Presidente estadual do PL reconheceu que a coligação contrariou a base conservadora e contribuiu para o revés nas urnas; lideranças que rejeitaram o acordo apoiaram a campanha vitoriosa de Otaviano Pivetta.
O presidente do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, reconheceu que a aliança com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi um erro estratégico na campanha eleitoral de 2026. Segundo ele, a decisão contrariou a posição de parte expressiva da base conservadora e contribuiu para o resultado negativo nas urnas.
Ao avaliar o desempenho do partido, Ananias admitiu que a direção liberal assumiu o risco de firmar a coligação mesmo diante da resistência de filiados, que manifestaram insatisfação durante o período eleitoral.
“Nesse momento, fazendo as análises, eu reconheço que foi um erro. A base direita não queria a coligação de jeito nenhum, [mas] nós coligamos; e aí tivemos esse revés eleitoral”, afirmou o dirigente.
A divergência em torno da aliança também ficou evidente na atuação de lideranças do PL que optaram por apoiar o governador eleito Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre elas estão os prefeitos Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, que participaram ativamente da campanha vitoriosa.
Outro exemplo citado no cenário eleitoral é o do deputado federal José Medeiros, eleito senador, que não participou de agendas de campanha ao lado do MDB e obteve mais de 977 mil votos válidos, superando com ampla vantagem a votação de Janaína Riva, deputada estadual e presidente do MDB em Mato Grosso.
A avaliação de Ananias, porém, não é compartilhada por todos os integrantes do partido. O senador Wellington Fagundes, que disputou o Governo de Mato Grosso e saiu derrotado, afirmou não considerar equivocada a aliança com o MDB. Ele foi um dos principais articuladores da aproximação entre as duas siglas.
A tentativa de união política entre Wellington e Janaína Riva começou a ganhar força em outubro de 2025, mas já enfrentava resistência de setores mais alinhados ao bolsonarismo, que não viam com bons olhos a composição.
O reconhecimento público do presidente estadual do PL expõe a divergência interna sobre os rumos adotados pela legenda e reacende o debate sobre os efeitos da aliança com o MDB no desempenho eleitoral de 2026, especialmente diante da resistência de parte da militância e da atuação de lideranças liberais em favor de um projeto político adversário.