Eleitor terá seis votos para cinco cargos no dia 4 de outubro; entender as responsabilidades de deputados, senadores, governador e presidente ajuda a fazer uma escolha mais consciente
As eleições de 2026 vão muito além da escolha de um presidente ou governador. No dia 4 de outubro, cada eleitor terá a responsabilidade de escolher representantes que tomarão decisões diretamente relacionadas à saúde, educação, segurança, infraestrutura, geração de empregos, orçamento público e criação de leis.
Serão seis votos para cinco cargos, porque neste ano cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado.
E existe um detalhe importante: cada cargo possui funções diferentes. Um deputado estadual não tem as mesmas atribuições de um governador. Um senador não exerce a mesma função de um deputado federal. E nem mesmo o presidente da República pode decidir tudo sozinho.
Por isso, antes de escolher um candidato, é fundamental entender o que ele realmente poderá fazer caso seja eleito.
Qual será a ordem de votação?
Na urna eletrônica, o eleitor encontrará os cargos nesta sequência:
- Deputado estadual – 5 números
- Deputado federal – 4 números
- Senador – 3 números
- Senador – 3 números
- Governador – 2 números
- Presidente – 2 números
Como são seis escolhas, uma recomendação simples é levar os números anotados para evitar confusão na hora da votação.
Deputado estadual: quem representa você dentro de Mato Grosso
O primeiro voto será para deputado estadual. Mato Grosso possui 24 cadeiras na Assembleia Legislativa.
De forma simples, o deputado estadual é responsável por representar a população no Poder Legislativo estadual.
Ele pode apresentar, discutir e votar projetos de lei dentro das competências do Estado, fiscalizar o Governo, acompanhar a aplicação dos recursos públicos, analisar o orçamento estadual e apresentar emendas parlamentares.
É também na Assembleia que passam decisões importantes relacionadas às políticas estaduais.
Por isso, quando um candidato a deputado estadual promete alguma coisa, o eleitor precisa fazer uma pergunta básica: isso realmente está entre as atribuições de um deputado?
Deputado não é prefeito e não é governador. Ele não administra diretamente hospitais, escolas ou rodovias. Mas pode legislar, fiscalizar, cobrar o Executivo, participar das decisões orçamentárias e destinar recursos por meio das emendas previstas em lei.
Deputado federal: a voz de Mato Grosso na Câmara dos Deputados
O segundo voto será para deputado federal.
Mato Grosso elege oito deputados federais, que integram a Câmara dos Deputados, em Brasília.
Eles participam da elaboração e votação das leis federais, fiscalizam o Governo Federal, analisam o Orçamento da União e participam de decisões que podem afetar todo o país.
Isso significa que temas nacionais envolvendo economia, tributação, segurança, saúde, educação, direitos, orçamento e funcionamento do Estado brasileiro passam, em diferentes situações, pela Câmara.
Também são os deputados federais que participam da análise de propostas de emenda à Constituição.
Por isso, escolher um deputado federal significa escolher quem Mato Grosso enviará para participar das grandes decisões nacionais.
Senador: em 2026 você poderá escolher dois
Aqui está uma das principais diferenças desta eleição.
Cada estado possui três senadores, mas os mandatos são de oito anos e a renovação ocorre alternadamente. Em 2026, estarão em disputa duas cadeiras por estado.
Por isso, o eleitor de Mato Grosso poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado.
O senador representa o Estado no Congresso Nacional e participa da elaboração e votação de leis, da fiscalização do Executivo e de decisões de grande relevância institucional.
O Senado possui ainda competências específicas, como analisar determinadas autoridades indicadas para cargos previstos na Constituição, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, Câmara e Senado precisam atuar conjuntamente em grande parte das decisões legislativas nacionais.
Ou seja: não basta olhar apenas para a disputa presidencial. A composição do Congresso pode facilitar, modificar ou impedir projetos defendidos por qualquer governo.
Governador: quem administra Mato Grosso
O quinto voto será para governador.
Aqui muda a natureza do cargo. Enquanto deputados e senadores pertencem ao Legislativo, o governador é o chefe do Poder Executivo estadual.
É ele quem comanda a administração do Estado e conduz políticas públicas estaduais.
Na prática, sua gestão tem impacto direto em áreas como segurança pública, hospitais e saúde estadual, escolas estaduais, infraestrutura e rodovias estaduais, investimentos e administração dos órgãos do Estado, respeitadas as competências estabelecidas pela Constituição.
Mas governador também não governa sozinho.
O orçamento passa pela Assembleia Legislativa, assim como projetos de lei que dependem da aprovação dos deputados. A Assembleia também possui a função de fiscalizar o Executivo.
Para ser eleito no primeiro turno, um candidato ao Governo precisa conquistar mais da metade dos votos válidos. Caso isso não aconteça, os dois mais votados disputam o segundo turno.
Presidente: governa o país, mas depende também do Congresso
O último voto será para presidente da República.
O presidente é o chefe do Poder Executivo federal e conduz a administração do Governo Federal.
Entre suas atribuições estão executar políticas públicas nacionais, administrar a estrutura federal, nomear ministros, sancionar ou vetar projetos aprovados pelo Congresso, comandar as Forças Armadas nos termos constitucionais e representar o Brasil internacionalmente.
Existe, porém, uma confusão comum: imaginar que o presidente pode fazer qualquer coisa sozinho.
Não pode.
Projetos de lei dependem do Congresso. O orçamento federal também passa pelos parlamentares. Medidas provisórias precisam ser analisadas pelo Legislativo para permanecerem válidas, e atos do poder público estão submetidos ao controle constitucional do Judiciário.
É justamente por isso que presidente, deputados e senadores precisam ser analisados pelo eleitor com a mesma atenção.
ANÁLISE | Alex Rabelo, jornalista e estrategista político
O voto precisa valer mais do que a “famosa ajudinha”
A eleição é o momento em que todos os candidatos procuram mostrar proximidade com o eleitor. Aparecem promessas, pedidos de apoio, discursos e, muitas vezes, aquela velha cultura da “famosa ajudinha”.
É justamente nesse momento que acredito que o eleitor precisa fazer uma reflexão.
Você está escolhendo alguém para resolver um problema de hoje ou um representante que poderá ajudar a melhorar a vida de milhares de pessoas durante os próximos quatro ou oito anos?
Uma ajuda pontual pode resolver uma necessidade momentânea. Um bom representante pode participar de decisões sobre milhões ou bilhões de reais em recursos públicos, fiscalizar governos, criar leis, destinar emendas e defender políticas capazes de beneficiar cidades e regiões inteiras.
Por isso, antes de votar, procure conhecer a história do candidato, suas propostas, sua experiência, quem está ao lado dele e, principalmente, se aquilo que promete realmente poderá cumprir dentro das atribuições do cargo.
Também é preciso fugir da lógica de votar apenas porque alguém ofereceu alguma vantagem pessoal ou fez um favor.
O voto não deveria ser tratado como moeda de troca.
Quando escolhemos mal um deputado, senador, governador ou presidente, as consequências não ficam apenas com quem votou. Elas atingem toda a sociedade.
E existe outro ponto que considero fundamental: não adianta cobrar do governador algo que é responsabilidade do município, exigir de um deputado uma função do Executivo ou imaginar que o presidente decide tudo sozinho.
Quanto mais o eleitor entende o papel de cada cargo, mais difícil fica ser convencido por promessas impossíveis.
Nas eleições de 2026, serão poucos minutos diante da urna para escolher pessoas que terão quatro ou oito anos de mandato.
Por isso, talvez a pergunta mais importante antes de apertar o botão “CONFIRMA” seja simples:
“Estou escolhendo este candidato pelo que ele pode fazer pela sociedade ou apenas pelo que fez por mim?”
Essa resposta pode fazer toda a diferença.
Por Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News


