O que era para ser apenas uma negociação milionária envolvendo uma Ferrari exclusiva acabou virando caso de polícia, disputa judicial e assunto nos bastidores do mercado de luxo brasileiro.
A história parece roteiro de filme:
uma Ferrari avaliada em cerca de R$ 4 milhões, um relógio de luxo supostamente avaliado em R$ 2,5 milhões, cheques milionários… e, no meio de tudo isso, acusações de golpe, relógio falsificado, cheques sem fundo e versões diferentes apresentadas à polícia.
O caso ganhou repercussão nacional após vir à tona que a negociação da Ferrari SF90 Stradale Assetto Fiorano — apontada como modelo único no Brasil com essas especificações — está sendo investigada pela Polícia Civil de São Paulo.
Segundo o empresário Leonardo Rodrigues, proprietário original do veículo, ele teria sido vítima de um golpe milionário.
A negociação aconteceu através de um intermediário conhecido do empresário, pessoa com quem, segundo ele, mantinha relação social há mais de dez anos.
A proposta parecia tentadora:
um relógio da marca Richard Mille, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de três cheques de R$ 600 mil cada.
Negócio fechado.
Ferrari entregue.
Mas foi aí que começaram os problemas.
RELÓGIO DE LUXO… MAS FALSO?
De acordo com a defesa do empresário, a suspeita começou logo após a conclusão do negócio.
O relógio foi encaminhado para avaliação especializada e, segundo o laudo apresentado, a peça seria falsificada.
Como se não bastasse, os três cheques entregues como parte do pagamento também teriam sido devolvidos por falta de fundos.
O prejuízo milionário levou o caso diretamente para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo.
VERSÕES DIFERENTES E INVESTIGAÇÃO DO COAF
Durante as investigações, outro detalhe começou a chamar atenção da polícia.
Segundo a defesa do proprietário da Ferrari, versões diferentes teriam sido apresentadas sobre como o pagamento aconteceu.
Em um momento, teria sido informado que determinados relógios haviam sido entregues ao intermediário para repasse ao dono do carro.
Depois, outra relação de itens teria sido apresentada.
Diante da complexidade do caso, a polícia solicitou inclusive informações financeiras ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para analisar movimentações ligadas aos investigados.
FERRARI BLOQUEADA E DISPUTA NA JUSTIÇA
Enquanto o inquérito segue em andamento, a disputa também foi parar na esfera cível.
O proprietário conseguiu na Justiça o bloqueio do veículo junto ao Detran, impedindo qualquer transferência até que haja comprovação definitiva do pagamento.
Apesar de o carro continuar registrado em nome do empresário, a Ferrari segue sob posse do comprador para “guarda e conservação”, conforme decisão judicial.
Mas a situação ganhou novo capítulo após a defesa alegar que o veículo estaria sendo utilizado normalmente e até emprestado a terceiros, o que poderia descumprir a decisão judicial.
UMA FERRARI RARA E UMA HISTÓRIA DIGNA DE CINEMA
A Ferrari envolvida na disputa é considerada uma raridade no mercado brasileiro.
O modelo SF90 Stradale Assetto Fiorano possui configuração extremamente exclusiva, fator que aumenta ainda mais seu valor e atrai atenção no universo de carros de luxo.
Agora, o que era apenas uma negociação milionária virou uma verdadeira batalha judicial e policial, cercada de acusações, versões divergentes e um enredo que mistura luxo, confiança, dinheiro e investigação.
Enquanto a polícia tenta esclarecer quem fala a verdade nessa história, uma coisa já ficou clara:
o caso ainda promete muitos capítulos.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News


