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Governo quer empréstimo de R$ 1,5 bilhão, mas próximo governador decidirá onde investir o dinheiro

Presidente da Assembleia afirma que recursos para construção de 60 mil moradias deverão ser executados apenas pela gestão que assumir o Palácio Paiaguás em 2027

A discussão sobre o empréstimo de R$ 1,5 bilhão solicitado pelo Governo de Mato Grosso ganhou um novo ingrediente político nesta semana. Pela primeira vez, uma das principais lideranças do Parlamento estadual admitiu publicamente que o dinheiro poderá ser administrado por um governador diferente daquele que está propondo a operação.

A declaração é do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), que afirmou que, devido ao calendário eleitoral e ao tempo necessário para conclusão da operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal, a aplicação dos recursos deverá ficar sob responsabilidade da próxima gestão estadual.

Na prática, isso significa que o governador eleito em 2026 poderá decidir como será executado um dos maiores financiamentos da história recente de Mato Grosso.

Empréstimo prevê financiamento para 60 mil moradias

O projeto foi encaminhado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e prevê a contratação de um financiamento de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal.

Segundo o Governo do Estado, os recursos serão destinados ao programa SER Família Habitação, que tem como meta ampliar a política habitacional e viabilizar a construção de aproximadamente 60 mil moradias populares em Mato Grosso.

A justificativa do Executivo é garantir recursos para o programa diante da previsão de redução na arrecadação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), preservando investimentos em outras áreas consideradas estratégicas.

“Quem assumir o governo vai definir como gastar”

Durante entrevista concedida à Rádio CBN Cuiabá, Max Russi afirmou que, mesmo com eventual aprovação da Assembleia Legislativa, a execução do financiamento deverá ocorrer somente após as eleições.

Segundo ele, caberá ao próximo governador definir as prioridades de investimento.

“Esse é um recurso que, até a aprovação — e agora a aprovação deve ocorrer após o período eleitoral — ficará para o próximo governo definir no que vai gastar, como vai gastar e a forma que vai fazer. Mas o governo, independentemente de quem seja, terá que fazer planejamento e acompanhar a execução desses investimentos.”

A declaração chama atenção porque parte da responsabilidade sobre a aplicação dos recursos poderá ficar com uma gestão diferente daquela que elaborou o projeto e buscou a autorização para contratar o empréstimo.

Projeto ainda depende da Assembleia

Antes de seguir para contratação junto à Caixa Econômica Federal, o projeto precisa ser aprovado pelos deputados estaduais.

Na última semana, a votação foi adiada após pedido de vista apresentado pelos deputados Lúdio Cabral (PT) e Valdir Barranco (PT), que solicitaram mais tempo para analisar os detalhes da operação de crédito.

A expectativa é que a proposta retorne à pauta da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (8).

Russi defende financiamento para habitação

Apesar do adiamento da votação, Max Russi declarou ser favorável à contratação do empréstimo.

Segundo o presidente da Assembleia, Mato Grosso possui um déficit habitacional significativo e a construção de moradias populares representa uma necessidade para milhares de famílias.

“Se falou na construção de moradias, eu, particularmente, defendo muito isso. Mato Grosso tem uma necessidade muito grande de moradia.”

O parlamentar também afirmou que considera legítima a iniciativa do Poder Executivo de buscar financiamento quando o Estado apresenta capacidade financeira para assumir a operação.

Empréstimo divide opiniões

Embora a base governista defenda a proposta como uma forma de ampliar os investimentos em habitação, parlamentares da oposição defendem uma análise mais aprofundada das condições do contrato e dos impactos financeiros que a operação poderá gerar para as próximas administrações.

O tema deve continuar sendo debatido nos próximos dias e promete se tornar um dos assuntos centrais da agenda política estadual.

Análise | Alex Rabelo

A declaração de Max Russi revela um aspecto que vai além da discussão sobre o valor do empréstimo. Ela traz para o centro do debate uma questão de planejamento de longo prazo.

Na prática, um financiamento dessa dimensão ultrapassa um mandato e exige continuidade administrativa. Independentemente de quem vença as eleições de 2026, será o próximo governador quem terá a responsabilidade de transformar esse recurso em obras, acompanhar a execução dos contratos e prestar contas dos resultados à população.

Sob a ótica da estratégia política e da gestão pública, essa talvez seja a decisão mais prudente. Grandes operações de crédito não podem estar vinculadas apenas ao calendário eleitoral, mas sim à capacidade do Estado de executar investimentos com planejamento, transparência e responsabilidade fiscal.

Mais do que discutir quem propôs o empréstimo, o desafio será acompanhar quem efetivamente entregará as moradias prometidas. No fim das contas, é esse resultado que será avaliado pela população.

Por: Alex Rabelo
Jornalista e estrategista político | MT Urgente News

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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