Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
A eleição de 2026 para o Governo de Mato Grosso já começou nos bastidores… e o clima é de guerra silenciosa entre os maiores grupos políticos do estado.
PL, União Brasil e Podemos surgem hoje como os três principais pilares capazes de construir o próximo governador de Mato Grosso. São partidos que concentram prefeitos, deputados, senadores, lideranças regionais, estrutura política e influência direta nos maiores colégios eleitorais do estado.
Mas o que era para ser demonstração de força começa a revelar divisões internas, disputas de vaidade e articulações que podem mudar completamente o rumo da sucessão estadual.
O PL chega como uma potência eleitoral.
A sigla conquistou as principais prefeituras do estado, elegendo gestores em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, fortalecendo o projeto da direita em Mato Grosso.
Além disso, o senador Wellington Fagundes aparece liderando pesquisas para o Governo do Estado, impulsionado pelo apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, da executiva nacional do PL e do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
Mas, apesar da liderança nas pesquisas, o partido ainda está longe de demonstrar união interna para uma disputa majoritária.
Nos corredores da política, durante meses, muitos apostavam que Wellington poderia até recuar da disputa.
A leitura de bastidor era de que o grupo ligado ao governador Mauro Mendes articulava fortemente para enfraquecer o projeto do senador antes mesmo do início oficial da campanha.
Só que o cenário começou a mudar rapidamente.
O que se viu nas últimas semanas foi justamente o contrário:
Wellington fortaleceu seu grupo político, acelerou agendas, intensificou visitas ao interior, reorganizou sua equipe e começou a mostrar que entrou definitivamente no ritmo da corrida ao Palácio Paiaguás.
E quem já vinha em velocidade alta… agora começou a acelerar ainda mais.
Outro movimento que chamou atenção foi a chegada em Cuiabá do jornalista e publicitário João Maria de Medeiros, marqueteiro responsável pelas campanhas vitoriosas de Blairo Maggi ao Governo de Mato Grosso em 2002 e na reeleição de 2006.
A presença do estrategista no núcleo político de Wellington foi interpretada nos bastidores como um sinal claro de fortalecimento e profissionalização da pré-campanha.
Mas enquanto Wellington cresce para fora, o PL ainda enfrenta turbulências internas.
O que deveria ser um movimento de fortalecimento coletivo do partido acabou gerando desconforto entre lideranças da própria sigla.
Prefeitos recém-eleitos, que eram esperados para ajudar candidatos do grupo, começaram a lançar esposas e familiares para disputar vagas proporcionais, aumentando o clima de disputa entre pré-candidatos a deputado estadual.
O partido tem hoje um nome competitivo ao Governo… mas ainda não conseguiu alinhar totalmente seus interesses internos.
E muitos analistas já fazem uma pergunta nos bastidores:
“Se mesmo dividido Wellington lidera as pesquisas… imagine se o grupo estivesse totalmente alinhado?”
outro lado, o União Brasil também vive dias de tensão.
O partido possui uma das maiores estruturas políticas do estado, com o ex-governador Mauro Mendes, deputados, prefeitos, senador Jayme Campos e forte influência administrativa. Porém, o que era para ser estabilidade virou confronto interno.
O senador Jayme Campos trabalha fortemente para viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado e acredita que seu nome passará pela convenção partidária para representar o União Brasil na disputa majoritária.
Enquanto isso, Mauro Mendes, que já articula seu projeto ao Senado, deixou claro que seu apoio para o Governo do Estado é ao vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.
E esse movimento começou a gerar desconforto dentro do próprio grupo governista.
Muitos integrantes do União Brasil entendem que ter candidatura própria ao Governo fortalece diretamente a chapa proporcional e ajuda na construção de uma bancada estadual maior.
Hoje, os números de bastidor começam a preocupar lideranças do partido.
A avaliação interna é que o União Brasil pode eleger apenas dois deputados estaduais, mesmo tendo atualmente nomes de peso como Júlio Campos, Pastor Sebastião Rezende e Dilmar Dal Bosco.
O cenário ficou ainda mais delicado após a saída de Eduardo Botelho para o MDB, partido liderado politicamente por Janaina Riva, uma das principais vozes de oposição ao grupo de Mauro Mendes dentro da Assembleia Legislativa.
Nos bastidores, muitos já enxergam esse momento como um dos mais frágeis da história recente do União Brasil em Mato Grosso.
Mesmo com o esforço do líder do governo, Dilmar Dal Bosco, tentando construir pacificação interna, o partido ainda não conseguiu encontrar unidade.
E a conta dessa divisão pode ser pesada.
Deputados atualmente no mandato podem acabar ficando fora da próxima legislatura.
Entre os nomes mais citados nos bastidores estão Júlio Campos e Pastor Sebastião Rezende.
No caso de Sebastião, outro fator passou a preocupar aliados:
o distanciamento de parte da base ligada às igrejas Madureira, que historicamente caminhavam ao lado do deputado.
Agora, lideranças religiosas começam a construir o projeto do pastor Bira da Econômica, de Primavera do Leste, nome que pode tirar uma fatia importante do eleitorado conservador e evangélico.
Enquanto isso, Mauro Mendes segue colocando boa parte da máquina governamental, aliados estratégicos e lideranças políticas alinhadas ao projeto de Pivetta.
Resultado:
o grupo governista começa a enfrentar um dos maiores riscos de qualquer eleição — a fragmentação.
Analistas avaliam que uma divisão entre Jayme Campos e Pivetta pode enfraquecer ambos os lados e abrir espaço para crescimento de adversários.
E é justamente nesse ambiente turbulento que surge o crescimento silencioso do Podemos.
Enquanto PL e União Brasil vivem conflitos internos, o partido comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, cresce de forma organizada, estruturada e sem grandes desgastes públicos.
Nos bastidores, prefeitos e lideranças do interior passaram a enxergar em Max Russi um nome leve, conciliador, de baixa rejeição e com capacidade de diálogo entre diferentes grupos políticos.
Hoje, muitos já enxergam o presidente da Assembleia como uma possível alternativa de equilíbrio para uma eleição marcada por guerras políticas antecipadas.
A avaliação nos corredores do poder é simples:
Max Russi consegue conversar com grupos que hoje não conseguem mais sentar na mesma mesa.
E isso ficou evidente no ato de filiação do Podemos, quando Max reuniu mais de 100 prefeitos, deputados e lideranças políticas de várias regiões do estado, demonstrando força de articulação e capacidade de unir grupos distintos. 
Além disso, Max Russi vem consolidando uma gestão de forte diálogo à frente da Assembleia Legislativa, o que tem ampliado ainda mais seu capital político.
Mesmo afirmando publicamente que seu foco é a reeleição para deputado estadual e a continuidade da presidência da ALMT, nos bastidores o discurso já é outro.
Prefeitos e lideranças políticas passaram a defender abertamente o nome de Max para o Governo do Estado.
E como a política muda rapidamente, ninguém mais descarta essa possibilidade.
Principalmente diante das dificuldades enfrentadas por Otaviano Pivetta para crescer politicamente no interior e consolidar sua candidatura.
Nos bastidores, já existem lideranças afirmando que, caso Pivetta não consiga decolar eleitoralmente, Max Russi pode acabar sendo convocado para liderar um grande projeto de consenso.
Inclusive, comenta-se que candidatos que hoje trabalham projetos próprios ao Executivo poderiam abrir mão da disputa para somar forças ao presidente da Assembleia.
Outro detalhe que chama atenção:
muitos deputados enxergam em uma eventual ida de Max ao Executivo a oportunidade de abrir espaço para renovação interna e nova composição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.
Mesmo sem assumir oficialmente uma pré-candidatura ao Governo do Estado, Russi começa a ser pressionado por lideranças políticas para entrar definitivamente no jogo majoritário.
E talvez esse seja justamente o fator mais imprevisível da eleição de 2026:
os grupos começaram a guerra cedo demais.
E isso… pode mudar completamente o destino da sucessão estadual.
Porque uma coisa é certa:
isso tudo é apenas o começo.

