Candidato ao Senado declarou patrimônio 38% menor que o informado em 2022; maior diferença está na avaliação da participação societária na Bipar Investimentos O candidato ao Senado por Mato Grosso e ex-governador Mauro Mendes (União) declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 67,18 milhões para as eleições de 2026. O valor é cerca de 38% inferior aos R$ 108,99 milhões informados por ele na eleição de 2022. As informações constam no DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral que reúne os dados apresentados pelos candidatos. Apesar da redução expressiva no patrimônio total declarado, Mendes informou essencialmente os mesmos bens registrados na eleição anterior. A principal diferença está na avaliação de sua participação na Bipar Investimentos Ltda., empresa que concentra a maior parcela de seu patrimônio. Neste ano, o ex-governador declarou possuir 75% do capital social da companhia, participação avaliada em R$ 63,75 milhões. Em 2022, o mesmo percentual havia sido declarado pelo valor de R$ 105,71 milhões. A alteração na avaliação da participação societária responde pela maior parte da diferença entre os patrimônios declarados nas duas eleições. Entre os demais bens informados por Mendes está uma casa localizada no condomínio Alphaville Cuiabá, avaliada em R$ 2,87 milhões. Ele também declarou um galpão de estrutura metálica situado na Rodovia dos Imigrantes, com valor informado de R$ 378,1 mil. A relação inclui ainda mais de R$ 154 mil aplicados no fundo de investimentos America P.E.V. e um terreno localizado no município de São Francisco, em Goiás, avaliado em R$ 24 mil. Suplentes O empresário Cidinho Santos (PP), primeiro suplente de Mauro Mendes, declarou patrimônio de R$ 8,21 milhões à Justiça Eleitoral. O principal item informado é uma participação de 48,08% na MC Empreendimentos & Participações Ltda., avaliada em R$ 3,78 milhões. Santos também declarou possuir 50% da Fazenda Bandeirantes, avaliada em R$ 2,11 milhões; 50% da Fazenda Alto da Serra, no valor de R$ 638,5 mil; e 50% da Fazenda São João II, avaliada em R$ 550 mil. Entre os demais bens estão mais de R$ 300 mil em previdência privada na Brasilprev e uma Toyota Hilux avaliada em R$ 185,2 mil. Já o segundo suplente, o empresário Elson Ramos (Podemos), declarou patrimônio de R$ 5,38 milhões. O maior bem informado é uma área rural de 539 hectares, avaliada em R$ 3,15 milhões. Ramos declarou ainda R$ 815 mil em aplicações financeiras no Banco Santander e outros R$ 361 mil mantidos em depósito na mesma instituição. Também consta na declaração outro imóvel rural, com mais de 470 hectares, avaliado em R$ 500 mil. As declarações de bens são apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e ficam disponíveis para consulta pública por meio do DivulgaCand.
Sinfra nega pagamento antecipado e diz que R$ 247,6 milhões do BRT correspondem a serviços executados
Estado afirma que não realizou pagamentos antecipados nas obras do BRT e informa que R$ 12 milhões já foram destinados à construção dos terminais A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) esclareceu que os pagamentos realizados nas obras do Bus Rapid Transit (BRT) em Mato Grosso estão vinculados à execução dos serviços previstos nos contratos. Segundo a pasta, não houve antecipação de recursos para a realização das obras. A manifestação ocorre após questionamentos sobre a forma de pagamento dos contratos. De acordo com a Sinfra, em dezembro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) autorizou, em caráter excepcional, a possibilidade de antecipação de valores exclusivamente para a aquisição de equipamentos destinados às estações do sistema. Apesar da autorização, o Estado afirma que não efetuou nenhum pagamento antecipado. Conforme os registros oficiais, todos os desembolsos realizados pelo Governo de Mato Grosso seguem os procedimentos administrativos estabelecidos pela legislação e são lançados nos sistemas públicos, permitindo a fiscalização pelos órgãos de controle e o acompanhamento pela sociedade. A Sinfra informa ainda que, até o momento, R$ 12 milhões foram destinados pelo Governo do Estado à execução das obras de construção dos terminais do BRT. Considerando o conjunto dos contratos relacionados à implantação do sistema, os pagamentos já somam R$ 247,6 milhões. A secretaria ressalta que os valores correspondem a serviços efetivamente executados e medidos, conforme as obrigações previstas nos contratos. O montante representa aproximadamente 25% dos recursos obtidos com a venda dos equipamentos que integravam o antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Segundo a Sinfra, portanto, os pagamentos realizados no atual projeto do BRT estão vinculados ao andamento e à execução das etapas contratadas, sem antecipação de recursos para obras ainda não realizadas.
Campanha ‘Não é Não’ contra assédio e violência em estabelecimentos de Várzea Grande
O Programa de Proteção e Defesa dos Direitos dos Consumidores de Várzea Grande (Procon-VG), em parceria com o Procon Estadual, realiza ações de conscientização e orientação dentro do programa “Não é Não”, campanha voltada ao combate ao assédio sexual, à importunação e à violência contra as mulheres em locais públicos. A iniciativa integra as ações do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Nesta quinta-feira (13.08), a equipe de fiscalização estará na região central de Várzea Grande com o objetivo de orientar e conscientizar empresários e a população sobre medidas de prevenção e combate à violência e ao constrangimento contra as mulheres em estabelecimentos comerciais, casas de shows, bares, restaurantes e academias. Conforme a coordenadora do Procon-VG, Carolina Moreira, a ação possui caráter educativo e preventivo e busca estimular a adequação voluntária dos estabelecimentos às exigências legais, promover ambientes mais seguros para as mulheres e fortalecer a cultura do respeito, da prevenção e da responsabilidade social. “Também abrangeremos, posteriormente, essas ações orientativas em outros pontos da cidade. Estamos simplesmente orientando sobre as principais obrigações previstas nas legislações federal, estadual e municipal, dentre elas a divulgação do protocolo e a adoção de procedimentos de acolhimento às vítimas, o acionamento dos órgãos de segurança, quando necessário, e a preservação das imagens de videomonitoramento, entre outras medidas previstas em lei”, explicou Moreira.
Incêndio mobiliza Bombeiros após chamas atingirem residência
Moradores tentaram conter as chamas com uma mangueira antes da chegada da equipe; fogo foi controlado e ninguém ficou ferido. Um incêndio em uma residência mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) na tarde desta quinta-feira (13.8), no bairro Centro, em Primavera do Leste (234 km de Cuiabá). A ocorrência foi atendida por militares da 6ª Companhia Independente Bombeiro Militar (6ª CIBM), acionados por volta das 15h. Quando chegaram ao endereço, os bombeiros encontraram moradores tentando conter as chamas com uma mangueira de jardim. Diante da situação, a equipe assumiu o combate e iniciou imediatamente os procedimentos para controlar o incêndio e preservar a segurança das pessoas que estavam no imóvel. Após a atuação dos militares, o fogo foi completamente controlado. Na sequência, os bombeiros realizaram o rescaldo, trabalho destinado a eliminar possíveis focos de calor e evitar que as chamas voltassem a se espalhar. Apesar do susto e dos danos provocados pelo incêndio, não houve registro de pessoas feridas. As circunstâncias que deram início ao fogo ainda não foram informadas.
Combustíveis terão fiscalização reforçada contra fraudes e adulterações
Nova resolução do CNPE amplia controle sobre postos e demais agentes do setor, exige registros eletrônicos de estoques, preços e operações e prevê maior integração entre órgãos de fiscalização O mercado de combustíveis terá novas regras para combater fraudes, adulterações e irregularidades em toda a cadeia de comercialização. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou nesta sexta-feira (14), no Diário Oficial da União, uma resolução que determina o reforço da fiscalização realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As medidas abrangem desde a produção e importação até a distribuição e a revenda de combustíveis. A proposta é ampliar a capacidade de identificação de irregularidades por meio de fiscalizações presenciais e remotas, uso de ferramentas tecnológicas, análise de risco e compartilhamento de informações entre diferentes órgãos públicos. Uma das principais mudanças estabelece que os postos deverão manter registros eletrônicos certificados de estoques, preços e movimentações de compra e venda. A exigência busca aumentar a rastreabilidade das operações e permitir que a ANP acompanhe com mais precisão a movimentação dos produtos comercializados. A resolução também prevê um controle mais rigoroso sobre as empresas autorizadas a atuar no setor. A intenção é evitar que agentes mantenham credenciamentos ou autorizações sem exercer efetivamente as atividades para as quais foram habilitados. No caso das importações, os pedidos de licença poderão ser submetidos a análises mais detalhadas. Solicitações poderão ser rejeitadas quando forem identificados indícios de fraude, adulteração ou inconsistências nas informações apresentadas pelos responsáveis pelas operações. O combate às irregularidades também deverá contar com uma atuação integrada entre a ANP e outros órgãos, incluindo Procons, Ministérios Públicos, polícias, secretarias de Fazenda e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A cooperação pretende ampliar o cruzamento de informações e tornar mais eficiente a identificação de práticas ilegais. Pelas novas regras, a ANP também deverá divulgar periodicamente os resultados das fiscalizações e encaminhar relatórios anuais ao CNPE. A maior parte das medidas deverá ser implementada pela agência no prazo de até 360 dias. Com o reforço da fiscalização e a digitalização de informações, o governo pretende aumentar o controle sobre o setor, dificultar a atuação de empresas irregulares e ampliar a transparência nas operações envolvendo combustíveis.
TJ-MT derruba votação secreta da AL e manda deputados reanalisarem veto a reajuste de servidores
Tribunal considerou irregular a sessão de dezembro de 2025 e determinou que a Assembleia Legislativa volte a analisar o veto ao reajuste de 6,8% dos servidores do Judiciário, desta vez em votação aberta. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) determinou que a Assembleia Legislativa refaça a votação que, em dezembro do ano passado, manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que previa reajuste de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. O entendimento foi firmado de forma unânime pelos desembargadores da Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo. A decisão, relatada pelo desembargador Márcio Vidal, foi publicada nesta quinta-feira (13) e considera irregular o procedimento adotado pelos deputados na ocasião. O veto havia sido mantido por 12 votos a 10, em uma votação secreta. A discussão chegou ao Judiciário por iniciativa do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat). A entidade sustentou que a regra utilizada pela Assembleia não poderia prevalecer diante dos princípios estabelecidos pela Constituição Federal, especialmente aqueles relacionados à transparência e à publicidade dos atos parlamentares. Ao analisar o caso, o TJ-MT entendeu que a apreciação de vetos não deve ocorrer sob sigilo. Para os desembargadores, os parlamentares precisam ter seus votos conhecidos pela sociedade, já que decisões dessa natureza integram o exercício da representação política. Na avaliação do relator, manter o caráter secreto da votação impediria que os cidadãos acompanhassem de maneira efetiva a atuação de seus representantes. O princípio da publicidade, segundo o entendimento apresentado no julgamento, é fundamental para permitir a fiscalização da atividade legislativa. A decisão, no entanto, não significa que o reajuste de 6,8% tenha sido aprovado. O Tribunal não entrou no mérito da escolha que deverá ser feita pelos deputados. O que foi invalidado foi a votação realizada em dezembro, cabendo agora ao Legislativo decidir novamente sobre o veto. Com isso, a Assembleia Legislativa terá de colocar a matéria novamente em pauta e realizar uma nova votação, desta vez de forma aberta e nominal. A medida deverá ser conduzida pela Presidência da Casa, atualmente ocupada pelo deputado Max Russi (Podemos). O julgamento também reforçou os limites da atuação do Poder Judiciário diante de decisões políticas do Legislativo. Conforme o acórdão, cabe exclusivamente aos deputados decidir se o veto será mantido ou rejeitado. Ao Tribunal compete apenas assegurar que essa decisão seja tomada dentro das normas constitucionais. A nova apreciação deverá permitir que a população conheça individualmente a posição de cada parlamentar sobre o veto que impede, até o momento, a concessão do reajuste aos servidores do Judiciário. nto da sociedade.
Confronto com a PM deixa quatro mortos e um ferido grave em Pontes e Lacerda
Cinco suspeitos foram baleados durante ação da Força Tática e da Rotam; quatro morreram no hospital e um permanece internado em estado grave Um confronto entre policiais militares e suspeitos de envolvimento com uma organização criminosa terminou com quatro mortos e um ferido na noite de quinta-feira (13), no Residencial Glória, em Pontes e Lacerda (448 km a oeste de Cuiabá). A ocorrência envolveu equipes da Força Tática do 12º Comando Regional e do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), que realizavam patrulhamento na região após receberem denúncias sobre a possível atuação de integrantes de um grupo criminoso. Durante as diligências, os policiais se aproximaram de uma edificação indicada nas informações recebidas e, segundo a Polícia Militar, foram surpreendidos por disparos de arma de fogo. As equipes reagiram e teve início uma intensa troca de tiros em uma área residencial. Cinco suspeitos foram atingidos durante o confronto. Eles receberam os primeiros atendimentos das próprias guarnições e foram encaminhados ao Hospital Vale do Guaporé. Quatro deles não resistiram aos ferimentos e tiveram as mortes confirmadas na unidade de saúde. O quinto permanece internado em estado grave. Nenhum policial militar ficou ferido durante a ação. Após o confronto, equipes da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) estiveram no local para realizar os procedimentos periciais, incluindo o levantamento da cena e a coleta de projéteis, armas e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias do confronto, identificar oficialmente os mortos e apurar a possível relação dos suspeitos com uma organização criminosa que estaria atuando na região Oeste de Mato Grosso.
Wellington fortalece chapa com “Rei do Porco” e chega à largada como favorito na disputa pelo Governo de MT
Indicação de Reinaldo Moraes aproxima candidatura do agro e reforça ligação com o bolsonarismo; para o jornalista e estrategista político Alex Rabelo, composição entrega a Wellington uma peça importante para ampliar sua competitividade A movimentação em torno da escolha do empresário Reinaldo Moraes, o “Rei do Porco”, para ocupar a vice de Wellington Fagundes (PL) acrescenta um novo componente à disputa pelo Governo de Mato Grosso justamente às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. Indicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Reinaldo reúne características consideradas estratégicas para a composição: é empresário, possui forte ligação com o setor produtivo e mantém relação política histórica com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A possível composição acontece em um momento eleitoral favorável a Wellington. Pesquisa Real Time Big Data realizada entre 7 e 11 de agosto coloca o senador na liderança, com 34% das intenções de voto, contra 26% do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A diferença é de oito pontos percentuais. Além da vantagem nas intenções de voto, outro dado chama atenção: a rejeição. Pivetta aparece com 38%, enquanto Wellington registra 30%. Os números não definem a eleição, mas mostram o tamanho dos desafios e oportunidades de cada candidatura no momento em que a campanha começa efetivamente a chegar às ruas. Reinaldo pode entregar a Wellington uma ponte com o agro A escolha do “Rei do Porco” não deve ser analisada apenas pelo aspecto partidário. Em Mato Grosso, onde o agronegócio ocupa posição central na economia, a presença de um empresário identificado com o setor produtivo pode ampliar a capacidade de interlocução da chapa com produtores, empresários e lideranças do interior. Reinaldo já possui experiência eleitoral. Em 2020, disputou a eleição suplementar para o Senado e, posteriormente, participou das articulações políticas ligadas à campanha de Jair Bolsonaro em Mato Grosso. Sua indicação por Michelle Bolsonaro acrescenta ainda um componente nacional à construção da chapa. Para Wellington, portanto, a escolha pode cumprir duas funções simultaneamente: fortalecer sua relação com o bolsonarismo e ampliar sua conexão com o setor produtivo. ANÁLISE | Por Alex Rabelo Jornalista e estrategista político Na minha análise, a chegada de Reinaldo Moraes pode ser um dos movimentos mais importantes realizados por Wellington Fagundes até agora. Wellington já possui experiência, estrutura partidária, capilaridade no interior e lidera a pesquisa mais recente. O que essa composição pode acrescentar é uma presença ainda mais forte em um grupo fundamental para qualquer candidatura ao Governo de Mato Grosso: o agro. Reinaldo não chega apenas para preencher uma vaga. Ele carrega a imagem do empresário, do produtor e de alguém que possui relação consolidada com o bolsonarismo. Isso pode fortalecer a candidatura em duas frentes ao mesmo tempo. A primeira é o setor produtivo. A segunda é justamente a base mais identificada com Jair Bolsonaro, que vinha observando com atenção as últimas movimentações de Wellington. A indicação feita por Michelle Bolsonaro também possui uma simbologia política muito forte. Wellington tem procurado demonstrar sua lealdade e seu alinhamento ao projeto político liderado pela família Bolsonaro, e aceitar um nome diretamente ligado a esse grupo ajuda a reforçar essa mensagem. O grande problema de Pivetta está nos números Do outro lado existe um dado que, na minha avaliação, merece atenção especial. Pivetta tem 26% de intenção de voto e 38% de rejeição. Quando cruzamos esses números, encontramos um dos principais desafios de sua candidatura. Existe uma parcela expressiva do eleitorado que já conhece Pivetta e afirma que não votaria nele. Ao mesmo tempo, a administração estadual possui avaliação positiva entre parcela significativa da população. É aí que aparece um paradoxo político importante. O eleitor pode aprovar o governo e, ainda assim, não enxergar automaticamente em Pivetta o candidato que deseja escolher para comandar Mato Grosso nos próximos quatro anos. Esse é um ponto fundamental. Pivetta precisa conseguir transformar a avaliação da administração em voto pessoal. Até agora, olhando exclusivamente para a fotografia apresentada pelas pesquisas, essa transferência não aconteceu na intensidade necessária para colocá-lo na liderança. A continuidade de Mauro Mendes não é automática Pivetta possui uma vantagem importante: está no Governo e representa politicamente a continuidade de uma administração que mantém avaliação relevante. Mas existe uma diferença entre herdar um governo e herdar seus votos. Esse talvez seja o maior desafio de Pivetta. Para vencer, não basta dizer que representa a continuidade de Mauro Mendes. Ele precisará convencer o eleitor de que possui liderança, identidade e características próprias para comandar Mato Grosso. E a rejeição de 38% acende um sinal de alerta. Reduzir rejeição costuma ser uma tarefa mais complexa do que simplesmente aumentar conhecimento ou intenção de voto. Pivetta terá que utilizar a campanha para quebrar resistências e construir uma conexão pessoal com o eleitor. Hoje, Wellington pode ser o próximo governador É importante fazer uma ressalva. Política muda muito rápido. Uma eleição não é decidida por uma pesquisa realizada antes do início efetivo da campanha. Teremos propaganda eleitoral, debates, entrevistas, redes sociais, apoios nacionais, caminhadas, erros e acertos das campanhas. Tudo isso poderá mudar completamente o cenário. Portanto, seria irresponsável afirmar hoje quem será eleito governador. Mas análise política precisa interpretar a fotografia disponível. E, se a eleição fosse analisada neste momento pelos números apresentados, Wellington Fagundes é o candidato que aparece melhor posicionado para chegar ao Governo de Mato Grosso. Ele lidera com 34%, possui rejeição inferior à de seu principal adversário e agora busca fortalecer sua chapa com um nome ligado ao agro e ao núcleo bolsonarista. Isso não significa vitória antecipada. Significa vantagem política na largada. A eleição começa agora A partir de 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral e uma nova eleição começa dentro da própria eleição. É nesse momento que veremos se Wellington conseguirá transformar sua liderança em consolidação. Também veremos se Pivetta conseguirá utilizar a aprovação administrativa para crescer eleitoralmente e, principalmente, diminuir sua rejeição. Hoje, porém, o tabuleiro apresenta uma configuração interessante. Wellington tem os números. Pivetta tem a máquina e a continuidade administrativa. E Reinaldo Moraes pode entregar a Wellington uma conexão ainda maior
STF mantém leis de MT e RO sobre Moratória da Soja e encerra processos por cartel
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (12), manter a validade das leis de Mato Grosso e Rondônia que restringem benefícios públicos a empresas participantes da Moratória da Soja. Por maioria, os ministros consideraram constitucionais as normas estaduais e também afastaram a caracterização do acordo privado como cartel. A decisão foi tomada no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774 e 7775, que questionavam as leis nº 12.709/2024, de Mato Grosso, e nº 5.837/2024, de Rondônia. Com o entendimento do STF, permanecem em vigor as restrições previstas pelas legislações estaduais, que já provocaram mudanças na adesão de empresas à Moratória da Soja em Mato Grosso. Além disso, a Corte determinou o encerramento de processos judiciais e administrativos relacionados à possível existência de práticas anticoncorrenciais no acordo. Entre eles está um procedimento que tramitava no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) envolvendo tradings participantes da Moratória. A Moratória da Soja é um acordo privado firmado entre empresas compradoras e organizações da sociedade civil para impedir a comercialização de soja produzida em áreas da Amazônia Legal desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmatamento tenha ocorrido dentro dos parâmetros permitidos pela legislação brasileira. O mecanismo é coordenado pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS), que reúne empresas, cooperativas, cerealistas, representantes do poder público e organizações da sociedade civil. O julgamento do STF tratou justamente da relação entre esse acordo privado e as leis estaduais que passaram a limitar benefícios públicos para empresas que adotam mecanismos semelhantes. Na avaliação da maioria dos ministros, porém, a Moratória não configura cartel. O entendimento foi acompanhado por Flávio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Ficaram vencidos Dias Toffoli, André Mendonça e Luiz Fux. O ministro Kassio Nunes Marques não participou do julgamento. O caso havia sido interrompido em março e encaminhado ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF para uma tentativa de conciliação entre as partes. Como não houve acordo, o julgamento foi retomado pelo plenário. A decisão, no entanto, gerou ressalvas por parte da Aprosoja Mato Grosso. A entidade comemorou a manutenção das leis estaduais, mas contestou a extinção dos processos que investigavam possíveis efeitos concorrenciais da Moratória. Segundo a entidade, a análise sobre eventual existência de ilícitos concorrenciais deveria ser conduzida pelo Cade, com investigação própria, produção de provas e avaliação das práticas adotadas pelas empresas envolvidas. A Aprosoja também afirmou que pretende analisar as medidas jurídicas disponíveis para tentar reverter esse ponto da decisão e preservar a possibilidade de produtores que se considerem prejudicados buscarem eventual reparação. Com o julgamento, o STF encerra a discussão sobre a constitucionalidade das leis estaduais e, ao mesmo tempo, afasta, no âmbito desses processos, a acusação de que a Moratória da Soja constitua cartel.
Cuiabá e Várzea Grande liberam vacina contra a influenza para o público geral
Medida começa nesta quarta-feira (12) e permite que moradores procurem as unidades de saúde para se imunizar; Cuiabá também reforça a vacinação diante do aumento de casos da doença Várzea Grande ampliou, a partir desta quarta-feira (12), a vacinação contra a influenza para toda a população. A medida foi autorizada após alinhamento entre a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (COSEMS-MT) e os municípios, durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB-MT) realizada na semana passada. A decisão ocorre em um cenário de baixa adesão à vacinação entre os grupos prioritários e de circulação de vírus respiratórios na região. Em Várzea Grande, a Secretaria Municipal de Saúde informou que possui aproximadamente 35 mil doses disponíveis em estoque e decidiu ampliar o acesso ao imunizante sem comprometer o atendimento dos públicos prioritários. Desde o início da vacinação dos grupos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), em abril, o município recebeu mais de 65 mil doses do Ministério da Saúde. Mais de 30 mil já foram distribuídas para a rede municipal. Com a nova estratégia, qualquer morador pode procurar uma Unidade de Saúde da Família (USF) para receber a vacina, mas a orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, pessoas com 60 anos ou mais e os demais públicos prioritários continuem tendo atendimento garantido. A secretária municipal de Saúde, Valéria Nogueira, afirma que a ampliação será acompanhada de forma permanente pelas equipes técnicas. Segundo ela, a prioridade é aumentar a proteção da população sem reduzir a oferta para quem apresenta maior risco de desenvolver complicações em decorrência da gripe. “Nossa prioridade é garantir que crianças, gestantes, idosos e os demais grupos definidos pelo Ministério da Saúde continuem tendo acesso à vacina. A equipe técnica fará o acompanhamento permanente do estoque e da demanda para que a estratégia seja segura e organizada”, afirmou. Os números da vacinação mostram o desafio enfrentado pelo município. Conforme dados registrados no InformeSUS, 24.695 pessoas dos grupos prioritários haviam sido vacinadas entre abril e julho, correspondendo a 36,22% de cobertura. O percentual está abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para os públicos contemplados pela estratégia. A baixa procura também levou a Secretaria Municipal de Saúde a intensificar ações de busca ativa. As equipes têm levado a vacinação para escolas, empresas, faculdades, unidades hospitalares e ações sociais, numa tentativa de alcançar moradores que ainda não procuraram os postos. A superintendente de Atenção Primária à Saúde, Nathalya Rondon, relata que a resistência de alguns pais à vacinação de crianças continua sendo um dos obstáculos para elevar os índices de cobertura. “Quando realizamos ações nas escolas, percebemos resistência de alguns pais em autorizar que os filhos sejam imunizados, alegando diversas justificativas”, explicou. A gestora citou ainda o Decreto nº 75, publicado pela prefeita em 29 de julho de 2026, que busca fortalecer a atuação conjunta das secretarias municipais de Saúde e Educação para ampliar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes da educação infantil e do ensino fundamental. Cenário preocupa também em Cuiabá Na vizinha Cuiabá, a vacinação contra a influenza também vem sendo reforçada pela Secretaria Municipal de Saúde diante do crescimento dos casos. Dados divulgados pela prefeitura apontaram aumento de 74,02% nos registros de influenza A e B entre as semanas epidemiológicas 1 e 25 de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Entre os moradores da capital, foram 1.742 casos no período analisado. As crianças de zero a seis anos aparecem entre as faixas etárias mais atingidas. Em outro levantamento divulgado pela prefeitura, referente ao período de janeiro a maio, Cuiabá registrava 1.454 casos de influenza entre moradores, contra 290 no mesmo intervalo de 2025, um crescimento de 401,63%. A capital mantém a vacina disponível nas 72 Unidades de Saúde da Família para os grupos prioritários e vem promovendo mobilizações para ampliar a cobertura. Em junho, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a cobertura entre os públicos de rotina estava em 33,45%, enquanto os casos de influenza A e B já apresentavam crescimento expressivo. Em abril, durante a preparação do Dia D de vacinação, a Prefeitura de Cuiabá informou que a ampliação para a população em geral ocorreria de maneira gradual, conforme o envio de doses pelo Ministério da Saúde e a logística nacional. O cenário nas duas maiores cidades da Baixada Cuiabana reforça a importância da vacinação como estratégia de prevenção, especialmente diante da circulação dos vírus respiratórios. A imunização reduz o risco de complicações, internações e mortes provocadas pela influenza. Dia D será realizado em 22 de agosto Em Várzea Grande, a mobilização terá um novo reforço no dia 22 de agosto, durante o Dia D Nacional de Vacinação. Todas as Unidades de Saúde da Família estarão preparadas para atender a população das 8h às 16h45. Além da vacina contra a influenza, os moradores poderão aproveitar a mobilização para verificar a situação da caderneta e atualizar outros imunizantes disponíveis na rede municipal. A Vigilância em Saúde orienta que os moradores procurem a unidade mais próxima e aproveitem a ampliação para colocar a vacinação em dia. O estoque e a procura pelas doses serão monitorados diariamente pela Secretaria Municipal de Saúde durante o período de abertura para o público geral. A vacina contra a influenza permanece como parte da rotina de imunização para crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, além dos demais grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.