nos próximos quatro anos.
Esse é um ponto fundamental.
Pivetta precisa conseguir transformar a avaliação da administração em voto pessoal.
Até agora, olhando exclusivamente para a fotografia apresentada pelas pesquisas, essa transferência não aconteceu na intensidade necessária para colocá-lo na liderança.
A continuidade de Mauro Mendes não é automática
Pivetta possui uma vantagem importante: está no Governo e representa politicamente a continuidade de uma administração que mantém avaliação relevante.
Mas existe uma diferença entre herdar um governo e herdar seus votos.
Esse talvez seja o maior desafio de Pivetta.
Para vencer, não basta dizer que representa a continuidade de Mauro Mendes. Ele precisará convencer o eleitor de que possui liderança, identidade e características próprias para comandar Mato Grosso.
E a rejeição de 38% acende um sinal de alerta.
Reduzir rejeição costuma ser uma tarefa mais complexa do que simplesmente aumentar conhecimento ou intenção de voto.
Pivetta terá que utilizar a campanha para quebrar resistências e construir uma conexão pessoal com o eleitor.
Hoje, Wellington pode ser o próximo governador
É importante fazer uma ressalva.
Política muda muito rápido.
Uma eleição não é decidida por uma pesquisa realizada antes do início efetivo da campanha.
Teremos propaganda eleitoral, debates, entrevistas, redes sociais, apoios nacionais, caminhadas, erros e acertos das campanhas. Tudo isso poderá mudar completamente o cenário.
Portanto, seria irresponsável afirmar hoje quem será eleito governador.
Mas análise política precisa interpretar a fotografia disponível.
E, se a eleição fosse analisada neste momento pelos números apresentados, Wellington Fagundes é o candidato que aparece melhor posicionado para chegar ao Governo de Mato Grosso.
Ele lidera com 34%, possui rejeição inferior à de seu principal adversário e agora busca fortalecer sua chapa com um nome ligado ao agro e ao núcleo bolsonarista.
Isso não significa vitória antecipada.
Significa vantagem política na largada.
A eleição começa agora
A partir de 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral e uma nova eleição começa dentro da própria eleição.
É nesse momento que veremos se Wellington conseguirá transformar sua liderança em consolidação.
Também veremos se Pivetta conseguirá utilizar a aprovação administrativa para crescer eleitoralmente e, principalmente, diminuir sua rejeição.
Hoje, porém, o tabuleiro apresenta uma configuração interessante.
Wellington tem os números.
Pivetta tem a máquina e a continuidade administrativa.
E Reinaldo Moraes pode entregar a Wellington uma conexão ainda maior com o agro e com o bolsonarismo.
É justamente essa combinação que torna a movimentação envolvendo o “Rei do Porco” muito maior do que uma simples escolha de vice.
Ela pode representar a tentativa de Wellington de fechar as principais pontas de sua candidatura antes da largada: PL, Bolsonaro, interior e setor produtivo.
Na política, nenhuma vantagem é definitiva.
Mas existe uma diferença importante entre começar uma campanha tentando alcançar o adversário e começar sendo o adversário a ser alcançado.
Hoje, pelos números disponíveis, Wellington Fagundes está na segunda posição: é ele quem os adversários precisam alcançar.
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Análise: Alex Rabelo
Jornalista e estrategista político | MT Urgente News

