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QUASE MEIO BILHÃO SOB PRESSÃO: Pivetta nega irregularidade, mas não detalha R$ 491,9 milhões da Natural Pork

Governador foi questionado ao vivo no MT1 sobre benefícios fiscais concedidos à empresa na qual declarou participação societária em 2022; disse que tudo ocorreu “dentro das regras”, mas não explicou como os incentivos chegaram a quase R$ 492 milhões

A denúncia feita pelo senador e candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) diante de uma das perguntas mais delicadas desta campanha eleitoral.

Nesta quarta-feira (16), durante entrevista ao MT1, da TV Centro América, Pivetta foi questionado diretamente sobre os R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais atribuídos à Natural Pork Alimentos S.A. entre 2019 e 2025.

A empresa chama atenção porque Pivetta declarou à Justiça Eleitoral, em 2022, quando já ocupava a Vice-Governadoria, possuir participação acionária na companhia.

A resposta do governador foi categórica em um ponto: ele negou qualquer irregularidade.

Mas deixou outra pergunta sem uma explicação detalhada:

como uma empresa historicamente ligada a ele chegou a acumular quase meio bilhão de reais em benefícios fiscais do Estado?

PERGUNTA FOI FEITA DIRETAMENTE NO MT1

Durante a entrevista, o apresentador Cleto Kipper colocou os números na mesa.

Ele mencionou aproximadamente R$ 492 milhões em renúncias fiscais, lembrou que Pivetta havia declarado participação na Natural Pork e perguntou se existiria alguma irregularidade na concessão desses benefícios.

Pivetta iniciou a resposta dizendo que períodos eleitorais costumam trazer acusações contra candidatos.

“Em época de política sempre vêm esses assuntos, sempre vêm mentiras, calúnias”, afirmou.

O governador então passou a defender sua trajetória empresarial.

Segundo ele, seus empreendimentos mantêm mais de 1,5 mil empregos e recolhem cerca de R$ 150 milhões em impostos anualmente.

“Eu sou um empreendedor, nós temos negócio no Mato Grosso, temos negócio no Piauí, e o que nós fizemos é legal, é dentro das regras”, declarou.

“NENHUMA IRREGULARIDADE”

Pivetta também afirmou que não administra suas empresas desde 2016.

“Eu não participo de administração de empresa minha nenhuma desde 2016”, disse.

Diante da resposta, Cleto Kipper voltou ao ponto central e perguntou se o governador estava afirmando, portanto, que não havia qualquer irregularidade.

Pivetta respondeu:

“Absolutamente nenhuma irregularidade, nada.”

A negativa foi clara.

O detalhamento dos R$ 491,9 milhões, entretanto, não apareceu na resposta.

Pivetta não explicou durante a entrevista quais critérios específicos levaram a Natural Pork a receber os benefícios, quais contrapartidas foram exigidas ou como os valores evoluíram até alcançar o montante apresentado.

DE ONDE SURGIU O NÚMERO DE R$ 491,9 MILHÕES?

A cifra foi colocada no centro da campanha um dia antes.

Na terça-feira (15), Wellington Fagundes participou da mesma rodada de entrevistas do MT1 e apresentou o caso.

Segundo Wellington, os números seriam oficiais.

O candidato foi além e lançou um desafio público:

“Isso são dados oficiais. Pegue esses dados e confirme. Se isso não for verdade, eu renuncio a minha candidatura.”

Levantamento publicado pelo Deixa Que Eu Te Conto, com base em dados atribuídos à Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso, identificou 29 registros de benefícios fiscais relacionados à Natural Pork.

Os registros envolveriam incentivos associados ao Prodeic e reduções da base de cálculo do ICMS.

A soma apresentada chega a R$ 491,9 milhões entre 2019 e 2025.

Somente em 2025, segundo o levantamento, sete registros atingiriam aproximadamente R$ 94,2 milhões.

MAS O QUE SIGNIFICA RENÚNCIA FISCAL?

Esse ponto é fundamental para entender o caso.

Renúncia fiscal não significa que o Governo do Estado transferiu R$ 491,9 milhões diretamente para a conta da empresa.

O termo se refere a impostos ou receitas que o Estado deixa de arrecadar integralmente em razão de incentivos previstos em políticas tributárias.

Programas como o Prodeic existem justamente para estimular industrialização, investimentos e geração de empregos.

Portanto, receber incentivo fiscal, por si só, não caracteriza irregularidade.

A questão levantada agora é outra:

Por que o benefício alcançou esse volume?

Quais investimentos foram realizados em contrapartida?

Quantos empregos foram gerados?

Quanto a empresa recolheu aos cofres públicos durante o mesmo período?

Quais critérios foram utilizados para calcular os incentivos?

São essas respostas que ajudam a população a avaliar o tamanho e a justificativa econômica da renúncia.

A LIGAÇÃO DE PIVETTA COM A NATURAL PORK

A relação de Pivetta com o empreendimento não surgiu nesta eleição.

Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2022, ele informou possuir R$ 1 mil em ações da Natural Pork.

Naquele momento, Pivetta já era vice-governador.

O material consultado, porém, não permite afirmar que ele continue acionista da empresa em 2026.

A ligação empresarial é ainda mais antiga.

Em 2013, Pivetta presidia a Intercoop, cooperativa envolvida em operação de transferência de ativos produtivos para a Natural Pork, incluindo passivos e obrigações.

Esse histórico é o que tornou a discussão politicamente sensível.

WELLINGTON FEZ ACUSAÇÃO MAIS GRAVE

Durante sua sabatina, Wellington não se limitou a questionar o volume dos incentivos.

Ele utilizou a expressão “tráfico de influência” ao tratar do episódio.

Até o momento, contudo, essa acusação não está comprovada.

Não há, no material apresentado, demonstração de que Pivetta tenha interferido pessoalmente na concessão dos benefícios.

O próprio governador rejeitou categoricamente qualquer irregularidade.

Essa distinção é importante.

Uma coisa é a existência dos incentivos fiscais.

Outra, completamente diferente, seria comprovar interferência indevida na concessão.

O PONTO QUE FICOU SEM RESPOSTA DETALHADA

A entrevista desta quarta-feira respondeu uma questão:

Pivetta afirma que considera os benefícios legais.

Mas não esclareceu outra:

por que a Natural Pork acumulou R$ 491,9 milhões em renúncias fiscais e quais contrapartidas justificaram esse volume?

E esse é exatamente o ponto que mantém o assunto vivo na campanha.

Porque quando se fala em quase meio bilhão de reais em impostos que deixaram de ser integralmente arrecadados, a discussão não precisa se limitar a saber se algo era permitido por lei.

Também envolve transparência sobre o retorno entregue à sociedade.

QUASE MEIO BILHÃO VAI VIRAR TEMA DE CAMPANHA?

Tudo indica que sim.

Wellington transformou o assunto em linha de confronto direto com o governador.

Pivetta respondeu negando irregularidade e defendendo sua trajetória empresarial.

Agora, os próximos debates podem migrar da simples acusação para uma discussão mais ampla:

quanto Mato Grosso abre mão em impostos para incentivar empresas, quem recebe esses benefícios e o que o Estado recebe em troca?

No caso específico da Natural Pork, a cifra é grande demais para passar despercebida.

E a pergunta permanece:

se está tudo dentro das regras, por que não abrir detalhadamente para a população como os R$ 491,9 milhões foram concedidos e quais resultados esse incentivo trouxe para Mato Grosso?

Essa explicação pode ser decisiva para tirar o tema do terreno da acusação eleitoral e levá-lo para o terreno dos fatos.

Fonte: Deixa Que Eu Te Conto / entrevista ao MT1 — TV Centro América

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

Veja o Vídeo:

 

 

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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