Dados da Segurança Pública apontam 1.054 ocorrências entre janeiro e julho de 2026; meninas concentram a maior parte dos registros
Mato Grosso registrou 1.054 ocorrências de violência sexual contra crianças e adolescentes de 0 a 17 anos entre janeiro e julho de 2026.
Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) e revelam um cenário preocupante: em apenas sete meses, foram contabilizados 876 casos de estupro de vulnerável e outros 178 registros de estupro envolvendo menores de idade.
O levantamento chama atenção não apenas pelo volume, mas também pelo perfil das vítimas.
MENINAS SÃO A MAIORIA DAS VÍTIMAS
Dos 1.054 registros contabilizados no período, 888 envolveram meninas e 166 tiveram meninos como vítimas.
Entre as vítimas do sexo feminino, 438 tinham até 11 anos, enquanto outras 450 tinham entre 12 e 17 anos.
Entre os meninos, 125 vítimas tinham até 11 anos e 41 estavam na faixa entre 12 e 17 anos.
Os números mostram que a violência sexual atinge diferentes faixas etárias e reforçam a necessidade de atenção constante por parte das famílias, escolas e órgãos de proteção.
ESTUPRO DE VULNERÁVEL REPRESENTA MAIOR PARTE DOS CASOS
A maior parte das ocorrências registradas foi de estupro de vulnerável, com 876 casos.
Outros 178 registros foram classificados como estupro.
Dentro desses 178 casos, os dados apontam:
- 37 meninas de até 11 anos;
- 117 meninas de 12 a 17 anos;
- 14 meninos de até 11 anos;
- 10 meninos de 12 a 17 anos.
O volume evidencia a dimensão de um problema que muitas vezes acontece longe dos olhos da sociedade e pode permanecer escondido por medo, dependência familiar ou dificuldade de denúncia.
MP APONTA FATORES QUE AJUDAM A EXPLICAR OS NÚMEROS
Para o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público de Mato Grosso, diferentes fatores ajudam a explicar a gravidade do cenário.
Entre eles estão o desajuste familiar, o aumento do consumo de álcool e drogas por responsáveis e também transtornos psiquiátricos.
O procurador também destacou que o fortalecimento dos mecanismos de denúncia pode contribuir para o aumento dos registros oficiais, uma vez que situações antes mantidas em silêncio passam a chegar com mais frequência ao conhecimento das autoridades.
Segundo ele, novas legislações e instrumentos de proteção também têm ajudado a ampliar a identificação dos casos.
COMBATE ENVOLVE AÇÃO POLICIAL E PROTEÇÃO ÀS VÍTIMAS
O Ministério Público de Mato Grosso também informou que vem ampliando a atuação no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
As ações envolvem tanto a área criminal quanto a proteção das vítimas, em parceria com órgãos como o Gaeco, Polícia Civil e Polícia Militar.
Além da repressão aos crimes, o trabalho preventivo também tem sido reforçado.
Entre as iniciativas está o projeto “Prevenção Começa na Escola”, desenvolvido pelo MPMT em parceria com a Cia. Vostraz de Teatro.
A proposta é levar informação, conscientização e prevenção para crianças, adolescentes, educadores e familiares.
Segundo o procurador, o projeto já realizou mais de 400 apresentações em cidades de Mato Grosso.
NÚMEROS DOS ÚLTIMOS ANOS MOSTRAM DIMENSÃO DO PROBLEMA
O levantamento também apresenta os registros dos anos anteriores.
Em 2025, Mato Grosso contabilizou 1.769 ocorrências de estupro e estupro de vulnerável contra vítimas de 0 a 17 anos.
Em 2024, foram 2.154 casos.
Em 2023, o Estado registrou 1.948 ocorrências.
Já em 2022, foram 1.702 registros.
É importante, porém, fazer uma ressalva: os números de 2022 a 2025 correspondem aos anos completos, enquanto os dados de 2026 abrangem apenas o período de janeiro a julho.
Por isso, ainda não é possível afirmar se o atual ano terminará com aumento ou redução em relação aos anos anteriores.
UM PROBLEMA QUE EXIGE ATENÇÃO PERMANENTE
Os números mostram que a violência sexual contra crianças e adolescentes continua sendo um dos problemas mais graves enfrentados pela rede de proteção.
Mais do que estatísticas, cada registro representa uma vítima que precisa de acolhimento, proteção, atendimento especializado e acompanhamento.
Também reforça a importância da prevenção, da informação e da denúncia.
Famílias, escolas, profissionais de saúde, instituições públicas e toda a sociedade têm papel fundamental na identificação de sinais de violência e na proteção de crianças e adolescentes.
O levantamento foi elaborado pela Superintendência do Observatório de Segurança Pública, com base em dados do SROP da Polícia Civil e da Polícia Militar de Mato Grosso.
Fonte: Gazeta Digital, com dados da Sesp-MT e do Ministério Público de Mato Grosso.
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