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Grupo de Mauro Mendes já questiona candidatura de Pivetta para 2026?

Por Alex Rabelo | MT Urgente

Até pouco tempo atrás, a sucessão do Governo de Mato Grosso parecia ter um roteiro praticamente pronto.

A estratégia construída pelo grupo liderado pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) indicava um caminho natural: Mauro deixaria o Palácio Paiaguás para disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiria definitivamente o comando do Estado e seguiria para a eleição como candidato da continuidade.

A lógica parecia perfeita.

Mauro encerraria o mandato com elevados índices de aprovação, entregaria um Estado equilibrado financeiramente, com grandes obras em andamento e uma gestão reconhecida nacionalmente. Pivetta herdaria essa estrutura e teria a missão de manter o projeto político iniciado em 2019.

Mas política raramente segue roteiros.

E os últimos acontecimentos mostram que o cenário pode estar se tornando mais complexo do que parecia há poucos meses.

Embora Mauro Mendes continue afirmando publicamente que seu candidato é Otaviano Pivetta, nos bastidores algumas perguntas passaram a surgir com mais frequência.

O atual governador em exercício está conseguindo manter unida a base construída por Mauro?

Ou melhor:

Será que o grupo governista continua enxergando Pivetta como o único caminho para manter o poder em 2026?

Ainda não existe nenhuma resposta oficial para essas perguntas.

Mas os fatos ocorridos nos últimos meses ajudam a explicar por que esse assunto começou a ganhar força entre deputados, prefeitos, lideranças partidárias e integrantes do próprio governo.

O primeiro desgaste veio justamente com quem pode decidir uma eleição

Toda campanha majoritária depende de uma grande rede de apoio.

Governador não vence eleição sozinho.

Precisa de deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos, vereadores e centenas de lideranças espalhadas pelos municípios.

São eles que levam a campanha para dentro das cidades.

São eles que apresentam o candidato ao eleitor.

São eles que defendem o governo quando surgem críticas.

E foi justamente esse grupo que passou a ser atingido pelas primeiras declarações de Pivetta.

Ao comentar o atual sistema de emendas parlamentares, o governador afirmou que parte desses recursos “evapora” e classificou o modelo como um verdadeiro “caldo malcheiroso”, defendendo mudanças profundas e até mesmo o fim desse mecanismo.

A fala repercutiu imediatamente.

Para muitos parlamentares, as emendas representam muito mais do que recursos públicos.

São elas que garantem ambulâncias para pequenos municípios.

Reformas de escolas.

Construção de pontes.

Aquisição de tratores.

Pavimentação de ruas.

Equipamentos hospitalares.

Kits agrícolas.

Praças.

Iluminação pública.

Na prática, são a principal ferramenta utilizada pelos deputados para apresentar resultados aos seus eleitores.

Quando o governador critica esse instrumento de forma tão dura, inevitavelmente acaba criando um desgaste com aqueles que dependem dessas entregas para manter sua base política.

Assembleia Legislativa manda um recado

O ambiente ficou ainda mais evidente dentro da Assembleia Legislativa.

Em uma das sessões mais comentadas do ano, o presidente da Casa, deputado Max Russi (Podemos), subiu à tribuna e disparou uma frase que rapidamente repercutiu em todo o Estado.

“Pare de mandar jabutis. Isso está parecendo sacanagem.”

O recado foi direcionado ao Executivo.

A crítica dizia respeito ao envio de projetos contendo matérias que não tinham relação direta com o tema principal ou que retiravam competências do Poder Legislativo.

O peso político da declaração chamou atenção.

Não partiu da oposição.

Partiu justamente do presidente da Assembleia, considerado um dos principais aliados do grupo liderado por Mauro Mendes.

Pouco tempo depois, outro fato reforçou que nem toda a base pensa mais da mesma forma.

Durante votação de um projeto do Executivo, 14 deputados estaduais votaram contra a proposta do Governo.

Em qualquer governo, derrotas fazem parte da política.

Mas quando elas começam a ocorrer entre aliados, o sinal passa a ser observado com atenção.

Declaração sobre Wellington Fagundes amplia desgaste

Outro episódio que ganhou repercussão nacional envolveu o senador Wellington Fagundes (PL).

Ao comentar o perfil dos pré-candidatos ao Governo, Pivetta afirmou que não acreditava que a terceira idade fosse o momento ideal para alguém iniciar uma experiência administrativa.

Embora não tenha citado diretamente Wellington, a referência foi imediatamente interpretada como direcionada ao senador.

A resposta veio rapidamente.

Wellington classificou a fala como preconceituosa e afirmou que idade jamais pode ser utilizada para desqualificar qualquer candidatura.

O debate saiu do campo político e passou a envolver especialistas, entidades e discussões sobre etarismo.

Caso Seaf também provoca desconforto

Outro episódio importante envolveu as investigações sobre convênios da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf).

O próprio Governo encaminhou informações às autoridades para apuração de possíveis irregularidades envolvendo aproximadamente R$ 28 milhões em recursos oriundos de emendas parlamentares.

O combate à corrupção foi amplamente defendido.

Por outro lado, a investigação acabou alcançando diversos parlamentares da própria base do Governo, ampliando o desconforto político dentro da Assembleia.

O estilo de Pivetta é diferente do de Mauro

Talvez este seja o ponto mais comentado nos bastidores.

Mauro Mendes construiu sua liderança conciliando firmeza administrativa com intensa articulação política.

Negociava, Conversava, Media conflitos, Construía consensos., Pivetta demonstra um perfil diferente, Mais técnico, Mais objetivo, Mais direto.

E menos preocupado com o desgaste político que determinadas decisões podem provocar.

Essa diferença de estilo começa a produzir reflexos na relação com a base.

E se o cenário mudar?

Oficialmente, absolutamente nada mudou.

Mauro Mendes continua afirmando que Pivetta é seu candidato.

Não existe qualquer declaração pública indicando mudança de estratégia.

Mas política trabalha sempre com cenários.

E quando começam a surgir desgastes sucessivos com diferentes setores, é natural que nomes alternativos passem a ser lembrados.

Jayme Campos e Max Russi entram naturalmente nas conversas

O senador Jayme Campos aparece como um nome consolidado.

É experiente, pertence ao União Brasil, percorre o interior do Estado e mantém influência histórica na política mato-grossense.

Já Max Russi talvez seja hoje o político que mais cresce nos bastidores.

Embora reafirme que seu projeto seja disputar a reeleição para deputado estadual e permanecer na presidência da Assembleia, seu poder de articulação impressiona.

Nos últimos meses conseguiu reunir prefeitos, deputados, empresários, lideranças regionais e consolidar o Podemos como uma das maiores forças políticas de Mato Grosso.

Seu nome deixou de ser apenas especulação.

Passou a fazer parte das conversas sobre qualquer cenário para 2026.

Wellington observa de fora

Enquanto o grupo governista administra seus desgastes internos, Wellington Fagundes segue construindo sua candidatura.

Percorre municípios, amplia alianças e conversa com lideranças de diferentes partidos.

Uma dessas conversas ocorreu justamente com Max Russi.

Nos bastidores, ambos chegaram a se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em um encontro que durou cerca de três horas.

Para quem acompanha política, reuniões longas raramente tratam de apenas um assunto.

Análise | Alex Rabelo

Na política, rompimentos quase nunca acontecem de um dia para o outro.

Primeiro surgem pequenas divergências.

Depois aparecem declarações públicas.

Em seguida, aumentam os desconfortos internos.

Só então começam as especulações sobre mudanças de rumo.

É exatamente esse estágio que Mato Grosso parece começar a viver.

Otaviano Pivetta continua sendo o candidato apoiado por Mauro Mendes.

Esse é o fato político de hoje.

Mas também é fato que suas declarações recentes produziram desgastes importantes com deputados, prefeitos, lideranças partidárias e setores estratégicos da base governista.

Isso significa que o grupo abandonará Pivetta?

Não.

Mas significa que, pela primeira vez desde o início da sucessão, começam a surgir dúvidas onde antes havia apenas certezas.

E na política, quando a certeza dá lugar à dúvida, todos os cenários passam a ser considerados.

A grande questão agora não é saber se Mauro Mendes ainda apoia Pivetta.

A pergunta que começa a ecoar nos corredores da política mato-grossense é outra:

Se os desgastes continuarem aumentando até 2026, o grupo governista continuará apostando todas as fichas em Otaviano Pivetta ou começará a olhar com mais atenção para nomes como Jayme Campos e Max Russi?

Essa resposta ainda pertence ao futuro.

Mas os bastidores mostram que ela já deixou de ser apenas uma hipótese para se tornar uma discussão real dentro da política de Mato Grosso.

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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