Em ação na Avenida da FEB, 6 pessoas foram presas e mais de 130 condutores passaram pelo teste do bafômetro; reincidência pode dobrar valor da multa A madrugada deste sábado (21) foi marcada por mais uma intensa edição da Operação Lei Seca em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. A fiscalização aconteceu na Avenida da FEB, um dos principais corredores urbanos da cidade, e resultou em seis prisões, sendo cinco por embriaguez ao volante e uma por entrega do veículo a pessoa não habilitada. Ao todo, 40 veículos foram removidos — entre carros e motocicletas — e 92 autos de infração foram confeccionados por diversos tipos de irregularidades, incluindo: 18 por direção sob efeito de álcool 16 por falta de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) 27 por ausência de registro ou licenciamento Outras 31 infrações diversas, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro Ações em larga escala A blitz começou por volta das 23h45 de sexta-feira e seguiu até a manhã de sábado. Durante a operação, 128 veículos foram fiscalizados e 130 condutores realizaram o teste de alcoolemia (bafômetro). Esta foi a 22ª edição da Lei Seca em Várzea Grande somente em 2024, reforçando o trabalho contínuo da segurança pública na tentativa de coibir acidentes e salvar vidas. Quem participou da ação? A Operação Lei Seca é coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), por meio do Gabinete de Gestão Integrada (GGI). Na operação deste sábado atuaram: Batalhão de Trânsito da PM (BPMTran) Polícia Militar Delegacia de Trânsito (Deletran) da Polícia Civil Departamento Estadual de Trânsito (Detran) Guarda Municipal de Várzea Grande Corpo de Bombeiros Militar Polícia Penal Sistema Socioeducativo Multas, prisão e implicações legais Conduzir sob efeito de álcool é infração gravíssima, com penalidades severas. A multa inicial é de R$ 2.934,70 e o condutor pode ter o direito de dirigir suspenso por 12 meses. Em caso de reincidência dentro de 12 meses, o valor dobra, chegando a R$ 5.869,40. Nos casos em que o índice de alcoolemia ultrapassa o limite criminal ou há recusa com sinais evidentes de embriaguez, o motorista pode ser preso e responder judicialmente, com necessidade de pagamento de fiança para responder em liberdade. Além disso, outras irregularidades como falta de CNH, licenciamento vencido ou documento inexistente, agravam ainda mais a situação do condutor, gerando remoção imediata do veículo ao pátio e novas autuações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997). Segurança no trânsito é prioridade Com a alta incidência de acidentes relacionados ao consumo de álcool, as forças de segurança têm intensificado as ações da Lei Seca em Mato Grosso. O objetivo é claro: reduzir a impunidade, proteger vidas e garantir mais responsabilidade no trânsito.
Complexo Viário do Jardim Leblon entra em nova fase e transforma mobilidade em Cuiabá
Com investimento de R$ 78,1 milhões, obras simultâneas prometem resolver gargalos históricos na Avenida Miguel Sutil; trânsito segue com bloqueios parciais O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), deu início a uma nova e intensa etapa das obras do Complexo Viário do Jardim Leblon, em Cuiabá. O projeto, que visa reorganizar o fluxo viário e eliminar gargalos históricos na Avenida Miguel Sutil, está sendo executado em múltiplas frentes ao mesmo tempo e conta com um investimento total de R$ 78,1 milhões. A nova fase inclui demolição de estruturas antigas, escavação de trincheiras, concretagem de colunas, além da construção de novos acessos e elevados, transformando a dinâmica do tráfego em uma das regiões mais críticas da capital. Trincheiras e demolições: o que está acontecendo agora Entre os serviços em execução, um dos principais é a demolição da antiga passagem de nível na Avenida Desembargador Trigo de Loureiro, que será substituída por uma nova estrutura moderna. O local passará a oferecer um retorno subterrâneo na Avenida Miguel Sutil, facilitando a circulação entre bairros e eliminando a necessidade de semáforos na região. O prazo para a conclusão dessa etapa é de quatro meses, e, até lá, o trânsito no local segue em meia pista. A recomendação aos motoristas é atenção redobrada. Simultaneamente, as equipes trabalham nas escavações da nova trincheira na rotatória da Rua Boa Vista, via que dá acesso ao bairro Jardim Leblon. A estrutura permitirá que veículos que trafegam no sentido Coxipó–Rodoviária passem por baixo da pista, eliminando o tempo de espera nos semáforos. A concretagem do tabuleiro desta trincheira já está em fase final, o que indica um avanço importante da obra nesse trecho. Ampliação viária e construção de novos acessos Outro destaque da obra é o alargamento do viaduto da Avenida Miguel Sutil sobre a Avenida do CPA, onde já foi implantada uma terceira faixa de rolamento para aumentar a capacidade de tráfego. Em um dos lados, os aterros necessários para acessar a nova pista já foram concluídos, e agora a atenção se volta à construção de um pequeno elevado na região, que vai conectar diretamente a parte inferior da Trincheira Jurumirim à Avenida do CPA. As colunas deste novo elevado estão sendo concretadas neste momento. Trânsito impactado e parceria com aplicativo Devido à complexidade da obra, diversos trechos da Avenida Miguel Sutil e das vias de acesso ao Jardim Leblon e à Avenida do CPA estão com bloqueios temporários. As alterações afetam, principalmente, a rotatória em frente ao Jardim Leblon e os acessos diretos entre as avenidas. Para minimizar os transtornos aos condutores, a Sinfra-MT firmou parceria com o aplicativo de navegação Waze, que atualiza em tempo real os bloqueios, desvios e sugere rotas alternativas com base no tráfego local. O que é o Complexo Viário do Jardim Leblon? O projeto do Complexo Viário do Jardim Leblon é uma das maiores intervenções de mobilidade urbana atualmente em andamento na capital. As obras se concentram nas imediações da Trincheira Jurumirim e têm como objetivo melhorar a fluidez do trânsito na Avenida Miguel Sutil — eixo essencial de conexão entre diferentes regiões de Cuiabá. Entre as principais intervenções previstas estão: Duplicação da Rua Boa Vista; Nova trincheira na rotatória da Rua Boa Vista; Pequeno elevado no fim da Trincheira Jurumirim; Alargamento do viaduto sobre a Avenida do CPA; Construção de nova passagem de nível na Trigo de Loureiro. Com previsão de conclusão em etapas até 2025, o Complexo Viário do Jardim Leblon representa um marco na reorganização do tráfego urbano da capital mato-grossense. Embora os transtornos momentâneos no trânsito exijam paciência dos motoristas, o avanço das obras promete mais fluidez, segurança e conectividade viária para Cuiabá nos próximos anos.
Câmara de Cuiabá quer mostrar uma cara nova, mas mantém velhos hábitos?
Proposta de fim do recesso de julho expõe resistência interna e levanta questionamento sobre a real disposição da Casa em romper com antigos privilégios A proposta de extinguir o recesso parlamentar de julho na Câmara Municipal de Cuiabá, apresentada pelo vereador Mário Nadaf (PV), reacendeu uma discussão antiga sobre os privilégios do Legislativo e a necessidade de modernizar a atuação parlamentar. O projeto, no entanto, só deve entrar em vigor em 2026, caso seja aprovado, o que levanta dúvidas sobre a real intenção de mudança da Casa. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos), que articula apoio e deve assinar como coautor da proposta, afirmou que não há tempo hábil para aprová-la em 2024, já que o recesso está previsto para começar no próximo dia 18 de julho. “Mesmo que a gente aprove o projeto, não vai dar tempo. Tem que passar por dois turnos, ser sancionado… É impossível por uma questão de tempo mesmo”, explicou Monteiro em entrevista ao Jornal do Meio Dia (TV Vila Real, canal 10.1). Uma Câmara com cara nova ou só maquiagem? O debate ganhou força com o argumento de que o recesso de julho, somado às férias de fim de ano, totaliza 84 dias de folga por ano, número bem superior aos 30 dias de férias garantidos aos trabalhadores brasileiros. Para Nadaf e Monteiro, o recesso de meio de ano é um “mau exemplo” e a extinção dele seria um passo necessário para moralizar a atuação da Casa. “A população está trabalhando, nós também deveríamos estar. Não precisa de recesso no meio do ano”, destacou Daniel. A proposta, porém, ainda precisa de nove assinaturas para começar a tramitar, e, até agora, apenas sete parlamentares teriam manifestado apoio — cujos nomes não foram revelados por receio de pressão nos bastidores. Para ser aprovada, a emenda exige quórum qualificado de dois terços da Casa, ou seja, 18 votos em dois turnos. Presidência resiste à mudança A presidente da Câmara, vereadora Paula Calil (PL), se posicionou contrária ao fim do recesso, alegando que a pausa é importante para organizar a pauta de projetos, planejar as ações da Mesa Diretora e intensificar a fiscalização do Poder Executivo durante o período. “É necessário o recesso parlamentar para que a gente consiga nos organizar. Eu, pelo menos, faço meu cronograma nesse período, e acredito que a maioria dos vereadores também”, justificou Calil. Monteiro rebateu o argumento dizendo que, até 2026, haverá tempo suficiente para a Mesa se reorganizar e se adaptar à nova dinâmica de funcionamento sem o recesso. Velhas práticas ainda resistem? Com uma legislatura que se propôs a modernizar a Câmara e recuperar a imagem arranhada pela antiga pecha de “Casa dos Horrores” — marcada por escândalos, trocas de farpas públicas e falta de produtividade —, esperava-se mais firmeza nas ações para romper com antigos privilégios. O projeto de Nadaf é, no discurso, um passo nessa direção. Mas, na prática, segue travado nos bastidores e adiado para o futuro, sem definição de prazo, sem apoio unânime e sem a urgência que a sociedade exige. O que está em jogo? 30 dias de recesso em julho, somados a aproximadamente 54 dias entre dezembro e fevereiro; Um total de 84 dias de inatividade legislativa por ano; A possível inclusão de quatro sessões ordinárias a mais no calendário anual caso o recesso seja extinto; Uma pressão crescente da sociedade por mais produtividade, transparência e comprometimento por parte dos vereadores. Embora o projeto de extinção do recesso represente um aceno à moralização da atividade parlamentar, sua tramitação empacada e a resistência de lideranças da Casa revelam que os discursos de renovação ainda convivem com práticas antigas e pouco alinhadas à realidade da população. Se a Câmara quer mesmo mostrar uma cara nova, precisa começar por atitudes concretas, não apenas promessas para daqui dois anos. Até lá, o eleitor segue observando — e questionando: Câmara de Cuiabá está realmente mudando ou apenas maquiando os mesmos hábitos de sempre?
Mato Grosso tem 70.271 cadastrados para doar medula óssea; veja como se inscrever
O número de pessoas que se cadastraram no MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, para doar medula óssea aumentou de 387, de janeiro a maio de 2024, para 486, no mesmo período de 2025. Em todo o ano de 2024, foram cadastrados 1.139 voluntários, mais do que os 779 de 2022 e os 940 de 2023. O resultado é decorrente de uma série de ações promovidas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), como o IX Encontro de Conscientização sobre a Doação de Medula Óssea, que reuniu profissionais da saúde, em Cuiabá, em maio, e da solidariedade dos doadores. Contudo, ainda é necessário aumentar o número de cadastros para haver maior probabilidade de compatibilidade. Atualmente, constam 70.271 mato-grossenses cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Por meio deste cadastro, em 2024, foram detectadas 67 compatibilidades em Mato Grosso. “Quanto mais mato-grossenses procurarem o MT Hemocentro para se cadastrar no Redome, maiores as chances de compatibilidade com algum paciente que precisa do transplante para sobreviver em qualquer lugar do mundo”, destacou o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo. O diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, afirma que a equipe se empenha para conscientizar a população sobre a importância de fazer o cadastro e para doar em caso de compatibilidade. “As pessoas podem conhecer um pouco do serviço do MT Hemocentro para desmistificar, porque as pessoas têm um certo tipo de preconceito, medo mesmo, quando nós falamos de doação de medula óssea”, explicou. De acordo com Modolo, a unidade está preparada para orientar e tirar as dúvidas dos cidadãos a respeito do cadastro e da doação. “Você vai até a instituição, realiza o cadastro e coleta um tubo de 5 ml de sangue para exame de tipagem HLA [antígenos leucocitários humanos]. Com isso, você fica dentro do banco de dados do Redome e aguarda que o INCA [Instituto Nacional de Câncer] encontre algum paciente compatível que precise de transplante de medula óssea para ser convocado”, afirmou. O transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pacientes com mais de 80 doenças, como leucemia, linfomas e alguns tipos de anemia e doenças hereditárias. A doação de medula óssea não é realizada em Mato Grosso. Normalmente, a doação ocorre na cidade onde o receptor faz o tratamento e, se for estrangeiro, a doação poderá ser feita em São Paulo ou no Rio de Janeiro, para onde o doador viaja sem custos. Segundo a médica hematologista Paloma Valk, o transplante é a substituição da medula óssea doente do paciente por uma medula óssea nova, para que ele fique curado. “Esse transplante pode acontecer de duas formas: autólogo, quando vem da própria pessoa. Então, um paciente doa uma medula antes do procedimento para ele mesmo depois; ou alogênico, quando a medula é proveniente de um doador”, explicou. A assistente fiscal Lorena Rosa de Araújo, de 24 anos, contou que fez seu cadastro no MT Hemocentro em 2020 e foi convocada em novembro de 2021. Ela realizou uma bateria completa de exames para verificar sua saúde e confirmar a compatibilidade com um paciente e, em janeiro de 2022, realizou a doação no Real Hospital Português, em Recife. “Durante o procedimento, fui submetida à anestesia geral e a medula foi coletada diretamente do osso da bacia. Todo o processo foi feito com segurança e fiquei em observação até estar liberada para alta. Me recuperei super bem. Não senti dores, nem tive desconforto”, disse. Segundo Lorena, a experiência de doar medula óssea foi extremamente positiva e gratificante. “Saber que pude ajudar uma pessoa com uma nova chance de vida foi muito emocionante. Todo o processo foi feito com muito cuidado, responsabilidade e respeito. Reforço a importância da conscientização sobre o cadastro no Redome e a doação de medula óssea. É um ato de solidariedade que pode transformar e salvar vidas.” Como se cadastrar para doar medula óssea? Para fazer o cadastro, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde, não possuir doenças impeditivas, como hematológicas ou neoplásicas, além de doenças infecciosas ou do sistema imunológico, e apresentar documento oficial com foto. Quem se cadastrar permanece no Redome até os 60 anos e, até essa idade, poderá fazer a doação. A sede do MT Hemocentro está localizada na Rua 13 de Junho, 1.055, em Cuiabá. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h.
Etno Expo 2025 destaca culturas indígenas e impulsiona etnoturismo em Mato Grosso
A terceira edição da Etno Expo será realizada nos dias 27 e 28 de junho na Aldeia Wazare, em Campo Novo do Parecis, com a participação de oito comunidades indígenas e especialistas no segmento. A feira cultural e de negócios dedicada à valorização das culturas indígenas e ao fortalecimento do etnoturismo. Mais que uma celebração cultural, a Etno Expo é uma estratégia de desenvolvimento sustentável. O objetivo é promover as aldeias como destinos turísticos, apoiar as tradições dos povos originários e movimentar a economia local por meio do turismo de base comunitária. O evento é organizado pelo Sebrae com as prefeituras municipais de Campo Novo do Parecis e Sapezal. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), é um dos apoiadores do evento e deste segmento do turismo em Mato Grosso. Em 2024, iniciativas como os projetos Menanehaliti e Balatiponé foram destaques no Abeta Summit, maior evento de turismo de natureza e aventura do Brasil, realizado em Foz do Iguaçu. O reconhecimento nacional reforça o papel de Mato Grosso como referência em turismo étnico e sustentável. O etnoturismo é uma modalidade que promove o contato direto com os modos de vida dos povos tradicionais, por meio de atividades como imersão em aldeias, oficinas culturais, observação da fauna, pesca esportiva e vivências com as comunidades. Um mapeamento da Sedec em 2024 apontou que, em Mato Grosso, 19 etnias já desenvolvem atividades turísticas, consolidando o estado como referência nacional nesse tipo de turismo. “Mato Grosso tem um enorme potencial, e é com ações como essa que apoiamos e seguimos trabalhando para integrar turismo, cultura e economia”, enfatiza a secretária adjunta de Turismo, Maria Letícia Costa. Segundo o gerente regional do Sebrae-MT, Wlademir Alves da Silva, a feira é uma vitrine importante para alavancar o setor. “As tradições indígenas têm grande potencial de atração de turistas do Brasil e do mundo. A nossa missão é fazer de Campo Novo do Parecis a maior rota de etnoturismo do mundo”, afirma. A programação da Etno Expo 2025 incluirá apresentações culturais, rituais tradicionais, oficinas de artesanato e culinária indígena, além de palestras sobre empreendedorismo indígena e turismo em terras indígenas. Os visitantes terão a oportunidade de vivenciar experiências autênticas e fortalecer conexões com a rica diversidade cultural dos povos mato-grossenses. A Etno Expo 2025 é gratuita e aberta ao público, sendo uma oportunidade única para vivenciar a ancestralidade, conhecer novos destinos turísticos e contribuir com a geração de renda e valorização das culturas indígenas de Mato Grosso. *Sob supervisão de Débora Siqueira
Governo federal lança licitação de R$ 9,8 milhões para hospedagens da Presidência e gera questionamentos sobre prioridades
Edital prevê contrato de até 10 anos para viagens oficiais, mas escopo genérico e valores altos levantam dúvidas sobre transparência e controle dos gastos públicos O Governo Federal publicou nesta semana um edital para a contratação de uma agência de viagens especializada no fornecimento de serviços de hospedagem para a Presidência da República, com valor estimado em R$ 9,8 milhões. O contrato terá validade inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação por até dez anos, conforme justificativa apresentada pelo Executivo. De acordo com o edital, a contratação tem como objetivo atender as viagens oficiais da Presidência, secretarias e ministérios vinculados, em todo o território nacional. O documento cita a necessidade de garantir acomodação adequada para todos os envolvidos nas atividades programadas, dada a complexidade da logística das agendas presidenciais. Divisão de valores O investimento está dividido da seguinte forma: R$ 8,97 milhões para cobrir tarifas e taxas hoteleiras, incluindo possíveis alterações, remarcações ou cancelamentos; R$ 897 mil destinados aos serviços de agenciamento da empresa contratada, ou seja, à intermediação das reservas. A sessão pública para recebimento das propostas está marcada para o dia 4 de julho, às 9h30, conforme cronograma oficial divulgado no Diário Oficial da União. Contrato pode durar até 10 anos Embora a vigência inicial seja de apenas um ano, o contrato poderá ser prorrogado por mais nove anos consecutivos. A justificativa oficial afirma que, além de garantir maior estabilidade contratual, a extensão pode permitir a negociação de condições mais vantajosas com redes hoteleiras ao longo do tempo. No entanto, o edital não apresenta critérios objetivos de economia futura com essa eventual prorrogação, tampouco detalha metas de desempenho, relatórios periódicos ou indicadores de controle de qualidade para o serviço a ser prestado. Alta de gastos gera críticas A publicação do edital ocorre em meio a um cenário nacional de cobrança por redução de gastos públicos e racionalização administrativa. Por isso, o alto valor previsto e a amplitude do contrato chamaram atenção de parlamentares da oposição, que já começaram a questionar a real necessidade do investimento neste momento. O valor reservado para hospedagens – cerca de R$ 747 mil por mês, se considerado o total dividido por 12 meses – não especifica o número exato de viagens previstas, nem o volume de pessoas que será atendido pelo contrato, o que reforça a crítica à falta de transparência e clareza dos critérios. Além disso, 9% do valor total será destinado apenas ao serviço de agenciamento, percentual considerado elevado por especialistas em contratos administrativos, especialmente diante da ausência de contrapartidas técnicas que justifiquem a remuneração. Oposição promete reagir Líderes da oposição na Câmara dos Deputados já anunciaram que pretendem questionar o edital oficialmente, cobrando maior detalhamento e apresentando requerimentos para que o Ministério da Casa Civil explique a origem dos valores e os parâmetros utilizados para essa previsão de gastos. “O governo quer cortar onde é essencial e manter mordomias para cima. Hospedagem de quase R$ 10 milhões sem planejamento detalhado não é prioridade neste momento”, disse um deputado da oposição ouvido pela reportagem. E agora? Com a abertura das propostas marcada para o próximo dia 4, o governo terá a chance de detalhar, diante da sociedade, como pretende aplicar esse recurso. A expectativa é que o processo seja acompanhado de perto por órgãos de controle e pela imprensa, para garantir que o investimento seja proporcional, necessário e bem executado. Embora legalmente permitido, o contrato chama atenção pelo seu valor elevado, escopo pouco específico e falta de transparência nos critérios técnicos. Em um país que enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento, ações como essa precisam ser debatidas com profundidade e responsabilidade. No fim, a questão que fica é: o Brasil pode mesmo se dar ao luxo de gastar quase R$ 10 milhões com hospedagens oficiais sem garantir mais eficiência e clareza?
“Com o SER Família Habitação, eu tive um bom subsídio e conquistei minha casa”, afirma beneficiada
“Com o SER Família Habitação, eu tive um bom subsídio e conquistei minha casa”, afirma a cabeleireira Suzelaine Mendes, que hoje vive com o marido e os dois filhos pequenos em um lar definitivo. Ela conta que, há alguns anos, tentou financiar uma moradia, mas o valor da entrada foi um obstáculo, superado graças ao programa estadual. Idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, o SER Família Habitação vem se consolidando como o maior programa habitacional da história de Mato Grosso. Até agora, mais de 11.240 famílias foram atendidas com subsídios que chegam a R$ 20 mil, utilizados para facilitar a entrada no financiamento do imóvel. “Quando as famílias recebem a chave da casa, sinto que meu sonho também está sendo realizado. Eu sei como é importante morar no que é seu. Ter um teto é ter dignidade, segurança e a oportunidade de um recomeço cheio de esperança”, declara Virginia Mendes. No caso de Suzelaine, a casa com dois quartos permite que os filhos fiquem em um e o casal no outro. Ela já planejou a disposição dos móveis e sonha em comprar novos itens para tornar o espaço ainda mais aconchegante. O Residencial Hollywood conta com 135 casas, todas com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e área na frente. As ruas são pavimentadas, possuem calçadas, iluminação pública e infraestrutura urbana completa. O Hollywood é apenas um dos diversos empreendimentos disponibilizados em Várzea Grande, que já ofertou cerca de 1.768 unidades habitacionais com apoio do Governo do Estado. De acordo com dados da MT Participações e Projetos (MT Par), responsável pela operacionalização da modalidade Entrada Facilitada, o perfil das famílias beneficiadas é composto por 55% com renda familiar de até 2 salários mínimos; 36% com renda de até R$ 4,7 mil; e, 9% com renda de até R$ 8,6 mil. Segundo o presidente da MT Par, Wener Santos, o programa atinge um público que antes não era atendido pelos programas habitacionais tradicionais. São pessoas com renda, mas que não conseguem juntar o valor necessário para a entrada. “O Governo de Mato Grosso conseguiu firmar parcerias em todas as esferas, e o resultado é colhido pela população. Hoje, as famílias conseguem acessar uma moradia com o auxílio do subsídio estadual, somado aos programas municipais e federais, e ainda garantir uma parcela acessível”, ressalta Santos. Entrada Facilitada Na modalidade Entrada Facilitada, o programa SER Família oferece até R$ 20 mil de subsídio por família. Quanto menor a renda, maior o valor do subsídio, escalonado da seguinte forma: Faixa 1 – Renda de até R$ 2.850: R$ 20 mil Faixa 2 – Renda entre R$ 2.850,01 e R$ 4,7 mil: R$ 15 mil Faixa 3 – Renda entre R$ 4.700,01 e R$ 8,6 mil: R$ 10 mil Faixa 4 – Renda entre R$ 8.600,01 e R$ 12 mil: R$ 8 mil Mais informações sobre o programa estão disponíveis no site: www.mtpar.mt.gov.br
Sema mobiliza sociedade para construção dos planos de gestão da Bacia do São Lourenço
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e o Comitê de Bacia Hidrográfica do São Lourenço iniciaram a mobilização para garantir a participação da sociedade na elaboração do Plano de Recursos Hídricos e Proposta de Enquadramento da Bacia do Rio São Lourenço, localizada na região sul do Estado. Os dois instrumentos de gestão são ferramentas essenciais para garantir o uso múltiplo, racional e sustentável da água. Para garantir o envolvimento da sociedade, foi criado um site (www.prh-p5.com.br) com informações sobre a importância e área de abrangência da bacia hidrográfica, cronograma de atuação e detalhes sobre os produtos que serão elaborados para a gestão da Bacia do Rio São Lourenço. Foi disponibilizado ainda canal de acesso via whatsapp (66) 99999-6957. Acesse aqui o vídeo explicativo sobre o assunto. O superintendente de Recursos Hídricos da Sema, Luiz Henrique Magalhães Noquelli, destaca que os instrumentos de gestão devem ser concluídos até 2026 e que ao longo do seu desenvolvimento serão realizados diversos eventos para apresentação dos estudos elaborados e para recebimento de contribuições. “Precisamos trazer os usuários, o poder público e a sociedade civil como um todo para a discussão da gestão de recursos hídricos para garantirmos o uso múltiplo, racional e sustentável das águas, prevenindo crises e conflitos hídricos e promovendo a saúde humana, bem como a proteção e recuperação dos ecossistemas aquáticos, em benefício das gerações presentes e futuras”, ressaltou. A presidente do Comitê da Bacia do São Lourenço, Milly Siqueira Almeida, explicou que a base hidrográfica do São Lourenço possui características marcantes e abrange 14 municípios.“O principal contribuinte da bacia é o Rio Vermelho, um rio turvo que possui bastante sedimento. Já o Rio São Lourenço mesmo, de onde ele nasce, na região de Campo Verde, Jaciara e Juscimeira é extremamente claro, de águas cristalinas. E quando os dois se encontram, o São Lourenço com o Rio Vermelho, já é característica de pantanal”. Segundo o consultor socioambiental, Flávio Ribeiro Rocha, a elaboração do plano de recursos hídricos e da proposta de enquadramento da Bacia do Rio São Lourenço foi dividida em cinco etapas: levantamento de informações, diagnóstico, prognóstico, enquadramento e plano de ações. Dos 12 Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) já instalados em Mato Grosso, três (CBH Sepotuba, CBH Cabaçal e CBH Alto Paraguai Superior) já estão com os planos de bacias hidrográficas aprovados e outros dois, CBH Alto Cuiabá e do CBH São Lourenço, estão em desenvolvimento. Existem ainda os CBHs do Alto Rio das Mortes, Alto Araguaia, Arinos, Jauru e o Baixo, Médio e Alto Teles Pires.
A conta chegou: Abílio Brunini pede R$ 500 milhões ao Estado e escancara fragilidade da gestão municipal
Em visita institucional ao Governo, prefeito de Cuiabá admite que precisa de meio bilhão para pavimentar ruas — revelando um rombo entre discurso e gestão Em um gesto que evidenciou a dependência da Prefeitura de Cuiabá do Governo do Estado, o prefeito Abílio Brunini (PL) foi até o Palácio Paiaguás nesta semana para, oficialmente, apresentar uma demanda de R$ 500 milhões — ou meio bilhão de reais — ao governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos). O recurso seria, segundo Brunini, destinado à pavimentação de 100% das ruas e avenidas da Capital. A visita, que deveria simbolizar integração institucional, acabou revelando um ponto crítico: a gestão municipal não tem autonomia financeira nem planejamento suficiente para resolver problemas básicos de infraestrutura urbana. R$ 500 milhões: valor exorbitante e sem plano O valor solicitado equivale a cerca de 10% da arrecadação total prevista para Cuiabá em 2024. Segundo dados da Lei Orçamentária Anual (LOA), o município deve arrecadar aproximadamente R$ 5 bilhões este ano. A pergunta que fica é: se 10% são suficientes para pavimentar toda a cidade, o que está sendo feito com os outros 90%? A ausência de um plano técnico detalhado para justificar o meio bilhão requisitado também chama atenção. O pedido foi feito de maneira informal, sem protocolo público de projeto executivo, mapeamento de bairros prioritários, cronograma de obras ou estimativa de impacto social e econômico. Isso acende um alerta sobre falta de planejamento técnico e governança. “Quem ajudou a ganhar, precisa ajudar a governar” Durante o encontro, Abílio ainda declarou que espera o retorno do governador Mauro Mendes (União) para que este possa “anunciar de que forma vai ajudar Cuiabá”. A fala pode ser lida como um lembrete político: o grupo do governador apoiou, ainda que nos bastidores, a eleição do atual prefeito, em articulações que garantiram ao PL vitórias em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis — principais colégios eleitorais de Mato Grosso. Aparentemente, a fatura eleitoral está sendo cobrada: quem ajudou a eleger, agora precisa financiar a gestão. Blitze, maquiagem e arrecadação sem retorno social A fragilidade da gestão municipal também se revela em outras frentes. Nesta semana, uma mega operação da chamada “Lei Seca” foi realizada na Avenida Carmindo de Campos, em Cuiabá. O que deveria ser uma ação educativa acabou escancarando a lógica arrecadatória sem efetividade real na segurança pública. A operação mobilizou mais de 50 viaturas e 100 agentes públicos, e resultou em 91 autos de infração — sendo a maioria por documentação irregular, alcoolemia e direção sem CNH. Ao todo, 53 veículos foram removidos. Nenhuma apreensão relevante, nenhum flagrante de crime grave, nenhum resultado expressivo no combate à criminalidade. O evento, promovido pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), envolveu ainda o Detran, PM, Polícia Penal, Deletran, Guarda Municipal e até o Sistema Socioeducativo. Todo esse aparato tem custo elevado aos cofres públicos e levanta suspeitas: a operação teria sido mais voltada à arrecadação e à geração de gratificações do que à segurança da população. E o titular da Sesp? Estava em missão internacional com o governador em viagem à China e Coreia do Sul. A pergunta que fica: será que eles viram alguma blitz como essa por lá? Governar exige mais do que discurso O discurso fácil e as visitas institucionais não escondem mais a realidade de uma gestão fragilizada, que ainda não mostrou a que veio. Falta planejamento, sobra improviso. Falta transparência, sobra cobrança. Cuiabá precisa de soluções concretas — e não de um prefeito que terceiriza responsabilidades. A população cuiabana, que confiou nas urnas, agora espera respostas. Porque não basta ganhar. Tem que saber governar.
Câmara de Cuiabá vive crise institucional com denúncias de censura, racha político e desconfiança pública
A Câmara Municipal de Cuiabá vive um dos momentos mais turbulentos dos últimos anos. Sob o peso de denúncias graves, clima de tensão interna e questionamentos sobre a liberdade parlamentar, o Legislativo da capital está no centro de uma crise que mistura censura institucional, submissão ao Executivo e disputas de bastidores que vêm minando sua credibilidade diante da população. Vereador denuncia censura pública em plenário Durante a última sessão plenária, realizada nesta semana, o vereador Jeferson Siqueira (PSD) fez uma denúncia pública e direta contra a Secretaria de Comunicação (Secom) da Câmara de Cuiabá. Segundo o parlamentar, a pasta estaria bloqueando sistematicamente a divulgação de conteúdos dos vereadores de oposição, favorecendo apenas os aliados da base governista. “A Secretaria de Comunicação virou um instrumento de censura. Estão filtrando nossas matérias, silenciando nossas ações e manipulando o que vai para o site da Câmara. Isso é inadmissível, é um ataque direto à democracia”, disparou o vereador. Ainda em sua fala, Vereador Jeferson Siqueira afirmou que o atual secretário de Comunicação estaria subordinado politicamente ao Palácio Alencastro (Prefeitura de Cuiabá), e que a estrutura de comunicação da Casa, mantida com recursos públicos, não pode servir a interesses de grupo político algum. “A Secom deve dar voz a todos, não apenas a quem agrada o Executivo. Isso é um desrespeito com a função pública e com o povo que representamos”, concluiu. A denúncia, feita em plenário e registrada em vídeo, causou desconforto imediato entre os vereadores e já é considerada um marco na escalada de tensão institucional vivida na Casa. “Milícia digital” e clima de repressão política Nos bastidores, a denúncia de Jeferson Siqueira ganhou eco. Outros parlamentares, embora em off, confirmaram que ações comunicacionais têm sido filtradas ou editadas, reforçando a percepção de censura velada. Expressões como “milícia digital” e “puxadinho da Prefeitura” têm sido usadas para descrever o atual ambiente legislativo, onde a oposição afirma estar sufocada, impedida de se manifestar e alijada da visibilidade institucional. A denúncia pode, inclusive, desencadear uma investigação formal ou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação da Secom. Entre a maquiagem institucional e a realidade das ruas Enquanto a comunicação da Câmara tenta pintar um cenário de unidade, eficiência e avanços, a realidade da cidade é outra: serviços paralisados, falhas de gestão e demandas urgentes não atendidas. A imagem transmitida nas redes e nos canais oficiais não corresponde ao cotidiano vivido pelos cidadãos, o que acentua o descompasso entre a comunicação e os fatos. A Câmara, ao invés de representar a pluralidade de vozes da cidade, vem sendo criticada por funcionar como extensão do Executivo municipal, desvirtuando seu papel de fiscalizador e legislador independente. O risco de colapso institucional A independência entre os Poderes é cláusula basilar da democracia. No entanto, em Cuiabá, os sinais de submissão da Câmara à Prefeitura são cada vez mais visíveis. Projetos aprovados sem debate, obstrução de falas da oposição, uso seletivo da comunicação institucional e, agora, denúncias formais de censura, colocam em xeque a credibilidade da Casa. O que se vê é um Legislativo cada vez mais enfraquecido, desacreditado e afastado da população.