O Batalhão de Proteção Ambiental do 6º Comando Regional intensificou o combate à mineração ilegal no norte de Mato Grosso e desativou, nesta quarta-feira (25), um garimpo clandestino na zona rural de Aripuanã, município localizado a cerca de 1.001 quilômetros de Cuiabá. A ação ocorreu no âmbito da Operação Amazônia e representa a segunda intervenção contra atividades do tipo realizada na região somente nesta semana. De acordo com informações da Polícia Militar, as equipes chegaram ao ponto indicado após levantamento do setor de inteligência. No local, foi constatada a degradação ambiental provocada pela abertura de grandes cavas e pela intensa movimentação de terra para retirada de minério. Durante a fiscalização, os policiais encontraram uma pá carregadeira atolada na área explorada. O equipamento foi removido e encaminhado à Secretaria Municipal de Infraestrutura de Colniza. Além disso, dois motores utilizados no sistema de sucção e lavagem de rejeitos foram localizados. Como não havia possibilidade de retirada imediata, os materiais foram inutilizados para impedir a continuidade dos danos ambientais. Nenhum suspeito foi encontrado no momento da operação, mas as equipes mantêm rondas na região para identificar os responsáveis pela atividade clandestina. Tolerância zero Na terça-feira (24), outra frente de exploração irregular já havia sido desativada na zona rural de Colniza. Na ocasião, o Batalhão Ambiental apreendeu quatro motores e uma escavadeira hidráulica, além de identificar acampamentos improvisados utilizados pelos garimpeiros. A operação contou com o apoio da Força Tática de Nova Mutum. As ações reforçam a política de enfrentamento permanente aos crimes ambientais na região, com foco na preservação dos recursos naturais e na responsabilização dos envolvidos.
Base governista recorre a Alcolumbre para tentar anular sessão da CPMI do INSS
A base governista decidiu acionar o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, para tentar invalidar a sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O colegiado aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Parlamentares alinhados ao governo sustentam que houve falhas procedimentais durante a condução da reunião, apontando supostas inconsistências no rito adotado para apreciação e votação dos requerimentos. Segundo integrantes da base, a deliberação não teria observado etapas regimentais consideradas essenciais, o que, na avaliação do grupo, comprometeria a validade da decisão. Diante do impasse, os governistas formalizaram recurso à Presidência do Congresso, instância responsável por zelar pelo cumprimento das normas legislativas em sessões conjuntas e comissões mistas. A estratégia busca suspender os efeitos da aprovação até que haja manifestação oficial sobre a legalidade do ato. Por outro lado, parlamentares da oposição defendem a legitimidade da sessão e afirmam que todos os procedimentos seguiram as regras previstas. Para esse grupo, a quebra de sigilo é instrumento fundamental para aprofundar as investigações e esclarecer eventuais responsabilidades. A CPMI do INSS foi instalada com o objetivo de apurar denúncias de irregularidades envolvendo benefícios previdenciários e possíveis desvios. O caso deve intensificar o embate político no Congresso nos próximos dias, com expectativa de novos questionamentos regimentais e disputas em torno dos rumos da investigação.
Rota Cultural Cuiabá leva música, lazer e protagonismo juvenil ao Pedra 90 nesta sexta-feira (27)
Projeto promove descentralização da cultura, fortalece economia local e transforma a Praça Ana Martinha da Silva em palco de integração comunitária A cultura vai ocupar o bairro Pedra 90 nesta sexta-feira (27), a partir das 18h, com a realização da quarta etapa da Rota Cultural Cuiabá. A iniciativa transforma a Praça Ana Martinha da Silva em um grande espaço de lazer a céu aberto, reunindo música, apresentações comunitárias, feira gastronômica e atividades para crianças, tudo com entrada gratuita. Promovido pelo Instituto Realize, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o projeto tem como proposta ampliar o acesso às atividades culturais e levar estrutura profissional de palco, som e iluminação aos bairros mais populosos da Capital. A ideia é valorizar os espaços públicos como ambientes de convivência segura e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade. Antes da principal atração musical da noite, o palco será dedicado às crianças e adolescentes do projeto “Jovens em Ação”, que apresentarão atividades culturais e esportivas. A participação dos jovens integra a proposta de dar visibilidade aos talentos locais e estimular o protagonismo da juventude, especialmente nas regiões periféricas. Segundo o presidente do Instituto Realize, Marcelo Carvalho, a escolha do Pedra 90 para receber a etapa tem caráter simbólico e estratégico. Ele destaca que o bairro, considerado um dos mais populosos de Cuiabá, possui forte identidade cultural e mobilização comunitária, o que reforça o objetivo do projeto de democratizar o acesso ao lazer e unir entretenimento, desenvolvimento social e geração de renda em um mesmo espaço. A programação segue com show da Banda Ellus Evolution, conhecida pelo repertório de lambadão e ritmos regionais que costumam atrair grande público. Paralelamente às apresentações, o evento contará com Feira Gastronômica e de Artesanato, oferecendo oportunidade para comerciantes locais ampliarem a renda e divulgarem seus produtos. Para garantir o conforto das famílias, a estrutura inclui espaço kids gratuito, com brinquedos e parquinho liberados para as crianças, ampliando o caráter inclusivo da iniciativa. Depois da etapa no Pedra 90, a Rota Cultural Cuiabá seguirá para os bairros Sol Nascente, no dia 13 de março, e Residencial Itapajé, em 27 de março, consolidando a proposta de circulação cultural por diferentes regiões da cidade.
Flávio Bolsonaro confirma Wellington Fagundes ao Governo e José Medeiros ao Senado; PL encerra especulações e define rumo em Mato Grosso
Por: Alex Rabelo — Jornalista e Estrategista Político O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colocou fim às dúvidas sobre o projeto do Partido Liberal em Mato Grosso para 2026. Durante coletiva em Brasília, o parlamentar confirmou oficialmente o senador Wellington Fagundes (PL) como pré-candidato ao Governo do Estado e o deputado federal José Medeiros (PL) como um dos nomes do partido na disputa ao Senado. A declaração não apenas valida os nomes, como também reorganiza o tabuleiro político estadual, encerrando especulações sobre possíveis composições alternativas. “Em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é nosso pré-candidato a governador. Ele está liderando as pesquisas”, afirmou Flávio. A fala é direta e estratégica: afasta qualquer possibilidade de apoio do PL à eventual pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) e consolida o protagonismo do partido na disputa majoritária. Aval nacional e alinhamento ideológico No caso do Senado, Flávio Bolsonaro reforçou que a escolha de José Medeiros não é recente e conta com respaldo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “O presidente Bolsonaro já tem um entendimento antigo de que um dos nossos pré-candidatos ao Senado é o Zé Medeiros. É um grande quadro, fiel, leal e preparado”, declarou. A declaração reforça o alinhamento ideológico do PL em Mato Grosso e demonstra que a montagem do palanque passa por critérios de fidelidade política e identidade com o projeto nacional da legenda. Repercussão e sinalização política Após a confirmação pública, Wellington Fagundes utilizou as redes sociais para reafirmar compromisso com o grupo político. “Seguimos juntos, com coragem, responsabilidade e compromisso com os valores que defendemos.” José Medeiros, por sua vez, destacou que aguardava a oficialização, já que vem estruturando sua pré-candidatura desde 2023. “Eu esperava essa confirmação. Agora é continuar trabalhando e ajudar a eleger o Flávio Bolsonaro.” A reação dos dois mostra que a definição já vinha sendo amadurecida internamente e agora ganha caráter oficial. Fator Janaina Riva e possíveis tensões No mesmo dia da confirmação, a Folha de S.Paulo revelou anotações atribuídas à cúpula nacional do PL mencionando a deputada estadual Janaina Riva (MDB), pré-candidata ao Senado e nora de Wellington Fagundes. Segundo o registro, ela “será candidata de qualquer jeito”. A eventual composição com o MDB, porém, enfrenta resistência da ala mais ideológica do PL, que vê o partido como distante do campo conservador. Esse ponto pode se tornar um dos principais focos de negociação nos próximos meses. Leitura estratégica do cenário Com a declaração de Flávio Bolsonaro, o PL antecipa o processo eleitoral e demonstra organização interna. A estratégia é clara: Consolidar Wellington como nome ao Governo com apoio nacional; Fortalecer Medeiros como representante do bolsonarismo ao Senado; Estruturar um palanque alinhado ao projeto presidencial. A movimentação sinaliza que o partido quer entrar na disputa com discurso unificado, evitando ruídos internos e disputas prematuras. Agora, o próximo passo será a construção das alianças regionais e a definição do desenho final da chapa. O jogo começou — e oficialmente.
Reforma tributária acende alerta sobre arrecadação municipal em encontro da AMM em MT
Prefeitos da região Centro-Sul de Mato Grosso são orientados a fortalecer receita própria até 2026 para evitar perdas no repasse do futuro IBS Os reflexos da reforma tributária nas finanças dos municípios mato-grossenses estiveram no centro dos debates realizados nesta quarta-feira (25), durante a sétima edição do programa AMM Itinerante, promovido pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Alto Garças. O encontro reuniu gestores da região Centro-Sul do estado para discutir os ajustes necessários diante da implantação do novo modelo tributário nacional. A coordenadora técnica da entidade, Waldna Fraga, destacou que o momento é decisivo para que as prefeituras adotem medidas capazes de evitar perdas de receita no processo de transição. Segundo ela, o fortalecimento da arrecadação própria até o fim de 2026 será determinante para ampliar a participação dos municípios no futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá tributos atuais e será consolidado até 2033. Um dos principais pontos de atenção é que o cálculo para distribuição do IBS considerará a média da arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) entre 2019 e 2026. Isso significa que este é o último ano estratégico para que os municípios implementem ações concretas de incremento da receita. Quanto maior o desempenho nesse período, maior tende a ser a fatia dos repasses no novo sistema. Entre as iniciativas recomendadas estão o aprimoramento da gestão tributária, a capacitação de equipes técnicas e a atualização do Código Tributário Municipal. A adesão e parametrização da Nota Fiscal Eletrônica, já implementada em todos os municípios de Mato Grosso, também foi citada como ferramenta essencial para garantir maior controle e eficiência na arrecadação. A AMM vem promovendo debates, seminários e reuniões técnicas nos últimos anos com o objetivo de preparar as administrações locais para as mudanças. A avaliação é de que a reforma terá impacto direto na autonomia financeira das prefeituras, exigindo planejamento, modernização e atuação estratégica por parte dos gestores municipais.
Janaina nega interesse em ser vice de Pivetta, afirma Max Russi
Presidente da ALMT diz que ouviu especulações apenas nos bastidores e descarta participação dele ou do Podemos em eventual articulação O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), afirmou que a deputada Janaina Riva (MDB) negou ter interesse em disputar como vice-governadora em uma eventual chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) nas próximas eleições ao Governo do Estado. Segundo Russi, não há qualquer confirmação oficial sobre a possível composição. Ele relatou que as informações chegaram apenas por meio de comentários de bastidores e da repercussão na imprensa. “De forma oficial, eu não ouvi nada nesse sentido. O que existe são conversas informais, comentários na imprensa e no meio político. A própria Janaina me negou que tenha esse interesse, e ela é a pessoa mais indicada para falar sobre isso”, declarou. A especulação ganhou força após notícia divulgada pelo portal MidiaNews, apontando que uma articulação política estaria sendo construída com apoio dos empresários Eraí Maggi e Blairo Maggi. O objetivo seria fortalecer o projeto eleitoral do grupo político e, ao mesmo tempo, abrir caminho para a reeleição ao Senado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD). Max Russi, no entanto, ressaltou que não participa de qualquer construção nesse sentido. Ele também assegurou que o Podemos, legenda à qual irá se filiar e assumir a presidência em Mato Grosso a partir de 7 de março, não está envolvido em tratativas para eventual composição de chapa. “Não sei se é vontade de alguns setores políticos do Estado ou se realmente existe uma construção maior. Se houver, posso garantir que eu não estou participando, nem o partido do qual passarei a fazer parte”, afirmou. Apesar de comentários sobre uma possível afinidade política entre Pivetta e Janaina, a eventual aliança é vista como complexa. Nos últimos meses, a deputada tem se posicionado como uma das principais vozes críticas à gestão do governador Mauro Mendes (União), considerado o principal apoiador da pré-candidatura de Pivetta ao Executivo estadual. O próprio governador já declarou à imprensa que considera pouco provável a formação de uma chapa com Janaina como vice. Enquanto isso, o cenário segue marcado por especulações e movimentações de bastidores, sem qualquer anúncio oficial sobre a composição eleitoral.
Senado aprova projeto de Wellington Fagundes que cria política nacional para resgate e manejo de animais em desastres
O Plenário do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25/02) o Projeto de Lei de autoria do senador Wellington Fagundes (PL/MT), que institui a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar). A proposta estabelece normas nacionais para proteção, resgate, acolhimento, manejo e destinação de animais domésticos e silvestres afetados por emergências, acidentes e desastres ambientais. O texto segue agora para sanção presidencial. A iniciativa cria um marco legal que padroniza protocolos e define responsabilidades entre União, estados, municípios e empreendedores, integrando a proteção animal às ações de defesa civil e gestão de riscos. O objetivo é garantir respostas coordenadas, evitar improvisos e ampliar a eficiência das operações em situações de calamidade. Segundo Wellington Fagundes, que é pré-candidato ao governo de Mato Grosso, a aprovação representa um avanço na consolidação de políticas públicas permanentes. “Não é apenas uma pauta de proteção animal. Estamos falando de valores, de saúde pública e de respeito à vida. Proteger os animais também significa prevenir zoonoses, evitar abandono e promover equilíbrio sanitário e social”, afirmou. Embora o foco da proposta seja o resgate e manejo em situações de emergência, o senador destacou que o crescimento de casos envolvendo animais no país reforça a necessidade de políticas estruturadas. Dados mencionados por ele, com base no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontam que os processos por maus-tratos passaram de 245, em 2020, para 4.919 em 2025 — aumento superior a 1.900%. Em Mato Grosso, apenas no primeiro semestre recente, foram registrados mais de 200 casos, crescimento superior a 36% em relação ao período anterior. A matéria foi relatada pelo senador Plínio Valério (PSDB/AM), que ressaltou a relevância da proposta diante de desastres recentes que evidenciaram lacunas normativas na proteção da fauna. “É inegável a relevância e a atualidade da proposição”, afirmou em parecer, defendendo a integração da proteção animal às políticas ambientais, de defesa civil e de segurança de barragens. Entre os principais pontos do texto aprovado está a criação de diretrizes nacionais para o resgate e acolhimento de animais, com exigência de equipes capacitadas, avaliação veterinária, medidas sanitárias e registro de dados para acompanhamento das ações. A proposta também estabelece competências específicas para cada ente federativo, incentivando atuação coordenada em situações emergenciais. O projeto ainda prevê obrigações para empreendedores responsáveis por atividades sujeitas a licenciamento ambiental, que deverão adotar medidas preventivas e reparadoras em caso de desastre, sob pena de responsabilização administrativa e penal. Além disso, promove alterações na legislação ambiental, incluindo a tipificação de crime para quem provocar desastre que prejudique a vida e o bem-estar de animais, e insere a proteção animal na Política Nacional de Segurança de Barragens. O texto reforça que, em operações de emergência, a preservação da vida humana permanece prioritária, assegurando equilíbrio entre a proteção animal e a segurança das equipes de resgate.
Poda emergencial interdita trecho da Rua Cândido Mariano nesta quinta-feira em Cuiabá
Queda de galhos deixou região central sem energia e com semáforos desligados; bloqueio começa às 9h e deve durar cerca de três horas Após a queda de galhos registrada na manhã de quarta-feira (25), que provocou interrupção no fornecimento de energia elétrica e o desligamento de semáforos na região central de Cuiabá, a Prefeitura anunciou a realização de uma ação emergencial de poda de árvores nesta quinta-feira (26). O serviço será executado pela concessionária Energisa e contará com apoio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública. Para garantir a segurança das equipes e da população, a Rua Cândido Mariano será totalmente interditada a partir das 9h, no trecho entre a Rua Barão de Melgaço e a Rua Pedro Celestino, na lateral do Palácio Alencastro, sede do Executivo municipal. Durante o período de interdição, o tráfego ficará bloqueado tanto para veículos quanto para pedestres. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em aproximadamente três horas, podendo se estender conforme a complexidade do serviço. A via será liberada imediatamente após o término da poda. Além do bloqueio, não será permitido estacionar ao longo do trecho interditado. A orientação da Prefeitura é para que motoristas busquem rotas alternativas e evitem a região no horário previsto para a intervenção. Segundo o município, a ação tem caráter preventivo e visa evitar novos transtornos, especialmente diante dos riscos causados pela queda de galhos em áreas de grande circulação. A administração municipal também informou que, a princípio, não há previsão de interrupção no fornecimento de energia elétrica, salvo eventual necessidade pontual para garantir a segurança das equipes técnicas.
Operação Tartufo mira facção por comércio ilegal de armas e envio de celulares a presídios em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Tartufo, com foco no desmantelamento de um grupo criminoso investigado por comércio ilegal de armas de fogo e pela introdução clandestina de celulares em unidades prisionais do Estado. A ofensiva é resultado de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que subsidiou a expedição de oito ordens judiciais pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) da Comarca de Cuiabá. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e em um galpão localizados em Cuiabá e Várzea Grande. As apurações começaram em 2023 e revelaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre os integrantes e atuação articulada dentro e fora do sistema penitenciário. Segundo a investigação, o principal alvo coordenava a venda ilegal de armamentos — entre pistolas e espingardas — e também gerenciava a logística para envio de celulares ao interior da Penitenciária Central do Estado (PCE). Outro investigado era responsável pelo transporte e ocultação dos aparelhos eletrônicos, enquanto um terceiro suspeito, mesmo preso, exercia papel de liderança dentro da unidade, apontado como integrante de facção criminosa com influência direta em seu raio de atuação no presídio. Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o uso de um drone sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O equipamento, adaptado com uma garra para transporte de objetos, teria realizado ao menos 67 voos, vários deles sobre a Penitenciária Central e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em horários compatíveis com apreensões de materiais ilícitos nas unidades. De acordo com o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelo caso, o trabalho investigativo envolveu análise de dados, monitoramento, inteligência policial e técnicas forenses especializadas ao longo de mais de dois anos. “Foi possível identificar um grupo que atuava de maneira discreta, com linguagem codificada, veículos adaptados com compartimentos ocultos e uso de tecnologia para evitar detecção”, afirmou. As prisões preventivas foram decretadas com base na garantia da ordem pública e na necessidade de assegurar a instrução criminal, com parecer favorável do Ministério Público. As buscas ocorreram em quatro residências e em um imóvel comercial ligado aos investigados. A operação contou ainda com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE). As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear o fluxo financeiro da organização e apurar a origem e o destino das armas comercializadas. Os investigados devem responder por comércio ilegal de arma de fogo, introdução clandestina de aparelho telefônico em estabelecimento prisional e integração à organização criminosa. O nome da operação, “Tartufo”, termo italiano que remete a algo escondido sob a terra, faz referência à forma velada de atuação do grupo, que buscava manter as atividades ilícitas longe da visibilidade das autoridades.
Polícia Civil deflagra 2ª fase da Operação Midnight contra facção envolvida em homicídio e ocultação de cadáver em São José do Xingu
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a segunda fase da Operação Midnight, com o cumprimento de 14 ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa investigada por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver no município de São José do Xingu. As determinações, expedidas pela Terceira Vara Criminal de Porto Alegre do Norte, incluem seis mandados de prisão — sendo três preventivas e três temporárias —, quatro mandados de busca e apreensão domiciliar e quatro quebras de sigilo telefônico. As diligências são realizadas em São José do Xingu, Porto Alegre do Norte e Água Boa. Os alvos são apontados como responsáveis pela morte de Marcos José Vieira Lima, conhecido como “Borel”, ocorrida em 25 de agosto de 2025. Conforme as investigações, a vítima teria sido submetida a um chamado “tribunal do crime”, prática comum em organizações criminosas, após ser acusada de traição interna. De acordo com a apuração policial, Marcos foi atraído até uma residência utilizada como ponto de apoio da facção sob o pretexto de consumo de entorpecentes. No local, após uma videochamada com lideranças do grupo, a execução teria sido autorizada. A motivação estaria relacionada a um episódio anterior, em que a vítima e uma liderança teriam participado de tortura contra outra pessoa, fato que resultou na prisão e condenação de ambos. Após o assassinato, o corpo teria sido transportado em uma motocicleta e ocultado em local ainda não identificado. Mesmo sem a localização do cadáver, a Polícia Civil afirma ter reunido provas suficientes para comprovar o homicídio e a participação de pelo menos seis envolvidos. As investigações tiveram início um dia após o crime, com a primeira fase da operação, e se estenderam por cerca de seis meses. Segundo o delegado responsável pelo caso, Onias Estevam Pereira Filho, a análise de dados telefônicos, relatórios técnicos, diligências de campo e depoimentos testemunhais foram fundamentais para consolidar o conjunto probatório apresentado ao Ministério Público e ao Judiciário. Além do homicídio, o grupo também é investigado por utilizar ações de assistencialismo como estratégia para ampliar sua influência na região. Entre as práticas identificadas está a distribuição de cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de fortalecer a imagem da facção e cooptar apoio comunitário. A Operação Midnight integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 e faz parte da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em todo o Estado.