Mais votado para a Assembleia em 2026, com 86.934 votos, parlamentar assumirá o Governo por dez dias e acrescenta um novo capítulo à carreira construída a partir de Jaciara
Por Alex Rabelo — Jornalista e estrategista político | MT Urgente
A história do jovem que começou sua caminhada política em Jaciara ganha um novo capítulo no principal gabinete de Mato Grosso. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), assumirá interinamente o Governo do Estado nesta sexta-feira (6), durante o afastamento de dez dias de Otaviano Pivetta (Republicanos), que viajará à Turquia para participar da COP31.
A passagem pelo Palácio Paiaguás ocorre um mês depois de Max alcançar o melhor resultado eleitoral de sua carreira: 86.934 votos, a maior votação para deputado estadual em Mato Grosso nas eleições de 2026. O desempenho garantiu sua reeleição para o quarto mandato consecutivo, que terá início em 2027.
Para compreender o significado político desse momento, é preciso olhar para o caminho percorrido antes da chegada ao comando dos dois Poderes.
Uma carreira construída a partir de Jaciara
Natural de Salto do Lontra, no Paraná, Max Joel Russi construiu sua trajetória pública em Mato Grosso. Foi em Jaciara que iniciou a carreira eleitoral, conquistando uma cadeira na Câmara Municipal na eleição de 2000. Quatro anos depois, foi eleito prefeito, sendo reconduzido ao cargo em 2008. Administrou o município entre 2005 e 2012.
A experiência municipal antecedeu a expansão de sua atuação para o restante do Estado. Em 2014, Max conquistou o primeiro mandato de deputado estadual. Voltou a vencer as eleições em 2018 e 2022 e, agora, em 2026, assegurou mais quatro anos na Assembleia Legislativa.
A sequência de vitórias mostra a continuidade de uma carreira que saiu da representação municipal para alcançar responsabilidades estaduais, tanto no Legislativo quanto no Executivo.
Da assistência social à articulação do Governo
Durante seu primeiro mandato parlamentar, Max se licenciou da Assembleia para exercer funções no Governo de Mato Grosso. Foi secretário de Estado de Trabalho e Assistência Social e, posteriormente, secretário-chefe da Casa Civil, durante a gestão de Pedro Taques. A nomeação para a Casa Civil ocorreu em outubro de 2017.
Na assistência social, participou da implantação do programa Pró-Família, voltado ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade. A passagem pela Casa Civil acrescentou à sua trajetória a experiência na articulação política e institucional da administração estadual.
Essas funções ampliaram seu campo de atuação para além da elaboração de leis e da representação parlamentar, aproximando-o das decisões e das responsabilidades cotidianas do Executivo.
A ascensão dentro da Assembleia
No Legislativo, Max também acumulou funções de direção. Ocupou a primeira-secretaria em diferentes períodos e presidiu a Assembleia em 2021, antes de voltar ao comando da instituição na atual legislatura.
Em agosto de 2024, foi eleito por unanimidade para presidir a Casa. O mandato atual começou em fevereiro de 2025 e se estende até janeiro de 2027, conforme o termo de posse publicado no Diário Oficial do Legislativo.
A eleição unânime representa um dado relevante para a leitura de sua trajetória: além de ampliar a votação popular, Max conseguiu reunir apoio entre os próprios deputados para comandar o Parlamento.
O crescimento confirmado nas urnas
Em 2022, Max recebeu 70.328 votos. Na eleição de outubro deste ano, chegou a 86.934: foram 16.606 votos a mais, um crescimento de aproximadamente 23,6% entre os dois pleitos.
O resultado o colocou na liderança da disputa estadual e marcou seu recorde pessoal de votação. Atualmente no terceiro mandato, o parlamentar chegará à próxima legislatura respaldado pelo maior eleitorado de sua carreira.
Dez dias no Governo e um significado político maior

A substituição de Pivetta ocorre porque o cargo de vice-governador está vago no atual mandato. Com a renúncia de Mauro Mendes para disputar o Senado, Pivetta assumiu definitivamente o Executivo, tornando o presidente da Assembleia o primeiro chamado para substituí-lo em sua ausência.
Max já exerceu interinamente o Governo em 2021. Em relato publicado naquele ano, registrou que, durante a passagem pelo Executivo, sancionou uma lei de sua autoria que criou a Delegacia Especializada de Roubo de Cargas. O retorno ao cargo, agora por um período previsto de dez dias, acontece em um momento de maior força eleitoral.
Análise: o sonho de governar ganha um novo capítulo
Na minha avaliação como jornalista e estrategista político, a trajetória de Max Russi reúne elementos que ajudam a explicar sua consolidação entre as principais lideranças de Mato Grosso: experiência municipal, passagem por secretarias estaduais, comando do Legislativo e crescimento eleitoral.
O peso político desse conjunto está na capacidade de transitar entre funções distintas. Max conhece a rotina de uma prefeitura, o funcionamento das secretarias estaduais, a negociação parlamentar e as responsabilidades da direção da Assembleia.
O desejo de disputar um cargo maior também já foi manifestado publicamente. Em maio deste ano, ao afastar uma candidatura ao Governo em 2026, Max declarou: “Eu tenho essa vontade, mas Deus vai preparar o momento certo.” Na ocasião, vinculou seus planos à preparação para uma possível disputa em 2030.
Minha leitura é que essa nova passagem pelo Palácio Paiaguás tem potencial para fortalecer uma aspiração que ele já reconheceu. Exercer o Governo aproxima o projeto político da experiência concreta de decidir, coordenar equipes e responder pelas demandas de todo o Estado.
Isso não permite antecipar uma candidatura nem o resultado de uma futura eleição. Uma disputa majoritária depende de alianças, circunstâncias e, sobretudo, da confiança dos eleitores. Mas o percurso até aqui oferece razões para acompanhar seus próximos passos.
Do jovem que iniciou a vida pública em Jaciara ao presidente da Assembleia que volta a assumir o Governo, Max chega a este momento com mais votos e uma trajetória administrativa e parlamentar acumulada.
Os dez dias têm prazo para terminar. O significado dessa experiência em seu projeto político poderá se estender muito além deles.
Alex Rabelo — CEO da ALX Comunicação | Jornalista e estrategista político


