Entenda a disputa: proposta mudaria o Regimento Interno e abriria caminho para a atual presidente tentar permanecer no comando da Câmara; mesmo após decisão judicial reduzir o número de votos necessários, matéria não foi levada ao plenário
A tentativa de mudar as regras da Câmara Municipal de Cuiabá para permitir a recondução de integrantes da Mesa Diretora ao mesmo cargo sofreu um novo revés nesta terça-feira (29).
O Projeto de Resolução nº 31.173/2026, que poderia abrir caminho para a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), disputar novamente a presidência, não foi colocado em votação. Segundo informações publicadas pela Gazeta Digital, o grupo favorável à mudança não conseguiu assegurar votos suficientes para aprovar a proposta e decidiu não levar o texto ao plenário.
Afinal, o que estava sendo discutido?
A questão é relativamente simples.
Pelas regras atuais, Paula Calil não pode simplesmente disputar novamente o mesmo cargo na Mesa Diretora. Para que essa possibilidade fosse aberta, seria necessário primeiro alterar o Regimento Interno da Câmara.
É justamente isso que prevê o Projeto de Resolução nº 31.173/2026: permitir uma recondução ao mesmo cargo da Mesa Diretora dentro da atual legislatura. Portanto, a proposta não reelege Paula automaticamente; ela apenas mudaria a regra e possibilitaria uma nova candidatura.
Justiça reduziu número de votos necessários
Outro capítulo importante dessa disputa aconteceu na Justiça.
Antes, prevalecia a exigência de 18 votos, equivalentes a dois terços dos 27 vereadores, para alterar o Regimento Interno.
Na semana passada, porém, o juiz Luís Aparecido Bortolussi Junior, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Cuiabá, determinou que, na tramitação do projeto, fosse afastada a exigência de dois terços. A decisão estabeleceu a aplicação da regra prevista na Lei Orgânica do Município, reduzindo na prática o patamar para 14 votos, considerando a composição atual da Câmara.
A decisão judicial facilitou matematicamente a aprovação da proposta, mas não significava que a mudança estivesse aprovada. Os vereadores ainda precisariam votar o projeto em plenário.
Mesmo com 14 votos, projeto não avançou
É justamente aqui que está o principal fato político desta terça-feira.
De acordo com a Gazeta Digital, mesmo após a redução do quórum, os aliados da proposta não conseguiram reunir segurança de que teriam votos suficientes para aprová-la. Diante desse cenário, o projeto não entrou na ordem do dia.
A oposição, por sua vez, afirma ter reunido parlamentares suficientes para impedir a aprovação da mudança. Essa é uma alegação política do grupo oposicionista e deve ser tratada como tal, já que a votação não ocorreu.
Disputa começou meses atrás
A discussão sobre a mudança no Regimento não é nova.
Em julho, a votação do mesmo projeto chegou a ser suspensa por decisão do desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, enquanto a controvérsia sobre o quórum necessário era analisada judicialmente.
Paula Calil preside a Mesa Diretora eleita para o biênio 2025–2026. Documentos e publicações oficiais da própria Câmara confirmam que ela assumiu a presidência no início da atual legislatura.
E o que acontece agora?
Sem a aprovação da alteração no Regimento, permanece o obstáculo para uma nova candidatura de Paula Calil ao mesmo cargo.
A disputa pela próxima Mesa Diretora, portanto, entra em uma nova fase, com articulações entre os 27 vereadores para definir quem comandará o Legislativo cuiabano no próximo biênio.
O episódio também mostra que a decisão judicial que reduziu o quórum não resolveu a disputa política: diminuiu o número de votos necessários, mas a aprovação da mudança continua dependendo do apoio dos vereadores em plenário.
Fonte: Gazeta Digital; decisões judiciais relacionadas ao Projeto de Resolução nº 31.173/2026; Câmara Municipal de Cuiabá.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News