Senador afirma que déficit compromete combate ao crime organizado, violência contra a mulher e segurança nas cidades e fronteiras
A convocação de 283 policiais penais anunciada pelo Governo de Mato Grosso trouxe uma pergunta inevitável: será que esse número é suficiente para enfrentar os desafios da segurança pública no Estado?
Para o senador Wellington Fagundes (PL), a resposta é não.
Segundo dados oficiais, Mato Grosso convive atualmente com um déficit superior a 9 mil profissionais nas forças de segurança. O número inclui Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, revelando uma realidade que preocupa especialistas, autoridades e a população.
A situação mais crítica está na Polícia Militar. Dados do Lotacionograma da corporação, publicados no Diário Oficial do Estado (IOMAT), mostram que existem 13.384 cargos previstos em lei. No entanto, apenas 7.132 estão ocupados.
Na prática, faltam 6.252 policiais militares nas ruas.
Isso significa que quase metade do efetivo autorizado não existe hoje para atender a população.
Um Estado gigante com menos policiais do que precisa
O problema ganha ainda mais peso quando se observa o tamanho e a importância estratégica de Mato Grosso.
O Estado possui mais de 900 quilômetros de fronteira internacional, é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, movimenta milhões de toneladas de cargas por suas rodovias e enfrenta o avanço constante das facções criminosas.
Além disso, Mato Grosso aparece frequentemente entre os estados com os maiores índices de feminicídio do país, exigindo uma estrutura de segurança cada vez mais preparada.
Durante entrevista concedida à TV Senado nesta terça-feira (16), Wellington Fagundes afirmou que a convocação de 283 policiais penais é positiva, mas insuficiente diante da realidade enfrentada pelo Estado.
“A população quer segurança nas ruas, quer combate efetivo ao crime organizado e proteção para as famílias. O déficit continua enorme e precisa ser enfrentado com planejamento e ações permanentes”, afirmou.
Um policial faltando para cada policial em atividade
Ao comentar os números da Polícia Militar, Wellington chamou atenção para a gravidade da situação.
“Os dados oficiais mostram que faltam mais de seis mil policiais militares. Estamos falando de um déficit próximo de metade do efetivo previsto em lei. Em outras palavras, Mato Grosso tem praticamente um policial faltando para cada policial que está trabalhando”, destacou.
Segundo o senador, a falta de efetivo impacta diretamente a capacidade do Estado de combater o tráfico de drogas, o crime organizado, os roubos, furtos e a violência contra as mulheres.
Fronteira exige ação permanente
Wellington também defendeu uma atuação integrada entre os governos estadual e federal para fortalecer a segurança na faixa de fronteira.
Para ele, o combate ao tráfico internacional de drogas, armas e contrabando exige a participação conjunta das forças estaduais, Polícia Federal e Forças Armadas.
“Não adianta discutir de quem é a responsabilidade. O cidadão quer resultado. Quer ver o crime sendo combatido e sua família protegida”, afirmou.
Violência contra a mulher preocupa
Outro ponto destacado pelo senador foi o crescimento dos casos de feminicídio e violência doméstica.
Segundo Wellington, a falta de efetivo prejudica investigações, reduz a presença policial e dificulta a proteção das vítimas.
“Mato Grosso precisa investir em inteligência, tecnologia, valorização dos profissionais e recomposição dos quadros das forças de segurança. Não é apenas uma questão de números, mas de garantir proteção à população”, disse.
Reforço ou medida pontual?
Ao analisar a convocação dos 283 policiais penais, Wellington afirmou que a medida não resolve o problema estrutural da segurança pública mato-grossense.
Para ele, quando o déficit supera 9 mil profissionais, a população tem o direito de cobrar soluções mais amplas e permanentes.
“Quando o Estado possui um déficit superior a nove mil profissionais e anuncia a convocação de pouco mais de 280 servidores, é natural que a população questione se estamos diante de uma política pública efetiva ou apenas de uma ação pontual. Segurança pública exige planejamento, continuidade e compromisso com resultados”, concluiu.
Os números mostram que o desafio da segurança pública em Mato Grosso vai muito além de uma única convocação. Enquanto milhares de vagas seguem abertas, a população continua cobrando mais policiais nas ruas, maior combate ao crime organizado e respostas concretas para um dos temas que mais preocupam os mato-grossenses.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News


