Deputado federal diz que não foi alvo de busca e apreensão, contesta vínculos com fundos investigados e sustenta que a Casa Civil não participou do acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi, alvo de apuração da Polícia Federal.
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador de Mato Grosso, rebateu as suspeitas que o ligam à Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar supostas irregularidades no acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que não foi alvo de busca e apreensão e classificou como falsas as informações que o associam diretamente ao esquema investigado.
Garcia reconheceu que seu nome aparece na investigação, mas argumentou que as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) fazem parte da fase de apuração e não representam comprovação de qualquer crime. Segundo ele, não existe um único ato de sua autoria relacionado ao acordo firmado entre o Estado e a empresa de telefonia.
O deputado também negou que a Casa Civil, secretaria que comandou durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes, tenha participado das tratativas envolvendo a negociação. De acordo com Garcia, o processo nunca passou pela pasta e, por isso, não houve qualquer atuação de sua responsabilidade.
Outro ponto contestado pelo parlamentar é a suposta ligação com fundos de investimento citados na investigação da Polícia Federal. Ele afirmou possuir documentos que comprovariam que jamais foi acionista ou cotista das estruturas financeiras mencionadas na decisão judicial. Garcia ainda negou que seu pai tenha participação em um dos fundos investigados, classificando as informações como incorretas.
A investigação da PF aponta que recursos relacionados ao acordo com a Oi teriam circulado por diferentes fundos de investimento, entre eles Lotte Word FIDC, Golden Bird FIDC, Silver Bird FIDC, Geonix 95 FIM e Venture Finance FIDC. A decisão do ministro Flávio Dino autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de investigados, além do bloqueio de bens até o limite do valor considerado como possível prejuízo aos cofres públicos.
Na manifestação, Garcia também associou a divulgação das investigações ao cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, adversários políticos estariam utilizando o episódio para desgastar sua imagem e a de aliados. O discurso segue a mesma linha adotada pelo ex-governador Mauro Mendes, que também negou irregularidades e atribuiu a repercussão da operação a uma disputa política antecipada.
Ao encerrar o pronunciamento, o deputado afirmou que pretende apresentar documentos para contestar as suspeitas levantadas pela investigação e disse confiar que sua versão será comprovada ao longo do processo.
A Operação Heritage permanece em andamento. Além das quebras de sigilo e bloqueios patrimoniais, o STF autorizou outras medidas cautelares contra os investigados. A própria decisão ressalta que as providências têm caráter investigativo e não representam reconhecimento de culpa, cabendo à Polícia Federal aprofundar a apuração para confirmar ou descartar as hipóteses levantadas. Entre os alvos das cautelares estão familiares de Fábio Garcia, do ex-governador Mauro Mendes e do atual secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho.


